Moda

A febre esportiva continua

Da corrida ao boxe, os esportes emprestaram elementos e materiais para a moda casual nas últimas temporadas, e nas próximas estações não será diferente. Com referências vindas do universo do ski, o editorial Ski Fever, da Vogue holandesa (janeiro de 2018), traz inspirações para começar a pensar nos visuais de inverno unindo o conforto do vestuário esportivo com itens de moda que prometem aquecer dias frios.

O xadrez, especialmente em suas versões retrô, é uma das apostas do ano. Para um visual moderno sem excessos, experimente misturar dois tipos diferentes da estampa com a mesma cartela de cores (as neutras são a opção mais segura). Como não poderia deixar de ser, o tricô aparece em modelos para todos os gostos: cropped para combinar com cintura alta e longo e volumoso para usar como vestido ou com calça bem justa.

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Jaquetas oversized e bem aquecidas não perdem espaço no editorial, elas aparecem em contraponto com o body, em uma brincadeira de peça volumosa x justa, e em composição monocromática com o tom de cor de rosa da vez: o Rosa Millennial.

O toque clássico da mini saia 60’s e padronagem argyle na meia-calça deixou a composição com tricô geométrico super atual e rica em referências. Uma ótima ideia para quem não tem medo de ousar.

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(Fotos: Carlijn Jacobs)

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Moda, Negócios

Mantenha distância

A valorização do tempo para si e um certo afastamento do mundo “lá fora” caracterizam um comportamento de consumo identificado como Festa do Eu Sozinho, em estudo divulgado nos últimos meses do ano passado pelo portal Use Fashion. Diferente de um comportamento depressivo, aproveitar o silêncio e momentos consigo mesmo faz parte do estilo de vida desse consumidor, que ganha cada vez mais adeptos na rotina atribulada dos centros urbanos.

Na hora das compras, eles são avessos aos vendedores “atenciosos demais” e valorizam a autonomia de “sondar”, com liberdade de tempo e espaço, os produtos que lhe interessam. São pessoas propensas a consumir cada vez mais através do e-commerce, por oferecer uma loja que pode ser acessada do sofá de casa sem precisar interagir com ninguém.

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E por falar em sofá, esse é também o público de peças de roupa confortáveis que podem ser usadas dentro e fora de casa. Seu estilo não é necessariamente básico: referências esportivas, cores vibrantes e estampas ou frases divertidas tem tudo a ver com os convidados da “festa do eu sozinho”. Embora possam ser considerados “anti sociais”, esses exigentes consumidores são muito bem informados e não tem medo de novidades.

Como conquistá-los? Publicidade em excesso os incomoda. Além disso, são pouco influenciados pelo número de seguidores ou likes que a marca possui: valorizam conteúdo, seja nas redes sociais ou através de vendedores bem informados no ponto de venda, e possuem estilo próprio. Não será fácil chegar perto deles…

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda

O tal propósito

A relevância do conceito ajuda a assumir outro desafio da arte contemporânea: o de impugnar, criticamente o esteticismo banal da imagem que, com caráter de publicidade, entretenimento, pura comunicação ou espetáculo, amortece o potencial crítico da imagem, diminui seu alcance social e desativa a política do olhar“.

O trecho do curador da exposição Além da Fotografia, em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, Tico Escobar, é uma reflexão que, de fato, vai além da fotografia; por isso o escolhi para falar de moda. O tal “propósito” da moda e o movimento slow fashion, bastante discutidos pelos criadores contemporâneos, vai ao encontro da “relevância do conceito”: moda com propósito não existe sem um conceito relevante.

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Quem faz e veste moda com propósito pensa, cria e compra pautado em escolhas que vão além da estética, elevando, ao invés de, usando as palavras de Escobar, amortecer o potencial crítico da imagem (nesse caso. a roupa). Abordar o assunto, como criador ou consumidor, é abrir espaço para refletir, entre outras coisas, sobre diferença entre comprar a “mesma” (mesma?) camiseta branca no fast fashion ou em uma marca que oferece material diferenciado e produção transparente abrindo os olhos para o alcance social e político na hora de “fazer a conta“.

