Comportamento, Moda, TV & Cinema

Lady Di: Documentário e visuais inspiradores

Desde o anúncio de seu noivado com o Príncipe Charles, Diana Frances Spencer não mudou apenas sua própria vida, mas tornou-se um marco na história da monarquia britânica. O interesse da mídia por cada detalhe que a envolvia também alterou os rumos do que conhecemos atualmente como “jornalismo de celebridades”.

Lady Di ganhou o público e as páginas das revistas do mundo todo com seu comportamento não usual para um membro da família real. Diana gostava da proximidade com as pessoas e não costumava esconder seus sentimentos e emoções, características que fizeram com que as pessoas “comuns” se identificassem com ela, e motivo pelo qual, ao lado de seu envolvimento com causas sociais, ficou conhecida como “Princesa do Povo”.

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Ao longo dos anos, diversos documentários e filmes revelam essas e outras nuances de uma das mulheres mais importantes do século XX. The Story Of Diana, disponível na Netflix, é minha dica para o final de semana. Com comentários de pessoas do círculo íntimo da princesa, como seu irmão, seu motorista, e da estilista responsável pelo seu vestido de noiva, o documentário revela que Lady Di transformou radicalmente as regras estabelecidas entre a imprensa e a família real antes mesmo de formalizar sua união com o filho da Rainha Elizabeth: seguida o tempo todo qualquer ação cotidiana era alvo de cliques valiosos.

Quando a palavra “influenciador” não era tão popular, é inegável a influência de Diana dentro e fora do território britânico, seja pelas polêmicas que envolviam sua vida pessoal ou pelos visuais que trazem referências de Moda válidas (e usáveis) mais de vinte anos após sua morte em 1997. O blazer longo, que está em alta, completava diferentes visuais da Princesa de Gales fossem eles formais, com vestido e salto alto, ou casuais, com calça com a barra mais curta e sapatilha (tão atual!).

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As cores claras apareciam com frequência em seus looks. A produção (quase) bicolor com regata e calça branca + acessórios em preto / floral com o fundo escuro, o visual monocromático com a cintura marcada e comprimento midi (que, nos dias atuais pode ser de uma calça pantacourt), e a combinação de neutros com suéter off white, calça branca e bolsa caramelo são ideias que não envelhecem.

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Por falar em suéter, modelos amplos da peça combinados à calça justa são mais uma referência que tem tudo a ver com o mood confortável e com o mix de opostos do momento. Além dos lisos, modelos bordados ou com estampas divertidas faziam parte do closet da Lady Di: que tal a mistura de estampas do suéter com carteira floral para deixar a gola clássica “de cara nova”?

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Conhecer um pouco de sua história torna claro os motivos que fizeram a Princesa de Gales eterna dentro e fora da moda: referência de estilo e comportamento para as mulheres modernas, ela usou seu espaço para defender importantes causas e não sufocou seus sentimentos a fim de manter um casamento infeliz. Uma mulher de “ação, autonomia e autoridade” que jamais será esquecida.

(Imagens: reprodução)

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Moda, TV & Cinema

SAG Awards 2018

Com mais cor e belos visuais em tons claros, o SAG Awards também trouxe muito brilho para a temporada de premiações. Nicole Kidman não abriu mão dele, e desfilou um modelo de mangas longas Armani Privé bordado do decote aos pés. Ao contrário, mas não menos “brilhante”, Halle Berry, de Pamella Roland, ousou no decote e velou a transparência com brilho e mais tecido na parte inferior do vestido.

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Um dos melhores looks do Tapete Vermelho também não poupou brilho: Lupita Nyong’o de Ralph & Russo. O vestido tomara que caia bem justo com cauda enfeitada por plumas dispensa muitos acessórios. A atriz deixou o colar de lado, e optou por um brinco médio e anéis que, assim como as unhas, trazem tons próximos ao do vestido.

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Do preto com prata ao preto com branco, outros dois visuais que roubaram a cena foram os vestidos de uma manga só de Mary J. Blige, e o modelo Dior de Natalia Dyer. Cabelo, maquiagem e acessórios sem exagero deixam todo o foco para o vestido preto e branco com a saia repleta de estrelas, luas e animais fantásticos: clássico, atual e jovem.

