Moda, Negócios

O produto não é só o produto

Já parou para pensar que um produto não é só um produto? Uma roupa, um objeto de decoração, um móvel ou qualquer outro são resultado de uma série de componentes tangíveis ou não. E todos eles são importantes. Analisar o que fazemos como um todo, ajuda a elaborar estratégias e a entender a performance de nossos negócios no mercado.

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Ter uma boa ideia é excelente, mas não o suficiente. Para conquistar espaço e manter-se no mercado, a ideia precisa ser entendida pelo outro e útil para ele. O primeiro passo é conhecer e interpretar o “outro” que pretende atingir: a forma de transmitir uma mesma mensagem é diferente dependendo do seu interlocutor, e para o público absorva o “discurso” do produto é necessário falar a “língua” dele.

Depois de bem alinhados a ideia e o público é mais fácil elaborar a mensagem, que deve ser a mesma em todos os canais em palavras, cores ou formas. Cartão de visitas, campanha publicitária, redes sociais, embalagem e todos os outros itens que compõe seu produto precisam ser coerentes entre si. A criação de uma identidade não é só para grandes marcas, não é secundária e não custa caro. Uma identidade forte funciona como guia tanto para criar todos os elementos do produto como para orientar o planejamento financeiro.

Parece caro, mas pensar o produto como um todo tem como um dos objetivos a economia. Quando planeja-se de forma coerente e integrada todos esses aspectos, é muito mais fácil distribuir o otimizar o orçamento independente de qual seja. Um bom planejamento de marca serve tanto para destacar sua ideia como para definir prioridades e evitar investimentos em áreas e momentos “errados”, fazendo o dinheiro render mais.

Sabemos que o mercado não está em seu melhor momento, mas vale a pena refletir  e repensar seu produto em toda sua complexidade, buscando encontrar pontos fortes a destacar e fracos a melhorar. Às vezes uma nova marca, outras uma embalagem mais adequada ao público definido ou até uma nova maneira de redigir suas publicações podem fazer toda a diferença.

O Ivy Lemes Escritório de Moda presta consultoria criativa e de planejamento para pequenas marcas do setor de forma presencial ou online. Entre em contato comigo e conheça esse serviço.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda, Negócios

O que querem os pés?

Do ticket médio aos motivos que levam à compra de calçados, muita coisa mudou no setor no período de crise. O Estudo de Comportamento de Compra do Consumidor de Calçados, do  IEMI Inteligência de Mercado, envolveu 1.252 entrevistados de todas as faixas etárias, poder de compra e região e revelou importantes alterações no comportamento de compra do consumidor. Os dados contribuem para o entendimento do mercado, e auxiliam no momento de traçar as diretrizes para o futuro.

Embora o volume de vendas tenha apresentado queda, de 903 milhões de pares em 2014 para 784 milhões no acumulado de 2016, e o preço dos produtos tenha aumentado cerca de 10% entre esses anos, o ticket médio aumentou em mais de 12%. Segundo o IEMI, esse resultado deve-se ao fato dos consumidores com renda mais baixa serem os mais afetados pelos efeitos da recessão.

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Com relação aos fatores que levam o consumidor a comprar, os preços baixos aparecem no topo da lista. Atualmente esse fator é levado em conta antes mesmo do bom atendimento, citado como prioridade  na pesquisa anterior, referente ao período pré-crise, onde bom atendimento aparecia como principal fator de importância antes da qualidade e variedade, em 2º lugar (agora em 3º) e dos preços baixos, em 3º na lista. A busca pelos preços baixos justifica, de certa forma, o crescimento das lojas de departamentos como principal canal de venda, representando 38% da última compra contra 14% em 2014.

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Em abril publiquei uma pesquisa divulgada pelo site O Negócio do Varejo sobre o aumento da relevância das lojas de deparamentos. Preços baixos, parcelamentos e a reposição veloz de produtos com variedade e novos modelos também impulsionam o crescimento das grandes redes mesmo em um momento onde muitas delas tem suas práticas ambientais e trabalhistas questionadas.

• Marca e lifestyle

Um aspecto que me chamou a atenção no estudo do IEMI Inteligência de Mercado diz respeito às marcas e à percepção delas. A pesquisa identificou que o fator marca deixou de ser decisivo no momento da escolha de um calçado. O percentual de relevância desse fator caiu, enquanto a importância da imagem e estilo dos calçados subiu de 15% para 26% tornando-se o terceiro item mais observado, atrás apenas de fatores ergonômicos.

