Fast fashion, o plástico e a bolha

Mês passado compartilhei por aqui uma matéria (e três videos) sobre a poluição ambiental causada pelas indústrias de Moda na China. A China está em estado de alerta, e pretende frear a produção têxtil irresponsável. Enquanto isso, marcas internacionais procuram “outros países com farta mão de obra barata e custos baixos como Bangladesh, Índia, Marrocos, Vietnã, Turquia e agora África para fabricar seus produtos”.

O Brasil, apesar de discretamente, já produz para empresas multinacionais de fast fashion. Como são tratados esses resíduos em nosso “solo fértil” eu não sei (apesar de poder imaginar), mas fui testemunha ocular da quantidade de plástico que é descartada diariamente por uma grande rede em Curitiba e São Paulo.

Para garantir a chegada de seus brincos por R$ 5,90 intactos ao nosso país, a empresa o coloca dentro de um pequeno saco plástico. Cinco pequenos sacos plástico, cada um com um par de brinco, são colocados dentro de um outro saco plástico maior. Cinco sacos plásticos maiores são colocados dentro de mais um saco plástico, agora médio; e depois cinco sacos plásticos médios são armazenados em mais uma embalagem plástica grande e assim sucessivamente. É uma matrioska de sacos plásticos!

Usei o exemplo dos brincos, mas é dessa forma que são embalados grande parte dos produtos que abastecem as lojas da rede. Plástico, outro plástico, e mais um plástico dentro de outro plástico. São retirados, diariamente, sacos e mais sacos plásticos de cerca de 1 metro de altura contendo… outros sacos plásticos! E, sim. Eu disse diariamente. É claro que os produtos precisam de uma embalagem, mas é realmente necessário tanto plástico? Já vi aparecer, inclusive, dois sacos plásticos embalando apenas uma peça.

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Mas “nessa de conversar” sobre fast fashion e contar a história do plástico, percebi que há um problema maior que o plástico: a bolha. Muitos consumidores se agarram a qualquer argumento (furado) para justificar as práticas abusivas dessas indústrias. E isso vai de dizer que comprar no fast fashion é a única opção para elas, ao absurdo de achar que tais empresas fazem o bem (!!!) para uma população onde ganhar $1 trabalhando em condições deploráveis e com uma carga horária desumana é melhor que não ganhar nada (o quão desumano é esse pensamento?).

Resumindo: não adianta resolver o problema do plástico (que aqui representa o impacto ambiental), enquanto as pessoas permanecerem na “bolha”. O meio mais eficaz de, ao menos começar a, mudar o cenário é através de quem consome fast fashion.

Lendo sobre marketing de Moda no livro Vítimas da Moda?, de Guillaume Erner (livro esse que foi uma das bases do meu TCC, e que recomendo hoje e sempre), sublinhei um texto com o qual encerro esse post. Apesar de não tratar diretamente sobre o tema, ele reforça o poder do consumidor em toda essa engrenagem. Eu e você, “autores anônimos”, só precisamos querer.

“O mundo da moda se destaca pela atenção que dá às distinções. Desde o lugar ocupado em um desfile até a preocupação de algumas maisons com a clientela aristocrática, esse universo prolonga de forma artificial o mundo das castas. (…) Seu erro é acreditar que o domínio do esnobismo se aplica à sociedade inteira. (…) Para sua maior infelicidade, as marcas não têm o poder de impor um estilo de vida aos consumidores; ao contrário, elas vivem sob a constante ameaça que representam para elas as decisões desses atores anônimos“.

(Imagem: Ejorpin via Visualhunt)

Ideias com amarelo em Londres

A Pantone divulgou recentemente as dez cores da primavera 2017 e entre elas está o amarelo Primrose Yellow. Antes disso, na Semana de Moda de Londres, a passarela da Peter Jensen trouxe boas ideias para usar esse tom “solar”.

Um acessório amarelo ao lado da dupla branco e bege, ou um detalhe sutil da cor em uma composição com branco e dois tons de azul são maneiras fáceis de colorir o look; enquanto quem gosta de visuais multicoloridos pode apostar nos quartetos azul, amarelo, bege e branco ou amarelo, branco, vermelho e azul.