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Além do tomara que caia, modelos que vão de um ombro a outro prometem estar entre os mais pedidos quando o assunto é festa. No SAG Awards, Reese Witherspoon, de Zac Posen, e Molly Shannon, foram algumas das celebridades que optaram pelo detalhe em modelos monocromáticos. Mandy Moore também investiu na monocromia com um vestido Ralph Lauren da mesma cor da clutch. Embora com tecido estruturado, as alças finas e os cabelos soltos deixam o visual leve e delicado.

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O modelo J. Mendel, de Kristen Bell, é mais um vestido repleto de delicadeza. Unindo decote coração com cintura marcada e saia volumosa, e com maquiagem suave e joias clássicas, a atriz desfilou um dos visuais mais clássicos do evento.

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Entre os visuais clássicos também estão a pequena atriz Marsai Martin, com um vestido com saia volumosa e camadas, e Dakota Fanning, vestindo Prada. Dakota Fanning apostou na mistura de texturas, na maquiagem leve e nas joias pequenas. Quem disse que mulheres com a pele clara não ficam bem em tons claros de bege?

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Madeline Brewer foi mais uma a investir no visual nude, com um modelo Reem Acra. A parte superior do vestido, sutilmente transparente, deixa à mostra as barbatanas do corpete do modelo bordado com pérolas (que também estão no acessório de cabelo). O toque de cor ficou no batom e na sandália.

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Dois visuais brancos estão entre meus favoritos. Com plumas na região da cintura e delicados detalhes com brilho, o vestido Prada de Margot Robbie foi combinado à clutch prateada, joias pequenas e maquiagem neutras, e Allison Williams desfilou no Red Carpet com vestido, maquiagem e penteado dramáticos com referências vindas das décadas de 1920. Apesar do vestido Ralph & Russo ser rico em bordados e franjas, a atriz não dispensou vários anéis para acompanhá-lo.

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(Imagens: reprodução)

Moda, TV & Cinema

Golden Globes 2018

O 75° Globo de Ouro abriu a temporada de premiações em 2018 com um marcante ato contra o assédio sexual, em resposta às recentes denúncias envolvendo nomes da indústria da televisão e do cinema: elas vestiram preto. A luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres também foi abordada nos discursos durante a cerimônia, que certamente ficará marcada na história do evento.

No Tapete Vermelho, o desfile de looks pretos não foi nada sombrio: rendas, transparências e brilho marcaram visuais elegantes e dramáticos. Os ombros continuam em evidência. Tanto os modelos de um ombro só quanto o tomara-que-caia e os decotes ou detalhes que evidenciam essa parte do corpo são os mais escolhidos pelas estrelas.

Nicole Kidman, vestindo Givenchy Couture, e Penelope Cruz evidenciaram os ombros de maneiras diferentes optando por modelos que unem renda e brilho. Penelope Cruz acertou na escolha dos cabelos soltos e assimétricos, com os fios sobre um dos ombros, e na ausência do colar que ajudaram a valorizar o modelo Ralph & Russo.

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Natalie Portman, de Christian Dior, e Meryl Streep, de Vera Was, também deixaram o colo à mostra em vestidos que chamam a atenção pelo decote marcante; mas foi Angelina Jolie quem roubou meu coração com um decote fechado e mangas longas que mostram sutilmente o colo e os braços sob a transparência. O detalhe com plumas nas mangas dispensa outros acessórios, e deixa o vestido Atelier Versace ainda mais deslumbrante.

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Rachel Brosnahan, Jessica Chastain e Saoirse Ronan apostaram em vestidos elegantes com detalhes assimétricos. Rachel combinou o modelo Vionnet de um ombro só com brincos também “assimétricos”, deixando a peça menor ao lado do detalhe do vestido. No penteado, a atriz optou pelo coque clássico, compondo um visual que une de forma bem equilibrada o tradicional e o moderno. Jessica Chastain, de Giorgio Armani, completou o visual com seus já tradicionais cachos para um lado só e brincos grandes, enquanto Saoirse Ronan, de Atelier Versace, enfeitou o pulso sem manga com um bracelete largo.

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Kendall Jenner, vestindo Giambattista Valli, é a dona de um dos visuais mais poderosos do Tapete Vermelho do Globo de Ouro: o vestido tomara que caia com a saia volumosa e bem mais curta na parte da frente resultou em um look jovem e impactante ao lado do cabelo solto e despenteado + maquiagem leve.