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Esse dado reafirma a importância de criar marcas com imagem e identidade fortes, independente de ser um nome tradicional no segmento. Identificação com o público, com seu estilo de vida, e uma seleção de produtos alinhados com as principais tendências de são fatores importantes para sobreviver no mercado da moda atualmente (não apenas no setor calçadista). Marcas que não reinventam-se a cada estação e não preocupam-se com a análise do comportamento de quem a veste precisam adaptar-se aos novos consumidores: mais preocupados com a personalidade do que com a etiqueta.

(Imagem: Visual Hunt / Gráficos: assessoria IEMI)

Design, Negócios, TV & Cinema

Design e business

Criar algo esteticamente atraente, funcional e comercial é apenas um dos desafios de quem trabalha com design. Além disso, para destacar-se, um objeto, uma fotografia e até mesmo um edifício, precisa trazer consigo algo intangível capaz de gerar identificação e emocionar. A série documental Abstract: The Art of Design mostra, mais que inspiração, alguns desafios comuns ao dia a dia de quem faz, de certa forma, “arte para vender”. Selecionei alguns deles que podem contribuir para o desenvolvimento de projetos, sem esquecer que processo criativo é algo muito particular e que, com o tempo e a experiência, cada um descobre sua maneira de criar.

• Rabiscos e anotações: Tanto o designer de tênis Tinker Hatfield quanto a designer gráfico Paula Scher falam sobre a importância que anotações (que parecem ser) aleatórias são importantes em seu processo criativo. Estar sempre com um bloco de anotações à mão contribui para não deixarmos escapar nenhuma referência, que pode fazer sentido em algum momento de “branco”…

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• Saia do escritório: O “branco” dificilmente torna-se colorido olhando para a tela do computador. No meu dia a dia, isso é muito claro. Quando preciso criar e as ideias não aparecem, sair do trabalho para olhar o mundo “lá fora” (literalmente ou através de um livro, por exemplo) é a melhor forma de mudar esse cenário. Lembro-me de estar em cima do prazo para finalizar um texto e, sem ideias, parar para ver um filme sobre um assunto totalmente fora do tema em qual estava trabalhando. Aos vinte minutos de filme, a ideia veio.

Se você ficar só no escritório tentando ter novas ideias, não terá uma boa base para a sua ideia. Saia e viva a vida. Isso cria um acervo mental, que você poderá explorar em designs inovadores“. (Tinker Hatfield)

• Inovar e “prever”: A necessidade de criar algo inovador ano após ano e desenvolver um produto que mantenha-se atrativo a longo prazo são outros dois desafios mostrado na série. Para isso, é importante olhar além dos modismos de hoje, e considerar aspectos ligados ao estilo de vida das pessoas e seus anseios para o futuro. Contar com pesquisas de tendências sérias e saber filtrá-las para o seu público é fundamental.

Sempre tento imaginar o futuro. Nós projetamos algo para daqui a cinco anos, depois o carro tem que sobreviver no mercado de três a seis anos. Então é uma janela de nove anos que precisamos considerar ao projetar esses veículos“. (Ralph Gilles)

• Marca e produto: O designer de automóveis Ralph Gilles diz acreditar na “redenção pelo design”: “Toda marca já fez um produto ruim. Mas sou otimista. (…) É possível criar um produto que revitalize a marca por meio da engenharia e do design“. Projetar levando em conta a identidade da marca é essencial. O consumidor precisa ver a marca no produto antes mesmo de enxergar a logomarca (que pode nem estar visível). Apenas dessa forma se constrói uma marca de sucesso e revitaliza-se uma marca tradicional sem tirá-la do rumo. Esse aspecto é abordado de forma bastante interessante pela designer Paula Scher, quando diz que o tamanho, a espessura, a posição dos traços e todos os detalhes de uma tipografia são importantes na construção da personalidade daquilo que se quer representar.

• Vender a ideia:  Quando o designer Tinker Hatfield comenta as reuniões realizadas entre a equipe da Nike e Michael Jordan para discutir o design dos tênis da linha que leva o nome do jogador de basquete, fica clara a necessidade de saber expor e vender a ideia para o cliente. Nesse momento, painéis referenciais e tudo que ajude a contar a história que levou o designer a determinado resultado deve entrar em cena. O que para o criador parece óbvio, pode não ser para o cliente.

