Comportamento, Moda, Moda consciente

O quanto seu look sabe sobre você?

Descobrir seu estilo não é fácil. Mantê-lo e repaginá-lo com o passar do tempo também não. Mudanças em nossas vidas e rotinas, sejam relacionadas a um novo estado civil, mudança de cargo, empresa ou ingresso no mercado de trabalho, pedem uma nova versão de nós mesmas. Mudar renova as energias e se a roupa fala sobre quem somos é interessante que o que vestimos amadureça ao lado do nosso “discurso”.

Atualizar o guarda-roupa é tão importante quanto mapear seu estilo, e não significa gastar muito a cada mudança de estação: quanto mais coerente e “bem resolvido” ele é, menos irá gastar. A quantidade de informação de moda a qual estamos expostos o tempo todo pode levar ao consumismo e à velha sensação de não ter nada para vestir mesmo quando o guarda-roupa está abarrotado. E é por isso que divido por aqui, utilizando exemplos pessoais, alguns truques para reformatar seu estilo sem descartar tudo ou perdê-lo no meio do caminho.

Vale deixar claro que construí essa publicação usando o meu guarda-roupa como exemplo, e que, peças que cito como itens que já não cabem no meu estilo podem perfeitamente representar o seu. Essa publicação não tem como objetivo criar listas de certo e errado ou afirmar quais peças pode-se ou não usar em cada idade.

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Experimente novos materiais, detalhes e composições.

• Novos materiais

Manter ideias que funcionam em seu dia a dia com novos materiais é a primeira dica para reformular e amadurecer seu estilo. As t-shirts, por exemplo, trazem para o visual um toque descontraído e atual com o qual me identifico. Porém, as estampas das camisetas de malha dos meus 18 anos já não combinam com a calça de alfaiataria que uso agora, ao mesmo tempo em que passam uma imagem juvenil demais para o meu momento quando as combino com tênis. Trocar desenhos com cores contrastantes por estampas onde predominam as cores neutras e investir em peças confeccionadas em materiais mais nobres ao invés da tradicional t-shirt de malha foi uma das minhas “decisões de moda”.

A escolha dos tecidos tende a evoluir com o estilo que, com observação, estudo e o passar dos anos, fica cada vez mais sólido. A partir do autoconhecimento e da consciência sobre o consumo, vale investir em peças chave (do seu estilo pessoal, e não daquela lista na revista) com materiais melhores, mesmo que mais caros. Essas peças, com maior vida útil, estarão para sempre em nosso closet. Experimente trocar três ou quatro blusas de fio sintético por um cardigã 100% lã, por exemplo.

• Cores que combinam, shapes que valorizam

Não foi uma só vez que comprei peças por encantar-me com uma de suas características sem pensar nas demais. Um bom exemplo é uma saia com uma estampa que “me representa” mas com uma modelagem que não valoriza o que desejo destacar. Além disso, desapeguei de itens que, embora falassem sobre o meu estilo, tinham cores que não combinavam com o meu guarda-roupa como um todo, e que por isso passaram um bom tempo sem uso.

Nesses casos outra alternativa é partir para a costureira mais próxima e ajustar a peça. Encurtar uma barra, adicionar uma faixa (ou tirar) na cintura de um vestido ou transformar uma calça cuja modelagem não lhe agrada, mas tem um tecido excelente, em um short, são algumas ideias. Mas cuidado! Conte com a ajuda de um profissional experiente para orientá-la sobre as transformações possíveis: infelizmente nem todos os materiais ou modelagens podem ser transformados.

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Ajuste o que fica, desapegue do que não faz mais sentido.

• Mesmas referências, novas escolhas

Referências retrô são bastante presentes tanto no meu guarda-roupa como na decoração da minha casa. Aos 16, lembro-me que tinha quatro ou cinco blusas, em cores diferentes, que uniam gola redonda, mangas bufantes e poá. Elas continuam servindo no tamanho, mas chegou um momento em que essas peças não dizem mais sobre quem eu sou. Em um nova fase, mantenho a essência das inspirações de forma mais sutil: as bolinhas estão em peças com modelagem assimétrica e as flores pequenas saíram das saias rodadas para vestidos retos estampados com fundo neutro, por exemplo.

Criar novas combinações para peças antigas também vale quando o item ainda diz sobre você: A calça de onça que era combinada a uma sapatilha em tom pastel agora anda por aí com um tênis preto, por exemplo, para uma imagem mais moderna e que une referências antigas com novos “códigos” e tendências que refletem o que sou hoje. A sapatilha também não precisa ir embora, e pode ganhar um novo look para completar.

(Imagens: internet)

+ | Quer ajuda para repensar e/ou amadurecer seu estilo? Confira a série de posts Aprimorando o estilo (o primeiro é esse aqui) e participe do workshop Estilo é pessoal.

