Arte, Moda

Norman Parkinson e mais moda em exposição

Seu trabalho é considerado extremamente inovador até os dias de hoje, e sua influência permanece evidente no trabalho de muitos fotógrafos contemporâneos, por sua maneira única de dirigir as modelos e construir as cenas dos sets fotográficos”. Fugir das tradicionais poses estáticas na década de 30, levar modelos e objetos de cena para as ruas e produções para locais considerados exóticos na época, como Índia e Rússia, tornaram o fotógrafo britânico Norman Parkinson um dos principais nomes da fotografia de Moda mundial.

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Young Velvets, Young Prices, Hat Fashions (Vogue, 1949)

A citação que abre o post, e que faz parte do release da mostra Norman Parkinson, o verdadeiro glamour britânico, em exposição na Galeria Mario Cohen, em São Paulo, antecipa a estética de suas imagens de moda que permanecem atuais até hoje: movimento, enquadramentos que fogem do óbvio e cliques que evidenciam conceitos, como a clássica silhueta do New Look na foto New look at the National Gallery (1949), além da roupa.

Passear pelas fotografias de Parkinson traz um novo olhar sobre a moda da época, colocada em cenas reais para revelar como o modo de viver das “personagens” em cena conversa com o que as veste. Moda, afinal, é comportamento; e a construção de uma boa imagem de moda não depende e nem exige foco no produto.

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The Art of Travel (1951). Wenda Parkinson esperando o avião da Hermès no aeroporto de Nairobi, Quênia

Os trabalhos para as principais publicações de moda do mundo, como Harper’s Bazaar e Vogue, incluindo sua primeira capa para a Vogue americana, que posteriormente também foi impressa na Vogue britânica, dividem espaço com um editorial feito na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para a revista Queen, em 1961. Essas fotografias pouco conhecidas foram entregues em caráter inédito para a mostra na Galeria Mario Cohen, que acontece até o dia 5 de agosto.

• Estilistas contemporâneos brasileiros no MAB

O Museu de Arte Brasileira homenageia os 70 anos da FAAP com a mostra Moda no MAB: Uma nova coleção no acervo. A exposição traz uma seleção de trajes dos estilistas André Lima, Fause Haten, Jum Nakao, Lino Villaventura e Reinaldo Lourenço além de modelos das marionetes utilizadas no desfile  “O mundo maravilho do Dr. F”, de Fause Haten,  e das bonecas produzidas por Jum Nakao para a instalação “Tributo a Brothers Quay”. Também fazem parte da exposição fotografias de mais de vinte mostras de moda realizadas pelo MAB FAAP no decorrer dos anos. Moda no MAB: Uma nova coleção no acervo está em cartaz até o dia  13 de agosto e a entrada é gratuita.

(Fotos: Norman Parkinson)

Arte, Moda

Fotógrafo também faz Moda

Na noite de ontem a Subcomissão de Direito de Moda, vinculada à Comissão de Assuntos Culturais e Propriedade Intelectual da OAB Paraná, promoveu uma noite de palestras para falar sobre Moda como expressão de arte e cultura, onde a estilista Sandra Kanayama (comentei um pouco sobre o trabalho dela aqui) e o fotógrafo Luciano Fileti dividiram seu olhar sobre moda e arte. Dentre os diversos temas abordados, Luciano Fileti comentou a participação do fotógrafo na construção da fotografia de Moda, um tema sobre o qual paro para refletir a cada trabalho que realizo. Explico.

Aprendi, desde que comecei a estudar produção de Moda, qual era o papel do produtor em uma sessão de fotos. Entre as funções estão selecionar referências para o fotógrafo: referências de cores, de enquadramento, de estilo. Construía o passo a passo, mas confesso que muitas vezes me senti desconfortável com esse modelo.

Mesmo antes de conseguir fundamentar,  entendia o fotógrafo como parte muito mais ativa no processo do que o proposto pela apostila. Além disso, como dirigir de forma tão incisiva alguém que possui muito mais conhecimento de fotografia que eu? Por que não, ao invés de limitar cor e enquadramento, levar o conceito e o objetivo da mensagem para co-criar a imagem do produto, seja como designer ou produtora, ao lado de quem vai fotografá-lo?

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A parceria criativa que busquei construir com os fotógrafos com quem trabalhei me levou a ser elogiada por alguns e repreendida por outros: “você precisa me dizer exatamente o que quer”, disseram alguns deles (talvez acostumados com com o padrão engessado). Porém, os melhores trabalhos são resultado da discussão de uma ideia em dupla e as melhores cenas não são aquelas que rascunhei previamente.

Luciano Fileti acredita que respeitando o espaço e a visão do fotógrafo as chances de trazer algo novo e inusitado são muito maiores. Além de concordar plenamente com ele, acrescento que ter como referência outra fotografia de Moda, como aprendi, é um belo empurrão para cair no “lugar comum”. Obviamente cada caso é um caso (cada cliente é um cliente, cada produto é um produto), mas a escolha do fotógrafo por si só já tem como função triar, através do portfólio do profissional, o estilo ideal para determinado job. A partir daí, creio que uma (boa) dose de liberdade criativa só tem a somar. Convenhamos, não precisamos de mais do mesmo.

Parte do trabalho do fotógrafo Luciano Fileti está em exposição na mostra Signs, no Museu da Fotografia / Solar do Barão, em Curitiba até o dia 23 de julho. Aproveito para parabenizar a Subcomissão de Direito de Moda pelo excelente evento.

(Imagem: Visual Hunt)