Há muito mais lições nos oito episódios da primeira temporada de Abstract: The Art of Design. Por aqui, já comentei sobre a relação entre arte e design tendo como exemplo o trabalho de Tinker Hatfield, sobre a necessidade de criar experiência e emoção citando a cenógrafa Es Devlin e parti do princípio de estruturas complexas que parecem simples, do arquiteto Bjarke Ingels, para falar de moda. Recomendo e aguardo ansiosa as próximas temporadas.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda, Negócios

Reclame aí

Já ensaiei escrever sobre esse assunto por aqui algumas vezes. Mas foi um comentário “se não gosta simplesmente não use” lido há cinco minutos que impulsionou, finalmente, o texto. Precisamos falar sobre críticas!

Sabe aquela frase que diz para falarmos apenas de coisas boas, ou aquela ideia de que se for pra criticar é melhor ficar calado? Nunca concordei. A falta de críticas pode fazer tão mal a uma marca (ou a uma pessoa) quanto o excesso delas. Por experiência própria, os trabalhos e as pessoas que mais me fizeram crescer como profissional não foram os (as) que me deram 100% de aprovação. Da mesma forma, atribuo o fato de termos tantos serviços e marcas ruins no mercado a essa cultura (?) de não criticar.

Penso que muitos produtos ruins circulam por aí não por falta de cuidado de quem os faz, mas por falta de feedback de quem os consome. Cansei de ouvir comentários negativos sobre marcas “pelas costas”, vindo de pessoas que não economizavam elogios ao dono da empresa quando na frente dele (mas, obviamente, nunca mais compraram/consumiram). O produto perde a firmeza depois de lavado? A barra descosturou no segundo dia? Fale! O contrário não é justo com nenhum dos lados.

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Me entristeceria saber que estou repetindo um erro já notado por quem consumiu meu produto e ninguém fez o favor de “me dar um toque”. Da mesma forma não entendo a lógica que faz as pessoas ficarem raivosas quando criticadas, e também não sei quem disse a elas que uma crítica as descredibiliza como profissionais. Ninguém é pior por errar. Com o perdão do clichê, errar só nos faz melhores. Além de significar que estamos fazendo algo (e não inertes) e sendo notados, contribui para o aperfeiçoamento do trabalho. O olhar do outro é precioso.

Faço uso desse espaço para deixar claro que o tal “não gostou é só não comprar” não se aplica por aqui. Quero saber o motivo de não ter agradado, pois só assim posso aprimorar meu produto (ou serviço) para, quem sabe, fazê-lo “comprar” da próxima vez. Se ainda assim não funcionar, certamente apresentei uma segunda versão melhor que a primeira.

Como profissional, aceite, avalie e absorva as críticas. Como consumidor, reclame aí! Contribua para um mercado melhor, onde produtos e serviços realmente bons são os que sobrevivem (e não aqueles cheios de elogios comprados) e ajude quem admira a estar entre eles.

(Imagem:Visual Hunt)

Moda, Negócios

Parecendo manequim de loja

Não foram poucas as vezes que li, em livros de consultoria de estilo e revistas, o quão negativo é sair “parecendo manequim de loja”. A afirmação sempre vem acompanhada de dicas sobre estilo pessoal, e sobre como é mais interessante vestir-se com personalidade ao invés de mergulhar em tendências.

Com o passar dos anos, concluí que a frase certamente foi escrita por alguém que ainda não teve contato com um bom manequim de loja. Compreensível. Visto que mais de 90% dos manequins de loja são ruins. E não, não é uma “questão de gosto”.

Produzir e avaliar um manequim de loja exige informação e técnica: coerência com a identidade e público, com o tempo lá fora, com as tendências da estação, cartela de cores, ocasião, coordenação de materiais e coordenação dos manequins entre si (quando mais de um) são apenas alguns dos fatores que fazem uma vitrine funcionar ou não.

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As vitrines e manequins da grife italiana Max Mara trazem composições reais e inteligentes

Com tantas “modas” espalhadas por aí, boas vitrines não preocupam-se apenas com a exposição de tendências. Consequentemente, não criam visuais que resumem-se a um amontoado delas. Para posicionar uma marca e fazer frente aos concorrentes, muitas vezes com produtos esteticamente similares, o look do manequim precisa trazer algo a mais: a função do styling é prestar uma consultoria de moda silenciosa à cliente, sugerindo e explorando novas formas de uso; e sua consequência é que, sim, a cliente deseje reproduzir o que viu na vitrine em seu dia a dia (e, do ponto de vista comercial, compre o visual inteiro).

Mesmo sem notar, consumidores de moda escolhem e preferem marcas que mostram imagens que podem vesti-lo de verdade, combinações de peças com as quais ele se identifica e que o inspiram até mesmo a repaginar algo que já tem no armário. Do outro lado, empresários e gestores do varejo de moda devem preocupar-se em oferecer exposições que façam seus clientes contrariarem a máxima que abre esse texto.

