Design, Moda, Negócios

Onde sua marca está?

Dias atrás assisti a um seminário online sobre branding onde, entre outras coisas, falou-se sobre três conceitos de comunicação: posicionamento, tom de voz e território. Entre eles, já havia estudado e pensado o posicionamento e tom de voz da minha marca, mas nunca havia dedicado tempo para “explorar” seu território.

O território da marca diz respeito ao local onde ela está ou pretende estar. De maneira simplificada, uma marca pode “estar” na praia, em uma grande cidade, em um ambiente rural ou de luxo, e, indo mais a fundo, pode ater-se à espaços específicos dentro desses territórios: é uma praia pouco habitada ou um balneário “da moda”? A marca está no centro ou na periferia da cidade? Ainda que seu produto possa circular em diferentes ambientes, entender “de onde ele vem” é fundamental para mostrar de que forma ele se encaixa em outros espaços.

Pensar no território da minha marca ajudou a definir, concluir e solidificar muitos outros conceitos, tornando mais claro como e onde desejo posicioná-la e contribuindo para refletir tudo o que a envolve. Compartilho meu estudo, no papel mesmo, para ilustrar e incentivar a olhar à fundo esse conceito.

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No centro do papel, junto com a marca, coloquei a primeira coisa que me veio à cabeça quando pergunto, pensando como marca, onde estou? Das palavras escritas a partir do conceito e seus desdobramentos, é possível criar um bom guia para nortear o processo criativo e traçar estratégias gerais muito além do território; e que incluem também aspectos físicos do produto. Palavras como interferências e opostos como tradicional e novo podem aparecer em coordenações de cores e formas, enquanto reuso, reedição e restauração evocam a vontade de trabalhar com materiais reaproveitados.

Sendo assim, tanto em um projeto de marca quanto em uma marca já existente, vale a pena exercitar esse e outros conceitos, reunindo as palavras para analisar se seu produto e marketing (das fotos de divulgação aos textos nas redes sociais) seguem para o seu território e atendem as necessidades dos “habitantes” dele. Um dos maiores desafios de uma marca, e renovar-se constantemente mantendo identidade e conceito alinhados e firmes. Saber bem onde está é o primeiro passo para criar e preservar esses fundamentais aspectos.

(Foto: acervo)

Negócios

Organizando feedbacks

Já ouviu falar da Matriz Urgente/Importante (ou Matriz de Eisenhower)? Uma das mais conhecidas ferramentas para auxiliar na gestão de tempo, o método propõe a construção de uma grade composta por quatro áreas onde serão divididos compromissos e tarefas de acordo com sua importância e urgência. Apesar de já ter lido diversas vezes sobre a Matriz de Eisenhower, confesso que nunca fiz uso do método para organizar minha rotina, mas recentemente passei a utilizar seus princípios para trabalhar os feedbacks recebidos e necessidades percebidas em minha marca.

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Costumo anotar em uma folha de papel sugestões, reclamações e comentários aleatórios que por algum motivo considerei interessante. Em seguida, classifico queixas e comentários através do princípio da Matriz Urgente/Importante (o que é importante e urgente, o que é urgente mas não importante, o que é importante mas não urgente e o que não é nem importante, nem urgente). Válido tanto para serviços quanto para produtos, é importante lembrar, quando trata-se de um produto, que precisamos considerar feedbacks não apenas referentes aos aspectos físicos (falei mais sobre olhar o produto como um todo aqui). Lembre-se também que os comentários devem ser filtrados de acordo com a realidade e propósito do negócio: aumentar a quantidade de peças iguais não conversa com a ideia da minha marca, por exemplo.

Depois da classificação, começo a rabiscar uma lista de soluções para os “urgentes e importantes” e em seguida parto para os demais pontos. Fazendo isso, consegui perceber que alguns ajustes são simples, e que existem tópicos que só precisavam ser lembrados para colocar em prática: um texto do site que não está tão claro quanto imaginava, gerando perguntas que deveriam ser respondidas por ele, é um exemplo. Além disso, organizar as questões que precisam ser aprimoradas ajuda a não “entrar em desespero” diante dos problemas mais complexos ou de uma grande quantidade de tarefas.

