Comportamento, Moda, Negócios

Fashion Revolution?

O dia 24 de abril de 2013 foi um dia triste para a moda. A queda do Rana Plaza, em Bangladesh, foi uma das maiores tragédias que a indústria já viveu. O edifício que abrigava em condições precárias diversas fábricas de roupas que produziam para grandes marcas globais – como Benetton, Mango e Primark, conforme noticiado na época – colapsou, levando em poucos minutos a vida de mais de mil trabalhadores têxteis e deixando outros 2,5 mil feridos. Detalhe: alguns meses antes, outras centenas morreram em um incêndio ali mesmo e nada foi feito. No total, foram 200 mil pessoas mortas, em trezentos acidentes em fábricas como essa no século XXI.

O cenário, que mais parecia uma zona de guerra (entre escombros, pedaços humanos e pessoas soterradas vivas), foi o ponto de partida para o movimento Fashion Revolution, criado em Londres pelas designers e ativistas Carry Somers e Orsola de Castro com o objetivo de despertar a consciência para as práticas antiéticas na moda e lutar por um mercado fashion mais seguro, sustentável e humano“.

O trecho acima, retirado do livro Moda com Propósito, do André Carvalhal, explica o surgimento e intenção da Revolução Fashion. O movimento impulsiona diversos eventos para discutir o tema, especialmente durante o mês de abril, em diferentes frentes, da indústria ao varejo. Tão importante quanto falar sobre o que é e como surgiu, é, como profissionais e/ou consumidores de moda, buscar e compartilhar formas de fazer parte dessa revolução.

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• Para quem faz moda

Semana passada recebi da ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) um material sobre o Programa de Certificação de Fornecedores que veio ao encontro de diversos questionamentos de designers e estudantes que li ou recebi nos últimos dias no que diz respeito aos fornecedores.

Para Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX, o consumidor “vem se tornando cada vez mais consciente da necessidade de escolhas e dos impactos do seu consumo. Por isso, é que as varejistas associadas à ABVTEX trabalham para garantir a qualidade da origem do produto oferecido nas lojas”. Segundo a ABVTEX, em seis anos de existência o programa realizou quase 20 mil auditorias em confecções e seus subcontratados para verificação de boas práticas e cumprimento da legislação trabalhista em vigor. Só no ano de 2016, foram realizadas mais de cinco mil auditorias com 4.112 empresas certificadas em 681 municípios, em 18 Estados, com o objetivo de “ajudar as empresas signatárias a monitorar e qualificar, de maneira estruturada e integrada, a cadeia de fornecedores do setor têxtil, a fim de disseminar as boas práticas e combater o uso do trabalho análogo ao escravo nas confecções“.

Para os empresários da indústria e confecção, a certificação de fornecedores promove melhoria no ambiente de trabalho, redução de acidentes, aumento de produtividade e qualidade de produto além da retenção de trabalhadores e do alinhamento com a moda responsável cada vez mais valorizada pelo consumidor final, o que garante um retorno positivo dos investimentos em certificação.

Além de trabalhar com fornecedores certificados, novas marcas e pequenos criadores podem buscar alternativas com relação a materiais e processos, reaproveitando matéria prima descartada por empresas de maior porte ou outros criadores através de iniciativas como o Banco de Tecidos, e utilizando técnicas artesanais com foco em exclusividade. Produção em menor escala e transparência nos processos são um caminho interessante para estruturar um novo negócio em um momento de incertezas e economia (de recursos naturais e financeiros).

• Para quem consome moda

Assim como consumir marcas que trabalham com fornecedores certificados e processos responsáveis, o momento atual pele a reavaliação dos hábitos de consumo (onde, como, quanto e porque compramos) e a consciência sobre o real impacto deles. Avalio que a mudança na indústria fashion depende muito mais dos consumidores do que de quem faz, e é triste perceber que a preocupação ainda não é tão presente na vida dos “atores anônimos” (leia mais aqui) que possuem a poderosa ferramenta escolha nas mãos.

Avalie qualidade, busque informação sobre as marcas, reutilize e transforme o que já tem. Faça compras em seu próprio closet, permita-se novas combinações e atente-se para a conservação de suas roupas. Ao longo desses últimos parágrafos, deixo sete links de publicações sobre o assunto aqui no ivylemes.com com o objetivo de mostrar que colocar nosso tijolinho na construção de uma moda mais ética é muito mais fácil e importante do que muita gente imagina. Vamos?

(Imagem: Visualhunt)

+ | Não deixe de assistir o documentário The True Cost para avaliar quando custa realmente aquilo que vestimos.

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