Moda, Moda consciente

Não saia por aí fazendo roupa

Gosto muito quando são anunciados eventos de Moda em Curitiba. Convido profissionais que conheço e gosto de divulgar aos amigos, de dentro e de fora da área, marcas e produtos interessantes produzidos aqui.

Mais que gostar de itens diferenciados feitos com matéria prima de qualidade e baixa tiragem, há pouco menos de um ano optei por conscientizar meu guarda-roupa evitando produtos de fast fashion. A ideia de substituir produtos com procedência duvidosa pela moda ética é boa (e continuo a favor dela), mas, além de reservar um espaço para discursar sobre o quão mal as grandes redes fazem para o planeta e para as pessoas, nos encontros entre amigas também abri a cabeça para ouvir os argumentos que as levam a optar pelas lojas de departamentos.

As pessoas estão sim dispostas a pagar mais por um produto produzido localmente, desde que ele tenha, além de ética, a qualidade e o diferencial que se espera. Diversas marcas nacionais e locais estão vendendo “Forever 21 à preço de Chanel”, com bem disse a mãe de uma amiga. Tecidos ruins, acabamentos mal feitos, despreocupação com a modelagem. Não é a toa que, ao ministrar um workshop sobre negócios de Moda em Curitiba no ano passado, o consultor Reginaldo Fonseca, da Cia. Paulista de Moda, avaliou alguns novos criadores nacionais como “preguiçosos” (sem citar nomes, obviamente). Não é exagero. E preciso concordar com eles. E explico o porquê com dois exemplos práticos que vivenciei em Curitiba recentemente.

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Ano passado, interessada em visitar um evento de marcas locais, fui até o local logo no primeiro dia (eram três) e cedo (meia hora após o horário de abertura divulgado). Quando cheguei ao endereço, senti-me um pouco intimidada para entrar: não havia nenhum tipo de comunicação na porta e um silêncio lá dentro. Entrei. E avistei um único criador de Moda atendendo para uma outra marca (“a fulana ainda não chegou”), além da sua própria, três pequenos espaços com produtos e um espaço, destinado a uma marca de acessórios, vazio. “O pessoal dessa marca ainda não chegou, acho que eles vem mais tarde”.

Gente! Vem cá! Papo de amiga! Que amadorismo é esse? A partir do momento que se propõe a participar de um evento, estar lá antes do horário de início (para limpar, organizar, dobrar, acariciar, “dar um cheiro” nos seus produtos com todo aquele amor que te move) é o MÍNIMO que se espera de um profissional. Duas da tarde é cedo demais? Não tem público para esse horário? Então NÃO ANUNCIE um evento para esse horário!!! Não é possível que alguém “não tenha pensado nisso antes”!

Além disso, é inadmissível que alguém que quer divulgar e apresentar sua marca aos consumidores, seja ela nova ou já tradicional, grande ou pequena, deixe o estande na mão de outra pessoa durante um evento (du-ran-te, porque eu não pulei o muro fora do horário de funcionamento). Na hora de fazer o discurso que justifica os preços mais altos que o das peças made in China em suas redes sociais todos estão afiadíssimos. Mas quando o cliente chega ao espaço da sua marca, interessado em comprar e saber mais sobre o produto, o criador não está lá. E aí? “Como faz”? Isso sem contar o desprazer que é chegar em um estande de marca local e ter que elaborar uma entrevista para descobrir o produto, pois o criador permanece sentado entretido em seu bordado. Galera, no estande tem que atender!!!

Qualidade é um conjunto de fatores: matéria-prima, acabamento, comunicação da marca, atendimento… E é justamente no atendimento que o criador passará por um processo fundamental para a construção de uma marca com qualidade e sucesso comercial: OUVIR seu público. O que ele procura, o que ele gosta, o que ele achou bonito, o que ele criticou. Por mais brilhante e criativo que seja, um designer não constrói uma moda plus size eficiente quando nega o argumento de uma mulher plus size (coisa que eu vi acontecer em workshop de moda em Curitiba).

Esses e outros fatos sempre me deixaram bastante pensativa sobre como os criadores estão pensando em construindo suas marcas. E essa semana, em mais um evento de Moda (eis o segundo exemplo), acho que descobri um dos motivos.

Em um debate com convidados para falar de Moda, com muitos estudantes entre os presentes, uma convidada incentivou a criação de novas marcas. Ótimo, concordo. Mas o discurso que veio a seguir é, para mim, bastante irresponsável. Para ela, os criadores locais estão “muito tímidos”, e se você tem vontade fazer “vai lá e faz”! Quer fazer camisetas? “Pegue um empréstimo” e faça logo uma grande variedade de peças, “faça várias estampas, várias modelagens”, “faz curta, faz comprida, faz larga”. E é assim que os criadores estão pensando, ou melhor, NÃO PENSANDO suas marcas. É o que os estudantes estão ouvindo. E fazendo.