Colocar a Matriz de Eisenhower no papel me ajuda a ver de maneira mais clara o cenário atual dos meus negócios e a identificar os feedbacks  que mais afetam o andamento da marca solucionando-os primeiro. Quando a empresa conta com uma equipe pequena (de duas, três ou apenas uma pessoa) é ainda mais importante determinar uma ordem para a resolução desses pontos não apenas por questão de logística ou para que nada passe despercebido, mas também para não ser consumido por eles tendo que abrir mão do final de semana ou de momentos importantes na vida pessoal.

Vale lembrar que esse texto não pretende ser uma aula técnica sobre negócios. A intenção dessa e de outras publicações sobre o tema é apenas compartilhar experiências que funcionam por aqui e talvez possam auxiliar outros profissionais em situações parecidas. Por que falar sobre feedbacks ao invés de tarefas como um todo? Pois acredito que esse seja um dos aspectos mais importantes para o sucesso de um negócio, e por perceber que em muitas empresas críticas e sugestões não são consideradas ou tratadas com a seriedade que merecem.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda, Negócios

Dress code do bem

Pode parecer frescura ou uma regra restritiva, mas não torça o nariz para ele: o dress code só está querendo ajudar! Como um bom amigo, ou melhor que muito amigo que “não avisa”, o dress code nasceu para aconselhar e não para impor.

Existem códigos de vestir explícitos, geralmente em convites, e implícitos. Ao circular por um ambiente com os olhos e a mente atentos para entendê-lo, é possível decifrar seu dress code: um passeio na praia, por exemplo, tanto pelo fato de ser um ambiente para relaxar ou praticar atividades físicas quanto pela questão prática, não é lugar para salto alto e calçados em tecido, em especial os claros, não são os mais recomendados. Ao pensar na função principal de um shopping, como centro de compras e conveniência, também podemos deduzir que o ambiente não exige produções elaboradas. Assim como um jantar de negócios é claramente uma ocasião que precisa unir formalidade com um toque de sofisticação.

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Quando o assunto é ambiente profissional, estar atento ao dress code, mais que deixá-lo confortável no ambiente, impacta em sua carreira. Embora nem todas as empresas forneçam, por escrito ou verbalmente, seu código de vestir, reparar em como seus colegas se vestem facilita o entendimento dele. Empresas de segmentos similares, e uma mesma função, podem ter códigos de vestir diferentes de acordo com a história, estilo e “lugar” onde a empresa está (literal e figurativamente).

O dress code nada mais é que um guia de adequação. E estar adequado é importante não apenas quando existem objetivos profissionais ou sociais envolvidos, mas serve para não sentir-se desconfortável em diferentes ambientes e situações (principalmente em espaços ou ocasiões “novos”): ele diz tanto “arrume-se muito” quanto “pode ir de chinelo mesmo”, e vale tanto para quem não sai do salto escolher o salto ideal quanto para quem prefere tênis optar pelo melhor modelo. Não tira personalidade e não deve ser entendido como ditador de “certo e errado”.

Como usar? Com o dress code em mãos (ou na cabeça), analise qual versão de si mesmo é mais adequada (útil + confortável) para aquele local, hora do dia, ocasião e outras variáveis. Lembrando que não é porque 90% das mulheres estão de vestido que precisa estar também: baseie-se no grau de formalidade e não nas peças /acessórios em si.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda, Negócios

Não troco likes: O real alcance dos nossos projetos

Um amigo músico comentou sobre o hábito de “trocar likes” entre bandas e projetos e como isso, no fim das contas, não leva a nada. Essa observação vale para qualquer negócio. E também diz respeito a avaliar o sucesso pelo número de curtidas, ao invés de considerar envolvimento e resultado.

Quando “faço amigos” em redes sociais cujo perfil pode se interessar pelos meus projetos ou fanpages que gerencio, convido para curtir. Percebo, porém, que algumas pessoas curtem para ser curtidas, e “descurtem” quando percebem que eu não “dei like” em sua página de roupas para pets, dicas para mães ou outros assuntos que não me interessam.