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Outros dois belos tomara que caia vestiram Jessica Biel e Alison Brie. O tradicional decote coração, dos modelos Christian Dior e Vassilis Zoulias respectivamente, ganhou um toque atual nos looks de Jessica Biel, que mistura texturas, e no conjunto de top longo com fenda frontal e calça de Alison Brie, que não dispensou o colar clássico.

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Mas não foi apenas Alison Brie que apostou no conjunto. Claire Foy, Debra Messing e Maggie Gyllenhaal foram algumas das atrizes que optaram pela calça comprida. Claire Foy combinou o clássico conjunto de alfaiataria, Stella McCartney, com penteado sem volume e batom vermelho, enquanto Debra Messing, de Christian Siriano, e Maggie Gyllenhaal, de Monse, levaram a calça preta para o Red Carpet ao lado de tops longos cheios de brilho. No visual de Maggie, o colo à mostra abriu espaço para brincos bem longos. O inverso também não ficou de fora: Michelle Pfeiffer combinou blazer de alfaiataria com saia “de festa”. O look é Dior Haute Couture.

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(Imagens: reprodução)

Moda, TV & Cinema

Figurinos de época (e séries) para se apaixonar

Séries de época são as  minhas favoritas. Mais que emocionantes enredos, The Tudors e Downton Abbey trazem figurinos riquíssimos que, além de encantar pela beleza, mostram que Moda faz parte da história e da estória: caminha com elas e ajuda a contá-las. Dos complexos trajes do século XVI que vestiram a dinastia Tudor, quando as transações comerciais levaram até a Europa tecidos brocados, sedas e novas técnicas de tingimento vindas do oriente, à chegada dos anos 20 e a necessidade de roupas mais leves e descomplicadas, especialmente para as mulheres, presentes no figurino de Downton Abbey, vale a pena se entreter e aprender moda com essas duas premiadas séries.

•  The Tudors

Inspirada na história da dinastia Tudor, o figurino de The Tudors rendeu dois Emmys para a figurinista irlandesa Joan Bergin. Embora não sejam historicamente corretas, as roupas utilizadas nas quatro temporadas de série atendem a expectativa de seu criador, Michael Hirst, que buscou, na construção de The Tudors, criar cenas que “parecessem contemporâneas embora as pessoas ainda estivessem usando trajes históricos” não necessariamente fiéis, como conta o site Boullan citando Hirst: “O pensamento por trás dos trajes era de apresentar (uma era) Tudor desconstruída onde as roupas não seriam puristas e estranhas para um público contemporâneo”.

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Mesmo com alguns detalhes da vestimenta original da época retirados, como o codpiece, para os homens, ou adaptados para versões menos detalhadas, o figurino mostra a riqueza de adornos tanto da indumentária feminina como masculina dos nobres da época. Além da sobreposições de tecidos nobres ricamente bordados e detalhes em ouro e pele, as jóias são elementos indispensáveis na corte de Henrique XVIII. O famoso colar de pérolas da rainha Ana Bolena, com a letra ”B” em ouro e três pérolas em formato de gota pendendo sobre o pingente, registrado em pinturas de época e incorporado ao figurino da série, é um dos exemplos mais marcantes.

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• Downton Abbey

Na construção do figurino de Downton Abbey, assinado por Susannah Buxton e Caroline McCal, peças originais de época e bolsas vintage restauradas misturam-se às roupas confeccionadas especialmente para as personagens. Ganhadora do Globo de Ouro, a série retrata a aristocracia britânica através da rotina da família Crawley e seus empregados em sua propriedade rural chamada Downton Abbey, do final de 1910 e início dos anos 20. A evolução do figurino, de roupas típicas da Bella Époque até os looks mais leves e com menos tecido da década de vinte, retratam as mudanças na estrutura social, e consequentemente na moda, durante o período que a série compreende.

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Rico e cuidadoso nos detalhes, o figurino incorpora a personalidade de cada personagem através de sutilezas que vão das cores ao tecido das peças. Além disso, é notável a diferença entre a vestimenta dos serviçais e dos membros da família Crawley, onde as mulheres ostentam belos acessórios de cabelo, como chapéus e tiaras repletas de pedras, e sapatos bordados, que ganham destaque na década de 20 quando o comprimento mais curto dos vestidos os deixa à mostra. As jóias, assim como em The Tudors, são um espetáculo à parte. O sucesso das peças foi tanto que a joalheria 1928 Jewelry Co. lançou, em 2013, uma coleção de bijuterias e acessórios licenciados inspirados no figurino da série.