Esqueça as vitrines com cartelas de cores limitadas e com aquela mesma estampa na saia de uma e no vestido de outra. Quando não for possível contar com um profissional especializado para editar os visuais da vitrine, reserve um tempo para estudar, planejar e executar com carinho cada um dos manequins. A próxima vez que eu passar por aí, quero sentir vontade de sair parecendo o manequim da sua loja.

(Imagem: Think Retail)

Moda, Negócios

Coringas para a vitrines

A vitrine é decisiva. Através dela o consumidor entra em contato com a marca, faz, muitas vezes, sua primeira leitura sobre ela e decide ou não entrar na loja. Além de atraente a vitrine precisa ser constantemente atualizada, e contar com objetos e mobiliário multifuncionais torna essa tarefa mais fácil.

Ao planejar ou repaginar sua loja, vale a pena investir em elementos ou estruturas versáteis, que possam ser utilizadas de diferentes formas, em várias ocasiões e datas e que sejam adaptáveis a diversas composições. É o caso dos cubos e nichos, ou outros displays menores e com poucos detalhes, que podem ser dispostos sozinhos ou em conjunto, lado a lado ou empilhados, na vitrine e até mesmo dentro da loja, dependendo do tamanho e decoração do ponto de venda. Essas peças costumam ser facilmente transformáveis com pintura ou aplicação de adesivo, permitindo também que se adaptem a uma nova coleção, ação comemorativa ou destaquem produtos específicos com variação de cores e texturas.

Estruturas de madeira ou metal leves também podem ser um bom investimento. No exemplo abaixo, três vitrines da grife italiana Max Mara utilizando o mesmo display em diferentes propostas e composições. Peças como essa podem ser úteis tanto para expor produtos dobrados, quando possuem prateleira, como pendurados com cabide ou como plataforma para manequins, de acordo com as dimensões e divisões do móvel. O ideal é encomendar uma peça sob medida, produzida com materiais que combinam com a proposta da sua marca e com o tamanho da sua vitrine.

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A mesma estrutura em diferentes vitrines da grife Max Mara

Se a arquitetura da loja permitir, projete um suporte no teto da vitrine ou instale ganchos para pendurar, eventualmente, materiais simples que criam um efeito diferenciado. Fitas, cordões de luz, tecidos ou banners com imagens da coleção são algumas opções capazes de mudar “a cara” da loja sem que seja necessário um alto investimento.

• Visual merchandising não é (só) decoração de vitrine

E a Universidade Tuiuti do Paraná me convidou para dividir meus conhecimentos e experiências sobre o assunto em um curso de extensão que acontece nos dois primeiros sábados do mês de junho. O conteúdo do curso é válido tanto para empresários e gestores quanto para profissionais e estudantes de moda que desejam aprofundar seus conhecimentos e/ou atuar na área.

As aulas serão ministradas no Campus Prof. Sydnei Lima Santos (Barigui) e as inscrições são abertas a alunos e não alunos da instituição. Clique aqui para mais informações e inscreva-se.

(Imagens: reprodução)

Moda, Negócios, TV & Cinema

Você pode substituir Girl Boss por Project Runway

Vi todos os episódios da série Girl Boss em dois dias. Mais pela necessidade de terminá-la e assim tirar minhas conclusões do que por estar gostando. Girl Boss me deu sono. Preguiça até mesmo de comentar sobre. Uma semana depois (no último fim de semana), resolvi assistir a sétima temporada de Project Runway (ela e a oitava estão disponíveis na Netflix), e esse sim é um programa que une entretenimento e moda e vale os minutos em frente à tela.

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Se Girl Boss atropelou diversas oportunidades de inserir conteúdo de moda na narrativa (que tenta ser) engraçada, a competição entre designers traz boas risadas com lições para quem estuda e trabalha na área. Para o público em geral, o programa revela a complexidade e as dificuldades de tirar uma ideia do papel além de todas as variáveis que envolvem o trabalho criativo. Por isso, trago alguns tópicos para mostrar porque Project Runway, mesmo quando old, é gold. (Pode conter spoilers involuntários).

• É preciso adaptar ideias. Cada designer tem seu estilo e convicções estéticas, porém, quando o objetivo é comercializar as criações, é necessário considerar a opinião dos clientes (no caso de Project Runway, dos jurados). A intransigência não é bem vinda no mercado, e a inteligência está em manter o conceito ajustando-o ao que agrada o público.