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(Imagens: reprodução)

Macacão na NYFW

Semana passada a New York Fashion Week deu início às apresentações das coleções de Verão 2017. Logo nos primeiros dias de desfile, nota-se a permanências das referências esportivas e das peças confortáveis, com tecidos leves e modelagem oversized, entre as principais apostas; e poucas peças representam tão bem esse mood quanto o macacão.

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Alexander Wang

Amplos ou bem justos, como o modelo da passarela da Alexander Wang, as “peças únicas” tem tudo a ver com a praticidade que o dia a dia de grande parte das mulheres exige. Sem precisar pensar na combinação com outros itens, um bom macacão basta para estar bem vestida. Ao mesmo tempo, assim como os vestidos, permite uma variedade de composições através da simples sobreposição de um colete, blazer ou jaqueta.

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Brandon Maxwell

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Ralph Lauren

Até mesmo os modelos com recortes ousados da coleção da Cushnie Et Ochs conseguem adaptar-se a dois ou mais ambientes ou ocasiões, e quando em tecidos nobres, o macacão circula por festas de gala e pode até substituir o vestido de noiva. Que tal o tomara que caia branco da grife?

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Cushnie Et Ochs

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Cushnie Et Ochs

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Cushnie Et Ochs

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Cushnie Et Ochs

(Imagens: reprodução)

Twinset: inspiração de moda para crianças

A moda infantil não resume-se mais ao vestido cor-de-rosa com babados e flores. Cada vez mais próxima da estética das roupas para adultos, esse mercado cresceu e mudou: as crianças e pré-adolescentes também estão conectadas, com acesso à informação e liberdade para opinar na hora de se vestir.

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Na Itália, as vitrines infantis da  Twinset me chamaram a atenção pela riqueza do styling que inspira até mesmo visuais para quem já é bem crescidinha. As mocinhas da marca usam saia de tule com coturno, visuais monocromáticos com mix de texturas e gorro ao lado de blusas e saias com babados. O visual merchandising também segue as técnicas em alta nas vitrines para adultos: manequins em diferentes planos e com movimento.

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Ativas em redes sociais cada vez mais cedo, não é de se surpreender que a formação da personalidade e do estilo pessoal aconteça precocemente. Quem trabalha com moda infantil tem um rico universo a ser explorado (em coleções e vitrines), além da missão de agradar essas exigentes consumidoras com roupas alinhadas com as principais tendências sem perder a atmosfera lúdica e o conforto. Desafio para gente grande.

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(Imagens: acervo pessoal e divulgação)

Recordando truques com o styling da Thakoon

A New York Fashion Week começou semana passada, abrindo a temporada de desfiles com apresentações see now, buy now. Independente do hemisfério e da estação, as principais passarelas do mundo sempre merecem um olhar atento: mais que shapes e peças da vez, elas trazem ideias para combinar cor e truques de styling que ajudam a “reciclar” o look. Ilustradas com os visuais da Thakoon, refresco três boas ideias para ver agora e usar agora com peças que já estão no seu guarda-roupa.

• Usar uma terceira peça, além do top + bottom, traz informação ao visual; e amarar uma camisa ou jaqueta na cintura já é moda. No desfile da grife a terceira peça aparece amarrada tanto na cintura quanto nos ombros, sempre desabotoada para fugir do visual patricinha. Para ficar ainda mais atual, escolha uma peça que contraste em estilo ou “peso visual” para amarrar: a Thakoon combinou jaqueta oversized esportiva e saia de renda.

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• Trios de cores são um jeito fácil de deixar peças lisas ou neutras mais interessantes, principalmente quando aliados a materiais com caimentos e texturas diferentes. Além dos trios de neutros e das composições com três tons de uma mesma cor, visuais tricolores são uma boa forma de aderir aos contrastes sem medo de parecer colorida demais: escolha um item neutro, um blazer alongado, por exemplo, para sobrepor.

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• Além da modelagem e do tecido, as cores interferem no “peso visual” da roupa. Para equilibrar a doçura de estampas florais em tons claros, combine-as com peças escuras em tecidos estruturados. No desfile da Thakoon, as cores marrom e preto quebram o romantismo do cor-de-rosa mesmo em um look com babados. Outros bons trios são azul marinho e preto com amarelo claro; e vinho + marrom com rosê.