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(Imagens: reprodução)

Comportamento, Moda, TV & Cinema

Não estarei sempre “na moda”

A relação das pessoas com suas coisas, a publicidade ostensiva a que somos submetidos e a rotina ansiosa das grandes cidades são alguns dos temas abordados em Minimalism: A Documentary About the Important Things (2015). O documentário propõe, através da história de pessoas que aderiram uma forma minimalista de viver e de reflexões de profissionais de áreas como economia, sociologia e até arquitetura, um novo olhar sobre consumo, expectativas e estilo de vida.

Joshua Fields Millburn, um dos minimalistas, conta sobre as mudanças em sua rotina e mente após o descarte de “todas essas coisas que havia trazido à minha vida sem questionar“; e, em outro trecho do documentário, comenta que o problema não está no ato de consumir, mas no consumismo compulsório e no hábito de “comprar coisas porque é isso que você deveria fazer“. É assim no mundo da moda rápida.

“Querem que você se sinta fora de moda semana após semana, para que assim compre algo na semana seguinte”, avalia a consultora de moda sustentável Shannon Whitehead, que também aborda as expectativas criadas por nós e pelos outros com relação ao que “devemos ser”, o que, de certa forma, alimenta a falsa necessidade de precisar vestir algo novo todo dia, de não repetir roupa ou não poder usar um item “fora de moda”. A exigência é geral, e quando trabalhamos dentro desse universo é maior ainda.

Como profissional da área, já senti, direta e indiretamente, a pressão para estar “sempre na moda”. Os argumentos vão de “o dress code dessa empresa de moda exige” a “estar com peças da moda é fundamental para o seu marketing pessoal”. Será?

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Independente da minha extensa lista de questionamentos sobre “o tal” marketing pessoal, entendo que muitas dessas exigências são impostas a nós por alguns mas nem sempre relevantes ou percebidas por tantos e por quem de fato importa. Quando falo sobre “quem importa”, inclui nós mesmos. Afinal, quem mais importa quando o assunto é a minha roupa sou eu (meu bem estar, minha mensagem).  E aí entra um interessante depoimento da Courtney Carver, fundadora do Project 33.

Em seu Projeto 33, Courtney Carver desafiou-se a usar apenas 33 itens por três meses, incluindo acessórios e calçados. A ideia de usar menos do que tinha disponível em seu armário faz parte do processo de desapego que iniciou em 2010 e que não lhe pareceu fácil quando chegou no closet: “Para mim foi uma grande forma de realmente ver do que precisava, o que eu estava usando e se iria fazer alguma diferença”.

Ela conta que trabalhava com propaganda, e muitos clientes com os quais mantinha contato diário. Nos “escritórios criativos”, não apenas de moda, é comum ouvir que precisamos mostrar nosso talento através de visuais modernos e sempre novos. Courtney Carver, com seus 33 itens, conta que “durante esses três meses ninguém notou” a diferença.

Se você pensar no conceito de moda, ele incorpora a ideia de que você pode jogar as coisas fora não quando elas não servem mais, mas quando não têm mais aquele valor social ou não estão mais na moda“. Compartilho esse depoimento da economista e socióloga Juliet Schor e a experiência de Courtney Carver para trazer à tona o questionamento sobre a “necessidade” de estar na moda (trabalhando ou não com ela) e para comunicar formalmente que não estarei sempre na moda. Ainda que isso decepcione alguém ou me faça perder o job.

(Imagem: Visual Hunt)

Design, Negócios, TV & Cinema

Design e business

Criar algo esteticamente atraente, funcional e comercial é apenas um dos desafios de quem trabalha com design. Além disso, para destacar-se, um objeto, uma fotografia e até mesmo um edifício, precisa trazer consigo algo intangível capaz de gerar identificação e emocionar. A série documental Abstract: The Art of Design mostra, mais que inspiração, alguns desafios comuns ao dia a dia de quem faz, de certa forma, “arte para vender”. Selecionei alguns deles que podem contribuir para o desenvolvimento de projetos, sem esquecer que processo criativo é algo muito particular e que, com o tempo e a experiência, cada um descobre sua maneira de criar.

