Os olhos tem que viajar

Diana Vreeland foi editora de duas das principais publicações de Moda do mundo, mas seu legado ultrapassa as páginas da Harper’s Bazaar e da Vogue. O documentário Diana Vreeland: The Eyes Has To Travel (2011) mostra a trajetória  profissional e conta alguns importantes fatos da vida pessoal da “sacerdotisa da moda” através de trechos de entrevistas e depoimentos de familiares e de importantes nomes do mundo fashion.

A ousadia e a criatividade são nítidas em seus trabalhos, e sua energia e vivacidade estão presentes nesse encantador registro do formato às cores e trilha sonora. Ela entendeu a Moda! Como um fenômeno social, como uma forma de comunicar e, sim, de incluir. Diana Vreeland colocou mulheres fora do padrão nas páginas das revistas e valorizou suas características únicas: “Um rosto forte não vem da conformação óssea, e sim do pensamento interior”.

“Morder apenas um pedaço do mundo da Moda seria uma dieta de fome para mim”. Para mim também, Diana!

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(Imagem: internet)

Visual com informação

Levar informação de moda ao consumidor é uma maneira eficaz de impulsionar vendas. Além da produção dos manequins, formas de exposição diferenciadas, comunicação visual e a própria ordem dos produtos nas araras orientam sobre formas e ocasiões de uso.

Em uma composição inspiradora, com peças e acessórios, a vitrine da Kate Spade é um bom exemplo: ao lado de itens como óculos de sol e bolsa de praia, peças lisas, que poderiam não estar na “lista de compras”, tornam-se uma atraente opção para o final de semana.

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Essa estratégia também ajuda o consumidor a visualizar a usabilidade de peças com design e/ou material diferente, que muitas vezes atraem o olhar mas geram insegurança no momento de efetivar a compra: mostre como (e/ou onde) seu cliente vai usar o produto.

Experimente criar exposições que apresentem mensagens, diretas ou indiretas, sobre tendências da temporada. A apresentação de um conjunto de produtos com referências de moda pode ser feita sem alteração na arquitetura da loja ou inserção de um mobiliário específico. Utilize as araras para organizar as peças na ordem de composição do look, e prateleiras ou áreas próximas para adicionar elementos ou painéis informativos.  Dica: a ordem das peças na arara também pode sugerir uma cartela de cores que fuja do óbvio.

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Materiais de comunicação com imagens, palavras ou mensagens diretas são bastante eficientes em lojas masculinas, visto que os homens geralmente buscam itens destinados à ocasiões específicas. Por não possuir o hábito de demorar nas compras, esse público é atraído pela facilidade de encontrar um conjunto de peças e acessórios que combinam entre si de forma fácil.

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Aposte no visual com informação para otimizar todos os espaços do seu ponto de venda. Com uma linguagem atraente e bem alinhada com seu público, sua empresa estará prestando uma “consultoria de moda silenciosa” ao cliente. E ele certamente voltará para a próxima “consulta”.

(Imagens: Pinterest)

Óculos: dois modelos para investir sem medo

O icônico modelo aviador e os óculos com aro redondo, que fizeram sucesso entre os jovens das décadas de 60 e 70, estão entre os destaques para o verão europeu na Vogue Paris (maio de 2016). Pelo design atemporal ou por trazerem consigo uma estética que marcou época, essas peças conquistam adeptos fiéis e valem o investimento.

Com inspiração nas máscaras usadas pelos pilotos na Primeira Guerra Mundial, o óculos aviador foi criado em 1936 e suas lentes grandes tem como objetivo proteger ao máximo os olhos dos raios solares. O modelo popularizou-se com o ator Tom Cruise no filme Top Gun, em 1986. A armação da marca Ray-Ban, utilizada pelo ator, reafirmou a marca como referência no modelo.

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As lentes redondas, por sua vez, ganharam visibilidade no rosto de grandes ídolos da música como John Lennon, Janis Joplin e, no Brasil, Rita Lee. Em diferentes tamanhos, com lentes solares, coloridas ou de grau, os óculos com aro redondo inicialmente produzidos em metal são constantemente revisitados pelas marcas de moda e ganham diferentes espessuras e materiais.

Os dois modelos passeiam com facilidade pelos mais diferentes estilos: use um óculos aviador para injetar atitude em uma camisa clássica e leve um toque retrô à peças esportivas com o modelo de aro redondo. Mais inspiração? A Cacharel (primavera/verão 2016) apostou na delicada combinação de maxi óculos redondo com estampa floral. Difícil escolher um só!

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(Imagens: Vogue Paris e divulgação)

New Look pé no chão

Na última semana de Alta Costura (primavera/verão 2017), a Dior apresentou saias midi em composições que trazem a estética do final de década de 40 para os dias atuais. Misturar silhueta com a cintura marcada, característica da época do New Look, com rasteiras tem tudo a ver com o clima despreocupado da moda atual: preze pelo conforto e misture estilos.

