Comportamento, Moda

“The world is watching, it’s time to detox”

A quantidade de produtos de moda made in China é assustadora. Vou parecer ingênua, e talvez tenha sido, com o comentário a seguir, mas achei que o fast fashion no Brasil era avassalador até colocar meus pés em terras europeias. Parei de anotar os nomes na quinta ou sexta loja de fast fashion que descobri na Itália: são muitas, muitas mesmo! Mais do que podia imaginar a minha “vã filosofia”.

Cada uma dessas lojas recebe semanalmente uma quantidade enorme daquelas peças tão bonitinhas quanto ordinárias. E essas lojas estão cheias. Filas nos provadores, filas nos caixas, suas sacolas circulam por todos os pontos da cidade nas mãos de moradores locais ou turistas. Quando comecei a falar sobre consumo consciente de maneira aberta por aqui, pensei em trazer o assunto para debate de forma sutil. Mas a sutileza não combina com o atual cenário: uma indústria que escraviza da produção ao ponto de venda e que está acabando com os recursos naturais que ainda temos.

Semana passada o site Stylo Urbano publicou um excelente texto sobre o futuro dessa indústria em terras chinesas: assim como os trabalhadores, o meio ambiente está sentindo os efeitos da exploração. A matéria descreve a posição preocupada do governo chinês, que busca meios de reverter a situação enquanto é tempo, e a posição não tão preocupada assim das marcas internacionais que, até então, exploravam mão de obra e meio ambiente do país: “Os custos de eletricidade e mão de obra na China estão ficando mais caros e isso se reflete no preço da fabricação de artigos de moda, por isso as marcas internacionais estão procurando outros países com farta mão de obra barata e custos baixos como Bangladesh, Índia, Marrocos, Vietnã, Turquia e agora África para fabricar seus produtos”. É isso mesmo. Depois de acabar com a China, outros países estão na “linha de tiro”.

A China tenta salvar-se como pode, planejando mudar o foco da indústria de Moda local com investimento em moda autoral e o fechamento de fábricas que não atendam aos novos termos de sustentabilidade que serão implantados. Segundo a matéria acima citada, “outra ideia é a de reciclar quimicamente todos os resíduos têxteis e roupas velhas para criar novos tecidos e evitar que sejam descartados nos aterros”.

Os consumidores de Moda são mais decisivos nesse processo do que imaginam. Quando compartilhei por aqui o documentário The True Cost, e também divulguei entre amigos, muitos dividiram comigo sua comoção. Sentiram-se tristes, choraram… E continuaram comprando. Sim, há uma luz no fim do túnel. Mas percebi que é preciso seguir um valioso conselho da minha irmã: “Em alguns temas, a gente precisa ser radical”. Esse é um deles.

Não é fácil ler que “a indústria da Moda” está matando, “a indústria da Moda” está poluindo. Eu faço parte dessa indústria e garanto a vocês que ela não é só isso. A indústria da Moda é um rico universo de cultura, sociologia, filosofia, arte… De tecidos combinados com um propósito e significado, de formas que ajudam a contar a história do mundo, de cores que transmitem emoções.

Existem muitos profissionais responsáveis nessa indústria. Criativos e crentes de que a Moda fala, inclui e transforma. Prova disso é que há movimentos engajados na área, unidos para denunciar e fazer a sua parte. “The world is watching, it’s time to detox“!

Ilustro esse texto com três excelentes vídeos retirados da matéria do site Stylo Urbano, mencionada acima, e finalizo com dois apelos. Profissionais de Moda que mantém suas empresas de forma responsável, continuem lutando. Para sobreviver do que amam, para mostrar que a indústria da Moda vai além desse “lado negro” e para virarmos o jogo. Consumidores de Moda, não há justificativa: parem de comprar dessas empresas!!!

+ | Ciente de que a exploração, tanto ambiental como de mão de obra, não é exclusividade do fast fashion, uso as grandes redes como exemplo por serem as lojas com maior visibilidade e “acesso”. Obviamente, a mensagem é geral: exploradores, grandes ou pequenos, não passarão.

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6 comentários em ““The world is watching, it’s time to detox””

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