• Críticas virão, e é importante ouvi-las. Jogar tudo para o alto e querer desistir ao receber um comentário negativo não leva a nada. Respire fundo, absorva e analise (pois sim, algumas críticas realmente são dispensáveis) e faça dos comentários um aprendizado. Determinados “conselhos” não serão 100% úteis, mas eles nos levam a algum questionamento. E questionar-se é sempre positivo.

• Assim como as críticas, imprevistos acontecem. Manter o equilíbrio para contorná-los ou recomeçar do zero com um prazo apertado é uma vantagem competitiva. No Project Runway, desafios inesperados ou mudanças de planos fazem com que os designers revejam o rumo que estão tomando ou partam para o plano B. Ou C. Ou D.

• Desistir faz parte. Não martirize-se por fechar uma porta quando as coisas já não fazem sentido ou tiram sua paz. Desistir de uma coleção, de um projeto ou de um emprego às vezes é necessário para abrir espaço para outras oportunidades. Quem diz que “quem desiste não vence” precisa aprender um pouco mais sobre a vida: ao escolher uma coisa desistimos automaticamente de outra. Não desistir às vezes é sinônimo de ficar parado. E isso sim bloqueia o sucesso.

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• Com sorte, conquistamos uma segunda chance. Já falei por aqui sobre sorte, e tão importante quanto ter é saber aproveitá-la. Independente de levá-lo a vitória ou não, as oportunidades não aparecem a toa e sempre podem trazer coisas boas. “De repente” seu vestido está no Tapete Vermelho.

• Saber trabalhar com as pessoas é tão importante quanto saber manipular os tecidos. Dentro de uma equipe de criação, não é viável impor suas ideias ou senso estético. Vale exercitar o hábito de considerar opiniões diferentes e adequar-se, afinal “duas cabeças pensam melhor do que uma”. Mesmo quando o designer desenha e produz de forma independente, manter um bom relacionamento e ser flexível com clientes e fornecedores é fundamental.

• Styling importa! E muito! A composição do visual da modelo, os acessórios, o cabelo e a maquiagem pode levantar ou destruir uma coleção. Quando não é possível contar com um stylist, pesquise referências em diversas fontes e esteja atualizado sobre a moda das ruas. O que e como as pessoas estão usando, independente de combinar com o seu conceito ou não, deve ser levado em conta na hora de mostrar seu trabalho em fotos, passarelas ou na vitrine.

• Trabalhos com personalidade sempre saem na frente. É claro que, assim como no styling, há a necessidade de construir uma imagem atual e alinhada ao que o consumidor espera, mas, uma marca só conquista e mantém seu espaço quando é capaz de manter-se fiel a si mesma inserindo novidades a cada estação. Avalie: suas criações dizem “quem você é como designer”? Sim? Let’s start the show!

(Imagens: divulgação)

Negócios

Presente ou diálogo?

Em um relacionamento você prefere ganhar presente ou manter um bom diálogo? O que fortalece mais a relação: bens materiais trocados ou conselhos compartilhados? Calma. Esse site não se transformou em um blog sobre vida amorosa; mas as relações entre marcas e consumidores, assim como laços pessoais, nunca precisaram ser tão bem cuidadas.

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Recentemente o site O Negócio do Varejo publicou, em uma matéria sobre fidelização de clientes, uma pesquisa da Accenture Strategy que revelou que “tanto os brasileiros quanto os consumidores de fora do país acumulam (e não usam) milhões de pontos de fidelidade”. Ou seja, oferecer bônus para a troca de produtos já não funciona tão bem como antigamente: o consumidor busca muito mais que benefícios financeiros em seu relacionamento com uma marca. Outros dados da pesquisa, sobre os quais comentarei a seguir, mostram que um dos pontos mais importantes para ele é o diálogo.

O estudo da Accenture Strategy feito com 25.426 consumidores em todo o mundo, 1.322 no Brasil, revela que, entre os brasileiros, 65% dos consumidores gastam mais com marcas que eles amam e 71% são fiéis a empresas que “oferecem pequenas provas de carinho” como descontos personalizados, vale-compras e ofertas especiais. Mais que o acúmulo automático de pontos, as marcas devem atentar-se aos hábitos de cada consumidor, oferecendo vantagens na categoria de produtos que ele mais consome ou enviando uma amostra de um novo produto com características similares aos seus favoritos, por exemplo.

Tão importante quanto acertar no presente, e oferecer um mix de produtos que atraia o consumidor, é saber onde e como comunicar e de que forma enviar ou personalizar o gift: a pesquisa aponta que, para haver fidelidade, 75 % dos entrevistados valoriza marcas que interagem através de seus canais de comunicação favoritos, e 64% optam por marcas que permitem personalizar seus produtos.

