Comportamento, Moda

Slow tudo

Sempre que leio, escrevo ou converso sobre a necessidade de mudarmos nossos hábitos de consumo de moda, bate uma tristeza. Sinto que esse é um daqueles casos em que a teoria vai bem, mas a prática nem tanto. O fast fashion cresce apoiado nos preços baixos e na facilidade de pagamento, mesmo quando a gente argumenta que basta comprar menos para comprar melhor. E que não precisa ter tanta roupa.

No texto Fast fashion, o plástico e a bolha (leia aqui), publicado em setembro do ano passado, comentei sobre a quantidade de lixo plástico que uma das empresas em que trabalhei produzia; mas principalmente sobre o impacto da escolha de quem consome. Em mais uma incoerência da vida, os que preferem permanecer na bolha costumam ser os mesmos que reclamam que a moda está chata, sem novidades, e que “a indústria da moda” faz mal ao mundo.

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O estilista Ronaldo Fraga falou recentemente ao site da revista Elle sobre a moda ser “o espelho do tempo”: “Nessa loucura que a gente tá vivendo, tem gente dizendo que a moda tá terrível hoje. Não tá, ela tá a cara do tempo”. Sim! A moda é comportamento. E só o comportamento é capaz de mudar a moda. Não apenas o comportamento de consumo, mas a forma como levamos a vida. Repare como a busca por novidades o tempo todo, e a vontade de ter muito, fazer muito, mostrar muito é presente no trabalho, na vida social, nas relações…

Keep calm! Diminuir a velocidade, em muitos sentidos, mudou minha rotina, qualidade de vida e fez muito bem à minha sanidade mental (importantíssimo). É claro que existem urgências, mas a maioria das pressões não precisam ser aceitas: minhas pesquisas empíricas comprovaram que 98% do que dizem ser “urgente” pode esperar.

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Semana passada assisti um vídeo da Jout Jout onde ela conta que ao começar a fazer as coisas mais devagar percebeu que sobrava mais tempo, e nada poderia traduzir melhor o que quero dizer aqui. Muitos dirão o contrário, mas o princípio da rebeldia (de desacelerar em pleno 2017) é fazer o oposto.

Fazer sem pressa, com cuidado, prestando atenção e valorizando cada detalhe e processo (material e humano) são alguns dos fundamentos do slow fashion que servem para ser slow em tudo. Permitir-se respirar ar puro no meio do dia, desligar o celular para almoçar e aproveitar momentos de ócio é importante. Na vida slow, a gente tem tempo de parar para pensar. E é nesse tempo que o pontapé inicial para consumir consciente, entender qualidade x quantidade, fica muito claro. Não custa tentar!

(Fotos: Hans Neumann / Styling: Melissa Levy)

+ | As imagens que ilustram o post são do editorial A Study on Sleep, da Crash Magazine (maio de 2017). Uma das liberdades que assumir o slow me deu foi contar pra todo mundo que, se possível, prefiro agendar o job para o período da tarde. E que isso não tem nada a ver com preguiça de trabalhar.

O vídeo da Jout Jout, acima citado (e linkado), também fala sobre foco e o conceito controverso dessa palavra. Mais uma vez, me representa.

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4 thoughts on “Slow tudo”

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