Moda

Looks para o inverno. Para o inverno.

Francamente, blogs de look do dia, quem vai usar esse decote no frio? Mangas dobradas, pernas à mostra, sapatos “decotados”… Nem todas as cidades brasileiras têm invernos rigorosos, mas alguém me conta onde é possível usar casaco de pele + cachecol de lã com mini saia e meia fio 15 “ao mesmo tempo e agora”? Ou onde fica esse cenário com neve que pede botas com pele e sobretudo mas permite fazer um charme com a manga dobrada até metade do antebraço? Vamos ser sinceros: é preciso mais que isso. E pensando nas reais necessidades, compartilho uma pequena lista de itens que realmente valem o investimento em períodos de frio.

Precisamos, por exemplo, de camadas. Algumas vezes elas não são bonitas. E nem precisam ser. Aquela malha antiga com a tonalidade levemente mais clara que o tom original, uma segunda pele nude, ou até a parte de cima do “pijama do dia”. Não importa. Tanto quanto camadas, precisamos de blusas ou casacos amplos capaz de escondê-las: na hora de fazer compras, priorize essas peças ao invés de casaquetos abertos ou jaquetas justas. Quer uma jaqueta de couro para atravessar invernos rigorosos? Certifique-se de que ela é capaz de abraçar o seu moletom ou uma blusa de lã grossa.

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Por falar em moletom, vestidos nesse material são ótimos companheiros para essa época. Com a modelagem ampla, eles abrigam todas as camadas e ficam charmosos com legging ou calça skinny + botas ou tênis, outro bom investimento sobre o qual falarei mais adiante. Outro detalhe para se pensar ao adquirir tricôs são os decotes: prefira a gola alta ou aqueles que “se encaixam” na maioria das blusas que costuma usar por baixo. Gosto muito de tricô com decote V, por exemplo, mas evito essas peças quando o objetivo é escolher uma roupa para o frio intenso para não precisar me preocupar em combiná-lo com a blusa que ficará à mostra. Quando decido usá-lo adiciono uma gola ou cachecol, mas essa é uma questão bastante pessoal (de alguém, no caso eu, que prefere visuais com pouca informação visual).

Calças em couro ou materiais similares aparecem com frequência em listas de inverno, mas elas podem te deixar numa fria. Com materiais nada “quentinhos”, escolha modelagens amplas (como a da calça pijama) ou peças não tão justas, que permitam ao menos uma meia calça fio 40 por baixo sem limitar os movimentos. Vale a pena pensar duas vezes também na hora de investir em calças rasgadas ou com detalhes muito abertos. É possível criar sobreposições com meias, mas esse será mais um detalhe para pensar na hora de se vestir (o que pode tomar mais minutos do seu dia).

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Blogueira, não me venha com scarpin e sapatilhas. Coloca uma meia nesse pé, menina! Além de ser um conselho de mãe para não pegar resfriado, é um conselho de moda para não parecer visualmente incoerente (toda aquecida por sobretudo e cachecol mas com o pé “de fora”). Ter ao menos um calçado fechado é importante para quem vive em locais onde a temperatura costuma cair, tanto pela praticidade quanto pela estética: nem todas as sapatilhas combinam com meias grossas (seja pelo material, cor ou modelo). Com as referências esportivas em alta, não faltam opções de tênis no mercado e me faltam palavras para agradecer essa moda que me faz tão feliz, principalmente no inverno. Além deles e das botas, os sapatos oxford aliam conforto e informação de moda e podem ser usados com meias quentes.

Dizem que o frio chega de verdade essa semana em Curitiba. Será que neva?

(Imagens: reprodução)

 

Comportamento, Moda, Negócios

Dress code do bem

Pode parecer frescura ou uma regra restritiva, mas não torça o nariz para ele: o dress code só está querendo ajudar! Como um bom amigo, ou melhor que muito amigo que “não avisa”, o dress code nasceu para aconselhar e não para impor.