Longe de querer negar a publicidade, o entretenimento e o espetáculo, que também fazem parte da moda, a ideia é repensar o consumo impulsivo, além de avaliar o que é apenas “esteticismo banal” e os falsos propósitos que tornaram-se “pura comunicação”. Fazer uma leitura crítica do conceito é essencial para reconhecer onde moram os verdadeiros propósitos na moda atual e impugnar o que a reduz à mera futilidade. Que em 2018 a Moda esteja mais consciente. Consciente de verdade.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda

“Retrô” 2017 | Apostas 2018

A moda é, cada vez mais, um universo de infinitas possibilidades. Esse ano, por exemplo, foi marcado por acessórios impactantes e detalhes nada discretos, com aplicações e bordados, que repaginaram clássicos como o mule ou bolsas com design atemporal. Foi difícil não se apaixonar pelas alças estampadas, texturizadas e multicoloridas que elas ganharam (confira 100 modelos de bolsas das passarelas internacionais).

De mãos dadas com os anseios do nosso tempo, o moletom e as peças com shapes amplos, antes restritos ao guarda-roupa esportivo, firmaram-se na moda casual e circularam em muitos ambientes: com as rotinas cada vez mais agitadas, o conforto nunca esteve tão em alta. A preocupação com o bem viver estende-se ao importante debate sobre moda ética, e os criadores de moda e adeptos do movimento slow fashion ganham cada vez mais espaço. Na prática, referências de moda que misturam estilos e valorizam a personalidade de quem veste só contribuem para endossar o movimento: aderir aos itens customizados, garimpos de brechó e composições hi-lo é cool.

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Em 2018, o mundo fashion não deve recuar em ousadia. Reinventar e misturar é tendência! Além dos acessórios, que permanecem oversized, e das superfícies bordadas com pedras e paetês para usar inclusive à luz do dia, compartilho por aqui cinco apostas para o novo ano.

A cor do ano (e variações): A Pantone anunciou Ultra Violet como a cor de 2018, mas ao lado dela, outras tonalidades de roxo, em especial os tons claros como o lavanda, prometem colorir as próximas estações. Embora pareça difícil de usar, o roxo vai bem não só ao lado dos neutros: arrisque produções com uma cor contrastante e experimente brincar com o tom sobre tom.

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Fisherman bag: Não é de hoje que brilho e materiais rústicos estão dividindo espaço nas passarelas e vitrines, e o uso de elementos simples em artigos de luxo continua com tudo. Acompanhada ou não de uma segunda peça interna ou detalhes em couro, a bolsa “saco de pescador” tem tudo para despontar no próximo ano. Seguindo a ideia de levar consigo apenas o essencial, a fisherman bag vai bem com roupas leves e práticas como o macacão (outra aposta para 2018) e vestido longo, ao mesmo tempo em que pode atualizar com muito estilo o look da academia.

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Franjas: Antes relacionadas à visuais com referências rústicas, as peças com franjas já não estão mais restritas aos looks com toques étnicos. Multicoloridas para atualizar itens neutros, em peças retrô que remetem à década de 20 ou em jaquetas de couro que vão muito bem em visuais com mix de referências, não necessariamente ligadas ao mundo do rock, o detalhe não deve sair de cena em 2018, e está em roupas, bolsas, calçados e acessórios.

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Xadrez: Uma estampa que nunca sai de moda entra na lista de apostas com destaque para suas versões retrô: o xadrez “miúdo” em peças clássicas, como blazer e calça de alfaiataria, é o xadrez do momento. Nada caretas, as calças são uma ótima peça para tirar a t-shirt do lugar comum ou coordenar com tops florais (aliás, os florais retrô também estão na moda), e os blazers longos são o complemento perfeito para vestidos, saias e shorts curtos.