• Rabiscos e anotações: Tanto o designer de tênis Tinker Hatfield quanto a designer gráfico Paula Scher falam sobre a importância que anotações (que parecem ser) aleatórias são importantes em seu processo criativo. Estar sempre com um bloco de anotações à mão contribui para não deixarmos escapar nenhuma referência, que pode fazer sentido em algum momento de “branco”…

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• Saia do escritório: O “branco” dificilmente torna-se colorido olhando para a tela do computador. No meu dia a dia, isso é muito claro. Quando preciso criar e as ideias não aparecem, sair do trabalho para olhar o mundo “lá fora” (literalmente ou através de um livro, por exemplo) é a melhor forma de mudar esse cenário. Lembro-me de estar em cima do prazo para finalizar um texto e, sem ideias, parar para ver um filme sobre um assunto totalmente fora do tema em qual estava trabalhando. Aos vinte minutos de filme, a ideia veio.

Se você ficar só no escritório tentando ter novas ideias, não terá uma boa base para a sua ideia. Saia e viva a vida. Isso cria um acervo mental, que você poderá explorar em designs inovadores“. (Tinker Hatfield)

• Inovar e “prever”: A necessidade de criar algo inovador ano após ano e desenvolver um produto que mantenha-se atrativo a longo prazo são outros dois desafios mostrado na série. Para isso, é importante olhar além dos modismos de hoje, e considerar aspectos ligados ao estilo de vida das pessoas e seus anseios para o futuro. Contar com pesquisas de tendências sérias e saber filtrá-las para o seu público é fundamental.

Sempre tento imaginar o futuro. Nós projetamos algo para daqui a cinco anos, depois o carro tem que sobreviver no mercado de três a seis anos. Então é uma janela de nove anos que precisamos considerar ao projetar esses veículos“. (Ralph Gilles)

• Marca e produto: O designer de automóveis Ralph Gilles diz acreditar na “redenção pelo design”: “Toda marca já fez um produto ruim. Mas sou otimista. (…) É possível criar um produto que revitalize a marca por meio da engenharia e do design“. Projetar levando em conta a identidade da marca é essencial. O consumidor precisa ver a marca no produto antes mesmo de enxergar a logomarca (que pode nem estar visível). Apenas dessa forma se constrói uma marca de sucesso e revitaliza-se uma marca tradicional sem tirá-la do rumo. Esse aspecto é abordado de forma bastante interessante pela designer Paula Scher, quando diz que o tamanho, a espessura, a posição dos traços e todos os detalhes de uma tipografia são importantes na construção da personalidade daquilo que se quer representar.

• Vender a ideia:  Quando o designer Tinker Hatfield comenta as reuniões realizadas entre a equipe da Nike e Michael Jordan para discutir o design dos tênis da linha que leva o nome do jogador de basquete, fica clara a necessidade de saber expor e vender a ideia para o cliente. Nesse momento, painéis referenciais e tudo que ajude a contar a história que levou o designer a determinado resultado deve entrar em cena. O que para o criador parece óbvio, pode não ser para o cliente.

Há muito mais lições nos oito episódios da primeira temporada de Abstract: The Art of Design. Por aqui, já comentei sobre a relação entre arte e design tendo como exemplo o trabalho de Tinker Hatfield, sobre a necessidade de criar experiência e emoção citando a cenógrafa Es Devlin e parti do princípio de estruturas complexas que parecem simples, do arquiteto Bjarke Ingels, para falar de moda. Recomendo e aguardo ansiosa as próximas temporadas.

(Imagem: Visual Hunt)

Arte, Moda, TV & Cinema

Crie para preencher, impactar e sobreviver

Nas duas últimas décadas trabalhando, descobri que, em geral, as coisas são feitas para preencher vazios“. A frase da cenógrafa Es Devlin que abre o terceiro episódio da série documental Abstract: The Art of Design vai ao encontro de um constante questionamento pessoal sobre o mundo e, claro, sobre a moda. Mais que isso, Es Devlin instiga o pensamento sobre como o que fazemos, além de preencher vazios, impacta o outro e sobre a efemeridade das coisas.