Existem códigos de vestir explícitos, geralmente em convites, e implícitos. Ao circular por um ambiente com os olhos e a mente atentos para entendê-lo, é possível decifrar seu dress code: um passeio na praia, por exemplo, tanto pelo fato de ser um ambiente para relaxar ou praticar atividades físicas quanto pela questão prática, não é lugar para salto alto e calçados em tecido, em especial os claros, não são os mais recomendados. Ao pensar na função principal de um shopping, como centro de compras e conveniência, também podemos deduzir que o ambiente não exige produções elaboradas. Assim como um jantar de negócios é claramente uma ocasião que precisa unir formalidade com um toque de sofisticação.

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Quando o assunto é ambiente profissional, estar atento ao dress code, mais que deixá-lo confortável no ambiente, impacta em sua carreira. Embora nem todas as empresas forneçam, por escrito ou verbalmente, seu código de vestir, reparar em como seus colegas se vestem facilita o entendimento dele. Empresas de segmentos similares, e uma mesma função, podem ter códigos de vestir diferentes de acordo com a história, estilo e “lugar” onde a empresa está (literal e figurativamente).

O dress code nada mais é que um guia de adequação. E estar adequado é importante não apenas quando existem objetivos profissionais ou sociais envolvidos, mas serve para não sentir-se desconfortável em diferentes ambientes e situações (principalmente em espaços ou ocasiões “novos”): ele diz tanto “arrume-se muito” quanto “pode ir de chinelo mesmo”, e vale tanto para quem não sai do salto escolher o salto ideal quanto para quem prefere tênis optar pelo melhor modelo. Não tira personalidade e não deve ser entendido como ditador de “certo e errado”.

Como usar? Com o dress code em mãos (ou na cabeça), analise qual versão de si mesmo é mais adequada (útil + confortável) para aquele local, hora do dia, ocasião e outras variáveis. Lembrando que não é porque 90% das mulheres estão de vestido que precisa estar também: baseie-se no grau de formalidade e não nas peças /acessórios em si.

(Imagem: Visual Hunt)

Arte

“Pop brasileiro”

De maneira geral, os trabalhos rebatem distinções entre cultura popular e cultura erudita, “bom” e “mau” gosto. Apropriam-se das coisas do entorno imediato, reproduzem ou transfiguram cenas corriqueiras (das ruas, da intimidade) e imagens em circulação nos jornais, revistas, TV, na propaganda e nas histórias em quadrinhos. Desde aquela época, até hoje, essas produções costumam ser chamadas de “pop brasileiro“.

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Tentativa de Ultrapassagem, de Raymundo Colares

O trecho acima faz parte do texto que abre a mostra Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright, na Pinacoteca de São Paulo. “Manifestações de inconformismo, contrárias às autoridades e oficialidades“, características das produções culturais do país a partir de 1960, estão presentes em cerca de 80 obras realizadas entre as décadas de 1960 e 1970 “pelos artistas mais representativos da nova figuração, do teor político e da explosão colorida do pop.

Em comum com o movimento artístico norte-americano chamado de Pop Art, cuja principal fonte de inspiração era o dia-a-dia das grandes cidades e os “símbolos e produtos industriais dirigidos às massas urbanas“, desde enlatados até a imagem de grandes estrelas do cinema, como conta Graça Proença no livro História da Arte, as obras de brasileiros como Raymundo Colares, Marcello Nitsche, Claudio Tozzi e Wanda Pimentel também trazem traços marcantes e cores contrastantes, chamando a atenção para detalhes e mensagens cotidianas que muitas vezes passam despercebidas.

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Buum, de Marcelo Nitsche

Além dos nomes em exposição na Pinacoteca de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba, também exibe obras de artistas que caracterizam-se pelo “afastamento do abstracionismo e suas vertentes e, consequentemente, pela aproximação das correntes artísticas que buscavam a volta da figura” no mesmo período na mostra Anos 60|70: Um Panorama. Pela temática “com conteúdo crítico, político e social“, tão atual no momento em que vivemos, e/ou pela estética vibrante e atemporal, vale a pena passear pelas duas mostras e conhecer a arte de brasileiros que não ficam nada atrás de Andy Warhol.

Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright, fica em cartaz na Pinacoteca de São Paulo até 26 de agosto de 2019; enquanto a exposição Anos 60|70: Um Panorama está aberta ao público (e é gratuita) até o dia 30 de julho de 2017.