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Calçados com fivela: Mais um item com toque retrô da lista, os calçados com fivelas grandes já começaram a aparecer nas vitrines de marcas nacionais e internacionais. De sapatos que parecem ter saído de um filme antigo, ótimos para combinar com peças modernas, aos modelos que misturam materiais e detalhes da temporada, há opções para diferentes estilos. Uma boa pedida para deixar visuais básicos super atualizados.

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(Imagens: internet)

Beleza

Três, três e três de beleza

Para voltar a publicar sobre produtos de beleza, uma nova olhada (e um novo olhar) para os meus essenciais mostra menos produtos melhor aproveitados. Entre eles selecionei nove, separados em trios: três produtos que não dispenso ao acordar, três itens de maquiagem para o dia a dia e três itens para manter os lábios hidratados.

No cuidado com a pele, meus aliados são produtos específicos para peles sensíveis: o sabonete de alta tolerância Effaclar, da La Roche-Posay, o tônico da linha Sensi Solution, da Adcos, e o hidratante com fator de proteção solar Hydrance Optimale, da Avène, nessa ordem. O hidratante facial Hydrance Optimale possui fórmula livre de óleos, e é o melhor produto que já experimentei com fator de proteção solar. Dicas matinais extras: gelo,para desinchar, e soro fisiológico para limpar o rosto.

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Minha maquiagem diária resume-se a três itens (ou dois!): o lápis para sobrancelhas, da Vult (cor universal), a máscara Hypnôse Drama, da Lancôme, e o lápis para olhos com esfumador da Kiko (cor 04 / Pearly Brown), sobre o qual já comentei no post sobre compras de beleza na Itália e em Paris (aqui). Embora não use o lápis todos os dias, ele é um coringa que pode ser utilizado ora rente aos cílios inferiores, ora delineado ou esfumado na pálpebra móvel para “efeito sombra”. Por ter textura cremosa, quando aplico rente aos cílios inferiores finalizo com uma sombra da mesma cor: o acabamento fica mais bonito e a maquiagem dura mais.

Com lábios frequentemente ressecados (e ressecáveis ao menor sinal de ar condicionado), sou “testadora” de produtos para manter a hidratação deles. Entre diferentes balms o clássico Baby Lips, da Maybelline, para todo dia, e o Kelyane HD, da Ducray, para reparar com mais intensidade, são meus favoritos do momento. Má notícia: comprei o Kelyane HD na Farmacity, em Buenos Aires, e até agora não o encontrei por aqui. O mais “potente”: Bepantol, essa maravilha que repara enquanto durmo e que também suaviza olheiras. Vale ter na necessaire pra sempre!

(Imagens: reprodução)

Comportamento, Etiqueta

Não seja deselegante

Sempre achei que Etiqueta deveria constar na grade escolar obrigatória. E cada vez mais acredito que a falta dessa disciplina é responsável por muitos incômodos cotidianos. Práticas simples, que deveriam ser óbvias, precisam ser ensinadas. E não estou falando sobre ordem de talheres. Etiqueta não é frescura (ordem de talheres também não, mas essa é outra pauta).

E é para todos. Para que os passageiros do transporte público aguardem o desembarque. Para que recolham a bandeja da praça de alimentação do shopping. Para que deixem a esquerda livre na escada rolante. Para que decidam o que pedir antes de entrar na fila (ao invés de “empatar” o caixa). Para que não se atrasem (Ô dificuldade!). Para que não perguntem quanto pagamos no sapato que estamos usando e por aí vai. Etiqueta é para facilitar, tornar o dia a dia e as relações mais agradáveis: com uma dose de etiqueta a gente evita colocar (ou manter) os demais em situações constrangedoras, ao invés de tornar um incidente ou uma gafe motivo de chacota diária no escritório. Coloque-se no lugar do outro! Mais que isso, aguce sua percepção. Nem sempre o outro reage a uma situação da mesma forma que você, mas não é difícil notar quando ele está incomodado com uma situação. E educação também é evitar que os demais sintam-se desconfortáveis sempre que possível.