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Joias italianas na Ponte Vecchio, em Florença

Um dos cartões postais de Florença, a Ponte Vecchio é famosa pelas vitrines de joalherias mundialmente conhecidas, como Cartier e Rolex, e locais. Além de acessórios, a histórica ponte construída na época da Roma antiga, e reconstruída no século XIV, traz objetos decorativos e funcionais feitos com matéria-prima nobre.

Entre as grifes italianas, a centenária joalheria Fratelli Piccini chama a atenção por suas linhas de joias que atendem diferentes estilos. Coleções com design clássico e modelos minimalistas com formas geométricas, além do acabamento impecável, fazem da Fratelli Piccini uma das vitrines imperdíveis para os apaixonados por acessórios de luxo.

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Croqui da joalheria Fratelli Piccini

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Anel de concha natural com ouro 22K e diamantes

A empresa conta com a experiência de quatro gerações de joalheiros responsáveis por peças assinadas e numeradas, e traz joias diferenciadas na forma e nos materiais como o anel feito com concha natural e os braceletes que combinam madeira à metais e pedras preciosas. Abaixo, anel e bracelete da coleção Tetti (telhados, em italiano), inspirada na geometria dos telhados de Florença. A linha também tem peças com pedras como Lápis-lazúli e Olho de Tigre.

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Para quem procura peças atemporais e versáteis, a loja do designer Marco Bicego é outro destaque. Com técnicas artesanais de processamento de matéria-prima passadas de pai para filho, as joias da grife trazem um design leve e uma interpretação nada óbvia de temas étnicos.

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Coleção Cairo, da joalheria Marco Bicego

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Tanto os acessórios com a clássica combinação de ouro e diamantes como itens das coleções que trazem pedras multicoloridas, como a linha Murano, as joias Marco Bicego são peças que combinam com qualquer fase da vida e atravessarão gerações sem sair de moda.

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(Imagens: divulgação)

Luisa Spagnoli

“Quem corre para o futuro esquecendo seu passado perde sua própria identidade”. A frase de Nicoletta Spagnoli resume o compromisso de uma empresa de quatro gerações que teve início em 1928 quando Luisa Spagnoli começou a confeccionar sofisticadas peças de malha tecidas com fio de angorá. O tecido, produzido a partir do pelo de coelhos da raça angorá, chamou a atenção pela consistência, leveza, e também por tratar-se de uma matéria prima nacional em uma época onde grande parte das empresas italianas importava fios.

Dedicada a inserir as mulheres no mercado de trabalho, Luisa Spagnoli faleceu prematuramente em 1935. A marca passou a ser administrada por seu filho, Mario Spagnoli, responsável pela abertura da primeira loja, e posteriormente por seu neto, Lino Spagnoli. Presidindo a empresa atualmente, Nicoletta Spagnoli tem como missão renovar a identidade da marca mantendo sua tradição e essência, além de fortalecer a imagem do made in Italy como exemplo de qualidade para a indústria da Moda mundial.

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Com peças clássicas em um styling atual, Luisa Spagnoli é uma das marcas que mais atraiu minha atenção na Itália. As imagens da campanha outono/inverno 2016 da marca, que ilustram o post, mostram a mulher contemporânea e elegante que a grife veste: são itens atemporais renovados através de tecidos, texturas e contrastes inteligentes. Um exemplo? O chapéu retrô arrematando a beleza do momento, que traz cabelos “despenteados” e olhos marcados.

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Duas grandes apostas para o outono/inverno, o veludo e os acessórios metalizados, também aparecem na coleção. Como não poderia deixar de ser, eles modernizam o tradicional blazer e bolsa carteira com tassel. O look traz mais um contraste de styling bem sucedido: misture o retrô da camisa branca de renda com uma bota prateada.

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Mais que uma história de sucesso e uma bela coleção, Luisa Spagnoli tem pontos de venda extremamente bem cuidados, onde até a vitrine de liquidação tem cenografia, e um site informativo e fácil. Por lá é possível encontrar slides e videos com a história da marca, dados sobre a empresa e suas lojas, e um lookbook maravilhoso com ideias de composição e link para comprar cada uma das peças. Não deixe de conhecer!

(Imagens: divulgação)