(Imagens: reprodução)

Moda, Negócios

Não troco likes: O real alcance dos nossos projetos

Um amigo músico comentou sobre o hábito de “trocar likes” entre bandas e projetos e como isso, no fim das contas, não leva a nada. Essa observação vale para qualquer negócio. E também diz respeito a avaliar o sucesso pelo número de curtidas, ao invés de considerar envolvimento e resultado.

Quando “faço amigos” em redes sociais cujo perfil pode se interessar pelos meus projetos ou fanpages que gerencio, convido para curtir. Percebo, porém, que algumas pessoas curtem para ser curtidas, e “descurtem” quando percebem que eu não “dei like” em sua página de roupas para pets, dicas para mães ou outros assuntos que não me interessam.

Primeiramente, meu convite para curtir é apenas um convite. Não sinta-se obrigado, pois eu não me sentirei a retribuir. Para mim é importante, como disse meu amigo, observar o “real alcance dos meus projetos”; e ver como e quem interage com o meu conteúdo. Resumindo: não me interessam “10K fãs” comprados (ou trocados). Prefiro dez “fãs” conquistados, que leem e beneficiam-se do meu negócio de alguma forma, para os quais minha fanpage é útil. Da mesma forma, não quero minha timeline repleta de publicações de páginas com temas que não se aplicam à minha rotina ou estilo de vida, ou com produtos que não tenho interesse em acompanhar/comprar seja pelo motivo que for. Já somos bombardeados de informações o tempo todo, e quanto mais eu puder filtrar melhor. De forma direta: não vou seguir o que não me acrescenta, e não quero que me siga caso meu negócio não lhe interesse. “Tá” tudo bem. Continuaremos amigos.

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Sabendo que trocar (e comprar) likes é uma realidade, avaliar empresas/profissionais pelo número de curtidas nem sempre lhe trará um parecer correto. Assim como trocar (e comprar) fãs não sustentará de forma sólida o seu negócio. Recentemente, prestando consultoria para uma pequena empresa de moda, notei que o dinheiro gasto comprando fãs era o que faltava para investimentos bem mais importantes no momento em que a marca estava: uma nova logo e melhorias no produto são alguns exemplos. Além disso, o “vício” em aumentar o número de seguidores dificultava uma avaliação real tanto do público que a empresa pretendia alcançar como de quais estratégias eram efetivas para o que mais importa: vender o produto. Será que “esse tanto de K” estava de fato interessado naquelas peças?

Obviamente existem casos específicos onde os números valem mais que outros fatores. Mas arrisco dizer que a maioria das pequenas empresas não vai crescer priorizando o número de seguidores, sem ao menos ter um bom produto ou saber quem são eles, o que querem, como abordá-los… Concentre-se (e invista) em criar qualidade (no produto e no conteúdo) e relacionamento. Verdadeiros “fãs” não são comprados ou conquistados do dia para a noite, mas são eles que farão do seu negócio um sucesso.

Ivy Lemes Escritório de Moda presta consultoria criativa e de planejamento para pequenas marcas do setor de forma presencial ou online. Entre em contato comigo e conheça esse serviço.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda

Moda atemporal (e com propósito) para elas e eles

Em um passeio pelo bairro de Pinheiros fui ver de perto duas marcas que acompanho via Instagram: a Yes I Am Jeans e a Insecta Shoes, que dividem espaço em uma loja inspiradora na Rua Artur de Azevedo. Na mesma rua, tive o prazer de conhecer uma marca masculina que segue o mesmo propósito das outras duas: moda com qualidade, feita para durar muito. E é sobre essas três marcas que falo hoje.

Com produção nacional e a melhor matéria-prima disponível no mercado, a Yes I Am Jeans trabalha com interpretações da clássica calça jeans de cintura alta. A cartela de cores neutras diminui a necessidade de produtos químicos no processo de lavanderia, reduzindo o impacto ambiental e incentivando o consumo consciente através de peças versáteis e que podem ser facilmente recombinadas: “Nossas peças resgatam um estilo de vida básico, simples, com foco no conforto e utilidade“. Além das calças, a loja online da marca conta com modelos de camiseta e vestido básicos.