Respeito diferentes formas de pensar. Mas registro aqui meu choque e minha opinião radicalmente conta essa fala. Já fui dona de marca, de loja e já estive nos bastidores de uma das maiores varejistas de moda do país. E meu conselho para quem deseja construir uma marca de Moda competitiva, consistente e de sucesso resume-se a um só: Não saia por aí fazendo roupa!

É preciso PENSAR uma marca de Moda. ESTUDAR. Pensar de novo. AVALIAR o orçamento (inicial e para os próximos passos). Reavaliar o orçamento. Estudar mais um pouco. Fazer uma peça piloto. Lançar a peça. SENTIR o mercado. OUVIR o consumidor. Repensar a marca. Estudar de novo. Repensar modelagem. Replicar os acertos. Ajustar os erros. Construir a identidade da marca. Unir o conceito e estilo do criador ao anseio do público (você faz para o outro, e suas roupas precisam ir além do seu “gosto”). Estudar. Estudar mais (a vida inteira). Fazer mais um pouco. Aprimorar detalhes. Ouvir o consumidor mais uma vez (e nunca parar de ouvir). Pensar na etiqueta. Na embalagem. Nas imagens de divulgação. Estar em eventos como consumidor. Participar do seu primeiro evento (participar, não apenas colocar seus produtos lá). Ouvir. Estudar os resultados. Aumentar as variações do produto. Repensar. (Finalizo o parágrafo aqui, mas na prática isso não deve acabar nunca).

Não é timidez. É responsabilidade! Não apenas com a sua marca, o seu nome como profissional e com os recursos financeiros (se sobra na sua conta bancária, vale refletir sobre a situação de muitos outros que estão ao seu lado). Mas também com os recursos naturais do planeta! Imagine como aumentaremos o desperdício e o descarte de peças se todo criador “sair fazendo” grades enormes de roupas sem saber se vão funcionar comercialmente? Sem parâmetros de aceitação, sem testar na “vida real” as primeiras ideias e desenvolvê-las com consciência? A moda responsável acaba sem nem começar.

(Imagem: goMainstream via Visualhunt)

Comportamento, Marketing & VM, Moda, Moda consciente

Consumo consciente? Fast fashion se destaca em momento de crise

Essa semana o site O Negócio Do Varejo publicou uma matéria sobre o comportamento de consumo no período de recessão. Os dados compartilhados pelo O Negócio do Varejo mostram o que o consumidor de produtos do vestuário está buscando, e como esses anseios refletem na escolha do canal de compra. O aumento da relevância das lojas de departamento, na contramão dos movimentos de slow fashion, é justificada por essas preferências.

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Com relação ao design dos produtos o consumidor mostra-se atraído por peças “jovens, despojadas e diferentes”: “Em 2014, 36% dos consumidores informaram que, na última compra, haviam adquirido peças básicas, 17%, jovens, 13%, despojadas e 10%, diferentes. Neste ano, o percentual que se refere a roupas básicas caiu para 30%, subindo os de roupas jovens (27%), despojadas (18%) e diferentes (15%)”. Inovação e diferenciação são apontadas como características que atraem o consumidor, o que os levaria a optar pelas redes de fast fashion e suas araras sempre repletas de novidades.

Em uma análise pessoal, quando fala-se em inovação e diferenciação como pontos importantes na escolha de um item de vestuário, entendo que as lojas de departamento representam o oposto. Além de comercializar produtos com design pouco diferenciado, tanto no ponto de vista estético como em relação às coleções anteriores e às outras redes, os produtos em larga escala não atendem à necessidade de diferenciação. Porém, é importante interpretar esse dado como uma menor preocupação com a qualidade dos produtos: com o fator “novidade” como prioridade no processo de decisão de compra, é justificável o crescimento do fast fashion onde por um preço mais baixo é possível adquirir uma peça com durabilidade suficiente, não necessariamente longa, para ser substituída em breve por um novo modelo.

A conveniência é outro fator que faz com que as lojas de departamento saiam na frente. Segundo Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), na matéria citada, “o fato de as redes terem produtos para toda a família e para a casa é conveniente para os clientes”. Atreladas à conveniência, a informação e a experiência aparecem como itens observados pelo consumidor. Ações em redes sociais com sugestões de looks, por exemplo, e o “encantamento do espaço da loja” estão cada vez mais relevantes. Nesse aspecto, o alto investimento das redes de departamento aumenta sua vantagem competitiva com relação aos pequenos negócios.

Para fazer frente à isso, a dica do consultor de varejo Michel Cutait, é “melhorar o atendimento, o relacionamento com os clientes e criar ambientes capazes de atrair o cliente e concretizar a venda”. Além disso, acrescento a importância do cuidado com os detalhes, como limpeza e manutenção da estrutura do ponto de venda, e da busca por informação de Moda para reinventar o visual do ponto de venda todos os dias através de novos formatos de exposição e de um styling atraente.