Primeiramente, meu convite para curtir é apenas um convite. Não sinta-se obrigado, pois eu não me sentirei a retribuir. Para mim é importante, como disse meu amigo, observar o “real alcance dos meus projetos”; e ver como e quem interage com o meu conteúdo. Resumindo: não me interessam “10K fãs” comprados (ou trocados). Prefiro dez “fãs” conquistados, que leem e beneficiam-se do meu negócio de alguma forma, para os quais minha fanpage é útil. Da mesma forma, não quero minha timeline repleta de publicações de páginas com temas que não se aplicam à minha rotina ou estilo de vida, ou com produtos que não tenho interesse em acompanhar/comprar seja pelo motivo que for. Já somos bombardeados de informações o tempo todo, e quanto mais eu puder filtrar melhor. De forma direta: não vou seguir o que não me acrescenta, e não quero que me siga caso meu negócio não lhe interesse. “Tá” tudo bem. Continuaremos amigos.

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Sabendo que trocar (e comprar) likes é uma realidade, avaliar empresas/profissionais pelo número de curtidas nem sempre lhe trará um parecer correto. Assim como trocar (e comprar) fãs não sustentará de forma sólida o seu negócio. Recentemente, prestando consultoria para uma pequena empresa de moda, notei que o dinheiro gasto comprando fãs era o que faltava para investimentos bem mais importantes no momento em que a marca estava: uma nova logo e melhorias no produto são alguns exemplos. Além disso, o “vício” em aumentar o número de seguidores dificultava uma avaliação real tanto do público que a empresa pretendia alcançar como de quais estratégias eram efetivas para o que mais importa: vender o produto. Será que “esse tanto de K” estava de fato interessado naquelas peças?

Obviamente existem casos específicos onde os números valem mais que outros fatores. Mas arrisco dizer que a maioria das pequenas empresas não vai crescer priorizando o número de seguidores, sem ao menos ter um bom produto ou saber quem são eles, o que querem, como abordá-los… Concentre-se (e invista) em criar qualidade (no produto e no conteúdo) e relacionamento. Verdadeiros “fãs” não são comprados ou conquistados do dia para a noite, mas são eles que farão do seu negócio um sucesso.

Ivy Lemes Escritório de Moda presta consultoria criativa e de planejamento para pequenas marcas do setor de forma presencial ou online. Entre em contato comigo e conheça esse serviço.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda, Negócios

Moda íntima: Mercado e tendências

Recente estudo do IEMI Inteligência de Mercado apontou uma leve retomada do mercado de moda íntima no Brasil. Estima-se que, em 2017, a produção se eleve 3,1% e a exportação, que em 2016 aumentou 0,13% com relação a 2015,  avance 5,1%, o que representa 7,96 milhões de peças.

O aumento da importação e o recuo nos volumes importados é um bom sinal para o setor, que, embora tenha sofrido os efeitos da crise, encontra-se em melhor situação que os setores praia e fitness, segundo a pesquisa: “O segmento acompanhou a tendência de todo o setor do vestuário no Brasil, que sentiu os efeitos da queda no consumo interno. Porém, em 2017 já há sinais consistentes da retomada na produção, em especial para o segmento de moda íntima, que deve atingir o maior nível de produção dos últimos quatro anos”, diz Marcelo Prado, diretor do IEMI.

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Entre os dias 18 e 20 de junho aconteceu, em São Paulo, o Salão Moda Brasil 2017. O maior evento de lingerie, moda praia e fitness da América Latina, apresenta os lançamentos de grandes marcas lançadoras de tendências nos segmentos. A empresária Milla Santos, da marca de lingerie Je Veux By Milla Santos, esteve no Salão Moda Brasil e conversou comigo sobre negócios, tendências e mais um pouco.

Como e quando surgiu a Je Veux By Milla Santos?

Surgiu em 2013 , com minha mudança do interior de São Paulo  para Curitiba. Nessa ocasião decidi estudar por um ano qual seria o produto ideal, o mais procurado pelas consumidoras. Após um ano de pesquisas diretas cheguei à conclusão que o produto mais viável seria um sutiã no formato mais pedido por elas, e a partir daí desenvolvemos o sutiã conhecido como a modelagem perfeita, apelidado de ” queridinho”.

Segundo dados do IEMI, o número de empresas que participam da produção dos segmentos de moda íntima, praia e fitness, em especial as pequenas empresas, caiu entre 2014 e 2016. Quais são os maiores desafios que enfrentou como empresária em um período onde o mercado como um todo foi abalado?

