Comportamento, Moda, Moda consciente

O quanto seu look sabe sobre você?

Descobrir seu estilo não é fácil. Mantê-lo e repaginá-lo com o passar do tempo também não. Mudanças em nossas vidas e rotinas, sejam relacionadas a um novo estado civil, mudança de cargo, empresa ou ingresso no mercado de trabalho, pedem uma nova versão de nós mesmas. Mudar renova as energias e se a roupa fala sobre quem somos é interessante que o que vestimos amadureça ao lado do nosso “discurso”.

Atualizar o guarda-roupa é tão importante quanto mapear seu estilo, e não significa gastar muito a cada mudança de estação: quanto mais coerente e “bem resolvido” ele é, menos irá gastar. A quantidade de informação de moda a qual estamos expostos o tempo todo pode levar ao consumismo e à velha sensação de não ter nada para vestir mesmo quando o guarda-roupa está abarrotado. E é por isso que divido por aqui, utilizando exemplos pessoais, alguns truques para reformatar seu estilo sem descartar tudo ou perdê-lo no meio do caminho.

Vale deixar claro que construí essa publicação usando o meu guarda-roupa como exemplo, e que, peças que cito como itens que já não cabem no meu estilo podem perfeitamente representar o seu. Essa publicação não tem como objetivo criar listas de certo e errado ou afirmar quais peças pode-se ou não usar em cada idade.

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Experimente novos materiais, detalhes e composições.

• Novos materiais

Manter ideias que funcionam em seu dia a dia com novos materiais é a primeira dica para reformular e amadurecer seu estilo. As t-shirts, por exemplo, trazem para o visual um toque descontraído e atual com o qual me identifico. Porém, as estampas das camisetas de malha dos meus 18 anos já não combinam com a calça de alfaiataria que uso agora, ao mesmo tempo em que passam uma imagem juvenil demais para o meu momento quando as combino com tênis. Trocar desenhos com cores contrastantes por estampas onde predominam as cores neutras e investir em peças confeccionadas em materiais mais nobres ao invés da tradicional t-shirt de malha foi uma das minhas “decisões de moda”.

A escolha dos tecidos tende a evoluir com o estilo que, com observação, estudo e o passar dos anos, fica cada vez mais sólido. A partir do autoconhecimento e da consciência sobre o consumo, vale investir em peças chave (do seu estilo pessoal, e não daquela lista na revista) com materiais melhores, mesmo que mais caros. Essas peças, com maior vida útil, estarão para sempre em nosso closet. Experimente trocar três ou quatro blusas de fio sintético por um cardigã 100% lã, por exemplo.

• Cores que combinam, shapes que valorizam

Não foi uma só vez que comprei peças por encantar-me com uma de suas características sem pensar nas demais. Um bom exemplo é uma saia com uma estampa que “me representa” mas com uma modelagem que não valoriza o que desejo destacar. Além disso, desapeguei de itens que, embora falassem sobre o meu estilo, tinham cores que não combinavam com o meu guarda-roupa como um todo, e que por isso passaram um bom tempo sem uso.

Nesses casos outra alternativa é partir para a costureira mais próxima e ajustar a peça. Encurtar uma barra, adicionar uma faixa (ou tirar) na cintura de um vestido ou transformar uma calça cuja modelagem não lhe agrada, mas tem um tecido excelente, em um short, são algumas ideias. Mas cuidado! Conte com a ajuda de um profissional experiente para orientá-la sobre as transformações possíveis: infelizmente nem todos os materiais ou modelagens podem ser transformados.

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Ajuste o que fica, desapegue do que não faz mais sentido.

• Mesmas referências, novas escolhas

Referências retrô são bastante presentes tanto no meu guarda-roupa como na decoração da minha casa. Aos 16, lembro-me que tinha quatro ou cinco blusas, em cores diferentes, que uniam gola redonda, mangas bufantes e poá. Elas continuam servindo no tamanho, mas chegou um momento em que essas peças não dizem mais sobre quem eu sou. Em um nova fase, mantenho a essência das inspirações de forma mais sutil: as bolinhas estão em peças com modelagem assimétrica e as flores pequenas saíram das saias rodadas para vestidos retos estampados com fundo neutro, por exemplo.

Criar novas combinações para peças antigas também vale quando o item ainda diz sobre você: A calça de onça que era combinada a uma sapatilha em tom pastel agora anda por aí com um tênis preto, por exemplo, para uma imagem mais moderna e que une referências antigas com novos “códigos” e tendências que refletem o que sou hoje. A sapatilha também não precisa ir embora, e pode ganhar um novo look para completar.

(Imagens: internet)

+ | Quer ajuda para repensar e/ou amadurecer seu estilo? Confira a série de posts Aprimorando o estilo (o primeiro é esse aqui) e participe do workshop Estilo é pessoal.

Moda

I want it all

“Quem vai usar isso”? A pergunta que eu ouvia há alguns anos, sobre determinados desfiles e editoriais de moda, já não é mais tão frequente. Atualmente, o styling das ruas aparece mais elaborado, e tem muita gente disposta e segura para ousar nas composições. Por isso, divido três visuais interessantes de campanhas internacionais que podem funcionar muito bem na vida real: por que não misturar três ou mais tendências em uma mesma composição?

