Decor, Moda

Sua casa, seu estilo

Quando uma amiga me contou que acha fácil avaliar se um cômodo combina ou não com ela, mas que tem dificuldade em mapear seu estilo de vestir, lembrei de um programa que assistia no Discovery Home & Health chamado Minha Casa, Meu Estilo. No programa, o designer de interiores solicitava três roupas e acessórios favoritos do participante e, a partir dessas peças e acessórios, projetava o ambiente ideal. O contrário também é possível e (muito) válido.

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Se a decoração da sua casa é “bem resolvida” e lhe faz feliz, ela pode ser um ótimo ponto e partida para entender e aprimorar seu estilo pessoal. Inspirar-se em referências que não sejam roupas e acessórios nos ajuda a construir nosso estilo com mais personalidade. Como toda inspiração não tão direta, objetos exigem mais reflexão e resultam em uma análise muito mais rica do que gostamos: cores, formas, épocas etc. De elementos mais palpáveis, como cartela de cores, à referências estéticas, até mesmo a disposição dos móveis da sua casa dizem sobre seu “estilo ideal”: tem poucos móveis pois gosta de espaços livres?  Seu guarda-roupa pode precisar de peças-chave lisas. Tem muitas plantas pois valoriza a relação com a natureza? Que tal investir em tecidos ecológicos? Criou um ambiente integrado pois precisa de praticidade? Peças únicas podem seu uma boa ideia.

Cada detalhe do ambiente revela um pouco sobre seu estilo de vida, e o estilo pessoal precisa acompanhá-lo para trazer verdade e conforto. Não significa ter um vestido com a mesma estampa das almofadas, mas entender que o conjunto decorativo que gosta traz muitas pistas sobre o que funciona também na hora de se vestir. Que tal fazer esse exercício?

(Imagens: reprodução)

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Design, Moda, Negócios

Onde sua marca está?

Dias atrás assisti a um seminário online sobre branding onde, entre outras coisas, falou-se sobre três conceitos de comunicação: posicionamento, tom de voz e território. Entre eles, já havia estudado e pensado o posicionamento e tom de voz da minha marca, mas nunca havia dedicado tempo para “explorar” seu território.

O território da marca diz respeito ao local onde ela está ou pretende estar. De maneira simplificada, uma marca pode “estar” na praia, em uma grande cidade, em um ambiente rural ou de luxo, e, indo mais a fundo, pode ater-se à espaços específicos dentro desses territórios: é uma praia pouco habitada ou um balneário “da moda”? A marca está no centro ou na periferia da cidade? Ainda que seu produto possa circular em diferentes ambientes, entender “de onde ele vem” é fundamental para mostrar de que forma ele se encaixa em outros espaços.

Pensar no território da minha marca ajudou a definir, concluir e solidificar muitos outros conceitos, tornando mais claro como e onde desejo posicioná-la e contribuindo para refletir tudo o que a envolve. Compartilho meu estudo, no papel mesmo, para ilustrar e incentivar a olhar à fundo esse conceito.

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No centro do papel, junto com a marca, coloquei a primeira coisa que me veio à cabeça quando pergunto, pensando como marca, onde estou? Das palavras escritas a partir do conceito e seus desdobramentos, é possível criar um bom guia para nortear o processo criativo e traçar estratégias gerais muito além do território; e que incluem também aspectos físicos do produto. Palavras como interferências e opostos como tradicional e novo podem aparecer em coordenações de cores e formas, enquanto reuso, reedição e restauração evocam a vontade de trabalhar com materiais reaproveitados.

Sendo assim, tanto em um projeto de marca quanto em uma marca já existente, vale a pena exercitar esse e outros conceitos, reunindo as palavras para analisar se seu produto e marketing (das fotos de divulgação aos textos nas redes sociais) seguem para o seu território e atendem as necessidades dos “habitantes” dele. Um dos maiores desafios de uma marca, e renovar-se constantemente mantendo identidade e conceito alinhados e firmes. Saber bem onde está é o primeiro passo para criar e preservar esses fundamentais aspectos.

(Foto: Ivy Lemes)

Design, Moda

Viagens inspiram minha segunda coleção

A textura das nuvens me traz a sensação de leveza e conforto, duas palavras que busquei traduzir nos acessórios da segunda coleção que leva meu nome. A paixão por viagens e a busca por conforto para vestir inspirou o desenvolvimento dos acessórios da linha Voo: perfeitos para voar, por sua leveza e praticidade, os lenços em poliviscose podem ser enrolados no pescoço ou envolver o corpo durante a viagem.