A personalização está entre as grandes tendências de varejo, e ela pode acontecer tanto nos produtos, com a impressão das iniciais ou a possibilidade de escolha da combinação de cores (levando o consumidor para “dentro” da empresa, como co-criador do produto), como no atendimento e relacionamento: os descontos e brindes que chegam na casa do consumidor X são diferentes dos produtos oferecidos como presente a outro cliente, com preferências diferentes. É como se a marca, entendendo seus hábitos, oferecesse exatamente o que você precisa, na sua cor preferida, em seu tamanho exato. Como não sentir-se especial em uma relação assim?

Mais que preço, busque monitorar, entender e demonstrar interesse pelas predileções de quem consome sua marca, envolva-o no processo e esteja disposto a ajudar da forma mais acessível e rápida possível tendo a tecnologia como aliada.

(Imagem: stevendepolo via Visual Hunt)

Comportamento, Moda, Negócios

Fashion Revolution?

O dia 24 de abril de 2013 foi um dia triste para a moda. A queda do Rana Plaza, em Bangladesh, foi uma das maiores tragédias que a indústria já viveu. O edifício que abrigava em condições precárias diversas fábricas de roupas que produziam para grandes marcas globais – como Benetton, Mango e Primark, conforme noticiado na época – colapsou, levando em poucos minutos a vida de mais de mil trabalhadores têxteis e deixando outros 2,5 mil feridos. Detalhe: alguns meses antes, outras centenas morreram em um incêndio ali mesmo e nada foi feito. No total, foram 200 mil pessoas mortas, em trezentos acidentes em fábricas como essa no século XXI.

O cenário, que mais parecia uma zona de guerra (entre escombros, pedaços humanos e pessoas soterradas vivas), foi o ponto de partida para o movimento Fashion Revolution, criado em Londres pelas designers e ativistas Carry Somers e Orsola de Castro com o objetivo de despertar a consciência para as práticas antiéticas na moda e lutar por um mercado fashion mais seguro, sustentável e humano“.

O trecho acima, retirado do livro Moda com Propósito, do André Carvalhal, explica o surgimento e intenção da Revolução Fashion. O movimento impulsiona diversos eventos para discutir o tema, especialmente durante o mês de abril, em diferentes frentes, da indústria ao varejo. Tão importante quanto falar sobre o que é e como surgiu, é, como profissionais e/ou consumidores de moda, buscar e compartilhar formas de fazer parte dessa revolução.

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• Para quem faz moda

Semana passada recebi da ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) um material sobre o Programa de Certificação de Fornecedores que veio ao encontro de diversos questionamentos de designers e estudantes que li ou recebi nos últimos dias no que diz respeito aos fornecedores.

Para Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX, o consumidor “vem se tornando cada vez mais consciente da necessidade de escolhas e dos impactos do seu consumo. Por isso, é que as varejistas associadas à ABVTEX trabalham para garantir a qualidade da origem do produto oferecido nas lojas”. Segundo a ABVTEX, em seis anos de existência o programa realizou quase 20 mil auditorias em confecções e seus subcontratados para verificação de boas práticas e cumprimento da legislação trabalhista em vigor. Só no ano de 2016, foram realizadas mais de cinco mil auditorias com 4.112 empresas certificadas em 681 municípios, em 18 Estados, com o objetivo de “ajudar as empresas signatárias a monitorar e qualificar, de maneira estruturada e integrada, a cadeia de fornecedores do setor têxtil, a fim de disseminar as boas práticas e combater o uso do trabalho análogo ao escravo nas confecções“.

Para os empresários da indústria e confecção, a certificação de fornecedores promove melhoria no ambiente de trabalho, redução de acidentes, aumento de produtividade e qualidade de produto além da retenção de trabalhadores e do alinhamento com a moda responsável cada vez mais valorizada pelo consumidor final, o que garante um retorno positivo dos investimentos em certificação.

Além de trabalhar com fornecedores certificados, novas marcas e pequenos criadores podem buscar alternativas com relação a materiais e processos, reaproveitando matéria prima descartada por empresas de maior porte ou outros criadores através de iniciativas como o Banco de Tecidos, e utilizando técnicas artesanais com foco em exclusividade. Produção em menor escala e transparência nos processos são um caminho interessante para estruturar um novo negócio em um momento de incertezas e economia (de recursos naturais e financeiros).