Muitas empresas que conhecemos sentiram essa queda, mas para nós o que aconteceu foi totalmente o contrário: nossas vendas aumentaram mês a mês, obrigando a aumentarmos nossa estrutura na mesma velocidade. Mas, isso não foi por acaso. Atualizamos nosso processo de vendas de acordo com a nova realidade de consumo, o que infelizmente não aconteceu com outras empresas que acabaram perdendo clientes preciosos. Hoje priorizamos a fidelização da cliente, pois custa muito caro  vender sempre para novos consumidores. De 100% das nossas vendas 85% corresponde a clientes que já compraram, para o mercado esse é um índice altíssimo . Nosso maior desafio foi entender esse novo formato de compra.

Je Veux By Milla Santos trabalha com vendas diretas. Atualmente, muitas empresas de moda iniciam sua história dessa forma. O que você aponta como maior dificuldade, e o que é mais prazeroso nesse formato de negócio? 

Hoje nossa maior dificuldade está na velocidade de resposta, pois no mundo digital as clientes exigem uma reposta imediata. O maior prazer é estar em contato direto com as clientes, recebendo um feedback imediato da satisfação com nosso produto o que torna possível trabalhar com tendências reais para outros modelos.  

O que é mais importante considerar ao produzir uma peça de moda íntima? E quais são as características que o mercado mais busca nessa categoria de produto?

O mais importante é criar uma  peça que una qualidade , beleza e conforto com um valor atrativo. Hoje o mercado busca acima de tudo o conforto, pois a mulher de hoje em dia é polivalente .

Recentemente você esteve no Salão Moda Brasil 2017. Como sua marca trabalha com as tendências de moda, e que lugar a moda ocupa na Je Veux By Milla Santos: é importante estar alinhada com o que mostram as principais publicações do setor?

Estamos sempre antenados nas tendência do mercado para garantir que nosso produto esteja atualizado. Mas o ponto que mais levamos em consideração e utilizamos como referência são as cores, porque o nosso produto é o essencial do dia a dia .

Para as próximas estações, que tendências você destaca na moda íntima?

Na moda intima em geral o que vem de tendência para  as próximas estações são os detalhes refinados, com brilhos pulverizados em dourado, prata e ouro rosa, e traços finos de lurex que desenham rendas e tules de formas sofisticadas ; o quimono, em alta para linha noite influenciando o loungewear com florais interpretados com traços delicados tendo sempre fundos bem espaçados; e o equilíbrio, na procura de uma modelagem perfeita, e sua vestibilidade, em conjunto com o material ideal e o acerto da cor para trazer leveza e o conforto para as peças. Com relação aos materiais renda e laise estão em alta trazendo a ideia de “decoração do corpo”,  e a transparecia atualiza a lingerie sensual com cores delicadas e alegres .

Os produtos da Je Veux By Milla Santos podem ser adquiridos diretamente através do Whatsapp (41 997 323 823) e do Instagram. Próximos passos? Em breve a marca lançará mais uma peça na linha dia a dia e um top funcional na linha fitness. Milla Santos também planeja um canal no Youtube com dicas, informações e sugestões para quem tem o desejo de empreender. Obrigada, Milla, e votos de sucesso.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda, Negócios

Quanto custa

Minha mãe faz tricô com excelência. Quando começamos a conversar sobre o desenvolvimento de produto para a minha marca, ela foi enfática: “Vi no YouTube que o preço do produto é 3X o valor da matéria prima utilizada”. Oi?

Depois do susto comecei a entender um dos motivos da desvalorização do trabalho artesanal. Você do YouTube, que minha mãe assistiu, faça o favor de explicar o fundamento dessa “matemática básica”. Esse cálculo simplista não faz o menor sentido. Explico o motivo.

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Um produto é composto por uma série de fatores, tangíveis e intangíveis (leia mais sobre o assunto aqui). Entre as tangíveis estão a matéria-prima, a etiqueta, a embalagem e todas as outras coisas que podemos ver e tocar. Entre as intangíveis estão a ideia, as pesquisas, os testes, o conhecimento necessário para o desenvolvimento, a habilidade de quem executa bem como o tempo de trabalho para produção, para a criação da marca, para a manutenção das redes sociais, atendimento, entrega… Note que os fatores intangíveis vão muito além da matéria-prima, muitas vezes o componente mais barato, e que sem eles não existe produto.