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Loja Yes I Am Jeans + Insecta Shoes

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Com a mesma proposta, a Oriba é uma marca de roupas e acessórios masculinos criada por três amigos que, consumidores de moda básica, uniram-se no desafio de oferecer bons produtos essenciais: “Nos demos conta que nós três, e muitos outros amigos, consumíamos produtos básicos, sem excessos ou frescuras, só que nenhum comprado em nosso próprio país. Ora porque era caro, ora porque era de baixa qualidade“. Mais que oferecer qualidade e preço justo, a Oriba preocupa-se em acompanhar todas as etapas da produção e descarte de resíduos além de possuir um propósito maior: investir na educação infantil (leia mais sobre o Projeto Base no site da Oriba).

Para combinar com os básicos e essenciais, os calçados ecológicos e veganos da Insecta Shoes podem ser encontrados na prateleira ao lado das araras da Yes I Am Jeans. Produzidos a partir de peças de roupas usadas, além de garrafas de plástico recicladas, as botas, oxfords, sandálias e slippers da Insecta Shoes são unissex e livres de matéria-prima de origem animal. Com o reaproveitamento como palavra de ordem, a marca tem como um dos propósitos “aumentar a vida útil do que já existe pelo mundo”. Até mesmo a sola dos calçados é feita com borracha triturada do excedente da indústria calçadista. O resultado são peças únicas e que sobrevivem aos modismos.

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Loja Yes I Am Jeans + Insecta Shoes

(Fotos: Ivy Lemes)

Moda, Negócios

Moda íntima: Mercado e tendências

Recente estudo do IEMI Inteligência de Mercado apontou uma leve retomada do mercado de moda íntima no Brasil. Estima-se que, em 2017, a produção se eleve 3,1% e a exportação, que em 2016 aumentou 0,13% com relação a 2015,  avance 5,1%, o que representa 7,96 milhões de peças.

O aumento da importação e o recuo nos volumes importados é um bom sinal para o setor, que, embora tenha sofrido os efeitos da crise, encontra-se em melhor situação que os setores praia e fitness, segundo a pesquisa: “O segmento acompanhou a tendência de todo o setor do vestuário no Brasil, que sentiu os efeitos da queda no consumo interno. Porém, em 2017 já há sinais consistentes da retomada na produção, em especial para o segmento de moda íntima, que deve atingir o maior nível de produção dos últimos quatro anos”, diz Marcelo Prado, diretor do IEMI.

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Entre os dias 18 e 20 de junho aconteceu, em São Paulo, o Salão Moda Brasil 2017. O maior evento de lingerie, moda praia e fitness da América Latina, apresenta os lançamentos de grandes marcas lançadoras de tendências nos segmentos. A empresária Milla Santos, da marca de lingerie Je Veux By Milla Santos, esteve no Salão Moda Brasil e conversou comigo sobre negócios, tendências e mais um pouco.

Como e quando surgiu a Je Veux By Milla Santos?

Surgiu em 2013 , com minha mudança do interior de São Paulo  para Curitiba. Nessa ocasião decidi estudar por um ano qual seria o produto ideal, o mais procurado pelas consumidoras. Após um ano de pesquisas diretas cheguei à conclusão que o produto mais viável seria um sutiã no formato mais pedido por elas, e a partir daí desenvolvemos o sutiã conhecido como a modelagem perfeita, apelidado de ” queridinho”.

Segundo dados do IEMI, o número de empresas que participam da produção dos segmentos de moda íntima, praia e fitness, em especial as pequenas empresas, caiu entre 2014 e 2016. Quais são os maiores desafios que enfrentou como empresária em um período onde o mercado como um todo foi abalado?

Muitas empresas que conhecemos sentiram essa queda, mas para nós o que aconteceu foi totalmente o contrário: nossas vendas aumentaram mês a mês, obrigando a aumentarmos nossa estrutura na mesma velocidade. Mas, isso não foi por acaso. Atualizamos nosso processo de vendas de acordo com a nova realidade de consumo, o que infelizmente não aconteceu com outras empresas que acabaram perdendo clientes preciosos. Hoje priorizamos a fidelização da cliente, pois custa muito caro  vender sempre para novos consumidores. De 100% das nossas vendas 85% corresponde a clientes que já compraram, para o mercado esse é um índice altíssimo . Nosso maior desafio foi entender esse novo formato de compra.