(Imagem: Visualhunt)

+ | Texto de minha autoria originalmente publicado no blog da Cena. Entre em contato para informações sobre produção de moda, styling e consultoria de visual merchandising para empresas de Moda.

Moda, Moda consciente

Dolce & Gabbana e inspirações para customizar

Depois dos patches e bordados florais do verão, broches e aplicações confirmam sua presença, cada vez mais forte, ao lado deles nas passarelas e vitrines de inverno. Os detalhes ganharam brilho. Patches  e apliques com brasões dourados e bordados em pedrarias ou paetês enriquecem ainda mais composições com tecidos de lã e veludo e atualizam o jeans. Vai aderir a essa moda? Ao invés de comprar, customize.

Inspirações não faltam no styling de inverno da Dolce & Gabbana, apresentado em Milão. Da passarela da grife italiana, uma ideia e tanto para renovar o vestido preto: botões em diferentes tamanhos e modelos, na peça toda ou ao redor do decote.

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Os botões também aparecem no jeans da grife, assim como bordados com paetês. A proposta é maximalista, e as calças jeans cheias de detalhe estão ao lado de jaquetas tão poderosas quanto + t-shirt + mix de colares.

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Mais sutis, as aplicações podem estar nos calçados ou bolsas. Experimente trocar a fivela de uma sandália antiga, por exemplo. Outra ideia é trocar os botões básicos da camisa branca por botões diferenciados ou, com uma fita de veludo, fazer um laço sob o colarinho. Itens simples e um bom acabamento garantem roupas renovadas, informação de moda ao visual e menos consumo. Já escolheu uma peça do seu guarda roupa para transformar?

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(Imagens: reprodução)

Moda, Moda consciente

Não queremos só trabalhar com Moda. Queremos (e precisamos) sobreviver dela.

Semana passada, antes da polêmica envolvendo o site da Lilian Pacce tomar conta das redes sociais (leia aqui a matéria do Estadão), estava procrastinando no Instagram quando me deparei com um anúncio de estágio para Design de Moda em Curitiba (coisa rara de se ver). Interessada em indicar a vaga a uma estudante que conheço, fui me informar sobre ele. Suas funções, estagiário, serão assistente de corte, assistente de modelagem, acabamentos e finalização de produto em geral, mas você não receberá nada por isso. Um “estágio voluntário”. Termo depois alterado para “estágio curricular”, mas sem alteração alguma na sua conta bancária no fim do mês.

Com funções de costureiro(a) assistente, ou seja, uma das funções mais importantes na produção de um produto de moda (sem costureira não tem produto), o estagiário presta seus serviços gratuitamente a uma marca com fins lucrativos. Lembra aquele papo sobre exploração de mão de obra na China? Como bem posicionou esse post do site Não Combina, ela não está tão longe quanto se imagina. (Teve rima).

Quando falamos em consumo consciente vale ressaltar que, por essas e outras, é preciso ficar de olho em quem faz nossas roupas. Não é só fast fashion que explora. Tem marca local que é “farinha do mesmo saco”. Que gera lixo desnecessário, que não descarta resíduos corretamente, ou que lucra pagando muito pouco (ou nada) pelo trabalho alheio. Não é exagero, não é “mimimi”, é exploração de mão de obra. É!!!

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Lendo os comentários sobre o caso do estágio não remunerado para cobrir a São Paulo Fashion Week para o site da Lilian Pacce, alguns argumentam que “existem momentos profissionais  que dinheiro nenhum paga”, ou que “experiência não tem preço”. Concordo. Tive momentos profissionais que dinheiro nenhum paga. Mas, apenas para chegar ao local do trabalho e realizá-lo com energia (produção de Moda, por exemplo, exige muita!) até o fim da tarde, coloco na conta o transporte e duas refeições. Meu “momento profissional” não era aceito como forma de pagamento no transporte público ou restaurante. E, se não estou muito desatualizada, ainda não é. Essa conta superficial é só o começo: pagamos para estudar (mensalidades + livros + materiais caríssimos) e, consequentemente, adquirir conhecimentos para estagiar em cantinhos divertidos e coloridos.

Com o estágio aprendemos. Mas também deixamos na empresa o conhecimento que pagamos ($) para receber na faculdade onde chegamos através de um meio pago ($) de transporte e que concluímos apresentando trabalhos e provas que exigem a compra (olha o dinheiro de novo aí, gente) de materiais para serem realizados(as). Resta saber quem vai se voluntariar a pagar (não tem como fugir di$$o) essa história toda.

Queremos trabalhar com Moda. E queremos também, ou melhor, precisamos, sobreviver dela. Marcas, e empresários, respeitem os profissionais responsáveis pela sua existência. Consumidores, invistam em moda produzida com ética.