Basear seu preço unicamente na matéria-prima é um erro. Imagine uma almofada de crochê que precise apenas de um rolo de fio de R$10 para ser produzida. Seguindo a lógica que abre esse texto, o preço final dela seria R$ 30. Trinta reais. Com R$ 20 de “lucro” para quem ficará em média um dia todo para produzir, sem contabilizar o restante do trabalho que envolve o desenvolvimento do produto (pesquisa, ideia, tempo e gastos com deslocamento para comprar o fio, o dia de trabalho etc). Acha justo? Eu não. E olha que nem coloquei na conta o custo da embalagem (que por mais simples que seja, custa), da entrega/estande para quem vende em feiras entre outros.

Saber precificar o produto é crucial para o sucesso do negócio. Um negócio precisa gerar lucro para quem faz, caso contrário não vale a pena. É melhor vender menos e lucrar, do que ter volume de vendas sem lucro. Valorize seu trabalho! E, como consumidor, pense em tudo que envolve a criação e produção de um objeto antes de sair por aí ditando o valor “justo” do produto alheio baseado apenas na “ponta do iceberg”. A maior parte dele, e o que o sustenta, não está ao alcance dos olhos.

O Ivy Lemes Escritório de Moda presta consultoria criativa e de planejamento para pequenas marcas do setor de forma presencial ou online. Entre em contato comigo e conheça esse serviço.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda, Negócios

O produto não é só o produto

Já parou para pensar que um produto não é só um produto? Uma roupa, um objeto de decoração, um móvel ou qualquer outro são resultado de uma série de componentes tangíveis ou não. E todos eles são importantes. Analisar o que fazemos como um todo, ajuda a elaborar estratégias e a entender a performance de nossos negócios no mercado.

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Ter uma boa ideia é excelente, mas não o suficiente. Para conquistar espaço e manter-se no mercado, a ideia precisa ser entendida pelo outro e útil para ele. O primeiro passo é conhecer e interpretar o “outro” que pretende atingir: a forma de transmitir uma mesma mensagem é diferente dependendo do seu interlocutor, e para o público absorva o “discurso” do produto é necessário falar a “língua” dele.

Depois de bem alinhados a ideia e o público é mais fácil elaborar a mensagem, que deve ser a mesma em todos os canais em palavras, cores ou formas. Cartão de visitas, campanha publicitária, redes sociais, embalagem e todos os outros itens que compõe seu produto precisam ser coerentes entre si. A criação de uma identidade não é só para grandes marcas, não é secundária e não custa caro. Uma identidade forte funciona como guia tanto para criar todos os elementos do produto como para orientar o planejamento financeiro.

Parece caro, mas pensar o produto como um todo tem como um dos objetivos a economia. Quando planeja-se de forma coerente e integrada todos esses aspectos, é muito mais fácil distribuir o otimizar o orçamento independente de qual seja. Um bom planejamento de marca serve tanto para destacar sua ideia como para definir prioridades e evitar investimentos em áreas e momentos “errados”, fazendo o dinheiro render mais.

Sabemos que o mercado não está em seu melhor momento, mas vale a pena refletir  e repensar seu produto em toda sua complexidade, buscando encontrar pontos fortes a destacar e fracos a melhorar. Às vezes uma nova marca, outras uma embalagem mais adequada ao público definido ou até uma nova maneira de redigir suas publicações podem fazer toda a diferença.

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(Imagem: Visual Hunt)

Moda, Negócios

O que querem os pés?

Do ticket médio aos motivos que levam à compra de calçados, muita coisa mudou no setor no período de crise. O Estudo de Comportamento de Compra do Consumidor de Calçados, do  IEMI Inteligência de Mercado, envolveu 1.252 entrevistados de todas as faixas etárias, poder de compra e região e revelou importantes alterações no comportamento de compra do consumidor. Os dados contribuem para o entendimento do mercado, e auxiliam no momento de traçar as diretrizes para o futuro.

Embora o volume de vendas tenha apresentado queda, de 903 milhões de pares em 2014 para 784 milhões no acumulado de 2016, e o preço dos produtos tenha aumentado cerca de 10% entre esses anos, o ticket médio aumentou em mais de 12%. Segundo o IEMI, esse resultado deve-se ao fato dos consumidores com renda mais baixa serem os mais afetados pelos efeitos da recessão.

