Moda

Tênis: Marcas e modelos em alta

Nos pés de mulheres com diferentes estilos, os tênis mais cobiçados do momento unem conforto e versatilidade, mesmo quando o modelo não é tão básico. Tecidos e texturas diferenciadas, combinações de cores ousadas e estampas que roubam a cena não impedem que os modelos, e marcas, a vez componham visuais com diferentes peças para diversas ocasiões.

Embora tenha a marca tenha sido criada, na década de 1960, com foco em um público específico, o design atemporal dos tênis com solado vulcanizado, desenvolvidos para proporcionar maior aderência aos skatistas em suas manobras, conquistaram adeptos de diferentes estilos. O Vans Old Skool, ícone da empresa californiana e um dos modelos de tênis queridinhos do momento, foi lançado em 1976 e inicialmente chamado de Style 36. Ele foi o primeiro tênis Vans a contar com a listra lateral característica da marca. Atualmente, além dos populares Old Skool BlackWhite e Old Skool BlackBlack, o modelo conta com versões coloridas e estampadas.

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Outra marca norte americana que emplacou seus produtos nas últimas temporadas é a New Balance. A marca deu início à sua história produzindo palmilhas e arcos ortopédicos, sob prescrição médica, para a correção de problemas e alívio das dores de pessoas que trabalhavam o dia todo em pé. Da mesma forma, os primeiros tênis da marca foram produzidos sob encomenda para atletas com foco no conforto, característica essa que é aprimorada a cada dia com o avanço da tecnologia. Um dos modelos da vez, traz a cor do ano: Ultra Violet.

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Dona de um dos logotipos mais famosos do mundo, a Adidas registrou as clássicas três listras como marca comercial em 1949. O modelo Gazelle, lançado em 1966, foi originalmente desenvolvido para a prática esportiva e tornou-se um dos maiores sucessos da marca alemã. Na ocasião, existiam apenas duas opções: Gazelle-blau (Gazelle azul), um tênis para treinamento, e Gazelle-rot (Gazelle vermelho), desenvolvido especialmente para a prática de handebol. O tênis tornou-se um ícone de moda na década de 80, e desde então é relançado em diferentes materiais e cores. Já escolheu seu favorito?

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(Imagens: reprodução)

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Comportamento, Moda

O que vestir?

Nossa relação com o que vestimos é mais íntima do que imaginamos, mesmo quando não nos damos conta disso. Há quem diga que nosso visual conta “quem somos”. Particularmente, acredito que ele seja um reflexo mais próximo do “como estamos”.

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A imagem pessoal é valorizada no âmbito social e corporativo: já ouviu o conselho que diz para nos vestirmos para o cargo que desejamos ocupar independente daquele que ocupamos? Apresentar-se de forma a mostrar postura e visual condizentes com postos mais altos é uma boa estratégia, porém, a vontade de “aparecer” é o primeiro passo para ultrapassar os limites da adequação.

Uma imagem fake tem tudo para surtir o efeito contrário. Será que o seu visual não está revelando desequilíbrio e falta de personalidade ao invés de segurança e objetivo? Essa auto análise é extremamente importante em tempos onde grande parte das “inspirações” são donas de rotinas incompatíveis com o dia a dia da maioria das mulheres (para não citar a quantidade de “looks do dia” que são meros figurinos para foto).

Repleta de possibilidades, a moda oferece opções que abraçam elegância, segurança e conforto ao mesmo tempo. De nada adianta uma bolsa da moda “estufada” por não comportar suas necessidades diárias, ou um belo sapato de salto fino “machucado” pela calçada. Entre os clichês da Consultoria de Imagem, fico com o “compre roupa para a vida que você tem, não para a que deseja ter” que sabiamente contribui para a construção de um guarda-roupa prático e inteligente. Seja qual for o seu estilo, lembre-se que antes de gritar seus ideais ele precisa conversar, e se entender, com o seu modo de viver.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda

Plástico

Na passarela de importantes marcas e nos visuais de cantoras e atrizes, roupas, calçados e acessórios com vinil colorido ou plástico transparente ganharam as páginas das publicações e já começam a aparecer nas ruas. Há quem diga que 2018 será o ano desses materiais, que, aliado à mistura de estilos, traz um toque futurista à moda.