• Para quem consome moda

Assim como consumir marcas que trabalham com fornecedores certificados e processos responsáveis, o momento atual pele a reavaliação dos hábitos de consumo (onde, como, quanto e porque compramos) e a consciência sobre o real impacto deles. Avalio que a mudança na indústria fashion depende muito mais dos consumidores do que de quem faz, e é triste perceber que a preocupação ainda não é tão presente na vida dos “atores anônimos” (leia mais aqui) que possuem a poderosa ferramenta escolha nas mãos.

Avalie qualidade, busque informação sobre as marcas, reutilize e transforme o que já tem. Faça compras em seu próprio closet, permita-se novas combinações e atente-se para a conservação de suas roupas. Ao longo desses últimos parágrafos, deixo sete links de publicações sobre o assunto aqui no ivylemes.com com o objetivo de mostrar que colocar nosso tijolinho na construção de uma moda mais ética é muito mais fácil e importante do que muita gente imagina. Vamos?

(Imagem: Visualhunt)

+ | Não deixe de assistir o documentário The True Cost para avaliar quando custa realmente aquilo que vestimos.

Moda, Negócios

Case de fracasso

O texto Não saia por aí fazendo roupa repercutiu muito mais do que eu esperava. Uma repercussão que avalio como 100% positiva. Trouxe olhares complementares, visões múltiplas sobre o tema, que incluem outras áreas dentro da Moda, e comentários que impulsionaram o texto de hoje.

“Ivy, quais são suas dicas para quem quer ter uma marca de Moda”? Mas… Eu não tenho uma marca de Moda. E mais. Minha marca de Moda fracassou. Espera aí… Eu tenho muitas dicas para pequenas marcas de Moda, e justamente pelo fato da minha ter fracassado.

Quando estava construindo minha primeira empresa encontrei muitos conselhos sobre o que fazer. Hoje, avalio que o que realmente precisava ler naquela época (e não sabia) era sobre o que NÃO fazer. Sobram cases de sucesso, mas às vezes é preciso saber mais sobre os cases de fracasso.

Apesar de muitos blogs dedicados aos cases de sucesso deixarem claro que o empreendedor em questão faliu algumas vezes antes de alcançar um modelo de negócio que deu certo, pouco se fala sobre os motivos da falência e muitos conselhos espelhados no negócio de sucesso não funcionam para quem está dando o primeiro passo. São dicas que deram certo para o empreendedor de sucesso exatamente porque outras questões menores já estavam resolvidas para ele devido ao fracasso anterior. Coisas essas que “passam batido” nas matérias. Coisas essas que eu queria ter lido quando comecei. Por isso, começo a semana compartilhando o meu case de fracasso.

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Para abordar todos os meus erros na aventura da “primeira marca” seria necessário escrever um livro. Já comecei errado, optando pela construção de um negócio com uma gama muito alta de produtos que, além disso, eram produtos sazonais: moda praia no verão (com complementos casuais) e comfort wear para as estações frias. Uma escolha baseada no “falta biquíni no verão” / “falta comfort wear no inverno” e nada mais, provando que tão importante quanto ouvir o consumidor/lojista é usar o conhecimento profissional e a pesquisa de mercado para filtrar e adaptar a demanda à realidade de um novo negócio. Esse é meu primeiro conselho.

• Faça um orçamento real: O que você consegue “abraçar”?

Ao decidir abrir uma marca, contei com o famoso “paitrocínio”. Embora meu pai estivesse disposto a me ajudar, havia uma limitação no orçamento: Eu tinha X reais para tirar meu negócio do papel. Em um primeiro momento, pareceu um “dinheirão”; pois com esse valor era possível cobrir o custo dos tecidos, aviamentos, metais para detalhes, plaquinhas personalizadas, confecção (terceirizada), embalagens, criação de logomarca, etiquetas, tags e… só.

Parece muita coisa mas ainda faltava pensar em marketing, em material de divulgação, nos canais de venda (para participar de feiras, eu precisava ter dinheiro em caixa), no custo de logística para entrega desses produtos que, aliás, eu pretendia vender para lojas sem ter estrutura para isso (mais um erro).

Também faltou considerar que uma coleção não é vendida inteira em uma estação, e que não se pode contar com o dinheiro da venda da primeira para produzir a segunda. Ou seja, é necessário possuir recursos para as próximas coleções para manter a marca no mercado (falarei mais sobre isso no segundo tópico).

O dinheiro não era pouco. Mas minhas ideias, o público que eu visava, as compras que fiz para dar início à marca e a quantidade que decidi produzir eram megalomaníacas! Irrisórias para uma indústria estruturada, mas totalmente “fora da casinha” para uma marca iniciante nas minhas condições. Eu queria, como citei no parágrafo anterior, vender no atacado. E quando penso nisso agradeço à Deus pelo fato da marca não ter funcionado “de cara”. Meu problema teria sido muito maior caso lojistas se interessassem pelo meu produto, pois eu não teria condições de produzi-los e entregá-los.