(Imagem: Visualhunt)

Arte & Literatura, Comportamento, Cultura, Moda, Moda consciente

A vanguarda do ficar, de Paulo Leminski, para repensar a Moda

Dias atrás li um ensaio do Paulo Leminski chamado A vanguarda do ficar. Bem alinhado com uma nova forma de pensar a moda, o texto fala sobre contrariar o que o autor chama de “mudançolatria”.

Quando Leminski afirma, brilhantemente, que “as modas, com sua velocidade paranoica, estão aí para nos consolar da impossibilidade da uma mudança realmente radical das coisas” ele explica a raiz do consumo excessivo: uma válvula de escape para outras frustrações. E quando o autor coloca a arte como sendo um espaço de equilíbrio, onde “vencem sempre os artistas que não mudam“, é possível traçar um paralelo com a forma como entendo a moda: uma maneira de expressão particular através das roupas, que, parte da nossa identidade, não precisam ser substituídas a cada estação.

O que isso quer dizer é que quando somos artistas que “prosseguem fiéis a um projeto original“, ou seja, ao nosso estilo pessoal bem entendido e bem resolvido, deixamos de lado a “mudançolatria”. Só assim é possível mudar o modo como nos relacionamos com a moda e, consequentemente, a forma como consumimos. Não é sobre abandonar a moda, mas sobre saber utilizá-la apenas como acessório para um “mergulho para dentro do maravilhosamente imutável achado perpétuo, aquela coisa, enfim, que justifica uma vida“.

Deixo-os com o ensaio de Leminski e com a certeza de que esse tema ainda vai render muito assunto por aqui.

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A vanguarda do ficar (Paulo Leminski)

“Esse mundinho explosivo em que vivemos parece favorecer uma certa “mudançolatria”, um culto fervoroso a tudo que seja novo, ou, pelo menos, pareça novo.

Nem vamos insistir no uso abusivo que a publicidade faz da palavra “novo” para qualificar positivamente um produto ou um processo que se quer vender ao respeitável público. Sabemos que, na maior parte dos casos, é um “novo” só de fachada, de aparência, uma apropriação indébita do conceito de “novidade”, já que nosso mundo parece produzir cada vez mais o mesmo tipo de coisas, para obter o mesmo tipo de resultados, da Washington a Moscou, de São Paulo a Pequim, de Havana a Pretória.

O ritmo supremo, a missa dessa Mudançolatria, é esse gesto coletivo chamado “moda”, consagração do efêmero, consagração do passageiro, vitória do tempo sobre o ser. O verde-musgo, campeão da última “saison”, é um cacófato imperdoável na “saison” seguinte, quando o amarelo-ouro e o roxo-crepúsculo reinam soberanos. Os abrigos esportivos, chiquérrimos há um ano, agora são quase uma grosseria, coisa de repertórios decididamente atrasados. A montanha russa entre as coisas “in” e as coisas “out” não pode parar.

Tudo isso está intimamente ligado a um dos mitos mais caros da nossa civilização, o mito do “progresso”, balela inventada por essa classe social que sempre confundiu avanço da humanidade com a prosperidade dos (seus) negócios.

Claro que essa “mudançolatria” só tem vigência no microuniverso dos detalhes, uma vez que os quadros gerais prosseguem sempre os mesmos. É como se a moda, a onda, como se diz, fosse as migalhas da mudança, que realmente mudaria tudo, a vida, as pessoas e as relações entre as pessoas. Em alguns terrenos, as mudanças teriam consequências tão graves que o mais sábio é deixar tudo como está. Inovações tecnológicas, por exemplo, são catastróficas.

Não é segredo para ninguém que a gasolina já poderia ter sido substituída por alguma outra fonte de energia para mover máquinas e motores, caminhões e automóveis. Mas as consequências econômicas e sociais dessa substituição em desemprego, desativamento de parques industriais imensos, decadência de regiões agora prósperas, revoluções de hábitos, nenhuma sociedade tem recursos para fazer frente a uma mudança desse porte. As modas, com sua velocidade paranoica, estão aí para nos consolar da impossibilidade da uma mudança realmente radical das coisas.

Mas existe um território onde a avidez pelo novo pode se exercer sem convulsões sociais extremas. É a chamada “arte”, território, aliás, que nem os mais hábeis cartógrafos culturais conseguiram delimitar em fronteiras reconhecíveis. Na arte, os conceitos de velho e de novo ganham a arena perfeita para os jogos de gladiadores que a Mudançolatria exige. A luta entre os estilos, a guerra entre as tendências, os conflitos entre as escolas, a arte, toda a arte, é uma das artes marciais. Mas não nos iludamos com tanta belicosidade.