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W Korea (fevereiro de 2018)

Depois das capas de plástico acinturadas do verão 2017 da Lacoste, o verão 2018 da Chanel mostrou que o PVC pode ir muito além delas: chapéus, luvas e até a clássica bota bicolor da grife foram produzidas com material transparente. No Brasil, a mineira Mollet foi uma das marcas a incorporar o plástico em sua coleção de Inverno 2018, apresentada no Minas Trend, com peças oversized que misturam conforto e modernidade; enquanto no oriente o editorial First Impression, da W Korea (fevereiro de 2018), mostra que até mesmo os babados e laços do momento estão presentes em itens de plástico.

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Peças transparentes também podem atualizar o look quando usadas em sobreposição: que tal combinar saia de PVC com um vestido estampado? No Red Carpet, a atriz Zendaya apostou na sobreposição com saia transparente com pedraria e transformou o suéter básico em um visual moderno. Gostando ou não, não podemos negar que a irreverência, com materiais e misturas inusitadas, como as pulseiras de cristal sobrepostas às luvas plásticas no desfile da Chanel, chegou para ficar.

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(Imagens: internet)

Comportamento, Moda, TV & Cinema

Lady Di: Documentário e visuais inspiradores

Desde o anúncio de seu noivado com o Príncipe Charles, Diana Frances Spencer não mudou apenas sua própria vida, mas tornou-se um marco na história da monarquia britânica. O interesse da mídia por cada detalhe que a envolvia também alterou os rumos do que conhecemos atualmente como “jornalismo de celebridades”.

Lady Di ganhou o público e as páginas das revistas do mundo todo com seu comportamento não usual para um membro da família real. Diana gostava da proximidade com as pessoas e não costumava esconder seus sentimentos e emoções, características que fizeram com que as pessoas “comuns” se identificassem com ela, e motivo pelo qual, ao lado de seu envolvimento com causas sociais, ficou conhecida como “Princesa do Povo”.

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Ao longo dos anos, diversos documentários e filmes revelam essas e outras nuances de uma das mulheres mais importantes do século XX. The Story Of Diana, disponível na Netflix, é minha dica para o final de semana. Com comentários de pessoas do círculo íntimo da princesa, como seu irmão, seu motorista, e da estilista responsável pelo seu vestido de noiva, o documentário revela que Lady Di transformou radicalmente as regras estabelecidas entre a imprensa e a família real antes mesmo de formalizar sua união com o filho da Rainha Elizabeth: seguida o tempo todo qualquer ação cotidiana era alvo de cliques valiosos.

Quando a palavra “influenciador” não era tão popular, é inegável a influência de Diana dentro e fora do território britânico, seja pelas polêmicas que envolviam sua vida pessoal ou pelos visuais que trazem referências de Moda válidas (e usáveis) mais de vinte anos após sua morte em 1997. O blazer longo, que está em alta, completava diferentes visuais da Princesa de Gales fossem eles formais, com vestido e salto alto, ou casuais, com calça com a barra mais curta e sapatilha (tão atual!).

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As cores claras apareciam com frequência em seus looks. A produção (quase) bicolor com regata e calça branca + acessórios em preto / floral com o fundo escuro, o visual monocromático com a cintura marcada e comprimento midi (que, nos dias atuais pode ser de uma calça pantacourt), e a combinação de neutros com suéter off white, calça branca e bolsa caramelo são ideias que não envelhecem.