Je Veux By Milla Santos trabalha com vendas diretas. Atualmente, muitas empresas de moda iniciam sua história dessa forma. O que você aponta como maior dificuldade, e o que é mais prazeroso nesse formato de negócio? 

Hoje nossa maior dificuldade está na velocidade de resposta, pois no mundo digital as clientes exigem uma reposta imediata. O maior prazer é estar em contato direto com as clientes, recebendo um feedback imediato da satisfação com nosso produto o que torna possível trabalhar com tendências reais para outros modelos.  

O que é mais importante considerar ao produzir uma peça de moda íntima? E quais são as características que o mercado mais busca nessa categoria de produto?

O mais importante é criar uma  peça que una qualidade , beleza e conforto com um valor atrativo. Hoje o mercado busca acima de tudo o conforto, pois a mulher de hoje em dia é polivalente .

Recentemente você esteve no Salão Moda Brasil 2017. Como sua marca trabalha com as tendências de moda, e que lugar a moda ocupa na Je Veux By Milla Santos: é importante estar alinhada com o que mostram as principais publicações do setor?

Estamos sempre antenados nas tendência do mercado para garantir que nosso produto esteja atualizado. Mas o ponto que mais levamos em consideração e utilizamos como referência são as cores, porque o nosso produto é o essencial do dia a dia .

Para as próximas estações, que tendências você destaca na moda íntima?

Na moda intima em geral o que vem de tendência para  as próximas estações são os detalhes refinados, com brilhos pulverizados em dourado, prata e ouro rosa, e traços finos de lurex que desenham rendas e tules de formas sofisticadas ; o quimono, em alta para linha noite influenciando o loungewear com florais interpretados com traços delicados tendo sempre fundos bem espaçados; e o equilíbrio, na procura de uma modelagem perfeita, e sua vestibilidade, em conjunto com o material ideal e o acerto da cor para trazer leveza e o conforto para as peças. Com relação aos materiais renda e laise estão em alta trazendo a ideia de “decoração do corpo”,  e a transparecia atualiza a lingerie sensual com cores delicadas e alegres .

Os produtos da Je Veux By Milla Santos podem ser adquiridos diretamente através do Whatsapp (41 997 323 823) e do Instagram. Próximos passos? Em breve a marca lançará mais uma peça na linha dia a dia e um top funcional na linha fitness. Milla Santos também planeja um canal no Youtube com dicas, informações e sugestões para quem tem o desejo de empreender. Obrigada, Milla, e votos de sucesso.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda, Negócios

Quanto custa

Minha mãe faz tricô com excelência. Quando começamos a conversar sobre o desenvolvimento de produto para a minha marca, ela foi enfática: “Vi no YouTube que o preço do produto é 3X o valor da matéria prima utilizada”. Oi?

Depois do susto comecei a entender um dos motivos da desvalorização do trabalho artesanal. Você do YouTube, que minha mãe assistiu, faça o favor de explicar o fundamento dessa “matemática básica”. Esse cálculo simplista não faz o menor sentido. Explico o motivo.

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Um produto é composto por uma série de fatores, tangíveis e intangíveis (leia mais sobre o assunto aqui). Entre as tangíveis estão a matéria-prima, a etiqueta, a embalagem e todas as outras coisas que podemos ver e tocar. Entre as intangíveis estão a ideia, as pesquisas, os testes, o conhecimento necessário para o desenvolvimento, a habilidade de quem executa bem como o tempo de trabalho para produção, para a criação da marca, para a manutenção das redes sociais, atendimento, entrega… Note que os fatores intangíveis vão muito além da matéria-prima, muitas vezes o componente mais barato, e que sem eles não existe produto.

