Design, Moda

Viagens inspiram minha segunda coleção

A textura das nuvens me traz a sensação de leveza e conforto, duas palavras que busquei traduzir nos acessórios da segunda coleção que leva meu nome. A paixão por viagens e a busca por conforto para vestir inspirou o desenvolvimento dos acessórios da linha Voo: perfeitos para voar, por sua leveza e praticidade, os lenços em poliviscose podem ser enrolados no pescoço ou envolver o corpo durante a viagem.

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A cartela de cores conta com tonalidades versáteis, e o tecido liso com textura leva informação de Moda aos visuais mais básicos. O atemporal cinza mescla une-se à duas apostas da Pantone para o Verão 2018 compondo um trio fácil de combinar com cores claras ou escuras, no verão e no inverno. Quer coisa melhor para quem viaja entre estações inversas?

O material escolhido, a malha poliviscose, é um tecido sintético que, por absorver menos água, tem como característica a secagem rápida, agilizando lavagens emergenciais ou no próprio quarto de hotel. Com o propósito de eliminar o desperdício, adaptamos o tamanho do nosso acessório para aproveitar 100% do material; e seguindo a proposta slow fashion, a coleção é limitada a trinta peças numeradas.

Além da aba etiqueta, aqui no site, a marca está no Instagram e os acessórios podem ser adquiridos através da loja no Elo 7, e recebidos em qualquer lugar do Brasil. Quer ver de perto? Entre em contato e visite nosso escritório.

(Foto: divulgação)

Comportamento, Moda

“O que é slow fashion mesmo”?

Com origem na Europa, e inspirado no movimento slow food, o movimento slow fashion é uma alternativa ao que chamamos de fast fashion. A criação do termo é atribuída à consultora e professora de design sustentável do Centre for Sustainable Fashion Kate Fletcher, e diz respeito a uma forma de criar e consumir moda de maneira consciente. Assim como passamos a dar mais atenção à origem dos alimentos que consumimos, o impacto ambiental e social causado pela indústria da moda nos últimos anos pede uma leitura cautelosa também do “rótulo” do que vestimos

Apesar de estar intimamente ligado aos fatores ambientais, o movimento slow fashion diz respeito a todo o ciclo e pode ser praticado de diferentes formas por quem produz e/ou consome. Da escolha de materiais produzidos com menor impacto ambiental (ou reaproveitados) passando pelo respeito às leis trabalhistas e valorização da mão de obra até o reconhecimento do design autoral, da moda com personalidade e de itens que sobrevivem aos modismos passageiros (e que não por isso ignoram as tendências), adotar o slow fashion é, acima de tudo, uma questão de comportamento.

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Gola de tricô Ivy Lemes Slow Fashion

Produzir em pequena quantidade, acompanhar o processo do início ao fim, desenvolver peças únicas e transmitir mensagens genuínas que envolvem cultura, referências e habilidades de quem faz são algumas ações que diferenciam produtos slow fashion das cópias em massa que encontramos em grandes redes. A escolha cautelosa de materiais de qualidade superior e o cuidado com os detalhes visa entregar produtos feitos para durar,  assim como a criação de peças originais busca gerar real identificação com quem veste (na estética e na mensagem): produtos bons e que “falam sobre você” não perdem espaço com a mudança de estação.

Depois que lancei minha marca, dentro do conceito slow fashion, muitas perguntas sobre o assunto chegaram até mim; e é por isso que resolvi falar de maneira geral sobre esse conceito sem ignorar os “contras” apontados. Uma marca de slow fashion dificilmente proporcionará a variedade de cores e modelos encontradas nas araras das lojas de departamentos. E nem produzirá uma coleção em três, quatro ou sete dias para “todos os gostos”. E esse não é o objetivo. Aqui a identidade vem antes das tendências, podendo estar ou não de mãos dadas com elas. Slow fashion envolve, novamente, comportamento e questionamento: precisamos mesmo de todos esses modelos “para ontem”? Precisamos vestir a roupa da moça da novela?

Independente de onde e como cada um deseja consumir, o recado do movimento slow fashion é diminuir a velocidade para refletir sobre essas escolhas. Para criadores de Moda que estão mais preocupados em criar cartilhas de “certo e errado” para incluir ou excluir marcas da proposta levando em conta características que não impactam em seu propósito, e para consumidores que estão buscando novas formas de relacionar-se com a moda, deixo o recado: não existe apenas uma maneira de fazer e praticar slow fashion. Entender os princípios e usá-los sem moderação (e de verdade) é o que importa.

(Foto: Ivy Lemes)

Design, Moda

“Não estou criando algo para responder perguntas”

De um produto que comecei a desenvolver para uso pessoal surgiu a Ivy Lemes Slow Fashion. Com isso o prazer de vestir um mesmo acessório de diferentes formas, substituindo (na quantidade) mais por menos, e o desejo de unir forma e função, substituindo golas de só enfeitam por um acessório que realmente protege do frio (pelo material e pela possibilidade de deixar a estrutura mais alta, cobrindo mais), saiu do meu para outros guarda-roupas.

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(Foto: Vanessa Kosop | Produção: Ivy Lemes | Jóias: Adriana Beigel Joalheria Contemporânea)

Desde que lancei minha etiqueta, recebi diferentes e preciosas impressões sobre os acessórios da primeira coleção. Ouvi que as imagens de divulgação não deixam claro que o produto é uma gola. Se observar, a forma como embalei também não. Tanto as fotos como a embalagem evidenciam o conceito (contraste) antes e mais que revelar o produto. E essa é a intenção.

Um dos propósitos da ILSF é estimular a descoberta particular e a interação com o produto. A produção de um look book mostrando as diferentes possibilidades de uso nunca esteve nos meus planos: primeiro por elas serem infinitas, e segundo para que cada um descubra em frente ao espelho seu jeito próprio de usar. Assistindo o sexto episódio da série documental Abstract: The Art of Design (sim, de novo essa série fazendo parte da pauta), a designer Paula Scher resume o que penso e faço como designer: “Não estou criando algo para responder perguntas, é um design para gerá-las“. Minhas peças são (e sempre serão) perguntas.

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Por falar em perguntas, tive a felicidade de receber o questionamento sobre ILSF ser uma marca sem gênero. Sem querer, confesso, meus acessórios abraçaram também o sexo masculino; o que me fez pensar em levar adiante mais esse propósito. Questionamentos (inclusive sobre a moda e sua efemeridade), fuga do óbvio e uso irrestrito, por quem e como quiser, passam a ser, ao lado da versatilidade e atemporalidade, palavras-chave no meu mood board. O verão já está sendo carinhosamente desenhado…

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