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Por falar em suéter, modelos amplos da peça combinados à calça justa são mais uma referência que tem tudo a ver com o mood confortável e com o mix de opostos do momento. Além dos lisos, modelos bordados ou com estampas divertidas faziam parte do closet da Lady Di: que tal a mistura de estampas do suéter com carteira floral para deixar a gola clássica “de cara nova”?

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Conhecer um pouco de sua história torna claro os motivos que fizeram a Princesa de Gales eterna dentro e fora da moda: referência de estilo e comportamento para as mulheres modernas, ela usou seu espaço para defender importantes causas e não sufocou seus sentimentos a fim de manter um casamento infeliz. Uma mulher de “ação, autonomia e autoridade” que jamais será esquecida.

(Imagens: reprodução)

Moda, TV & Cinema

SAG Awards 2018

Com mais cor e belos visuais em tons claros, o SAG Awards também trouxe muito brilho para a temporada de premiações. Nicole Kidman não abriu mão dele, e desfilou um modelo de mangas longas Armani Privé bordado do decote aos pés. Ao contrário, mas não menos “brilhante”, Halle Berry, de Pamella Roland, ousou no decote e velou a transparência com brilho e mais tecido na parte inferior do vestido.

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Um dos melhores looks do Tapete Vermelho também não poupou brilho: Lupita Nyong’o de Ralph & Russo. O vestido tomara que caia bem justo com cauda enfeitada por plumas dispensa muitos acessórios. A atriz deixou o colar de lado, e optou por um brinco médio e anéis que, assim como as unhas, trazem tons próximos ao do vestido.

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Do preto com prata ao preto com branco, outros dois visuais que roubaram a cena foram os vestidos de uma manga só de Mary J. Blige, e o modelo Dior de Natalia Dyer. Cabelo, maquiagem e acessórios sem exagero deixam todo o foco para o vestido preto e branco com a saia repleta de estrelas, luas e animais fantásticos: clássico, atual e jovem.

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Além do tomara que caia, modelos que vão de um ombro a outro prometem estar entre os mais pedidos quando o assunto é festa. No SAG Awards, Reese Witherspoon, de Zac Posen, e Molly Shannon, foram algumas das celebridades que optaram pelo detalhe em modelos monocromáticos. Mandy Moore também investiu na monocromia com um vestido Ralph Lauren da mesma cor da clutch. Embora com tecido estruturado, as alças finas e os cabelos soltos deixam o visual leve e delicado.

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O modelo J. Mendel, de Kristen Bell, é mais um vestido repleto de delicadeza. Unindo decote coração com cintura marcada e saia volumosa, e com maquiagem suave e joias clássicas, a atriz desfilou um dos visuais mais clássicos do evento.

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Entre os visuais clássicos também estão a pequena atriz Marsai Martin, com um vestido com saia volumosa e camadas, e Dakota Fanning, vestindo Prada. Dakota Fanning apostou na mistura de texturas, na maquiagem leve e nas joias pequenas. Quem disse que mulheres com a pele clara não ficam bem em tons claros de bege?

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Madeline Brewer foi mais uma a investir no visual nude, com um modelo Reem Acra. A parte superior do vestido, sutilmente transparente, deixa à mostra as barbatanas do corpete do modelo bordado com pérolas (que também estão no acessório de cabelo). O toque de cor ficou no batom e na sandália.

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Dois visuais brancos estão entre meus favoritos. Com plumas na região da cintura e delicados detalhes com brilho, o vestido Prada de Margot Robbie foi combinado à clutch prateada, joias pequenas e maquiagem neutras, e Allison Williams desfilou no Red Carpet com vestido, maquiagem e penteado dramáticos com referências vindas das décadas de 1920. Apesar do vestido Ralph & Russo ser rico em bordados e franjas, a atriz não dispensou vários anéis para acompanhá-lo.

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(Imagens: reprodução)

Moda, TV & Cinema

Golden Globes 2018

O 75° Globo de Ouro abriu a temporada de premiações em 2018 com um marcante ato contra o assédio sexual, em resposta às recentes denúncias envolvendo nomes da indústria da televisão e do cinema: elas vestiram preto. A luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres também foi abordada nos discursos durante a cerimônia, que certamente ficará marcada na história do evento.