Basear seu preço unicamente na matéria-prima é um erro. Imagine uma almofada de crochê que precise apenas de um rolo de fio de R$10 para ser produzida. Seguindo a lógica que abre esse texto, o preço final dela seria R$ 30. Trinta reais. Com R$ 20 de “lucro” para quem ficará em média um dia todo para produzir, sem contabilizar o restante do trabalho que envolve o desenvolvimento do produto (pesquisa, ideia, tempo e gastos com deslocamento para comprar o fio, o dia de trabalho etc). Acha justo? Eu não. E olha que nem coloquei na conta o custo da embalagem (que por mais simples que seja, custa), da entrega/estande para quem vende em feiras entre outros.

Saber precificar o produto é crucial para o sucesso do negócio. Um negócio precisa gerar lucro para quem faz, caso contrário não vale a pena. É melhor vender menos e lucrar, do que ter volume de vendas sem lucro. Valorize seu trabalho! E, como consumidor, pense em tudo que envolve a criação e produção de um objeto antes de sair por aí ditando o valor “justo” do produto alheio baseado apenas na “ponta do iceberg”. A maior parte dele, e o que o sustenta, não está ao alcance dos olhos.

O Ivy Lemes Escritório de Moda presta consultoria criativa e de planejamento para pequenas marcas do setor de forma presencial ou online. Entre em contato comigo e conheça esse serviço.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda

Motivos egoístas para comprar em brechó

Um entre muitos textos que li nos últimos tempos sobre consumo consciente de moda dizia que nenhuma roupa é mais sustentável (e responsável) do que a que já existe. O trecho do texto incentivava o consumo de moda em brechós, com a mensagem de que, mais que produzir peças com pouco impacto, é preciso olhar para os produtos que já temos e ainda estão em condições de uso.

Embora os brechós tenham ganhado espaço em publicações e sites de moda, e endereços descolados e até luxuosos, bem diferentes daquele esteriótipo de loja amontoada de peças velhas, o preconceito contra roupas usadas ainda existe. A extensa lista de motivos para garimpar em vintage shops inclui questões ambientais e éticas, como a economia de água e energia, o reaproveitamento e a construção de um guarda-roupa com peças de qualidade, reduzindo a necessidade de comprar novos itens em um curto espaço de tempo.

Porém, a (triste) realidade é que muita gente não está preocupada com isso. Pensando nisso, trago três motivos egoístas para considerar uma visita ao brechó: comprar roupas de segunda mão podem nos trazer vários benefícios pessoais. (Keep calm, é uma ironia).

• Nomes e marcas famosas por menos

Mais que desfilar uma logo, muitas grifes são cobiçadas pela qualidade de seus produtos. Essa característica faz com que peças premium atravessem gerações sem envelhecer, na estética e no material. Um suéter de cashmere, um vestido de seda pura e uma bolsa com um couro de qualidade, por exemplo, dificilmente parecerão velhos. Os brechós que trabalham com marcas selecionadas são uma excelente oportunidade de adquirir itens de moda com bons materiais por preços amigos. Lembre-se que os bons produtos não envelhecem, e ninguém vai saber se saiu da loja ou do brechó.

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Placa informativa no provador e arara em frente à fachada do brechó Acervo de Coisinhas, em São Paulo

• Exclusividade e itens vintage

Mesmo quando o produto não foi produzido como peça única, é muito difícil encontrar alguém com o mesmo item que garimpou em um brechó. Isso sem falar em brechós especializados em peças vintage, onde é possível encontrar complementos e acessórios que deixarão o visual sofisticado e cheio de personalidade. Poucas coisas são mais chiques que uma peça de época ao lado de uma produção básica, como jeans e camiseta, ou de um vestido longo com poucos detalhes. Além disso, o contraste de estilos está em alta; e um jeans original dos anos 80 pode ser bem mais cool que a releitura da peça.

• Moda do momento sem comprometer o orçamento

Nem só de roupas antigas são feitos os brechós. Muitos endereços são destinados a peças atuais, onde é possível encontrar roupas da moda usadas pouquíssimas vezes (ou novas) pela metade do preço ou menos. Sabe aquela vontade de usar um modismo? Procure no brechó! Deixe para gastar mais em itens duráveis, e selecione entre peças de segunda mão aquilo que logo será repassado. Alguns brechós trabalham com trocas, ou oferecem vale compras pelas peças que não usa mais, o que permite que renove alguns itens do seu closet e cada estação sem precisar gastar muito para isso.

