Comportamento, Moda, Negócios

Consumo consciente? Fast fashion se destaca em momento de crise

Essa semana o site O Negócio Do Varejo publicou uma matéria sobre o comportamento de consumo no período de recessão. Os dados compartilhados pelo O Negócio do Varejo mostram o que o consumidor de produtos do vestuário está buscando, e como esses anseios refletem na escolha do canal de compra. O aumento da relevância das lojas de departamento, na contramão dos movimentos de slow fashion, é justificada por essas preferências.

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Com relação ao design dos produtos o consumidor mostra-se atraído por peças “jovens, despojadas e diferentes”: “Em 2014, 36% dos consumidores informaram que, na última compra, haviam adquirido peças básicas, 17%, jovens, 13%, despojadas e 10%, diferentes. Neste ano, o percentual que se refere a roupas básicas caiu para 30%, subindo os de roupas jovens (27%), despojadas (18%) e diferentes (15%)”. Inovação e diferenciação são apontadas como características que atraem o consumidor, o que os levaria a optar pelas redes de fast fashion e suas araras sempre repletas de novidades.

Em uma análise pessoal, quando fala-se em inovação e diferenciação como pontos importantes na escolha de um item de vestuário, entendo que as lojas de departamento representam o oposto. Além de comercializar produtos com design pouco diferenciado, tanto no ponto de vista estético como em relação às coleções anteriores e às outras redes, os produtos em larga escala não atendem à necessidade de diferenciação. Porém, é importante interpretar esse dado como uma menor preocupação com a qualidade dos produtos: com o fator “novidade” como prioridade no processo de decisão de compra, é justificável o crescimento do fast fashion onde por um preço mais baixo é possível adquirir uma peça com durabilidade suficiente, não necessariamente longa, para ser substituída em breve por um novo modelo.

A conveniência é outro fator que faz com que as lojas de departamento saiam na frente. Segundo Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), na matéria citada, “o fato de as redes terem produtos para toda a família e para a casa é conveniente para os clientes”. Atreladas à conveniência, a informação e a experiência aparecem como itens observados pelo consumidor. Ações em redes sociais com sugestões de looks, por exemplo, e o “encantamento do espaço da loja” estão cada vez mais relevantes. Nesse aspecto, o alto investimento das redes de departamento aumenta sua vantagem competitiva com relação aos pequenos negócios.

Para fazer frente à isso, a dica do consultor de varejo Michel Cutait, é “melhorar o atendimento, o relacionamento com os clientes e criar ambientes capazes de atrair o cliente e concretizar a venda”. Além disso, acrescento a importância do cuidado com os detalhes, como limpeza e manutenção da estrutura do ponto de venda, e da busca por informação de Moda para reinventar o visual do ponto de venda todos os dias através de novos formatos de exposição e de um styling atraente.

(Imagem: Visualhunt)

+ | Texto de minha autoria originalmente publicado no blog da Cena. Entre em contato para informações sobre produção de moda, styling e consultoria de visual merchandising para empresas de Moda.

Moda, Negócios

Cena, e-book e mais

Nas últimas semana estive trabalhando para colocar no ar o site e o primeiro material desenvolvido dentro do meu novo projeto, a Cena. A Cena atua com desenvolvimento de marketing de conteúdo personalizado, produção de moda e visual merchandising para empresas de moda; e o projeto nasceu da vontade de adaptar, para pequenas e médias empresas, soluções e técnicas que aprendi nas grandes redes de varejo.

Um bom visual é fundamental para vender moda, e aliar conteúdo relevante à marca gera valor e negócios. No site, explico um pouco sobre áreas de atuação e serviços; e também disponibilizo o e-book VM pra quê?, que conta um pouco sobre onde e como o visual merchandising atua para valorizar produtos, otimizar espaços, conquistar e manter clientes.