No Tapete Vermelho, o desfile de looks pretos não foi nada sombrio: rendas, transparências e brilho marcaram visuais elegantes e dramáticos. Os ombros continuam em evidência. Tanto os modelos de um ombro só quanto o tomara-que-caia e os decotes ou detalhes que evidenciam essa parte do corpo são os mais escolhidos pelas estrelas.

Nicole Kidman, vestindo Givenchy Couture, e Penelope Cruz evidenciaram os ombros de maneiras diferentes optando por modelos que unem renda e brilho. Penelope Cruz acertou na escolha dos cabelos soltos e assimétricos, com os fios sobre um dos ombros, e na ausência do colar que ajudaram a valorizar o modelo Ralph & Russo.

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Natalie Portman, de Christian Dior, e Meryl Streep, de Vera Was, também deixaram o colo à mostra em vestidos que chamam a atenção pelo decote marcante; mas foi Angelina Jolie quem roubou meu coração com um decote fechado e mangas longas que mostram sutilmente o colo e os braços sob a transparência. O detalhe com plumas nas mangas dispensa outros acessórios, e deixa o vestido Atelier Versace ainda mais deslumbrante.

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Rachel Brosnahan, Jessica Chastain e Saoirse Ronan apostaram em vestidos elegantes com detalhes assimétricos. Rachel combinou o modelo Vionnet de um ombro só com brincos também “assimétricos”, deixando a peça menor ao lado do detalhe do vestido. No penteado, a atriz optou pelo coque clássico, compondo um visual que une de forma bem equilibrada o tradicional e o moderno. Jessica Chastain, de Giorgio Armani, completou o visual com seus já tradicionais cachos para um lado só e brincos grandes, enquanto Saoirse Ronan, de Atelier Versace, enfeitou o pulso sem manga com um bracelete largo.

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Kendall Jenner, vestindo Giambattista Valli, é a dona de um dos visuais mais poderosos do Tapete Vermelho do Globo de Ouro: o vestido tomara que caia com a saia volumosa e bem mais curta na parte da frente resultou em um look jovem e impactante ao lado do cabelo solto e despenteado + maquiagem leve.

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Outros dois belos tomara que caia vestiram Jessica Biel e Alison Brie. O tradicional decote coração, dos modelos Christian Dior e Vassilis Zoulias respectivamente, ganhou um toque atual nos looks de Jessica Biel, que mistura texturas, e no conjunto de top longo com fenda frontal e calça de Alison Brie, que não dispensou o colar clássico.

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Mas não foi apenas Alison Brie que apostou no conjunto. Claire Foy, Debra Messing e Maggie Gyllenhaal foram algumas das atrizes que optaram pela calça comprida. Claire Foy combinou o clássico conjunto de alfaiataria, Stella McCartney, com penteado sem volume e batom vermelho, enquanto Debra Messing, de Christian Siriano, e Maggie Gyllenhaal, de Monse, levaram a calça preta para o Red Carpet ao lado de tops longos cheios de brilho. No visual de Maggie, o colo à mostra abriu espaço para brincos bem longos. O inverso também não ficou de fora: Michelle Pfeiffer combinou blazer de alfaiataria com saia “de festa”. O look é Dior Haute Couture.

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(Imagens: reprodução)

Moda

A febre esportiva continua

Da corrida ao boxe, os esportes emprestaram elementos e materiais para a moda casual nas últimas temporadas, e nas próximas estações não será diferente. Com referências vindas do universo do ski, o editorial Ski Fever, da Vogue holandesa (janeiro de 2018), traz inspirações para começar a pensar nos visuais de inverno unindo o conforto do vestuário esportivo com itens de moda que prometem aquecer dias frios.