• Mais: Dificuldades, o que eu compro e brechó contemporâneo x vintage

Confesso que já consumi mais em brechós do que agora. A mudança de estilo e a busca por peças preferencialmente lisas dificulta um pouco minhas compras em brechós. Outra dificuldade que sinto é com relação ao tamanho: não é fácil encontrar peças pequenas. Obviamente existem roupas que valem o ajuste, mas é preciso avaliar se a reforma é possível (nem todos os tecidos e modelagens se comportam bem quando ajustados) e financeiramente viável. Por essas questões, costumo ficar mais atenta aos vestidos que podem sem “adaptados” com um cinto e aos acessórios, quando o brechó trabalha com peças vintage (as bolsas pequenas de tecido ou bordadas e os cintos de couro são meus favoritos).

Falando nisso, uma visita ao brechó é melhor aproveitada quando escolhemos o endereço certo de acordo com nosso objetivo. Lojas que trabalham com roupas contemporâneas são bons lugares para encontrar itens de moda, mas exigem um olhar atento com relação ao custo x benefício das peças: não foram poucas as vezes que vi camisetas de malha de fast fashion em brechós por preços abusivos considerando que esses produtos não fazem parte da lista de “peças para durar” (tanto no quesito design quanto no quesito qualidade).

Qualidade não costuma ser um problema quando o assunto são itens vintage. Nessa categoria, duas coisas importantes na hora de escolher as peças são: experimentar e avaliar a adequação ao seu estilo pessoal. Experimentar é fundamental pois o tamanho e a modelagem das peças mudou consideravelmente com o passar do tempo, e avaliar como ela se comportará ao lado do que já temos no armário é importante para não fazer uma compra por impulso sem avaliar a pertinência dela em nosso dia a dia.

Além do brechó Acervo de Coisinhas, que ilustra o post e conta com roupas e acessórios predominantemente contemporâneos, também no bairro de Pinheiros, em São Paulo, conheci o brechó Varal do Beco, especializado em peças vintage e figurinos. Vá com tempo para explorar as araras lotadas de roupas até o teto (mesmo!).

(Fotos: acervo pessoal)

Comportamento, Moda, TV & Cinema

Não estarei sempre “na moda”

A relação das pessoas com suas coisas, a publicidade ostensiva a que somos submetidos e a rotina ansiosa das grandes cidades são alguns dos temas abordados em Minimalism: A Documentary About the Important Things (2015). O documentário propõe, através da história de pessoas que aderiram uma forma minimalista de viver e de reflexões de profissionais de áreas como economia, sociologia e até arquitetura, um novo olhar sobre consumo, expectativas e estilo de vida.

Joshua Fields Millburn, um dos minimalistas, conta sobre as mudanças em sua rotina e mente após o descarte de “todas essas coisas que havia trazido à minha vida sem questionar“; e, em outro trecho do documentário, comenta que o problema não está no ato de consumir, mas no consumismo compulsório e no hábito de “comprar coisas porque é isso que você deveria fazer“. É assim no mundo da moda rápida.

“Querem que você se sinta fora de moda semana após semana, para que assim compre algo na semana seguinte”, avalia a consultora de moda sustentável Shannon Whitehead, que também aborda as expectativas criadas por nós e pelos outros com relação ao que “devemos ser”, o que, de certa forma, alimenta a falsa necessidade de precisar vestir algo novo todo dia, de não repetir roupa ou não poder usar um item “fora de moda”. A exigência é geral, e quando trabalhamos dentro desse universo é maior ainda.

Como profissional da área, já senti, direta e indiretamente, a pressão para estar “sempre na moda”. Os argumentos vão de “o dress code dessa empresa de moda exige” a “estar com peças da moda é fundamental para o seu marketing pessoal”. Será?

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Independente da minha extensa lista de questionamentos sobre “o tal” marketing pessoal, entendo que muitas dessas exigências são impostas a nós por alguns mas nem sempre relevantes ou percebidas por tantos e por quem de fato importa. Quando falo sobre “quem importa”, inclui nós mesmos. Afinal, quem mais importa quando o assunto é a minha roupa sou eu (meu bem estar, minha mensagem).  E aí entra um interessante depoimento da Courtney Carver, fundadora do Project 33.