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A cartela de cores conta com tonalidades versáteis, e o tecido liso com textura leva informação de Moda aos visuais mais básicos. O atemporal cinza mescla une-se à duas apostas da Pantone para o Verão 2018 compondo um trio fácil de combinar com cores claras ou escuras, no verão e no inverno. Quer coisa melhor para quem viaja entre estações inversas?

O material escolhido, a malha poliviscose, é um tecido sintético que, por absorver menos água, tem como característica a secagem rápida, agilizando lavagens emergenciais ou no próprio quarto de hotel. Com o propósito de eliminar o desperdício, adaptamos o tamanho do nosso acessório para aproveitar 100% do material; e seguindo a proposta slow fashion, a coleção é limitada a trinta peças numeradas.

Além da aba aqui no site, a marca está no Instagram. Quer ver de perto? Entre em contato e visite nosso escritório.

(Foto: divulgação)

Moda

Truques alongadores

Sempre que me perguntam sobre o pode/não pode na moda, respondo que as tabelas de certo e errado ficaram no passado. Nenhuma peça é “proibida” para o seu tipo físico. Para usar a  moda a seu favor, e valorizar ou destacar características que lhe agradam, o “como usar” é mais importante do que o “o que usar”. A pedidos, trago alguns truques que ajudam a alongar a silhueta, para quem quer ganhar visualmente alguns centímetros.

Começo pelas composições monocromáticas, ou com pouco contraste de cor. Esses looks, por não possuírem muitos “cortes visuais”, criam a ilusão de continuidade e, consequentemente, mais altura. O mesmo acontece com sapatos em tom igual (ou próximo) ao da pele. Outra forma de evitar um corte visual na silhueta é escolher o sapato combinando com a calça e não com a parte de cima da roupa, principalmente quando o calçado não deixa o peito do pé livre (tênis e botas, por exemplo): a cor constante cria uma linha vertical mais longa, alongando o todo.

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Falando nisso, aposte em linhas verticais. Além das estampas, linhas verticais podem estar presentes no visual através de recortes ou detalhes das peças (como um pesponto vertical em destaque na jaqueta, ou um detalhe na lateral da calça em cor contrastante). Outra forma de trazer linhas para o visual é usar sobreposições com peças mais longas e abertas: repare que um colete ou cardigã aberto cria duas linhas verticais no centro do corpo. Colares e brincos longos também contribuem para esse efeito, assim como penteados altos e bico fino.

Outra maneira de alongar a silhueta é trocar a cintura baixa pela cintura alta. Faça um teste em frente ao espelho e repare como as pernas parecem mais longas com a segunda opção, quando deixa o cós alto à mostra. Cuidado com os cintos e faixas na cintura: prefira detalhe da mesma cor da calça, ou em tom próximo, para não criar mais um corte visual e comprometer o resultado. Lembrando que qualquer truque de styling é para quem quer, e que parecer mais alta não é uma obrigação.

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(Imagens: Asos)

Comportamento, Moda

Etiqueta vermelha

Não é de hoje que as lojas iniciam suas liquidações de inverno quando a estação mal começou. Mas confesso que esse ano levei um susto quando comecei a receber anúncios de saldos e lançamento de coleção resort enquanto ainda espero o primeiro “frio de verdade” do ano. Sabe aquela antiga chamada de preços baixos que diz “deu a louca no gerente”? Nunca fez tanto sentido. Minha proposta é deixá-lo “fazer o louco” sozinho por diferentes motivos.

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O primeiro deles é que não precisamos acelerar mais ainda as coisas. Do antigo calendário onde as marcas apresentavam quatro coleções por ano (embora não julgue viável voltar a ele) passamos a inserir coleções intermediárias e linhas entre as intermediárias até chegar ao ponto de tirar de cena a coleção de inverno na chegada da estação: as lojas já estão “botando fora” aquela bota que você nunca usou! Mais que estimular o consumo frenético quando o mundo pede (implora!) consciência e responsabilidade com compra e descarte, as liquidações precoces afetam profundamente pequenas, e até médias, empresas e marcas que não podem competir em preço e ritmo.

Olhando por um viés “egoísta”, será que há vantagem real em comprar aquela peça de R$ 300 por R$ 100, ou você só está pagando o que ela realmente vale (ou mais)? E pensando em moda ética, será mesmo que algumas dessas empresas resolveram praticamente doar seus produtos recém lançados, abatendo 70% de seu valor, em um sopro de bondade? Ou há algo muito errado na precificação cheia? Etiquetas que oferecem 60, 70% de desconto em produtos novos abrem espaço para uma importante reflexão: o quanto de lucro abusivo e práticas duvidosas podem conter aí?