Etiqueta nada mais é que educação e noção do seu espaço. Saber o seu lugar e respeitar o do outro independente de posição social ou hierarquia na empresa. Tudo isso para abrir um tópico que voltarei a explorar: tem tudo a ver com estilo de vida e é o único “complemento” que combina com qualquer look em qualquer ocasião e hora do dia. Precisamos falar sobre Etiqueta.

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Com a proximidade do fim de ano, vale lembrar de algumas boas práticas na hora de circular pelo shopping ou fazer compras. Utilizando algumas das situações citadas acima, o caixa (da praça de alimentação ou da loja) serve para finalizar sua compra e não para escolher o que vai degustar ou comprar: evite atrapalhar quem deseja pagar e ir embora mudando seu pedido ou pensando/trocando/escolhendo itens adicionais na “boca do caixa”. Não é hora nem lugar. Da mesma forma, sua pressa ou agenda atribulada não é justificativa para exigir preferência ou furar filas. Ninguém é mais importante que os demais, nem o único que possui outros compromissos. Aguarde a sua vez!

Lembre-se que o espaço coletivo é… coletivo!!! E sua vontade de espalhar todos os produtos no balcão ou seus pertences para experimentar sapatos deve ser contida a fim de respeitar o conforto alheio: esse espaço é dividido, e aqui entra a boa e velha regra do “seu espaço acaba quando começa o do outro“. O mesmo vale para corredores ou escadas rolantes. Seu grupo de amigas não tem o direito de criar “rodinhas” que atrapalham a circulação ou falar alto nesses ambientes comprometendo  a mobilidade e a comunicação alheia. Tá? “Mas o ambiente é público”. Exato. Público. E nesses espaços a gente não faz “o que quer”.

Depois das compras, pausa para o café. A praça de alimentação está lotada e já terminou seu lanche? Não custa nada continuar a conversa enquanto caminha pelo shopping para que os outros possam apreciar sua refeição também. Custa menos ainda retirar sua bandeja.

(Imagem: Visual Hunt)

Mais

(Ch-ch-ch-ch) Changes

Mais de um mês longe daqui e muito para dividir. Nova rotina e novas experiências profissionais bagunçaram a agenda nos últimos meses, e, como não poderia deixar de ser, trouxeram novas reflexões, novas ideias, novos projetos. Finalmente pareço estar começando a reorganizar a vida. Divido por aqui um pouco disso tudo.

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• O escritório continua funcionando

E a agenda de Consultoria Criativa para marcas de Moda para 2018 está aberta. A partir de um diagnóstico sobre a identidade da marca, seus objetivos e orçamento, traçamos um planejamento de ações avaliando prioridades e elencando sugestões para os próximos passos. Totalmente online (via Skype), o plano mensal de Consultoria Criativa para Marcas de Moda conta com quatro sessões e é ideal para quem está construindo e estruturando sua marca “depois do expediente”. Saiba mais aqui.

Ímpar?

É o novo nome da marca de moda que iniciei no primeiro semestre desse ano (e que levava meu nome). O propósito slow fashion permanece, e a vontade de experimentar aumentou. A terceira coleção está prestes a ser lançada, e traz sacolas de crochê exclusivas (apenas uma peça de cada) que revelam uma nova vontade. Em 2018, a etiqueta Ímpar deve ampliar a linha de produtos e materializar minhas inspirações em itens únicos com foco na construção de um guarda roupa com longa vida útil sem ignorar as tendências, pensando moda atemporal com frescor contemporâneo. Acompanhe também no Instagram.