É na arte que se restabelece o equilíbrio. Num mundo de tantas mudanças, na arte, por exemplo, vencem sempre os artistas que não mudam. Que prosseguem fiéis a um projeto original. Sonâmbulos de uma miragem primordial. Cegos e surdos a todos os apelos, como Ulisses, de ouvidos tapados, passando diante da ilha das Sereias. É nas horas em que eu penso essas coisas que me lembro de João Cabral de Mello Neto, um poeta que nunca mudou. Cabral descobriu o Brasil, João Cabral descobriu o cristal. E cristais João Cabral vem concretando há mais de trinta anos. Igual. Idêntico. Impecavelmente idêntico a si mesmo.

O próximo nome que me ocorre é, claro, o outro João, o Gilberto, igualmente igual a si mesmo, ao longo de décadas, perseguindo sempre o mesmo som, o mesmo som dentro do som, o mesmo som dentro do mesmo som. Cansei de ouvir, “João não muda”. Que bom! Não muda, João!

Outro é Jobim. Tem uma coisa no Maestro Antônio Carlos que é uma demanda do santo graal, um mergulho para dentro do maravilhosamente imutável achado perpétuo, aquela coisa, enfim, que justifica uma vida. Tiro Jobim, e coloco os Stones. “Os Rolling Stones é sempre a mesma coisa”, vivo ouvindo o pessoal reclamar. Bobagem. Que importa que sejam sempre a mesma coisa, se são inimitáveis, como Jorge Ben e Dalton Trevisan, dois outros imutáveis?

Enfim, este abraço vai para todos vocês que não mudam, que teimam numa nota só, que batem sempre na mesma tecla, que usam sempre a mesma palavra, que pensam sempre a mesma coisa. Ninguém consegue aprimorar a forma do ovo. Ninguém consegue melhorar o gosto da água”.

(Imagem: Visualhunt)

Comportamento, Moda, Moda consciente

O rótulo da roupa: Qualidade, conservação e mais um pouco

É comum ler o rótulo dos alimentos antes de comprá-los, mas poucas pessoas preocupam-se em ler o “rótulo” das roupas. Atentar-se à etiqueta é fundamental para consumir moda de forma consciente: nela estão informações sobre tecido, conservação e origem do produto, itens importantes para conhecer sua qualidade e real valor.

Ler o rótulo das roupas nos leva a comprar de forma mais assertiva, e a avaliar se o preço da etiqueta é justo independente do nome da marca estampada nela. Da mesma forma que é possível encontrar peças de qualidade a preço acessível, não são poucas as grifes vendendo “poliéster por algodão”. Marca não atesta qualidade! E é na etiqueta que encontramos as informações para avaliar se o produto irá, de fato, valer a pena.

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Importante! Quando abordo o tema qualidade X quantidade percebo um equívoco com relação ao primeiro termo. Qualidade não diz respeito apenas ao tempo em que a roupa permanece em bom estado, uma vez que a durabilidade dos itens de vestuário depende de uma série de fatores. Uma peça pouco usada, e consequentemente pouco lavada, por exemplo, pode durar um tempo considerável mesmo tratando-se de um produto de baixa qualidade. Por isso, é importante pensar em qualidade como um conjunto de bom tecido, acabamento e modelagem bem feitos e vida útil.

Roupa boa no closet, hora de cuidar dela. Observe os dados, importe-se com o comportamento dos tecidos e procure entender a simbologia da etiqueta (tem tabela disponível para download aqui) para conservar suas peças. Afinal, mesmo os itens de qualidade dependem do uso responsável para permanecer em bom estado: matérias-primas, como a seda, exigem cuidados especiais; assim como modelos com aplicações ou técnicas diferenciadas de tingimento podem restringir o uso de alguns produtos no momento da lavagem.

Por fim, informe-se sobre a origem! “Tudo na vida tem seu preço”, e, independente do posicionamento pessoal de cada um, o importante é estar ciente do verdadeiro custo do que consumimos. Sempre é tempo de repensar se trocar três ou quatro produtos de R$ 49 reais, produzido a alto custo humano, por uma peça monetariamente mais cara com origem transparente é mesmo tão difícil.

(Imagem: Leafcutter Designs)

+ | Dica de leitura: A matéria do The Uniplanet, publicada no dia 17 desse mês, sobre a jornada de trabalho das crianças em Bangladesh.

Comportamento, Moda, Moda consciente

Liquidação: Será que vale a pena?

Começa o ano e com ele as liquidações de verão. Etiquetas vermelhas e descontos progressivos costumam atrair as consumidoras para as lojas, porém, o período de remarcações pode ser perigoso: itens que ficarão encostados, peças em mau estado e descontos enganosos costumam estar entre as peças promocionais. Será que vale mesmo a pena?

As consultoras de imagem Márcia Caldas Vellozo Machado, Fernanda Delgobo e Elisa Kohl colaboram com a coluna de hoje e apontam alguns cuidados que devem ser tomados antes de passar no caixa, principalmente com relação à necessidade e estilo.