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Com relação aos fatores que levam o consumidor a comprar, os preços baixos aparecem no topo da lista. Atualmente esse fator é levado em conta antes mesmo do bom atendimento, citado como prioridade  na pesquisa anterior, referente ao período pré-crise, onde bom atendimento aparecia como principal fator de importância antes da qualidade e variedade, em 2º lugar (agora em 3º) e dos preços baixos, em 3º na lista. A busca pelos preços baixos justifica, de certa forma, o crescimento das lojas de departamentos como principal canal de venda, representando 38% da última compra contra 14% em 2014.

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Em abril publiquei uma pesquisa divulgada pelo site O Negócio do Varejo sobre o aumento da relevância das lojas de deparamentos. Preços baixos, parcelamentos e a reposição veloz de produtos com variedade e novos modelos também impulsionam o crescimento das grandes redes mesmo em um momento onde muitas delas tem suas práticas ambientais e trabalhistas questionadas.

• Marca e lifestyle

Um aspecto que me chamou a atenção no estudo do IEMI Inteligência de Mercado diz respeito às marcas e à percepção delas. A pesquisa identificou que o fator marca deixou de ser decisivo no momento da escolha de um calçado. O percentual de relevância desse fator caiu, enquanto a importância da imagem e estilo dos calçados subiu de 15% para 26% tornando-se o terceiro item mais observado, atrás apenas de fatores ergonômicos.

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Esse dado reafirma a importância de criar marcas com imagem e identidade fortes, independente de ser um nome tradicional no segmento. Identificação com o público, com seu estilo de vida, e uma seleção de produtos alinhados com as principais tendências de são fatores importantes para sobreviver no mercado da moda atualmente (não apenas no setor calçadista). Marcas que não reinventam-se a cada estação e não preocupam-se com a análise do comportamento de quem a veste precisam adaptar-se aos novos consumidores: mais preocupados com a personalidade do que com a etiqueta.

(Imagem: Visual Hunt / Gráficos: assessoria IEMI)

Design, Negócios, TV & Cinema

Design e business

Criar algo esteticamente atraente, funcional e comercial é apenas um dos desafios de quem trabalha com design. Além disso, para destacar-se, um objeto, uma fotografia e até mesmo um edifício, precisa trazer consigo algo intangível capaz de gerar identificação e emocionar. A série documental Abstract: The Art of Design mostra, mais que inspiração, alguns desafios comuns ao dia a dia de quem faz, de certa forma, “arte para vender”. Selecionei alguns deles que podem contribuir para o desenvolvimento de projetos, sem esquecer que processo criativo é algo muito particular e que, com o tempo e a experiência, cada um descobre sua maneira de criar.

• Rabiscos e anotações: Tanto o designer de tênis Tinker Hatfield quanto a designer gráfico Paula Scher falam sobre a importância que anotações (que parecem ser) aleatórias são importantes em seu processo criativo. Estar sempre com um bloco de anotações à mão contribui para não deixarmos escapar nenhuma referência, que pode fazer sentido em algum momento de “branco”…

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• Saia do escritório: O “branco” dificilmente torna-se colorido olhando para a tela do computador. No meu dia a dia, isso é muito claro. Quando preciso criar e as ideias não aparecem, sair do trabalho para olhar o mundo “lá fora” (literalmente ou através de um livro, por exemplo) é a melhor forma de mudar esse cenário. Lembro-me de estar em cima do prazo para finalizar um texto e, sem ideias, parar para ver um filme sobre um assunto totalmente fora do tema em qual estava trabalhando. Aos vinte minutos de filme, a ideia veio.

Se você ficar só no escritório tentando ter novas ideias, não terá uma boa base para a sua ideia. Saia e viva a vida. Isso cria um acervo mental, que você poderá explorar em designs inovadores“. (Tinker Hatfield)

• Inovar e “prever”: A necessidade de criar algo inovador ano após ano e desenvolver um produto que mantenha-se atrativo a longo prazo são outros dois desafios mostrado na série. Para isso, é importante olhar além dos modismos de hoje, e considerar aspectos ligados ao estilo de vida das pessoas e seus anseios para o futuro. Contar com pesquisas de tendências sérias e saber filtrá-las para o seu público é fundamental.