• Reunião de pauta: blog e colunas

Diversificar o conteúdo do blog, misturando “moda profissão” com “moda-estilo de vida”, agregou leitores e conteúdo deixando o ivylemes.com a minha cara. Afinal, é impossível desvincular a moda do meu lifestyle. Minhas colunas de Moda para o blog Palpite De Alice continuam disponíveis no site do Viver Bem, na Gazeta Do Povo, mas não estarei mais por lá. Questão de foco.

Nesse tempo sem escrever, aproveitei para organizar pautas e reunir ideias. Novos conteúdos estão por vir. Volto logo.

(Ch-ch-ch-ch) Changes / Turn and face the strain / (Ch-ch) Changes / Just gonna have to be a different man / Time may change me, but I can’t trace time“.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda

Praia “chic”: sofisticação e delicadeza

Roupa de praia não é só para entrar no mar. Com materiais e complementos sofisticados, grandes nomes da moda praia apresentam coleções que vão da areia às festas (a beira mar ou não).

Conjuntos em tecidos leves e modelagens amplas e fáceis (descomplicadas para vestir e “desvestir”) cumprem bem esse propósito, e não estão apenas entre os modelos de marcas do segmento como Lenny Niemeyer, que apresentou em sua última coleção ótimas propostas para curtir um dia de verão do início ao fim: o mood confortável traz ares praianos para coleções casuais de marcas como Cult Gaia e a alemã holyGhost, que, além de conjuntos, traz uma ótima seleção de peças únicas (vestidos e macacões)  para destinos quentes.

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Tons claros compõem cartelas de cores atuais sem perder a suavidade: além da estampa que mistura dois tons de azul, rosa e amarelo, ou da composição com rosa, marrom claro e azul do Resort 2018 da Cult Gaia, pense em caramelo + amarelo e azul claro, ou verde militar com verde claro e azul.

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Cult Gaia
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Cult Gaia

Em peças ou visuais com tons mais escuros, a coordenação de uma mesma estampa em diferentes sentidos, os recortes e as modelagens assimétricas conferem o movimento e a suavidade que o momento e o ambiente pedem. Esse efeito também pode ser potencializado pelo degradê, pelas amarrações e pelos babados, apostas que devem atravessar estações assim como os contrastes. Falando nisso…

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O jogo de opostos que está em alta aparece de maneira sutil na passarela da Lenny Niemeyer e na Cult Gaia e , onde a leveza dos tecidos contrasta com estruturas rígidas, mas nada pesadas, do maxi brinco e da bolsa em acrílico, que, mais que modernidade trazem um toque de arte às produções. Vale a pena investir.

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Lenny Niemeyer
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Cult Gaia

(Imagens: divulgação)

Beleza, Comportamento, Moda

Pouca maquiagem

Visuais clean são uma das principais apostas de beleza. Embora as passarelas e capas de revista simulem a “cara lavada” muitas vezes com a mesma quantidade de produtos usados usados para criar uma maquiagem colorida, a proposta de naturalidade entra em cena para acompanhar os visuais descomplicados que estão em alta e, acima de tudo, a busca por um lifestyle mais leve.

De carona no (in)consciente coletivo, e priorizando a saúde da minha pele, abri mão de uma série de “indispensáveis” de maquiagem nos últimos anos. Mais que repensar minhas escolhas, essa mudança de hábito tem a ver com uma nova forma de entender a beleza (a minha e a dos outros) e com um novo olhar sobre regras que não fazem sentido: a relação obrigatória entre estar arrumada e estar maquiada, por exemplo.

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Meses atrás a participante de um programa que promove mudanças no visual informou que não fazia uso de base no rosto. Atendendo à proposta de transformação, a moça topou experimentar o produto mas não deixou de afirmar, após a aplicação, que preferia sua pele sem base. Em seguida, em depoimento individual, a maquiadora disse não entender “como alguém pode não gostar de ver sua pele mais bonita“. Pergunto: quem é que definiu esse conceito único de “mais bonito”?