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Comportamento, Moda

Primeiras palavras sobre consumo consciente

O consumo de moda consciente é um tema bastante amplo e as discussões a respeito apresentam cada vez mais desdobramentos. Com tantas questões e polêmicas, tentar responder à pergunta “Como consumir moda de forma consciente”?, levando em conta estilo de vida e realidade financeira, foi meu ponto de partida para repensar e exercitar uma nova forma de consumir.

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Pensar em custo X benefício e priorizar qualidade sobre quantidade é o primeiro passo. Para alguns parece impossível trocar três calças de R$ 79,90 por uma peça que custe o triplo do valor de cada uma delas, ainda que essa última tenha uma vida útil cinco, seis ou dez vezes maior; mas basta analisar o destino das suas compras nos últimos anos para constatar que, quando o assunto é roupa, o barato costuma sair caro.

Além do custo com matéria prima de qualidade (ou materiais ecologicamente corretos, reaproveitados entre outros) ser inquestionavelmente maior, o processo de produção responsável e o respeito às leis trabalhistas é muitas vezes proporcional aos valores na etiqueta (embora os alvos de denúncias por condições degradantes de trabalho não sejam exclusivamente as lojas de departamentos). E essa consciência pode ser enumerada como um importante tópico para reflexão rumo a uma prática de consumo ética.

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Eu sei. É difícil abdicar dos “precinhos” do fast fashion quando se quer consumir moda (e não apenas roupa). Nem todo mundo, ou melhor, a minoria do mundo pode se dar ao luxo de comprar um item da temporada pagando mais do que o oferecido pelas grandes redes. Por isso, comece exercitando o equilíbrio: invista em peças clássicas com qualidade superior e etiquetas “responsáveis” como base do seu closet, e reduza as sacolas do fast fashion a uma ou outra tendência para atualizar o visual.

Sem ignorar a moda, eliminar exageros na hora das compras muda sua relação com esse universo e faz bem ao seu estilo (uma imagem pessoal bem resolvida não precisa ser 100% alterada a cada mês), ao seu bolso e ao mundo. Informe-se sobre o que compra e não feche os olhos!

É importante deixar claro que falar sobre qualidade e preço, sobre reduzir a quantidade de sacolas e buscar alternativas à marcas que não agem com transparência é apenas a “ponta do iceberg“. Fazer a sua parte contra o consumo excessivo e os problemas ambientais e sociais que ele gera é muito mais importante do que imagina. Eu ainda tenho muito a descobrir (e compartilhar) sobre isso.

Dica! Que tal saber mais sobre as marcas que consome através do Moda Livre? O aplicativo avalia o posicionamento de empresas de moda com relação ao trabalho escravo através de quatro indicadores (políticas, monitoramento, transparência e histórico), e a partir disso as “sinaliza” com verde, amarelo ou vermelho. C&A e Malwee são algumas das empresas bem avaliadas pela plataforma.

(Imagens: reprodução)

Moda, Negócios

Já olhou sua vitrine hoje?

Produtos com qualidade, preços competitivos, presença em redes sociais, bom atendimento… Em tempos de crise, nenhuma estratégia pode ser poupada, e uma das mais eficazes ferramentas para atrair e fidelizar consumidores os alcança antes que eles entrem em seu ponto de venda: Já olhou, com cuidado, sua vitrine hoje?

Quando lojistas e empresários conversam comigo com o objetivo de aprimorar suas vitrines, preocupam-se, em primeiro lugar, com a inserção de acessórios ou sobreposições, elementos cenográficos e materiais de comunicação, sendo que esses pontos são os últimos tópicos de um check-list básico para uma boa vitrine. De nada adianta um cenário digno de capa de revista como plano de fundo para manequins mal conservados, ou uma produção de moda rica em detalhes quando a falta de iluminação adequada não os evidencia.

