Moda, Negócios

Moda íntima: Mercado e tendências

Recente estudo do IEMI Inteligência de Mercado apontou uma leve retomada do mercado de moda íntima no Brasil. Estima-se que, em 2017, a produção se eleve 3,1% e a exportação, que em 2016 aumentou 0,13% com relação a 2015,  avance 5,1%, o que representa 7,96 milhões de peças.

O aumento da importação e o recuo nos volumes importados é um bom sinal para o setor, que, embora tenha sofrido os efeitos da crise, encontra-se em melhor situação que os setores praia e fitness, segundo a pesquisa: “O segmento acompanhou a tendência de todo o setor do vestuário no Brasil, que sentiu os efeitos da queda no consumo interno. Porém, em 2017 já há sinais consistentes da retomada na produção, em especial para o segmento de moda íntima, que deve atingir o maior nível de produção dos últimos quatro anos”, diz Marcelo Prado, diretor do IEMI.

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Entre os dias 18 e 20 de junho aconteceu, em São Paulo, o Salão Moda Brasil 2017. O maior evento de lingerie, moda praia e fitness da América Latina, apresenta os lançamentos de grandes marcas lançadoras de tendências nos segmentos. A empresária Milla Santos, da marca de lingerie Je Veux By Milla Santos, esteve no Salão Moda Brasil e conversou comigo sobre negócios, tendências e mais um pouco.

Como e quando surgiu a Je Veux By Milla Santos?

Surgiu em 2013 , com minha mudança do interior de São Paulo  para Curitiba. Nessa ocasião decidi estudar por um ano qual seria o produto ideal, o mais procurado pelas consumidoras. Após um ano de pesquisas diretas cheguei à conclusão que o produto mais viável seria um sutiã no formato mais pedido por elas, e a partir daí desenvolvemos o sutiã conhecido como a modelagem perfeita, apelidado de ” queridinho”.

Segundo dados do IEMI, o número de empresas que participam da produção dos segmentos de moda íntima, praia e fitness, em especial as pequenas empresas, caiu entre 2014 e 2016. Quais são os maiores desafios que enfrentou como empresária em um período onde o mercado como um todo foi abalado?

Muitas empresas que conhecemos sentiram essa queda, mas para nós o que aconteceu foi totalmente o contrário: nossas vendas aumentaram mês a mês, obrigando a aumentarmos nossa estrutura na mesma velocidade. Mas, isso não foi por acaso. Atualizamos nosso processo de vendas de acordo com a nova realidade de consumo, o que infelizmente não aconteceu com outras empresas que acabaram perdendo clientes preciosos. Hoje priorizamos a fidelização da cliente, pois custa muito caro  vender sempre para novos consumidores. De 100% das nossas vendas 85% corresponde a clientes que já compraram, para o mercado esse é um índice altíssimo . Nosso maior desafio foi entender esse novo formato de compra.

Je Veux By Milla Santos trabalha com vendas diretas. Atualmente, muitas empresas de moda iniciam sua história dessa forma. O que você aponta como maior dificuldade, e o que é mais prazeroso nesse formato de negócio? 

Hoje nossa maior dificuldade está na velocidade de resposta, pois no mundo digital as clientes exigem uma reposta imediata. O maior prazer é estar em contato direto com as clientes, recebendo um feedback imediato da satisfação com nosso produto o que torna possível trabalhar com tendências reais para outros modelos.  

O que é mais importante considerar ao produzir uma peça de moda íntima? E quais são as características que o mercado mais busca nessa categoria de produto?

O mais importante é criar uma  peça que una qualidade , beleza e conforto com um valor atrativo. Hoje o mercado busca acima de tudo o conforto, pois a mulher de hoje em dia é polivalente .

Recentemente você esteve no Salão Moda Brasil 2017. Como sua marca trabalha com as tendências de moda, e que lugar a moda ocupa na Je Veux By Milla Santos: é importante estar alinhada com o que mostram as principais publicações do setor?

Estamos sempre antenados nas tendência do mercado para garantir que nosso produto esteja atualizado. Mas o ponto que mais levamos em consideração e utilizamos como referência são as cores, porque o nosso produto é o essencial do dia a dia .

Para as próximas estações, que tendências você destaca na moda íntima?

Na moda intima em geral o que vem de tendência para  as próximas estações são os detalhes refinados, com brilhos pulverizados em dourado, prata e ouro rosa, e traços finos de lurex que desenham rendas e tules de formas sofisticadas ; o quimono, em alta para linha noite influenciando o loungewear com florais interpretados com traços delicados tendo sempre fundos bem espaçados; e o equilíbrio, na procura de uma modelagem perfeita, e sua vestibilidade, em conjunto com o material ideal e o acerto da cor para trazer leveza e o conforto para as peças. Com relação aos materiais renda e laise estão em alta trazendo a ideia de “decoração do corpo”,  e a transparecia atualiza a lingerie sensual com cores delicadas e alegres .

Os produtos da Je Veux By Milla Santos podem ser adquiridos diretamente através do Whatsapp (41 997 323 823) e do Instagram. Próximos passos? Em breve a marca lançará mais uma peça na linha dia a dia e um top funcional na linha fitness. Milla Santos também planeja um canal no Youtube com dicas, informações e sugestões para quem tem o desejo de empreender. Obrigada, Milla, e votos de sucesso.

(Imagem: Visual Hunt)

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Negócios

Presente ou diálogo?