Em seu Projeto 33, Courtney Carver desafiou-se a usar apenas 33 itens por três meses, incluindo acessórios e calçados. A ideia de usar menos do que tinha disponível em seu armário faz parte do processo de desapego que iniciou em 2010 e que não lhe pareceu fácil quando chegou no closet: “Para mim foi uma grande forma de realmente ver do que precisava, o que eu estava usando e se iria fazer alguma diferença”.

Ela conta que trabalhava com propaganda, e muitos clientes com os quais mantinha contato diário. Nos “escritórios criativos”, não apenas de moda, é comum ouvir que precisamos mostrar nosso talento através de visuais modernos e sempre novos. Courtney Carver, com seus 33 itens, conta que “durante esses três meses ninguém notou” a diferença.

Se você pensar no conceito de moda, ele incorpora a ideia de que você pode jogar as coisas fora não quando elas não servem mais, mas quando não têm mais aquele valor social ou não estão mais na moda“. Compartilho esse depoimento da economista e socióloga Juliet Schor e a experiência de Courtney Carver para trazer à tona o questionamento sobre a “necessidade” de estar na moda (trabalhando ou não com ela) e para comunicar formalmente que não estarei sempre na moda. Ainda que isso decepcione alguém ou me faça perder o job.

(Imagem: Visual Hunt)

Arte, Moda

Norman Parkinson e mais moda em exposição

Seu trabalho é considerado extremamente inovador até os dias de hoje, e sua influência permanece evidente no trabalho de muitos fotógrafos contemporâneos, por sua maneira única de dirigir as modelos e construir as cenas dos sets fotográficos”. Fugir das tradicionais poses estáticas na década de 30, levar modelos e objetos de cena para as ruas e produções para locais considerados exóticos na época, como Índia e Rússia, tornaram o fotógrafo britânico Norman Parkinson um dos principais nomes da fotografia de Moda mundial.

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Young Velvets, Young Prices, Hat Fashions (Vogue, 1949)

A citação que abre o post, e que faz parte do release da mostra Norman Parkinson, o verdadeiro glamour britânico, em exposição na Galeria Mario Cohen, em São Paulo, antecipa a estética de suas imagens de moda que permanecem atuais até hoje: movimento, enquadramentos que fogem do óbvio e cliques que evidenciam conceitos, como a clássica silhueta do New Look na foto New look at the National Gallery (1949), além da roupa.

Passear pelas fotografias de Parkinson traz um novo olhar sobre a moda da época, colocada em cenas reais para revelar como o modo de viver das “personagens” em cena conversa com o que as veste. Moda, afinal, é comportamento; e a construção de uma boa imagem de moda não depende e nem exige foco no produto.

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The Art of Travel (1951). Wenda Parkinson esperando o avião da Hermès no aeroporto de Nairobi, Quênia

Os trabalhos para as principais publicações de moda do mundo, como Harper’s Bazaar e Vogue, incluindo sua primeira capa para a Vogue americana, que posteriormente também foi impressa na Vogue britânica, dividem espaço com um editorial feito na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para a revista Queen, em 1961. Essas fotografias pouco conhecidas foram entregues em caráter inédito para a mostra na Galeria Mario Cohen, que acontece até o dia 5 de agosto.

• Estilistas contemporâneos brasileiros no MAB

O Museu de Arte Brasileira homenageia os 70 anos da FAAP com a mostra Moda no MAB: Uma nova coleção no acervo. A exposição traz uma seleção de trajes dos estilistas André Lima, Fause Haten, Jum Nakao, Lino Villaventura e Reinaldo Lourenço além de modelos das marionetes utilizadas no desfile  “O mundo maravilho do Dr. F”, de Fause Haten,  e das bonecas produzidas por Jum Nakao para a instalação “Tributo a Brothers Quay”. Também fazem parte da exposição fotografias de mais de vinte mostras de moda realizadas pelo MAB FAAP no decorrer dos anos. Moda no MAB: Uma nova coleção no acervo está em cartaz até o dia  13 de agosto e a entrada é gratuita.

(Fotos: Norman Parkinson)