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Muitas das coisas, no sentido literal ou não, que fazemos são feitas para preencher vazios. E as melhores coisas que fazemos são feitas a partir de vazios. Ao falar sobre suas criações, Es Devlin diz que “precisamos começar sem luz para encontrá-la” e com essa frase traduz uma das minhas poucas certezas: só encarando uma ausência (de objetos, de luz) é possível entender o que falta para preenchê-la.  O vazio é a principal matéria-prima para uma criação genuína.

Embora em diferentes realidades e espaços, todos seres humanos possuem sentimentos universais que fazem com que algo provoque sensações comuns. Para Es Devlin, “é mais útil criar um objeto que tenha significado para todos“:  “Como nos sentimos em um túnel? Acho que são sensações completamente básicas, fundamentais, primárias, que todos nós temos em um túnel escuro e curvo. Acredito que todo mundo tenha uma resposta emocional a isso“.

Só o genuíno preenche com êxito o vazio, o nosso e o do outro, provocando “sensações completamente básicas, fundamentais, primárias” e levando aquilo que criamos para além do nosso espaço quando mais pessoas apropriam-se do objeto. Quando a coisa criada é uma roupa, o objetivo não deve ser diferente: servir aos vazios, despertar sensações, ser voz(es).

Objetos de vestir são capazes de suplementar vazios na autoestima, na coragem, na capacidade de comunicação; e por isso fazer moda, como criador ou como stylist de si mesmo todos os dias, com verdade é tão importante. Como? Apague a luz que ilumina conceito pré definidos para tatear, no escuro, o que desperta sensações além de efêmero. E para, mais que preencher vazios, manter-se vivo na memória de alguém.

Nada durará. Quando você começa a fazer já sabe que a criação desaparecerá. (…) No fim tudo existirá apenas na memória das pessoas” (Es Devlin).

(Imagem: reprodução)

Moda, Negócios, TV & Cinema

Você pode substituir Girl Boss por Project Runway

Vi todos os episódios da série Girl Boss em dois dias. Mais pela necessidade de terminá-la e assim tirar minhas conclusões do que por estar gostando. Girl Boss me deu sono. Preguiça até mesmo de comentar sobre. Uma semana depois (no último fim de semana), resolvi assistir a sétima temporada de Project Runway (ela e a oitava estão disponíveis na Netflix), e esse sim é um programa que une entretenimento e moda e vale os minutos em frente à tela.

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Se Girl Boss atropelou diversas oportunidades de inserir conteúdo de moda na narrativa (que tenta ser) engraçada, a competição entre designers traz boas risadas com lições para quem estuda e trabalha na área. Para o público em geral, o programa revela a complexidade e as dificuldades de tirar uma ideia do papel além de todas as variáveis que envolvem o trabalho criativo. Por isso, trago alguns tópicos para mostrar porque Project Runway, mesmo quando old, é gold. (Pode conter spoilers involuntários).

• É preciso adaptar ideias. Cada designer tem seu estilo e convicções estéticas, porém, quando o objetivo é comercializar as criações, é necessário considerar a opinião dos clientes (no caso de Project Runway, dos jurados). A intransigência não é bem vinda no mercado, e a inteligência está em manter o conceito ajustando-o ao que agrada o público.

• Críticas virão, e é importante ouvi-las. Jogar tudo para o alto e querer desistir ao receber um comentário negativo não leva a nada. Respire fundo, absorva e analise (pois sim, algumas críticas realmente são dispensáveis) e faça dos comentários um aprendizado. Determinados “conselhos” não serão 100% úteis, mas eles nos levam a algum questionamento. E questionar-se é sempre positivo.

• Assim como as críticas, imprevistos acontecem. Manter o equilíbrio para contorná-los ou recomeçar do zero com um prazo apertado é uma vantagem competitiva. No Project Runway, desafios inesperados ou mudanças de planos fazem com que os designers revejam o rumo que estão tomando ou partam para o plano B. Ou C. Ou D.

• Desistir faz parte. Não martirize-se por fechar uma porta quando as coisas já não fazem sentido ou tiram sua paz. Desistir de uma coleção, de um projeto ou de um emprego às vezes é necessário para abrir espaço para outras oportunidades. Quem diz que “quem desiste não vence” precisa aprender um pouco mais sobre a vida: ao escolher uma coisa desistimos automaticamente de outra. Não desistir às vezes é sinônimo de ficar parado. E isso sim bloqueia o sucesso.

