Moda, Negócios

Mantenha distância

A valorização do tempo para si e um certo afastamento do mundo “lá fora” caracterizam um comportamento de consumo identificado como Festa do Eu Sozinho, em estudo divulgado nos últimos meses do ano passado pelo portal Use Fashion. Diferente de um comportamento depressivo, aproveitar o silêncio e momentos consigo mesmo faz parte do estilo de vida desse consumidor, que ganha cada vez mais adeptos na rotina atribulada dos centros urbanos.

Na hora das compras, eles são avessos aos vendedores “atenciosos demais” e valorizam a autonomia de “sondar”, com liberdade de tempo e espaço, os produtos que lhe interessam. São pessoas propensas a consumir cada vez mais através do e-commerce, por oferecer uma loja que pode ser acessada do sofá de casa sem precisar interagir com ninguém.

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E por falar em sofá, esse é também o público de peças de roupa confortáveis que podem ser usadas dentro e fora de casa. Seu estilo não é necessariamente básico: referências esportivas, cores vibrantes e estampas ou frases divertidas tem tudo a ver com os convidados da “festa do eu sozinho”. Embora possam ser considerados “anti sociais”, esses exigentes consumidores são muito bem informados e não tem medo de novidades.

Como conquistá-los? Publicidade em excesso os incomoda. Além disso, são pouco influenciados pelo número de seguidores ou likes que a marca possui: valorizam conteúdo, seja nas redes sociais ou através de vendedores bem informados no ponto de venda, e possuem estilo próprio. Não será fácil chegar perto deles…

(Imagem: Visual Hunt)

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Comportamento, Moda, Negócios

Reclame aí

Já ensaiei escrever sobre esse assunto por aqui algumas vezes. Mas foi um comentário “se não gosta simplesmente não use” lido há cinco minutos que impulsionou, finalmente, o texto. Precisamos falar sobre críticas!

Sabe aquela frase que diz para falarmos apenas de coisas boas, ou aquela ideia de que se for pra criticar é melhor ficar calado? Nunca concordei. A falta de críticas pode fazer tão mal a uma marca (ou a uma pessoa) quanto o excesso delas. Por experiência própria, os trabalhos e as pessoas que mais me fizeram crescer como profissional não foram os (as) que me deram 100% de aprovação. Da mesma forma, atribuo o fato de termos tantos serviços e marcas ruins no mercado a essa cultura (?) de não criticar.

Penso que muitos produtos ruins circulam por aí não por falta de cuidado de quem os faz, mas por falta de feedback de quem os consome. Cansei de ouvir comentários negativos sobre marcas “pelas costas”, vindo de pessoas que não economizavam elogios ao dono da empresa quando na frente dele (mas, obviamente, nunca mais compraram/consumiram). O produto perde a firmeza depois de lavado? A barra descosturou no segundo dia? Fale! O contrário não é justo com nenhum dos lados.

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Me entristeceria saber que estou repetindo um erro já notado por quem consumiu meu produto e ninguém fez o favor de “me dar um toque”. Da mesma forma não entendo a lógica que faz as pessoas ficarem raivosas quando criticadas, e também não sei quem disse a elas que uma crítica as descredibiliza como profissionais. Ninguém é pior por errar. Com o perdão do clichê, errar só nos faz melhores. Além de significar que estamos fazendo algo (e não inertes) e sendo notados, contribui para o aperfeiçoamento do trabalho. O olhar do outro é precioso.

Faço uso desse espaço para deixar claro que o tal “não gostou é só não comprar” não se aplica por aqui. Quero saber o motivo de não ter agradado, pois só assim posso aprimorar meu produto (ou serviço) para, quem sabe, fazê-lo “comprar” da próxima vez. Se ainda assim não funcionar, certamente apresentei uma segunda versão melhor que a primeira.

Como profissional, aceite, avalie e absorva as críticas. Como consumidor, reclame aí! Contribua para um mercado melhor, onde produtos e serviços realmente bons são os que sobrevivem (e não aqueles cheios de elogios comprados) e ajude quem admira a estar entre eles.

(Imagem:Visual Hunt)