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Antes de pensar na parte promocional e criativa, certifique-se de ter em mãos o “básico bem feito”. Para começar a estudar e elaborar sua vitrine atente-se a cinco pontos (lembrando que, aqui, não existe ordem de importância: o bom resultado do conjunto é essencial):

Limpeza e conservação

Parece óbvio, mas não são poucas as vitrines sujas que vejo por aí. A limpeza do vidro, do chão/tablado, dos manequins e demais materiais (como bases ou cubos) reflete o cuidado que a loja tem com sua estrutura, produto e, por que não, cliente. Lembre-se também de “bater” a poeira que eventualmente acumula-se sobre peças escuras que estão nos manequins. E por falar neles, conserve e substitua seus manequins quando necessário. “Modelos” descascadas, tortas ou quebradas desvalorizam qualquer produção, por isso vale a pena investir em bons materiais e avaliar a relação custo x benefício desses itens (que não costumam ser baratos).

Iluminação 

A iluminação pode ser uma ótima aliada ou “jogar contra” o seu negócio. Certifique-se de que não existem luzes queimadas (olha a conservação novamente em pauta) e se os focos estão direcionados ao que deve ser destacado: ilumine seu produto, não o chão ou as paredes laterais. Escolher o tipo de iluminação mais coerente com o conceito da sua marca ajuda a reforçar a imagem da empresa e a chamar a atenção do seu público alvo. Um bom exemplo é o projeto de iluminação de lojas como Diesel e John John.

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Passadoria e ajustes

Roupa amassada jamais! Larga ou justa demais nem pensar! Antes de chegar à vitrine, as peças precisam ser cuidadosamente passadas. Após vesti-las nos manequins, verifique se o caimento está correto. Não? Ajuste. Tenha em sua loja um kit básico de styling com fita adesiva, alguns tipos de alfinetes, clipes (sim, eu ajusto jaquetas de couro, por exemplo, com clipes de papel), elástico e outros itens para deixar as peças “no lugar”. Uma roupa que não veste bem nem mesmo sua manequim não atrairá o cliente (e pode ser apenas uma questão de ajuste).

Produção de moda

Tal qual nos editoriais e anúncios, um bom styling na vitrine encanta, informa sobre tendências e sugere formas de uso. Para essa missão, caso não possa contar com um profissional de Moda, invista frequentemente algum tempo para pesquisar sobre o assunto, buscar referências em sites e publicações especializadas (melhor ainda se forem direcionadas ao seu público) e experimentar composições diferentes. Pare, pense e repense os looks da vitrine. Avalie a mensagem e a adequação dos visuais expostos ao público da sua loja. Não produza um espaço tão importante com pressa!

Cenografia e comunicação

Após garantir uma boa apresentação com a imagem de moda que reforça a “missão” da sua marca e atrai seu público é que se deve pensar no “entorno”. Cenografias inadequadas ao espaço e estilo da loja podem colocar tudo a perder. Imagens de fundo carregadas podem “apagar” seu produto, e quanto maior o número de elementos maiores são as chances de errar e criar uma mensagem confusa ou contraditória. Banners e outros recursos de comunicação também precisam ser bem projetados e bem localizados. Nas últimas semanas faltam dedos nas mãos para contar a quantidade de adesivos de vitrine que me impediram de ver o que realmente importa. Lembre-se que esses recursos são secundários e criados para evidenciar, não esconder, o que está à venda. Existem exceções, mas essa já é outra pauta…

(Fotos: Rob Amend/foto 1 e  Oscar F. Hevia/foto 2 via Visualhunt)

Moda, Negócios, TV & Cinema

Mr. Selfridge

Em 1909 a loja de departamentos Selfridges abriu as portas em Oxford Street, em Londres. Contrariando opiniões pessimistas da imprensa e a desconfiança dos investidores da época, Harry Selfridge estabeleceu novos padrões para o varejo e tornou-se um dos empresários mais respeitados do Reino Unido. Em 2013, a série que conta a história de Harry Gordon Selfridge, idealizador e fundador da loja, estreou no país e conta atualmente com três temporadas (teremos a quarta?).