Em um relacionamento você prefere ganhar presente ou manter um bom diálogo? O que fortalece mais a relação: bens materiais trocados ou conselhos compartilhados? Calma. Esse site não se transformou em um blog sobre vida amorosa; mas as relações entre marcas e consumidores, assim como laços pessoais, nunca precisaram ser tão bem cuidadas.

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Recentemente o site O Negócio do Varejo publicou, em uma matéria sobre fidelização de clientes, uma pesquisa da Accenture Strategy que revelou que “tanto os brasileiros quanto os consumidores de fora do país acumulam (e não usam) milhões de pontos de fidelidade”. Ou seja, oferecer bônus para a troca de produtos já não funciona tão bem como antigamente: o consumidor busca muito mais que benefícios financeiros em seu relacionamento com uma marca. Outros dados da pesquisa, sobre os quais comentarei a seguir, mostram que um dos pontos mais importantes para ele é o diálogo.

O estudo da Accenture Strategy feito com 25.426 consumidores em todo o mundo, 1.322 no Brasil, revela que, entre os brasileiros, 65% dos consumidores gastam mais com marcas que eles amam e 71% são fiéis a empresas que “oferecem pequenas provas de carinho” como descontos personalizados, vale-compras e ofertas especiais. Mais que o acúmulo automático de pontos, as marcas devem atentar-se aos hábitos de cada consumidor, oferecendo vantagens na categoria de produtos que ele mais consome ou enviando uma amostra de um novo produto com características similares aos seus favoritos, por exemplo.

Tão importante quanto acertar no presente, e oferecer um mix de produtos que atraia o consumidor, é saber onde e como comunicar e de que forma enviar ou personalizar o gift: a pesquisa aponta que, para haver fidelidade, 75 % dos entrevistados valoriza marcas que interagem através de seus canais de comunicação favoritos, e 64% optam por marcas que permitem personalizar seus produtos.

A personalização está entre as grandes tendências de varejo, e ela pode acontecer tanto nos produtos, com a impressão das iniciais ou a possibilidade de escolha da combinação de cores (levando o consumidor para “dentro” da empresa, como co-criador do produto), como no atendimento e relacionamento: os descontos e brindes que chegam na casa do consumidor X são diferentes dos produtos oferecidos como presente a outro cliente, com preferências diferentes. É como se a marca, entendendo seus hábitos, oferecesse exatamente o que você precisa, na sua cor preferida, em seu tamanho exato. Como não sentir-se especial em uma relação assim?

Mais que preço, busque monitorar, entender e demonstrar interesse pelas predileções de quem consome sua marca, envolva-o no processo e esteja disposto a ajudar da forma mais acessível e rápida possível tendo a tecnologia como aliada.

(Imagem: stevendepolo via Visual Hunt)

Comportamento, Moda, Negócios

Consumo consciente? Fast fashion se destaca em momento de crise

Essa semana o site O Negócio Do Varejo publicou uma matéria sobre o comportamento de consumo no período de recessão. Os dados compartilhados pelo O Negócio do Varejo mostram o que o consumidor de produtos do vestuário está buscando, e como esses anseios refletem na escolha do canal de compra. O aumento da relevância das lojas de departamento, na contramão dos movimentos de slow fashion, é justificada por essas preferências.

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Com relação ao design dos produtos o consumidor mostra-se atraído por peças “jovens, despojadas e diferentes”: “Em 2014, 36% dos consumidores informaram que, na última compra, haviam adquirido peças básicas, 17%, jovens, 13%, despojadas e 10%, diferentes. Neste ano, o percentual que se refere a roupas básicas caiu para 30%, subindo os de roupas jovens (27%), despojadas (18%) e diferentes (15%)”. Inovação e diferenciação são apontadas como características que atraem o consumidor, o que os levaria a optar pelas redes de fast fashion e suas araras sempre repletas de novidades.

Em uma análise pessoal, quando fala-se em inovação e diferenciação como pontos importantes na escolha de um item de vestuário, entendo que as lojas de departamento representam o oposto. Além de comercializar produtos com design pouco diferenciado, tanto no ponto de vista estético como em relação às coleções anteriores e às outras redes, os produtos em larga escala não atendem à necessidade de diferenciação. Porém, é importante interpretar esse dado como uma menor preocupação com a qualidade dos produtos: com o fator “novidade” como prioridade no processo de decisão de compra, é justificável o crescimento do fast fashion onde por um preço mais baixo é possível adquirir uma peça com durabilidade suficiente, não necessariamente longa, para ser substituída em breve por um novo modelo.

A conveniência é outro fator que faz com que as lojas de departamento saiam na frente. Segundo Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), na matéria citada, “o fato de as redes terem produtos para toda a família e para a casa é conveniente para os clientes”. Atreladas à conveniência, a informação e a experiência aparecem como itens observados pelo consumidor. Ações em redes sociais com sugestões de looks, por exemplo, e o “encantamento do espaço da loja” estão cada vez mais relevantes. Nesse aspecto, o alto investimento das redes de departamento aumenta sua vantagem competitiva com relação aos pequenos negócios.

Para fazer frente à isso, a dica do consultor de varejo Michel Cutait, é “melhorar o atendimento, o relacionamento com os clientes e criar ambientes capazes de atrair o cliente e concretizar a venda”. Além disso, acrescento a importância do cuidado com os detalhes, como limpeza e manutenção da estrutura do ponto de venda, e da busca por informação de Moda para reinventar o visual do ponto de venda todos os dias através de novos formatos de exposição e de um styling atraente.

(Imagem: Visualhunt)

+ | Texto de minha autoria originalmente publicado no blog da Cena. Entre em contato para informações sobre produção de moda, styling e consultoria de visual merchandising para empresas de Moda.