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Antes de tudo, pergunte-se se esse item é indispensável no momento e se realmente combina com seu estilo pessoal, afinal, nem todas as tendências tem a ver com o nosso guarda-roupa. Fernanda Delgobo considera a liquidação de verão bastante perigosa e orienta suas clientes a evitar compras nesse momento. Segundo Fernanda, “não irão achar nada que não acharão depois ou que seja tão imprescindível no guarda roupa”.

Para Márcia Caldas Vellozo Machado, além da importância de avaliar se a peça comunica-se com outras que você tem e se o modelo ainda tem fôlego quando o assunto é moda, ou seja, se ainda estará em alta no próximo ano, vale a pena ficar alerta para peças de temporadas anteriores que “frequentam as araras de 2016” nos períodos de saldo. Considere também o motivo pelo qual a peça ainda não foi vendida, pois ela pode apresentar problemas de modelagem, ter sido confeccionada em uma cor difícil de combinar, estar com um preço que não corresponde à qualidade do tecido entre outros fatores.

Com cautela e atenção a todos esses itens, Elisa Kohl sugere que suas clientes confiram as liquidações “como um teste pra si mesmas”. Para Elisa, há a possibilidade de encontrar algo que realmente valha a pena. Itens básicos, com matéria-prima de qualidade e que façam sentido dentro do seu guarda-roupa podem ser uma boa ideia. Bolsas e sapatos em tons escuros e materiais resistentes, por exemplo, costumam ser boas aquisições, mas deixo um alerta com relação aos descontos progressivos: 10% de desconto a mais no modelo que gostou não justifica a compra de uma peça que ficará “encalhada” no closet. Encontrou um desses achados?  Márcia acrescenta uma dica de ouro: verifique onde o item foi confeccionado e apoie a moda ética.

(Imagem: Visualhunt)

+ | Texto de minha autoria originalmente publicado no blog Palpite De Alice, no site do Viver Bem / Gazeta Do Povo.

Comportamento, Moda, Moda consciente, Opinião

Fast fashion, o plástico e a bolha

Mês passado compartilhei por aqui uma matéria (e três videos) sobre a poluição ambiental causada pelas indústrias de Moda na China. A China está em estado de alerta, e pretende frear a produção têxtil irresponsável. Enquanto isso, marcas internacionais procuram “outros países com farta mão de obra barata e custos baixos como Bangladesh, Índia, Marrocos, Vietnã, Turquia e agora África para fabricar seus produtos”.

O Brasil, apesar de discretamente, já produz para empresas multinacionais de fast fashion. Como são tratados esses resíduos em nosso “solo fértil” eu não sei (apesar de poder imaginar), mas fui testemunha ocular da quantidade de plástico que é descartada diariamente por uma grande rede em Curitiba e São Paulo.

Para garantir a chegada de seus brincos por R$ 5,90 intactos ao nosso país, a empresa o coloca dentro de um pequeno saco plástico. Cinco pequenos sacos plástico, cada um com um par de brinco, são colocados dentro de um outro saco plástico maior. Cinco sacos plásticos maiores são colocados dentro de mais um saco plástico, agora médio; e depois cinco sacos plásticos médios são armazenados em mais uma embalagem plástica grande e assim sucessivamente. É uma matrioska de sacos plásticos!

Usei o exemplo dos brincos, mas é dessa forma que são embalados grande parte dos produtos que abastecem as lojas da rede. Plástico, outro plástico, e mais um plástico dentro de outro plástico. São retirados, diariamente, sacos e mais sacos plásticos de cerca de 1 metro de altura contendo… outros sacos plásticos! E, sim. Eu disse diariamente. É claro que os produtos precisam de uma embalagem, mas é realmente necessário tanto plástico? Já vi aparecer, inclusive, dois sacos plásticos embalando apenas uma peça.

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Mas “nessa de conversar” sobre fast fashion e contar a história do plástico, percebi que há um problema maior que o plástico: a bolha. Muitos consumidores se agarram a qualquer argumento (furado) para justificar as práticas abusivas dessas indústrias. E isso vai de dizer que comprar no fast fashion é a única opção para elas, ao absurdo de achar que tais empresas fazem o bem (!!!) para uma população onde ganhar $1 trabalhando em condições deploráveis e com uma carga horária desumana é melhor que não ganhar nada (o quão desumano é esse pensamento?).

Resumindo: não adianta resolver o problema do plástico (que aqui representa o impacto ambiental), enquanto as pessoas permanecerem na “bolha”. O meio mais eficaz de, ao menos começar a, mudar o cenário é através de quem consome fast fashion.

Lendo sobre marketing de Moda no livro Vítimas da Moda?, de Guillaume Erner (livro esse que foi uma das bases do meu TCC, e que recomendo hoje e sempre), sublinhei um texto com o qual encerro esse post. Apesar de não tratar diretamente sobre o tema, ele reforça o poder do consumidor em toda essa engrenagem. Eu e você, “autores anônimos”, só precisamos querer.