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Mr. Selfridge é inspiradora não apenas para quem trabalha com moda e varejo. O empresário que dá nome à série, interpretado por  Jeremy Piven, é um exemplo de pensamento empreendedor e liderança, e a nova forma de consumir impulsionada por seu empreendimento no início do século XX transformou a história do varejo.

Além do personagem tema, a série mostra o papel da publicidade e da imprensa, do vitrinista, dos concorrentes (ainda na primeira temporada, Harry Selfridges adota uma estratégia improvável para sua empresa visando combater um possível rival comercial), e fala sobre a vinculação da marca aos líderes de opinião e à realidade política e social do momento: através de uma vitrine, a Selfridges apoiou as sufragistas em Londres.

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As três temporadas estão disponíveis no Netflix e para deixá-los com mais vontade de assistir, uma frase do personagem Henri Leclair, o primeiro vitrinista da Selfridges, sobre o papel do seu trabalho: “Não visto mulheres como os estilistas. Visto espaços. Cada vitrine da Selfridges será como uma pintura, e as pessoas que virem se imaginarão na história apresentada“.  O fato da autora desse texto ser visual merchandiser é mera coincidência, claro.

(Imagens: reprodução)

+ | Dica de leitura: A história e mais sobre a Selfridges (aqui) no site Mundo das Marcas.

Moda, Negócios

Displays “descolados”

Criar exposições criativas em seu ponto de venda é mais que um diferencial estético. Da logo ao display, cada código visual é responsável por reforçar a identidade da sua marca/loja; e contribui para que seu público identifique-se com seu espaço e produto. Apesar de trabalhar com visual merchandising nunca havia abordado o assunto de forma direta por aqui, e esse post estreia uma nova categoria onde vou compartilhar informações e ideias que aprendo e garimpo diariamente. Começo com imagens inspiradoras para  criar exposições arrojadas, boas referências para empresas com conceito informal e jovem.

Renovar vitrines, displays e exposição de produtos constantemente é fundamental para qualquer marca de moda, e não necessariamente exige alto investimento. Usar caixotes de feira como nichos não é nenhuma novidade, mas dentro desse espaço é possível inovar no formato de exposição: os tênis podem ser amarrados na caixa pelo cadarço, ao invés de colocados dentro dela. Outra ideia é suspender os nichos, dentro da loja ou na vitrine, ao invés de fixa-los nas paredes.

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E já que estamos falando em displays suspensos, use a criatividade e traga objetos inusitados como suporte para produtos. Abaixo, pneus presos por corda são usados como nichos.

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Algumas instalações feitas em loja podem ser utilizadas de diferentes formas. As cordas suspensas ou barras de ferro, por exemplo, também podem segurar produtos, apoiar “bases”/bandejas com acessórios ou cabides para uma exposição diferenciada de peças-chave da coleção.

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Instalações versáteis permitem mudar “a cara” do espaço sem adicionar elementos. As prateleiras com gavetas a seguir, da Kipling, podem ser abertas, fechadas, retiradas… Alterando facilmente a ordem de exposição e o uso do espaço. Além da disposição da foto abaixo, uma gaveta pode ser retirada dando lugar a um nicho simples, outra pode ser colocada sobre a prateleira superior e por aí vai. Cores diferentes são mais um elemento para enriquecer a composição…

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Por isso, não tenha medo de instalar mobiliário colorido! Em lojas que trazem uma proposta moderna e divertida, contrastar o display com o produto é uma ótima forma de destacá-lo ainda mais. Afinal, o próprio expositor pode sugerir uma nova combinação de cor.

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Gosto muito da próxima inspiração, com jeans. Caixas e nichos soltos trazem infinitas possibilidades: podem estar na vitrine, suspensas, em prateleiras ou sobre o balcão de caixa, com produtos promocionais ou peças básicas para acelerar vendas. Muitas vezes mudar a forma de dobrar o produto já faz toda a diferença.

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(Imagens: reprodução)