Sempre tento imaginar o futuro. Nós projetamos algo para daqui a cinco anos, depois o carro tem que sobreviver no mercado de três a seis anos. Então é uma janela de nove anos que precisamos considerar ao projetar esses veículos“. (Ralph Gilles)

• Marca e produto: O designer de automóveis Ralph Gilles diz acreditar na “redenção pelo design”: “Toda marca já fez um produto ruim. Mas sou otimista. (…) É possível criar um produto que revitalize a marca por meio da engenharia e do design“. Projetar levando em conta a identidade da marca é essencial. O consumidor precisa ver a marca no produto antes mesmo de enxergar a logomarca (que pode nem estar visível). Apenas dessa forma se constrói uma marca de sucesso e revitaliza-se uma marca tradicional sem tirá-la do rumo. Esse aspecto é abordado de forma bastante interessante pela designer Paula Scher, quando diz que o tamanho, a espessura, a posição dos traços e todos os detalhes de uma tipografia são importantes na construção da personalidade daquilo que se quer representar.

• Vender a ideia:  Quando o designer Tinker Hatfield comenta as reuniões realizadas entre a equipe da Nike e Michael Jordan para discutir o design dos tênis da linha que leva o nome do jogador de basquete, fica clara a necessidade de saber expor e vender a ideia para o cliente. Nesse momento, painéis referenciais e tudo que ajude a contar a história que levou o designer a determinado resultado deve entrar em cena. O que para o criador parece óbvio, pode não ser para o cliente.

Há muito mais lições nos oito episódios da primeira temporada de Abstract: The Art of Design. Por aqui, já comentei sobre a relação entre arte e design tendo como exemplo o trabalho de Tinker Hatfield, sobre a necessidade de criar experiência e emoção citando a cenógrafa Es Devlin e parti do princípio de estruturas complexas que parecem simples, do arquiteto Bjarke Ingels, para falar de moda. Recomendo e aguardo ansiosa as próximas temporadas.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda, Negócios

Reclame aí

Já ensaiei escrever sobre esse assunto por aqui algumas vezes. Mas foi um comentário “se não gosta simplesmente não use” lido há cinco minutos que impulsionou, finalmente, o texto. Precisamos falar sobre críticas!

Sabe aquela frase que diz para falarmos apenas de coisas boas, ou aquela ideia de que se for pra criticar é melhor ficar calado? Nunca concordei. A falta de críticas pode fazer tão mal a uma marca (ou a uma pessoa) quanto o excesso delas. Por experiência própria, os trabalhos e as pessoas que mais me fizeram crescer como profissional não foram os (as) que me deram 100% de aprovação. Da mesma forma, atribuo o fato de termos tantos serviços e marcas ruins no mercado a essa cultura (?) de não criticar.

Penso que muitos produtos ruins circulam por aí não por falta de cuidado de quem os faz, mas por falta de feedback de quem os consome. Cansei de ouvir comentários negativos sobre marcas “pelas costas”, vindo de pessoas que não economizavam elogios ao dono da empresa quando na frente dele (mas, obviamente, nunca mais compraram/consumiram). O produto perde a firmeza depois de lavado? A barra descosturou no segundo dia? Fale! O contrário não é justo com nenhum dos lados.

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Me entristeceria saber que estou repetindo um erro já notado por quem consumiu meu produto e ninguém fez o favor de “me dar um toque”. Da mesma forma não entendo a lógica que faz as pessoas ficarem raivosas quando criticadas, e também não sei quem disse a elas que uma crítica as descredibiliza como profissionais. Ninguém é pior por errar. Com o perdão do clichê, errar só nos faz melhores. Além de significar que estamos fazendo algo (e não inertes) e sendo notados, contribui para o aperfeiçoamento do trabalho. O olhar do outro é precioso.

Faço uso desse espaço para deixar claro que o tal “não gostou é só não comprar” não se aplica por aqui. Quero saber o motivo de não ter agradado, pois só assim posso aprimorar meu produto (ou serviço) para, quem sabe, fazê-lo “comprar” da próxima vez. Se ainda assim não funcionar, certamente apresentei uma segunda versão melhor que a primeira.

Como profissional, aceite, avalie e absorva as críticas. Como consumidor, reclame aí! Contribua para um mercado melhor, onde produtos e serviços realmente bons são os que sobrevivem (e não aqueles cheios de elogios comprados) e ajude quem admira a estar entre eles.

(Imagem:Visual Hunt)