O xadrez, especialmente em suas versões retrô, é uma das apostas do ano. Para um visual moderno sem excessos, experimente misturar dois tipos diferentes da estampa com a mesma cartela de cores (as neutras são a opção mais segura). Como não poderia deixar de ser, o tricô aparece em modelos para todos os gostos: cropped para combinar com cintura alta e longo e volumoso para usar como vestido ou com calça bem justa.

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Jaquetas oversized e bem aquecidas não perdem espaço no editorial, elas aparecem em contraponto com o body, em uma brincadeira de peça volumosa x justa, e em composição monocromática com o tom de cor de rosa da vez: o Rosa Millennial.

O toque clássico da mini saia 60’s e padronagem argyle na meia-calça deixou a composição com tricô geométrico super atual e rica em referências. Uma ótima ideia para quem não tem medo de ousar.

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(Fotos: Carlijn Jacobs)

Moda, Negócios

Mantenha distância

A valorização do tempo para si e um certo afastamento do mundo “lá fora” caracterizam um comportamento de consumo identificado como Festa do Eu Sozinho, em estudo divulgado nos últimos meses do ano passado pelo portal Use Fashion. Diferente de um comportamento depressivo, aproveitar o silêncio e momentos consigo mesmo faz parte do estilo de vida desse consumidor, que ganha cada vez mais adeptos na rotina atribulada dos centros urbanos.

Na hora das compras, eles são avessos aos vendedores “atenciosos demais” e valorizam a autonomia de “sondar”, com liberdade de tempo e espaço, os produtos que lhe interessam. São pessoas propensas a consumir cada vez mais através do e-commerce, por oferecer uma loja que pode ser acessada do sofá de casa sem precisar interagir com ninguém.

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E por falar em sofá, esse é também o público de peças de roupa confortáveis que podem ser usadas dentro e fora de casa. Seu estilo não é necessariamente básico: referências esportivas, cores vibrantes e estampas ou frases divertidas tem tudo a ver com os convidados da “festa do eu sozinho”. Embora possam ser considerados “anti sociais”, esses exigentes consumidores são muito bem informados e não tem medo de novidades.

Como conquistá-los? Publicidade em excesso os incomoda. Além disso, são pouco influenciados pelo número de seguidores ou likes que a marca possui: valorizam conteúdo, seja nas redes sociais ou através de vendedores bem informados no ponto de venda, e possuem estilo próprio. Não será fácil chegar perto deles…

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda

O tal propósito

A relevância do conceito ajuda a assumir outro desafio da arte contemporânea: o de impugnar, criticamente o esteticismo banal da imagem que, com caráter de publicidade, entretenimento, pura comunicação ou espetáculo, amortece o potencial crítico da imagem, diminui seu alcance social e desativa a política do olhar“.

O trecho do curador da exposição Além da Fotografia, em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, Tico Escobar, é uma reflexão que, de fato, vai além da fotografia; por isso o escolhi para falar de moda. O tal “propósito” da moda e o movimento slow fashion, bastante discutidos pelos criadores contemporâneos, vai ao encontro da “relevância do conceito”: moda com propósito não existe sem um conceito relevante.

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Quem faz e veste moda com propósito pensa, cria e compra pautado em escolhas que vão além da estética, elevando, ao invés de, usando as palavras de Escobar, amortecer o potencial crítico da imagem (nesse caso. a roupa). Abordar o assunto, como criador ou consumidor, é abrir espaço para refletir, entre outras coisas, sobre diferença entre comprar a “mesma” (mesma?) camiseta branca no fast fashion ou em uma marca que oferece material diferenciado e produção transparente abrindo os olhos para o alcance social e político na hora de “fazer a conta“.