(Imagem: Simon Greig Photo via Visual Hunt)

Moda

Prefira referências estranhas

Do meu primeiro mês como estudante de moda até hoje, ouço o velho questionamento sobre certas peças e composições de desfiles e revistas: “Como eu vou usar isso”? Com o passar desses (dez!) anos, muita coisa mudou na forma de informar e apresentar moda e, consequentemente, na maneira como as pessoas recebem essas informações.

Há quem prefira buscar ideias sobre o que e como vestir em fontes que trazem imagens mais palpáveis. Porém, campanhas de moda e editoriais com styling ousado e que foge do que vemos com facilidade nas ruas, são fontes de inspiração que valem a pena serem “lidas”. Essas imagens costumam resumir tendências (para agora e para o futuro) e conceitos capazes de aguçar a criatividade, e por não parecerem usáveis  à primeira vista exigem um olhar mais atento. É dessa observação que captamos ideias de moda que vão além do óbvio.

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Carven Resort 2018

Pare para reparar naquela campanha nonsense que parece ter sido feira para habitantes de outro planeta. Olhe os detalhes, as combinações de texturas e cores, a luz, o enquadramento, a relação entre os personagens e cenário… Visuais com misturas exageradas de estilo não estão lá para serem copiados de maneira literal, e modelos sem sutiã não propõe que saia assim de casa. Interprete o tailleur clássico com gola alta usado com rasteira de corda bordada com elementos rústicos como uma possibilidade de combinar acessórios artesanais com blazer; e aquela sobreposição com quatro ou cinco peças de alturas diferentes como um incentivo para experimentar um comprimento novo. Na prática, ao encontrar uma “esquisitice fashion” que lhe chama a atenção por algum motivo, pergunte-se “Como eu posso usar isso?” com a mente aberta para interpretar e traduzir a sua maneira.

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Carven Resort 2018

Revistas e campanhas atuais não estão apostando em “esquisitices” por acaso: elas assumem o papel de conduzir o olhar para a mensagem, e não para as peças em si. Dessa forma, é possível encontrar no que já temos uma maneira criativa de expressar, através da roupa, o discurso com o qual nos identificamos. O resultado são looks com mais personalidade, construídos a partir de uma ideia e não de uma peça em si. Construção essa que vai ao encontro de uma maneira mais consciente de consumir sem deixar a moda de lado.

(Fotos: Jack Davison / Styling: Elodie David Touboul)

Moda, TV & Cinema

Figurinos de época (e séries) para se apaixonar

Séries de época são as  minhas favoritas. Mais que emocionantes enredos, The Tudors e Downton Abbey trazem figurinos riquíssimos que, além de encantar pela beleza, mostram que Moda faz parte da história e da estória: caminha com elas e ajuda a contá-las. Dos complexos trajes do século XVI que vestiram a dinastia Tudor, quando as transações comerciais levaram até a Europa tecidos brocados, sedas e novas técnicas de tingimento vindas do oriente, à chegada dos anos 20 e a necessidade de roupas mais leves e descomplicadas, especialmente para as mulheres, presentes no figurino de Downton Abbey, vale a pena se entreter e aprender moda com essas duas premiadas séries.

•  The Tudors

Inspirada na história da dinastia Tudor, o figurino de The Tudors rendeu dois Emmys para a figurinista irlandesa Joan Bergin. Embora não sejam historicamente corretas, as roupas utilizadas nas quatro temporadas de série atendem a expectativa de seu criador, Michael Hirst, que buscou, na construção de The Tudors, criar cenas que “parecessem contemporâneas embora as pessoas ainda estivessem usando trajes históricos” não necessariamente fiéis, como conta o site Boullan citando Hirst: “O pensamento por trás dos trajes era de apresentar (uma era) Tudor desconstruída onde as roupas não seriam puristas e estranhas para um público contemporâneo”.

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Mesmo com alguns detalhes da vestimenta original da época retirados, como o codpiece, para os homens, ou adaptados para versões menos detalhadas, o figurino mostra a riqueza de adornos tanto da indumentária feminina como masculina dos nobres da época. Além da sobreposições de tecidos nobres ricamente bordados e detalhes em ouro e pele, as jóias são elementos indispensáveis na corte de Henrique XVIII. O famoso colar de pérolas da rainha Ana Bolena, com a letra ”B” em ouro e três pérolas em formato de gota pendendo sobre o pingente, registrado em pinturas de época e incorporado ao figurino da série, é um dos exemplos mais marcantes.

