Comportamento, Moda, Negócios

Dress code do bem

Pode parecer frescura ou uma regra restritiva, mas não torça o nariz para ele: o dress code só está querendo ajudar! Como um bom amigo, ou melhor que muito amigo que “não avisa”, o dress code nasceu para aconselhar e não para impor.

Existem códigos de vestir explícitos, geralmente em convites, e implícitos. Ao circular por um ambiente com os olhos e a mente atentos para entendê-lo, é possível decifrar seu dress code: um passeio na praia, por exemplo, tanto pelo fato de ser um ambiente para relaxar ou praticar atividades físicas quanto pela questão prática, não é lugar para salto alto e calçados em tecido, em especial os claros, não são os mais recomendados. Ao pensar na função principal de um shopping, como centro de compras e conveniência, também podemos deduzir que o ambiente não exige produções elaboradas. Assim como um jantar de negócios é claramente uma ocasião que precisa unir formalidade com um toque de sofisticação.

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Quando o assunto é ambiente profissional, estar atento ao dress code, mais que deixá-lo confortável no ambiente, impacta em sua carreira. Embora nem todas as empresas forneçam, por escrito ou verbalmente, seu código de vestir, reparar em como seus colegas se vestem facilita o entendimento dele. Empresas de segmentos similares, e uma mesma função, podem ter códigos de vestir diferentes de acordo com a história, estilo e “lugar” onde a empresa está (literal e figurativamente).

O dress code nada mais é que um guia de adequação. E estar adequado é importante não apenas quando existem objetivos profissionais ou sociais envolvidos, mas serve para não sentir-se desconfortável em diferentes ambientes e situações (principalmente em espaços ou ocasiões “novos”): ele diz tanto “arrume-se muito” quanto “pode ir de chinelo mesmo”, e vale tanto para quem não sai do salto escolher o salto ideal quanto para quem prefere tênis optar pelo melhor modelo. Não tira personalidade e não deve ser entendido como ditador de “certo e errado”.

Como usar? Com o dress code em mãos (ou na cabeça), analise qual versão de si mesmo é mais adequada (útil + confortável) para aquele local, hora do dia, ocasião e outras variáveis. Lembrando que não é porque 90% das mulheres estão de vestido que precisa estar também: baseie-se no grau de formalidade e não nas peças /acessórios em si.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda

Roupa objetiva

A utilidade de uma mensagem está condicionada ao seu entendimento. Não só no campo da linguagem. Obras de arte só são apreciadas quando fazem sentido para quem vê. Objetos só são vendidos quando mostram-se vantajosos. Com o que vestimos não poderia ser diferente.

Que “a roupa fala” já sabemos. E que essa voz afeta nossa carreira e é capaz de direcionar relações sociais também. Porém, mais que auto compreender-se  e saber traduzir tal essência na vestimenta, a mensagem precisa ser entendida pelo outro. Para isso, é necessário transmitir, através dessa “carta de apresentação” formada por tecidos e acessórios (e cabelo e maquiagem e postura), um discurso claro.

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Uma comunicação visual persuasiva não é necessariamente minimalista, mas capaz de encaixar elementos de maneira coerente como um texto com início, meio e fim que traz frases diretas e sem duplo sentido, mesmo ao unir termos coloquiais e técnicos. Na  série documental Abstract: The Art of Design, o arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels ilustra a importância da “estética fácil” quando explica, sobre seu trabalho, que “por mais cuidadosamente pensados, refletidos, discutidos, projetados e testados” sejam os projetos “quando você os vê, precisam parecer simples“.

Na moda, a nova-iorquina Iris  Apfel é um bom exemplo:  seus visuais repletos de referências e elementos impactantes anunciam, logo de cara, quem é Iris. Somos até capazes de  intuir de onde ela vem, o que e como ela faz, e nessa análise é possível perceber a quantidade de barreiras que podem ser quebradas através de uma produção cujo resultado final é acessível.

Leve a reflexão para a frente do espelho, desafie-se a explicar o seu próprio visual e avalie se a tradução corresponde ao roteiro original. Em meio à rotina atribulada, principalmente no universo corporativo, sai na frente quem é facilmente assimilado.

(Imagem: Visual Hunt)