Longe de querer negar a publicidade, o entretenimento e o espetáculo, que também fazem parte da moda, a ideia é repensar o consumo impulsivo, além de avaliar o que é apenas “esteticismo banal” e os falsos propósitos que tornaram-se “pura comunicação”. Fazer uma leitura crítica do conceito é essencial para reconhecer onde moram os verdadeiros propósitos na moda atual e impugnar o que a reduz à mera futilidade. Que em 2018 a Moda esteja mais consciente. Consciente de verdade.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda

“Retrô” 2017 | Apostas 2018

A moda é, cada vez mais, um universo de infinitas possibilidades. Esse ano, por exemplo, foi marcado por acessórios impactantes e detalhes nada discretos, com aplicações e bordados, que repaginaram clássicos como o mule ou bolsas com design atemporal. Foi difícil não se apaixonar pelas alças estampadas, texturizadas e multicoloridas que elas ganharam (confira 100 modelos de bolsas das passarelas internacionais).

De mãos dadas com os anseios do nosso tempo, o moletom e as peças com shapes amplos, antes restritos ao guarda-roupa esportivo, firmaram-se na moda casual e circularam em muitos ambientes: com as rotinas cada vez mais agitadas, o conforto nunca esteve tão em alta. A preocupação com o bem viver estende-se ao importante debate sobre moda ética, e os criadores de moda e adeptos do movimento slow fashion ganham cada vez mais espaço. Na prática, referências de moda que misturam estilos e valorizam a personalidade de quem veste só contribuem para endossar o movimento: aderir aos itens customizados, garimpos de brechó e composições hi-lo é cool.

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Em 2018, o mundo fashion não deve recuar em ousadia. Reinventar e misturar é tendência! Além dos acessórios, que permanecem oversized, e das superfícies bordadas com pedras e paetês para usar inclusive à luz do dia, compartilho por aqui cinco apostas para o novo ano.

A cor do ano (e variações): A Pantone anunciou Ultra Violet como a cor de 2018, mas ao lado dela, outras tonalidades de roxo, em especial os tons claros como o lavanda, prometem colorir as próximas estações. Embora pareça difícil de usar, o roxo vai bem não só ao lado dos neutros: arrisque produções com uma cor contrastante e experimente brincar com o tom sobre tom.

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Fisherman bag: Não é de hoje que brilho e materiais rústicos estão dividindo espaço nas passarelas e vitrines, e o uso de elementos simples em artigos de luxo continua com tudo. Acompanhada ou não de uma segunda peça interna ou detalhes em couro, a bolsa “saco de pescador” tem tudo para despontar no próximo ano. Seguindo a ideia de levar consigo apenas o essencial, a fisherman bag vai bem com roupas leves e práticas como o macacão (outra aposta para 2018) e vestido longo, ao mesmo tempo em que pode atualizar com muito estilo o look da academia.

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Franjas: Antes relacionadas à visuais com referências rústicas, as peças com franjas já não estão mais restritas aos looks com toques étnicos. Multicoloridas para atualizar itens neutros, em peças retrô que remetem à década de 20 ou em jaquetas de couro que vão muito bem em visuais com mix de referências, não necessariamente ligadas ao mundo do rock, o detalhe não deve sair de cena em 2018, e está em roupas, bolsas, calçados e acessórios.

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Xadrez: Uma estampa que nunca sai de moda entra na lista de apostas com destaque para suas versões retrô: o xadrez “miúdo” em peças clássicas, como blazer e calça de alfaiataria, é o xadrez do momento. Nada caretas, as calças são uma ótima peça para tirar a t-shirt do lugar comum ou coordenar com tops florais (aliás, os florais retrô também estão na moda), e os blazers longos são o complemento perfeito para vestidos, saias e shorts curtos.

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Calçados com fivela: Mais um item com toque retrô da lista, os calçados com fivelas grandes já começaram a aparecer nas vitrines de marcas nacionais e internacionais. De sapatos que parecem ter saído de um filme antigo, ótimos para combinar com peças modernas, aos modelos que misturam materiais e detalhes da temporada, há opções para diferentes estilos. Uma boa pedida para deixar visuais básicos super atualizados.

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(Imagens: internet)