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• Com sorte, conquistamos uma segunda chance. Já falei por aqui sobre sorte, e tão importante quanto ter é saber aproveitá-la. Independente de levá-lo a vitória ou não, as oportunidades não aparecem a toa e sempre podem trazer coisas boas. “De repente” seu vestido está no Tapete Vermelho.

• Saber trabalhar com as pessoas é tão importante quanto saber manipular os tecidos. Dentro de uma equipe de criação, não é viável impor suas ideias ou senso estético. Vale exercitar o hábito de considerar opiniões diferentes e adequar-se, afinal “duas cabeças pensam melhor do que uma”. Mesmo quando o designer desenha e produz de forma independente, manter um bom relacionamento e ser flexível com clientes e fornecedores é fundamental.

• Styling importa! E muito! A composição do visual da modelo, os acessórios, o cabelo e a maquiagem pode levantar ou destruir uma coleção. Quando não é possível contar com um stylist, pesquise referências em diversas fontes e esteja atualizado sobre a moda das ruas. O que e como as pessoas estão usando, independente de combinar com o seu conceito ou não, deve ser levado em conta na hora de mostrar seu trabalho em fotos, passarelas ou na vitrine.

• Trabalhos com personalidade sempre saem na frente. É claro que, assim como no styling, há a necessidade de construir uma imagem atual e alinhada ao que o consumidor espera, mas, uma marca só conquista e mantém seu espaço quando é capaz de manter-se fiel a si mesma inserindo novidades a cada estação. Avalie: suas criações dizem “quem você é como designer”? Sim? Let’s start the show!

(Imagens: divulgação)

Arte, Design, Moda, TV & Cinema

A arte do design, a arte e o design, a arte no design

Minha ideia inicial de compilar, em um só post, considerações sobre Abstract: The Art of Design não faz sentido: a série documental é riquíssima, e cada episódio traz um novo questionamento e muito assunto. Uma das questões relaciona-se ao seu próprio nome, e o depoimento do designer Tinker Hatfield, no segundo episódio, é um ótimo ponto de partida para levantar este debate: design é arte?

Existe arte envolvida no design. Mas não acho que seja arte. Na minha percepção, arte é a maior autoexpressão do indivíduo criativo. Para mim, como designer, o maior objetivo não é a autoexpressão. Meu objetivo é solucionar um problema para outra pessoa e espero que fique ótimo para ela. E bonito“.

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Antes de desenhar os tênis da Nike, Tinker Hatfield foi atleta e graduou-se em arquitetura. Uma lesão física e sua vivência como atleta, o fizeram pensar desde o início da carreira em questões ergonômicas ligadas ao design dos tênis projetados para esportistas. Porém, muito mais que atender a uma necessidade (ou prever uma demanda do futuro), Hatfield acredita que transmitir uma mensagem é parte de um bom trabalho: “um design básico é funcional, mas um ótimo passa uma mensagem“.

Ao longo do documentário fica muito claro que tanto os famosos tênis da linha Michael Jordan quanto outros modelos desenvolvidos pelo designer, são resultado da combinação entre suas experiências de vida, referências e pesquisas. A arquitetura do Centro Georges Pompidou, em Paris, onde “todos os mecanismos internos ficam do lado de fora” foi uma inspiração pata deixar as cápsulas de ar à mostra através de um recorte na sola do tênis Nike Air Max, por exemplo. Não poderia ser diferente.

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Qualquer produto criativo é efeito do seu criador, ou seja, a “autoexpressão do indivíduo criativo” (você que é da área, e você que está assistindo Abstract, já sabem disso). Jamais esqueço de uma exposição que visitei no MASP em 2009 cujo tema era autorretrato, e trago essa lembrança pois ela tem tudo a ver com o tema. A mostra tinha como objetivo mostrar diferentes tipos de autorretrato através do tempo: do literal, onde o artista representava de forma realista seu próprio rosto, passando pelos retratos distorcidos seguindo determinadas correntes artísticas, até obras onde não havia nenhum rosto, mas que não deixava de ser uma autoexpressão.

