Viagem

Viagem e compras: como penso e planejo

Todo (ou quase) ponto turístico, museu e galeria de arte, para não citar alguns cafés e restaurantes, tem uma loja. Depois de sair encantada de uma exposição ou monumento, a vontade é levar todas aqueles produtos com as obras estampadas ou miniaturas para casa. Porém, as compras por impulso podem colocar o orçamento da trip no vermelho, e privá-lo de boas experiências para trazer na mala uma coleção de “cacarecos” que não farão mais sentido depois de alguns dias. Divido por aqui algumas reflexões e dicas para não cair em tentação, e gastar seu dinheiro com o que realmente vale a pena (na minha opinião, obviamente).

Assim como no Brasil, nem tudo que é vendido em feiras “de artesanato” lá fora é local. Em Veneza, por exemplo, grande parte dos lenços expostos ao redor dos pontos turísticos era made in China. A escolha é só sua, mas vale a reflexão: tem certeza que quer comprar um lenço chinoca, vendido por R$ 15 no comércio popular brasileiro, por 15 € só porque estamparam Venezia nele? O mesmo vale para lojas de departamento. Além de pagar, algumas vezes, mais caro, é muito mais interessante trazer roupas, acessórios e objetos que não encontramos em nosso país (ou cidade).

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Loja de acessórios em couro, em Roma: vale a pena garimpar

Encontrou um produto local bacana? Cuidado! Nem tudo que é local combina com o seu estilo, ou com o estilo da pessoa presenteada. Por isso, vale a pena parar para avaliar se aquele objeto fará parte do seu dia a dia ou ficará encostado. Até porque os produtos locais costumam ser mais caros. Para decidir quando a dúvida é cruel, costumo pensar se compraria esse item no shopping ao lado da minha casa, ou naquela loja cuja vitrine vejo quase todo dia. Sim? Então compro.

Quem tem o hábito de comprar coisas específicas independente do lugar que vá, ou já inseriu no roteiro um centro de compras para comprar itens de determinada categoria (outlets de lojas esportivas, por exemplo) pode otimizar tempo e economizar dinheiro fazendo uma lista de compras com suas prioridades antes de viajar. Eu que amo cosméticos, por exemplo, pesquiso previamente sobre marcas diferentes ou locais onde posso encontrar uma boa variedade desses produtos no destino. Há alguns anos notei que a animação da viagem me fazia trazer itens que já tinha em boa quantidade em casa (cheguei a ter oito lip balms por me empolgar com as embalagens), investir muito em produtos que uso pouco e voltar sem produtos para repor o que estava no fim ou cosméticos com funções diferentes do que já havia experimentado. O resultado eram produtos sem uso, muitas vezes jogados fora posteriormente. Experimentar novas marcas é legal. Mais legal ainda é suprir seu estoque de beleza com o que de fato precisa, ou usa muito, com elas.

Com relação aos presentes, sempre busco escolher algo local e útil para quem será presenteado ao invés de trazer lembranças genéricas (chaveiros da Torre Eiffel ou lenços chineses sendo vendidos por italianos, por exemplo): um caderno confeccionado em Florença, mas com uma estampa que é a cara daquela amiga que gosta de escrever, uma caixa de chá da Maria Antonieta para a colega de trabalho que gosta da bebida, ou uma massa italiana para o amigo que cozinha nas horas vagas. Prefiro presentear menos e melhor.

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Banca com revistas e jornais antigos, em Paris: uma publicação de moda das décadas passadas é um ótimo presente para quem gosta do assunto

Para falar brevemente de planejamento financeiro como um todo, uma boa dica é dividir, em média, uma quantia de dinheiro por dia sempre deixando um valor extra para eventuais emergências. É claro que não é necessário seguir à risca, pois muitas vezes encontramos coisas interessantes para fazer e comprar quando não prevíamos; e muitas dessas surpresas são as melhores lembranças ou compras da viagem. Porém, esse controle pode ajudar a não gastar demais no “primeiro shopping” e perder boas oportunidades depois.

As escolhas e prioridades são muito particulares, mas acho uma pena passar a viagem toda comendo fast food para economizar e gastar em souvenir ou objetos sem estilo, sentido ou sentimento. As experiências valem muito mais que as coisas (e as gastronômicas são as que não podem ficar de fora). E quando não dispomos de um orçamento alto, vale a pena pensar em si antes dos outros. Eu prefiro saber que meu amigo aproveitou a viagem, investiu nos passeios e experimentou o que podia da gastronomia local do que ganhar um presente. Certamente quem realmente se importa comigo também.

(Fotos: acervo pessoal)

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