Comportamento, Moda

“O que é slow fashion mesmo”?

Com origem na Europa, e inspirado no movimento slow food, o movimento slow fashion é uma alternativa ao que chamamos de fast fashion. A criação do termo é atribuída à consultora e professora de design sustentável do Centre for Sustainable Fashion Kate Fletcher, e diz respeito a uma forma de criar e consumir moda de maneira consciente. Assim como passamos a dar mais atenção à origem dos alimentos que consumimos, o impacto ambiental e social causado pela indústria da moda nos últimos anos pede uma leitura cautelosa também do “rótulo” do que vestimos

Apesar de estar intimamente ligado aos fatores ambientais, o movimento slow fashion diz respeito a todo o ciclo e pode ser praticado de diferentes formas por quem produz e/ou consome. Da escolha de materiais produzidos com menor impacto ambiental (ou reaproveitados) passando pelo respeito às leis trabalhistas e valorização da mão de obra até o reconhecimento do design autoral, da moda com personalidade e de itens que sobrevivem aos modismos passageiros (e que não por isso ignoram as tendências), adotar o slow fashion é, acima de tudo, uma questão de comportamento.

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Gola de tricô Ivy Lemes Slow Fashion

Produzir em pequena quantidade, acompanhar o processo do início ao fim, desenvolver peças únicas e transmitir mensagens genuínas que envolvem cultura, referências e habilidades de quem faz são algumas ações que diferenciam produtos slow fashion das cópias em massa que encontramos em grandes redes. A escolha cautelosa de materiais de qualidade superior e o cuidado com os detalhes visa entregar produtos feitos para durar,  assim como a criação de peças originais busca gerar real identificação com quem veste (na estética e na mensagem): produtos bons e que “falam sobre você” não perdem espaço com a mudança de estação.

Depois que lancei minha marca, dentro do conceito slow fashion, muitas perguntas sobre o assunto chegaram até mim; e é por isso que resolvi falar de maneira geral sobre esse conceito sem ignorar os “contras” apontados. Uma marca de slow fashion dificilmente proporcionará a variedade de cores e modelos encontradas nas araras das lojas de departamentos. E nem produzirá uma coleção em três, quatro ou sete dias para “todos os gostos”. E esse não é o objetivo. Aqui a identidade vem antes das tendências, podendo estar ou não de mãos dadas com elas. Slow fashion envolve, novamente, comportamento e questionamento: precisamos mesmo de todos esses modelos “para ontem”? Precisamos vestir a roupa da moça da novela?

Independente de onde e como cada um deseja consumir, o recado do movimento slow fashion é diminuir a velocidade para refletir sobre essas escolhas. Para criadores de Moda que estão mais preocupados em criar cartilhas de “certo e errado” para incluir ou excluir marcas da proposta levando em conta características que não impactam em seu propósito, e para consumidores que estão buscando novas formas de relacionar-se com a moda, deixo o recado: não existe apenas uma maneira de fazer e praticar slow fashion. Entender os princípios e usá-los sem moderação (e de verdade) é o que importa.

(Foto: Ivy Lemes)

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Moda atemporal (e com propósito) para elas e eles

Em um passeio pelo bairro de Pinheiros fui ver de perto duas marcas que acompanho via Instagram: a Yes I Am Jeans e a Insecta Shoes, que dividem espaço em uma loja inspiradora na Rua Artur de Azevedo. Na mesma rua, tive o prazer de conhecer uma marca masculina que segue o mesmo propósito das outras duas: moda com qualidade, feita para durar muito. E é sobre essas três marcas que falo hoje.

Com produção nacional e a melhor matéria-prima disponível no mercado, a Yes I Am Jeans trabalha com interpretações da clássica calça jeans de cintura alta. A cartela de cores neutras diminui a necessidade de produtos químicos no processo de lavanderia, reduzindo o impacto ambiental e incentivando o consumo consciente através de peças versáteis e que podem ser facilmente recombinadas: “Nossas peças resgatam um estilo de vida básico, simples, com foco no conforto e utilidade“. Além das calças, a loja online da marca conta com modelos de camiseta e vestido básicos.

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Loja Yes I Am Jeans + Insecta Shoes

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Com a mesma proposta, a Oriba é uma marca de roupas e acessórios masculinos criada por três amigos que, consumidores de moda básica, uniram-se no desafio de oferecer bons produtos essenciais: “Nos demos conta que nós três, e muitos outros amigos, consumíamos produtos básicos, sem excessos ou frescuras, só que nenhum comprado em nosso próprio país. Ora porque era caro, ora porque era de baixa qualidade“. Mais que oferecer qualidade e preço justo, a Oriba preocupa-se em acompanhar todas as etapas da produção e descarte de resíduos além de possuir um propósito maior: investir na educação infantil (leia mais sobre o Projeto Base no site da Oriba).

Para combinar com os básicos e essenciais, os calçados ecológicos e veganos da Insecta Shoes podem ser encontrados na prateleira ao lado das araras da Yes I Am Jeans. Produzidos a partir de peças de roupas usadas, além de garrafas de plástico recicladas, as botas, oxfords, sandálias e slippers da Insecta Shoes são unissex e livres de matéria-prima de origem animal. Com o reaproveitamento como palavra de ordem, a marca tem como um dos propósitos “aumentar a vida útil do que já existe pelo mundo”. Até mesmo a sola dos calçados é feita com borracha triturada do excedente da indústria calçadista. O resultado são peças únicas e que sobrevivem aos modismos.

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Loja Yes I Am Jeans + Insecta Shoes

(Fotos: Ivy Lemes)