Eu sou do time que, muitas vezes, acha o “antes” mais bonito que o “depois” em tutoriais de maquiagem; e entre meus itens de beleza diários a base líquida foi o primeiro a perder espaço. Sim! Acho minha pele mais bonita sem ela. Substituída por um produto em pó e mineral, bem menos agressivo, a nova base não tem “alta cobertura”. Cobrir o que e para quê, se minha pele limpa nunca trouxe incômodo algum? Não estou fazendo campanha contra a base. Mas essa obrigatoriedade de “pele uniforme”, como se a ausência de “reboco” fosse sinônimo de desleixo, é cafona.

Indo além, o título desse post não refere-se apenas aos produtos de beleza. O questionamento vale para toda a “maquiagem” que nos é exigida acompanhada de argumentos rasos.  Em um exemplo pessoal, como profissional de Moda cansei de ouvir que preciso estar sempre com o look impecável: “vai que” algum potencial cliente me conhece sábado a tarde no mercado e eu não estou “com cara” de profissional do mundo fashion?

Poupem-me! A reputação profissional de ninguém é abalada por um moletom com chinelo na fila do pão. Não usar base não quer dizer não gostar de estar bonita. Preferir “cara lavada” não é falta de cuidado. Alternar dias com maquiagem e dias sem maquiagem é, inclusive, uma das minhas maneiras de cuidar da pele.

Tudo isso para voltar a falar sobre beleza, agora sob novos ângulos. Recentemente enquanto reorganizava as categorias do blog notei a ausência de publicações sobre o tema, antes mais frequente. Estou menos vaidosa? Pelo contrário. A vaidade só aumentou, mas a maneira de entendê-la mudou. Pouca maquiagem, e cada vez mais satisfação com o que reflete o espelho. Espero em breve compartilhar novas práticas, produtos e hábitos de beleza pé no chão.

A imagem que ilustra o post é do editorial Quoi de neuf beauté, da Madame Figaro (setembro de 2017).

(Foto: Pawel Pysz)

Moda

Elizabeth Olsen e essenciais

De mãos dadas com a vontade (e necessidade) coletiva de mudar hábitos de consumo, não são poucas as mulheres que passaram a buscar a construção de um “guarda-roupa essencial”. Capa da ES Magazine (agosto de 2017), Elizabeth Olsen é uma inspiração e tanto: a atriz norte-americana investe em looks fáceis, que adaptam-se à “vida real” de muitas de nós, construídos a partir de itens atemporais, como peças de alfaiataria e jeans escuro, além de uma boa variedade de peças lisas.

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O visual básico tricô neutro + jeans escuro da atriz ilustra uma maneira fácil de atualizar peças básicas: repare que, nos pés, Elizabeth Olsen usa uma sandália pesada, item em alta nas últimas temporadas (uma bolsa “da moda” também é bem-vinda para dar frescor a essa combinação). Mais confortável, mas não menos charmoso, o segundo visual com jeans escuro é composto 100% de peças clássicas e não é nem um pouco sem graça. O segredo para a produção com blazer, top branco, jeans e sapato oxford não parecer antiquada ou “chata” é investir em modelagens atuais e misturar tecidos com pesos diferentes…

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Ou apostar no mix de texturas, imbatível para adicionar jovialidade aos visuais compostos por clássicos em cores neuras. No look abaixo, além de texturas diferenciadas e da mistura de estampas, o sapato é uma versão atualizada de uma peça tradicional.

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Peças de alfaiataria ganham um toque moderno em composições com itens e materiais informais, como t-shirts de malha e jeans, para o dia, e podem compor visuais elegantes em combinações monocromáticas, ou com pouco contraste de cor, para ocasiões especiais.

Adepta dos chapéus, sempre em modelos clássicos, Elizabeth Olsen combina o acessório no verão ou inverno: com short jeans e poucos detalhes, os visuais sem complicação são perfeitos para dias quentes e ocasiões onde o conforto é palavra de ordem. Simples assim.
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(Imagens: reprodução)