Com o passar dos anos concluí que qualquer obra (e aqui já deixo, sem querer, registrado que considero o design, quando “bem resolvido”, uma arte), seja ela um quadro, uma cadeira ou uma roupa, é um autorretrato. Nossos trabalhos são construídos a partir de anotações, desenhos aleatórios, viagens que fizemos, lugares em que estivemos, experiências e referências que de forma inconsciente trasportam-se para o papel, para um móvel ou para determinada combinação de tecidos e cores.

Aprender uma técnica ou estudar aspectos funcionais leva a um design básico e funcional, mas o ótimo, como bem pontuou Tinker Hatfield, é um “processo inconsciente” que “pode levar a algo” e transmite a autoexpressão do designer, sua visão do tema trabalhado para o mundo. O mais fantástico é que cada indivíduo que entra em contato com a mensagem a interpreta de uma forma e o objeto passa a ter um significado diferente e desperta (ou não) múltiplas emoções dependendo de quem o vê. E elas nunca serão as mesmas. É ou não é arte? A resposta também é consequência do seu repertório.

(Imagens: divulgação)

+ | Ainda não começou a assistir  Abstract: The Art of Design? Confira o trailer oficial no YouTube, pegue sua pipoca e aperte o play. Certamente ao menos uma mensagem da série acrescentará algum detalhe na sua próxima obra.

Comportamento, TV & Cinema

Match Point, sorte e alpinismo social (e profissional)

O homem que disse “Prefiro ter sorte a ser bom”, entendeu o significado da vida. As pessoas temem ver como grande parte da vida depende da sorte. É assustador pensar que boa parte dela foge do nosso controle. Há momentos numa partida em que a bola bate no topo da rede e, por um segundo, ela pode ir para o outro lado ou voltar. Com sorte, ela cai do outro lado e você ganha. Ou talvez não caia e você perca“.

Sorte é o tema central de Match Point (2005). Mas, muito além dele, o filme de Woody Allen levanta questões sobre imagem, o que somos e o que queremos ser, e escolhas que, de mãos dadas com a sorte, alteram o rumo da vida.

Ultimamente, pensando e repensando as “fórmulas” de sucesso, o empreendedorismo de palco e questões relacionadas a marketing pessoal, assisti Match Point outra vez. Longe de ser uma crítica de cinema, registro essa indicação de filme chamando a atenção para alguns pontos que envolvem moda e imagem, além da sorte, como fatores importantes na gestão de nossas vidas pessoais e profissionais.

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Vale a pena observar os detalhes, no figurino e nos hábitos, que levam o instrutor de tênis Chris Wilton a conquistar um espaço na esfera social que deseja; e questionar o valor que colocamos nesses signos ao avaliar o outro social e profissionalmente.

Com tantas redes sociais e um massivo compartilhamento de imagens de si mesmo, arrisco dizer que os itens de moda estão entre os materiais mais utilizadas na construção dos equipamentos para a prática do alpinismo social e profissional. Conheço muito mais pessoas que vestem o que querem ser do que pessoas que vestem o que são. E, além da imagem literal, a imagem subjetiva, que inclui discurso e lifestyle, segue o mesmo caminho. Essa “maquiagem”, no filme e na vida, funciona. Até certo ponto.

Não estou invalidando a preocupação com a imagem (seria até incoerente), mas ela precisa, acima de tudo, ser honesta. Com muito cuidado para não transformar marketing pessoal em propaganda enganosa, a não ser que esteja disposto a (spoiler alert!) cometer um crime para evitar problemas com o PROCON.

O que quero dizer é que há muito gato vendendo a si mesmo por lebre. Por sorte (e falta de senso crítico), outros estão comprando.

Porém, se no cinema a sorte de Chris Wilton “soprou” a bola (e a aliança) para o lado mais conveniente, na vida não é seguro contar com o mesmo. “As pessoas temem ver como grande parte da vida depende da sorte”, e como a sorte pode estar hoje a seu favor e amanhã contra. Por isso, eu escolho ter a sorte como aliada sem precisar dela como única sustentação na hora de entrar no jogo.

Mostre uma imagem que permaneça firme ainda que a bola bata no topo da rede e volte, ou planeje o próximo crime e conte, mais uma vez, com a sorte para que ele não seja descoberto. Bom filme! E boa sorte.

(Imagem: cena do filme Match Point)