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Aposte na combinação de saias volumosas com t-shirts e rasteiras, e renove itens retrô ou vintage com sandálias hit da temporada. Peças com tiras largas, única ou dupla,  material metalizado e/ou com solado tratorado são as mais cobiçadas.

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(Imagens: Pinterest)

 

 

Sobre a (não) obrigatoriedade do salto alto

Apesar de ter sido adotado como símbolo feminino, foi o rei francês Luís XIV, no século XVII, que propagou o uso do salto alto. No reinado de seu sucessor, Luís XV, o salto alto ganhou ainda mais destaque e o que antes era exclusividade do guarda-roupa masculino passou a fazer parte do vestuário das mulheres.

No início do século XX nós, mulheres, fomos “liberadas” dos espartilhos, mas há quem ainda acredite na obrigatoriedade do salto alto. A situação é ainda mais grave quando a estatura é baixa (meu caso): “você pode usar pantalona, é só colocar um salto”, “mas para trabalhar você usa salto, né”?

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Preciso decepcioná-la como amiga, pois não vou levar a sério esse conselho; mas vou animá-la como stylist e, como dizem por aí, “mulher moderna”: ninguém precisa de salto alto! Nem quando o seu ambiente de trabalho é formal, nem no happy hour, nem para sair pra dançar, nem em um jantar romântico, nem para ir a um casamento (mesmo se a noiva for você), nem para estar adequada em uma formatura.

A obrigatoriedade do salto alto é um equívoco e a relação dele com a elegância um equívoco maior ainda. Quem ousa questionar a elegância de Audrey Hepburn com seu belo par de sapatilhas? Sem parecer imperativa, sinto necessidade de situar você, leitor, na linha do tempo: Dois mil e dezeseis e ainda tem gente achando que feminilidade depende de salto alto.

(Imagem: Pinterest)

O segredo do jeans

Em 1870 o fabricante de calças Jacob Davis adicionou rebites de cobre aos bolsos das calças de brim índigo blue que produzia para mineradores com o objetivo de torná-las mais fortes. O novo modelo, confeccionado com um algodão extremamente resistente fornecido pelo empresário Levi Strauss, foi bem aceito e patenteado pela dupla em 1873.

Proprietário da Levi Strauss & Company, Levi Strauss é tido como o responsável pela inserção do jeans na moda. Em 1886, etiquetas de couro com sua marca passaram a ser costuradas no cós das calças, e em 1890, o clássico modelo 501 foi apresentado: nascia a five pockets jeans, como é conhecida até hoje.

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Dos mineradores para os cowboys, o jeans alcançou ainda mais destaque após aparição no filme Juventude Transviada (Rebel Without a Cause) em 1955. Com o aval da juventude da época, influenciadora de comportamento e vestimenta, a calça jeans ganhou as ruas e acompanhou os principais movimentos de moda do século XX: as peças rasgadas no visual punk e em modelagem flare na década de 70 são alguns exemplos.

A resistência de sua matéria prima que torna possível a aplicação de inúmeros processos, cada vez mais tecnológicos, de modificação é um dos principais “segredos do sucesso” da calça jeans. Para se adequar à diferentes estilos e ocasiões, ela ganha cores diferenciadas, lavagens, bordados, estamparia, recortes a laser entre outros. Além disso, a combinação do algodão com fios de Lycra tornou possível a produção de peças confortáveis e com modelagem ajustada.

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Poucas peças são tão icônicas quanto essa. E nem preciso dizer que a Levi’s é, até hoje, referência no assunto. Tendo a preocupação com a durabilidade e a vida útil dos produtos de moda em alta, que tal investir em uma boa calça jeans? Ao lado de peças com acabamento destroyed, tecidos com “toque” diferenciado (como o jeans encerrado) e calças boyfriend estão entre as mais cobiçadas. Também vale garimpar a sua no brechó, pois, mais que o charme das peças vintage, o material é fácil de transformar.

• Já reparou?

A partir de 1892, a Levi’s trocou as etiquetas de couro por um novo modelo em tecido encerado que traz a imagem de dois cavalos tentando partir a calça jeans ao meio. Sim! É uma referência à resistência do tecido.

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(Imagens: reprodução)

Total bege

Peço licença para compartilhar uma “obsessão fashion” momentânea: monocromia bege. Adepta de looks monocromáticos que sou, adorei o visual todo bege da passarela da Jean Paul Gaultier, na semana de Alta Costura (outono/inverno 2016/2017), que além de mix de texturas tem “truque” de styling na altura diferente das mangas. Uma só cor, mas muita informação de moda.

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A leveza do bege, e dos tons de nude, permite misturar estilos, modelagens e tecidos com mais chance de acertar. Além disso, a monocromia destaca acessórios ou calçados com design diferenciado. Abaixo, o tênis branco que está em alta atualiza a produção e ganha destaque em um visual onde predomina bege e tons terrosos.

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Visuais como esses evidenciam a silhueta e os detalhes, valorizando o seu estilo: aproveite para apostar em uma peça que revele a essência da sua identidade visual, seja ela saia mídi acinturada, bata com toque setentista ou calça com referência esportiva.

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(Imagens: reprodução/internet)