“O mundo da moda se destaca pela atenção que dá às distinções. Desde o lugar ocupado em um desfile até a preocupação de algumas maisons com a clientela aristocrática, esse universo prolonga de forma artificial o mundo das castas. (…) Seu erro é acreditar que o domínio do esnobismo se aplica à sociedade inteira. (…) Para sua maior infelicidade, as marcas não têm o poder de impor um estilo de vida aos consumidores; ao contrário, elas vivem sob a constante ameaça que representam para elas as decisões desses atores anônimos“.

(Imagem: Ejorpin via Visualhunt)

Comportamento, Cultura, Moda, Moda consciente, Opinião

“The world is watching, it’s time to detox”

A quantidade de produtos de moda made in China é assustadora. Vou parecer ingênua, e talvez tenha sido, com o comentário a seguir, mas achei que o fast fashion no Brasil era avassalador até colocar meus pés em terras europeias. Parei de anotar os nomes na quinta ou sexta loja de fast fashion que descobri na Itália: são muitas, muitas mesmo! Mais do que podia imaginar a minha “vã filosofia”.

Cada uma dessas lojas recebe semanalmente uma quantidade enorme daquelas peças tão bonitinhas quanto ordinárias. E essas lojas estão cheias. Filas nos provadores, filas nos caixas, suas sacolas circulam por todos os pontos da cidade nas mãos de moradores locais ou turistas. Quando comecei a falar sobre consumo consciente de maneira aberta por aqui, pensei em trazer o assunto para debate de forma sutil. Mas a sutileza não combina com o atual cenário: uma indústria que escraviza da produção ao ponto de venda e que está acabando com os recursos naturais que ainda temos.

Semana passada o site Stylo Urbano publicou um excelente texto sobre o futuro dessa indústria em terras chinesas: assim como os trabalhadores, o meio ambiente está sentindo os efeitos da exploração. A matéria descreve a posição preocupada do governo chinês, que busca meios de reverter a situação enquanto é tempo, e a posição não tão preocupada assim das marcas internacionais que, até então, exploravam mão de obra e meio ambiente do país: “Os custos de eletricidade e mão de obra na China estão ficando mais caros e isso se reflete no preço da fabricação de artigos de moda, por isso as marcas internacionais estão procurando outros países com farta mão de obra barata e custos baixos como Bangladesh, Índia, Marrocos, Vietnã, Turquia e agora África para fabricar seus produtos”. É isso mesmo. Depois de acabar com a China, outros países estão na “linha de tiro”.

A China tenta salvar-se como pode, planejando mudar o foco da indústria de Moda local com investimento em moda autoral e o fechamento de fábricas que não atendam aos novos termos de sustentabilidade que serão implantados. Segundo a matéria acima citada, “outra ideia é a de reciclar quimicamente todos os resíduos têxteis e roupas velhas para criar novos tecidos e evitar que sejam descartados nos aterros”.

Os consumidores de Moda são mais decisivos nesse processo do que imaginam. Quando compartilhei por aqui o documentário The True Cost, e também divulguei entre amigos, muitos dividiram comigo sua comoção. Sentiram-se tristes, choraram… E continuaram comprando. Sim, há uma luz no fim do túnel. Mas percebi que é preciso seguir um valioso conselho da minha irmã: “Em alguns temas, a gente precisa ser radical”. Esse é um deles.

Não é fácil ler que “a indústria da Moda” está matando, “a indústria da Moda” está poluindo. Eu faço parte dessa indústria e garanto a vocês que ela não é só isso. A indústria da Moda é um rico universo de cultura, sociologia, filosofia, arte… De tecidos combinados com um propósito e significado, de formas que ajudam a contar a história do mundo, de cores que transmitem emoções.

Existem muitos profissionais responsáveis nessa indústria. Criativos e crentes de que a Moda fala, inclui e transforma. Prova disso é que há movimentos engajados na área, unidos para denunciar e fazer a sua parte. “The world is watching, it’s time to detox“!

Ilustro esse texto com três excelentes vídeos retirados da matéria do site Stylo Urbano, mencionada acima, e finalizo com dois apelos. Profissionais de Moda que mantém suas empresas de forma responsável, continuem lutando. Para sobreviver do que amam, para mostrar que a indústria da Moda vai além desse “lado negro” e para virarmos o jogo. Consumidores de Moda, não há justificativa: parem de comprar dessas empresas!!!

+ | Ciente de que a exploração, tanto ambiental como de mão de obra, não é exclusividade do fast fashion, uso as grandes redes como exemplo por serem as lojas com maior visibilidade e “acesso”. Obviamente, a mensagem é geral: exploradores, grandes ou pequenos, não passarão.