É importante tomar decisões a partir de um orçamento, e não fazer escolhas precipitadas para depois ficar correndo atrás de mais e mais recursos e empréstimos para sustentá-las. Na prática, eu poderia ter economizado em determinados itens para poder gastar no que era essencial (material de qualidade, por exemplo). Li, nos cases de sucesso, que uma marca precisa de uma embalagem inovadora para se destacar. Concordo. Porém, é preciso pensar se, na primeira coleção, seu orçamento permite encomendar uma embalagem com o melhor fornecedor do mercado que exige uma quantidade mínima alta e adiciona um frete alto para entrega (pois produz fora da cidade). Eu fiz isso. Por preguiça de encontrar alternativas locais, colocar a cabeça para funcionar e criar, talvez manualmente, uma embalagem diferenciada dentro do meu orçamento. É possível!

Não me arrependo de ter investido, por exemplo, no material utilizado pelas melhores marcas de moda praia do Brasil para confeccionar meus biquínis. Esse era um alto investimento que realmente valia a pena, a qualidade  e a durabilidade do produto são primordiais. Mas o que quero mostrar com o exemplo da embalagem é que cada investimento deve ser extremamente cauteloso. Cada R$ 1,50 faz diferença.

• Planejamento à longo prazo

Com o valor que eu tinha na conta era possível colocar no mercado minha primeira coleção. E só. Erro detected.

Não conheço nenhuma marca que abriu as portas e vendeu todo seu estoque para financiar a próxima coleção. É preciso possuir recursos financeiros para manter seu negócio funcionando por mais tempo, sem contar 100% com o retorno das vendas da primeira produção. Parece óbvio mas vejo esse erro acontecendo com frequência.

Volto ao tópico anterior e à necessidade de planejar-se a partir do seu orçamento real. No meu caso, se ao invés de produzir x peças logo de cara resolvesse produzir x/3 em um primeiro momento, mais um pouco em um segundo lançamento e assim por diante, com controle financeiro e monitoramento do mercado (O que as pessoas estão gostando? O que encalhou? Quais são as críticas? O que minhas clientes estão pedindo?), minhas chances de sucesso seriam muito maiores.

• Menos variedade, mais qualidade

Produzir vinte modelos diferentes, sem nenhum teste prévio, é muito arriscado. Nos cases de sucesso, li que era necessário oferecer uma gama alta de produtos para dar certo. Mas esse foi um dos fatores que fez minha marca dar errado.

“Se você quer vender 3 mil reais por mês, tenha um estoque com ao menos o triplo desse valor” (foi uma das coisas que eu li). Às vezes não! Quando não temos experiência no mercado, e nem dinheiro para arriscar na “mesa de jogo” contando com a sorte, investir alto em produtos que ainda não foram testados pelo consumidor (e até pelo próprio empresário) é uma péssima ideia.

Isso tudo sem citar a questão da moda responsável, e a realidade de uma empresa pequena muitas vezes composta por você e você mesmo. Não é fácil gerenciar uma produção. Mesmo quando terceirizada (meu caso), o criador precisa estar presente olhando o acabamento, conferindo os tamanhos, monitorando o aproveitamento da matéria-prima (a confecção não está preocupada como seu dinheiro, e eu senti isso na pele, ou melhor, no bolso) e muitas outras coisas. Reflita: Você consegue “dar conta” de grades e mais grades de modelos diferentes de produto, além de desenhar, comprar material, pensar no material gráfico, atualizar as redes sociais, prospectar clientes (…)?

Esses e muitos outros detalhes atropelados pela empolgação do sonho do negócio próprio fez com que ele se transformasse em algo bem amargo. E a culpa foi minha. Não foi do cliente, nem da confecção, nem da crise. A sabedoria foi pegar esse limão e fazer uma limonada, aproveitando o conhecimento adquirido em meus trabalhos posteriores ainda que em outras áreas da Moda.

Ninguém está livre de “dar errado” (e não há vergonha nenhuma nisso). Mesmo com todos os cuidados, há fatores externos que podem colocar a perder um negócio estruturado; mas o planejamento, a cautela e a humildade diminuem consideravelmente as chances de fracasso. Com esse texto espero que, de alguma forma, meus limões contribuam com a sua receita. Ainda tenho muitos para espremer aqui.

(Imagem:  tsuacctnt via Visualhunt)