Comportamento, Moda

O tal propósito

A relevância do conceito ajuda a assumir outro desafio da arte contemporânea: o de impugnar, criticamente o esteticismo banal da imagem que, com caráter de publicidade, entretenimento, pura comunicação ou espetáculo, amortece o potencial crítico da imagem, diminui seu alcance social e desativa a política do olhar“.

O trecho do curador da exposição Além da Fotografia, em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, Tico Escobar, é uma reflexão que, de fato, vai além da fotografia; por isso o escolhi para falar de moda. O tal “propósito” da moda e o movimento slow fashion, bastante discutidos pelos criadores contemporâneos, vai ao encontro da “relevância do conceito”: moda com propósito não existe sem um conceito relevante.

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Quem faz e veste moda com propósito pensa, cria e compra pautado em escolhas que vão além da estética, elevando, ao invés de, usando as palavras de Escobar, amortecer o potencial crítico da imagem (nesse caso. a roupa). Abordar o assunto, como criador ou consumidor, é abrir espaço para refletir, entre outras coisas, sobre diferença entre comprar a “mesma” (mesma?) camiseta branca no fast fashion ou em uma marca que oferece material diferenciado e produção transparente abrindo os olhos para o alcance social e político na hora de “fazer a conta“.

Longe de querer negar a publicidade, o entretenimento e o espetáculo, que também fazem parte da moda, a ideia é repensar o consumo impulsivo, além de avaliar o que é apenas “esteticismo banal” e os falsos propósitos que tornaram-se “pura comunicação”. Fazer uma leitura crítica do conceito é essencial para reconhecer onde moram os verdadeiros propósitos na moda atual e impugnar o que a reduz à mera futilidade. Que em 2018 a Moda esteja mais consciente. Consciente de verdade.

(Imagem: Visual Hunt)

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