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• Downton Abbey

Na construção do figurino de Downton Abbey, assinado por Susannah Buxton e Caroline McCal, peças originais de época e bolsas vintage restauradas misturam-se às roupas confeccionadas especialmente para as personagens. Ganhadora do Globo de Ouro, a série retrata a aristocracia britânica através da rotina da família Crawley e seus empregados em sua propriedade rural chamada Downton Abbey, do final de 1910 e início dos anos 20. A evolução do figurino, de roupas típicas da Bella Époque até os looks mais leves e com menos tecido da década de vinte, retratam as mudanças na estrutura social, e consequentemente na moda, durante o período que a série compreende.

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Rico e cuidadoso nos detalhes, o figurino incorpora a personalidade de cada personagem através de sutilezas que vão das cores ao tecido das peças. Além disso, é notável a diferença entre a vestimenta dos serviçais e dos membros da família Crawley, onde as mulheres ostentam belos acessórios de cabelo, como chapéus e tiaras repletas de pedras, e sapatos bordados, que ganham destaque na década de 20 quando o comprimento mais curto dos vestidos os deixa à mostra. As jóias, assim como em The Tudors, são um espetáculo à parte. O sucesso das peças foi tanto que a joalheria 1928 Jewelry Co. lançou, em 2013, uma coleção de bijuterias e acessórios licenciados inspirados no figurino da série.

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(Imagens: reprodução)

Negócios

Organizando feedbacks

Já ouviu falar da Matriz Urgente/Importante (ou Matriz de Eisenhower)? Uma das mais conhecidas ferramentas para auxiliar na gestão de tempo, o método propõe a construção de uma grade composta por quatro áreas onde serão divididos compromissos e tarefas de acordo com sua importância e urgência. Apesar de já ter lido diversas vezes sobre a Matriz de Eisenhower, confesso que nunca fiz uso do método para organizar minha rotina, mas recentemente passei a utilizar seus princípios para trabalhar os feedbacks recebidos e necessidades percebidas em minha marca.

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Costumo anotar em uma folha de papel sugestões, reclamações e comentários aleatórios que por algum motivo considerei interessante. Em seguida, classifico queixas e comentários através do princípio da Matriz Urgente/Importante (o que é importante e urgente, o que é urgente mas não importante, o que é importante mas não urgente e o que não é nem importante, nem urgente). Válido tanto para serviços quanto para produtos, é importante lembrar, quando trata-se de um produto, que precisamos considerar feedbacks não apenas referentes aos aspectos físicos (falei mais sobre olhar o produto como um todo aqui). Lembre-se também que os comentários devem ser filtrados de acordo com a realidade e propósito do negócio: aumentar a quantidade de peças iguais não conversa com a ideia da minha marca, por exemplo.

Depois da classificação, começo a rabiscar uma lista de soluções para os “urgentes e importantes” e em seguida parto para os demais pontos. Fazendo isso, consegui perceber que alguns ajustes são simples, e que existem tópicos que só precisavam ser lembrados para colocar em prática: um texto do site que não está tão claro quanto imaginava, gerando perguntas que deveriam ser respondidas por ele, é um exemplo. Além disso, organizar as questões que precisam ser aprimoradas ajuda a não “entrar em desespero” diante dos problemas mais complexos ou de uma grande quantidade de tarefas.

Colocar a Matriz de Eisenhower no papel me ajuda a ver de maneira mais clara o cenário atual dos meus negócios e a identificar os feedbacks  que mais afetam o andamento da marca solucionando-os primeiro. Quando a empresa conta com uma equipe pequena (de duas, três ou apenas uma pessoa) é ainda mais importante determinar uma ordem para a resolução desses pontos não apenas por questão de logística ou para que nada passe despercebido, mas também para não ser consumido por eles tendo que abrir mão do final de semana ou de momentos importantes na vida pessoal.

Vale lembrar que esse texto não pretende ser uma aula técnica sobre negócios. A intenção dessa e de outras publicações sobre o tema é apenas compartilhar experiências que funcionam por aqui e talvez possam auxiliar outros profissionais em situações parecidas. Por que falar sobre feedbacks ao invés de tarefas como um todo? Pois acredito que esse seja um dos aspectos mais importantes para o sucesso de um negócio, e por perceber que em muitas empresas críticas e sugestões não são consideradas ou tratadas com a seriedade que merecem.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda

“O que é slow fashion mesmo”?