Na campanha da Diesel, o total jeans, que inclui bolsa no mesmo material, ganhou uma terceira peça que une três “modas”: a modelagem e o tecido esportivos encontram a estampa militar e as aplicações. E engana-se quem pensa que o jeans é um modelo clássico. A peça escolhida também é marcante, com detalhes mais claros e acabamento destroyed.

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O styling da H&M une esporte e alfaiataria em uma sobreposição de três peças. Camisa, moletom e blazer juntos, em uma cartela de cores neutras para não pesar. O look também conta com jeans com a barra desfiada e é arrematado por uma bota de envernizada, que pode ser substituída tanto por um mocassim ou oxford quanto por um tênis de material similar.

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O look monocromático da campanha da Zara aposta na escolha de uma só cor como base para misturar referências. Moletom, pele e veludo molhado em um visual ousado, mas mais versátil do que se imagina. Pense em vestido de neoprene + sobreposição de jaqueta de veludo com colete de pele; ou em um top de veludo com casaco de pele e calça de moletom. Visuais como esses podem ser casuais ou ir à festa, dependendo dos complementos. Para transportar essa inspiração para o dia a dia, vale escolher peças em um mesmo tom.

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(Imagens: divulgação)

Moda, Moda consciente

A importância das peças-chave

No primeiro texto sobre consumo consciente, citei o equilíbrio entre roupas com qualidade superior (e mais caras) e itens de moda com preço de fast fashion como mudança de hábito para começar a comprar menos. Para montar um guarda-roupa versátil, adicione ao primeiro “grupo”, além dos clássicos e básicos, itens chave para o seu estilo.

Essas peças, não necessariamente básicas, são roupas que podem sintetizar visualmente sua identidade. Uma jaqueta de couro com tachas, por exemplo, apesar de marcante, é coringa para quem tem um estilo com muitas referências rock. Avaliando a quantidade de visuais que podem ser criados com ela, nota-se que, assim como os neutros, tais peças valem um investimento maior.

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“Mas quais são as peças-chave do meu estilo”?

Autoconhecimento é fundamental para consumir moda de maneira mais assertiva e inteligente. Em uma série de posts sobre aprimoramento do estilo pessoal, compartilhei um passo a passo para criar e analisar seu painel de referências fashion (aqui e aqui). Desse exercício é possível retirar informações valiosas sobre styling para revisitar o que já tem no closet, e identificar suas peças-chave. De forma prática (e generalizada), elas são aquelas que se repetem em diversas inspirações selecionadas, ou complementam boa parte delas.

Não acredite em listas prontas de “peças que toda mulher deve ter”. Cada mulher é única em seu estilo de vida e de vestir, e nem todas precisam de camisa branca e scarpin preto.

(Imagem: reprodução)

Moda

Aprimorando o estilo | Parte III

Hora de definir o que sai e o que fica no closet, baseando-se em seus objetivos, referências e look book pessoal (leia o primeiro post da série aqui, e o segundo aqui), e de pensar em novas e boas aquisições.

• “Como eu vou usar isso”?

A peça valoriza seu tipo físico, está praticamente nova, combina com o seu estilo mas você não sabe como usar (ou usa sempre do mesmo jeito). O conselho, mais uma vez, é: busque referências. Tenho um casaqueto verde que adoro, mas sinto dificuldade na hora de combiná-lo; então, fui em busca de exemplos de visuais com peças similares. “Joga no Pinterest” e selecione as inspirações que fazem sentido dentro do seu estilo.

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Se a peça é lisa, também vale pensar nela na hora de comprar roupas estampadas adquirindo desenhos que coordenam. E por falar em compras….

• Lista de compras

Depois de organizar seu guarda-roupa e abrir espaço para novas ideias, é claro que merece investir em novos itens. Antes de ir às compras, organize uma lista de prioridades e desejos e a partir disso direcione seu orçamento (vá com calma, não precisa comprar tudo de uma vez).

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Não acredite naquela lista de peças “tem que ter” na revista ou em alguns livros de estilo. Nem todo mundo “tem que ter” camisa branca, calça e scarpin preto. Entenda seu estilo, de vida e de vestir, e crie sua própria lista de itens chave. Observando o painel de referências, anote peças que aparecem em uma quantidade considerável de looks ou comunicam muito sobre o seu estilo (é legal listar palavras-chave que o definem, como elegante, divertido, clássico, sóbrio etc), pois elas certamente servirão para complementar uma composição básica e para dar personalidade às roupas “da moda” que vai adquirir com o passar das estações.

Aquela peça que, na hora de criar seu look book pessoal, habitou seus pensamentos várias vezes, ou seja, vai cair bem em três ou mais visuais também pode ser um bom investimento.

ITENSCHAVE

Apesar de simples e rápido, esse passo a passo é uma boa forma de começar a prestar atenção, estudar e aprimorar seu estilo pessoal. Auto conhecimento e pesquisa contribuem não apenas para desfilar um look seguro como também para economizar tempo na hora de se vestir e dinheiro no momento das compras. Vale lembrar que aprimoramento e atualização no closet (e na vida) devem ser constantes!

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