Com origem na Europa, e inspirado no movimento slow food, o movimento slow fashion é uma alternativa ao que chamamos de fast fashion. A criação do termo é atribuída à consultora e professora de design sustentável do Centre for Sustainable Fashion Kate Fletcher, e diz respeito a uma forma de criar e consumir moda de maneira consciente. Assim como passamos a dar mais atenção à origem dos alimentos que consumimos, o impacto ambiental e social causado pela indústria da moda nos últimos anos pede uma leitura cautelosa também do “rótulo” do que vestimos

Apesar de estar intimamente ligado aos fatores ambientais, o movimento slow fashion diz respeito a todo o ciclo e pode ser praticado de diferentes formas por quem produz e/ou consome. Da escolha de materiais produzidos com menor impacto ambiental (ou reaproveitados) passando pelo respeito às leis trabalhistas e valorização da mão de obra até o reconhecimento do design autoral, da moda com personalidade e de itens que sobrevivem aos modismos passageiros (e que não por isso ignoram as tendências), adotar o slow fashion é, acima de tudo, uma questão de comportamento.

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Gola de tricô Ímpar

Produzir em pequena quantidade, acompanhar o processo do início ao fim, desenvolver peças únicas e transmitir mensagens genuínas que envolvem cultura, referências e habilidades de quem faz são algumas ações que diferenciam produtos slow fashion das cópias em massa que encontramos em grandes redes. A escolha cautelosa de materiais de qualidade superior e o cuidado com os detalhes visa entregar produtos feitos para durar,  assim como a criação de peças originais busca gerar real identificação com quem veste (na estética e na mensagem): produtos bons e que “falam sobre você” não perdem espaço com a mudança de estação.

Depois que lancei minha marca, dentro do conceito slow fashion, muitas perguntas sobre o assunto chegaram até mim; e é por isso que resolvi falar de maneira geral sobre esse conceito sem ignorar os “contras” apontados. Uma marca de slow fashion dificilmente proporcionará a variedade de cores e modelos encontradas nas araras das lojas de departamentos. E nem produzirá uma coleção em três, quatro ou sete dias para “todos os gostos”. E esse não é o objetivo. Aqui a identidade vem antes das tendências, podendo estar ou não de mãos dadas com elas. Slow fashion envolve, novamente, comportamento e questionamento: precisamos mesmo de todos esses modelos “para ontem”? Precisamos vestir a roupa da moça da novela?

Independente de onde e como cada um deseja consumir, o recado do movimento slow fashion é diminuir a velocidade para refletir sobre essas escolhas. Para criadores de Moda que estão mais preocupados em criar cartilhas de “certo e errado” para incluir ou excluir marcas da proposta levando em conta características que não impactam em seu propósito, e para consumidores que estão buscando novas formas de relacionar-se com a moda, deixo o recado: não existe apenas uma maneira de fazer e praticar slow fashion. Entender os princípios e usá-los sem moderação (e de verdade) é o que importa.

(Foto: Ivy Lemes)

Design, Moda

Calçados nacionais (que vendem online) para conhecer

Design não é só forma, é um jeito de ver e agir no mundo. De estabelecer vínculos e inspirar caminhos para o bem estar pessoal e coletivo“. Design original, qualidade, conforto e a criação de uma rede sustentável são alguns dos princípios da Ciao Mao, marca de calçados criada em 2007 pela designer Priscila Callegari.

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Modelo Origami, da Ciao Mao

Com modelos que misturam materiais e formas, sem comprometer o conforto, os calçados da Ciao Mao chamam a atenção para o que resolvi chamar de originalidade possível: fogem do óbvio, mas trazem opções que se encaixam em estilos diversos. Conheci a marca na Loja It, em São Paulo, e me encantei pela forma criativa de unir texturas e cores sem comprometer a usabilidade da peça tanto no quesito estético quando ergonômico. Na loja online, modelos como o Vyrmol e o tênis meia são exemplos de peças capazes de modernizar visuais com peças clássicas e completar composições tão atuais quanto.

Versatilidade também é palavra de ordem nos calçados da Yellow Factory, marca da designer Débora dos Anjos, que conta com linhas especiais sem gênero e vegana. Na Yellow Factory, clássicos como o mocassim e hits como a sandália inspirada no modelo da marca Birkenstock ganham materiais, detalhes e cores diferenciados: destaco o College Fringe Shoes branco com solado preto e os sapatos Atacama em cores que ultrapassam modismos, como caramelo e verde musgo. Outra boa pedida é o modelo Will que, com design “nem fechado nem aberto”, pode ser usado com ou sem meia, no inverno e no verão.

(Imagem: Ciao Mao)