Design, Moda, Negócios

Onde sua marca está?

Dias atrás assisti a um seminário online sobre branding onde, entre outras coisas, falou-se sobre três conceitos de comunicação: posicionamento, tom de voz e território. Entre eles, já havia estudado e pensado o posicionamento e tom de voz da minha marca, mas nunca havia dedicado tempo para “explorar” seu território.

O território da marca diz respeito ao local onde ela está ou pretende estar. De maneira simplificada, uma marca pode “estar” na praia, em uma grande cidade, em um ambiente rural ou de luxo, e, indo mais a fundo, pode ater-se à espaços específicos dentro desses territórios: é uma praia pouco habitada ou um balneário “da moda”? A marca está no centro ou na periferia da cidade? Ainda que seu produto possa circular em diferentes ambientes, entender “de onde ele vem” é fundamental para mostrar de que forma ele se encaixa em outros espaços.

Pensar no território da minha marca ajudou a definir, concluir e solidificar muitos outros conceitos, tornando mais claro como e onde desejo posicioná-la e contribuindo para refletir tudo o que a envolve. Compartilho meu estudo, no papel mesmo, para ilustrar e incentivar a olhar à fundo esse conceito.

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No centro do papel, junto com a marca, coloquei a primeira coisa que me veio à cabeça quando pergunto, pensando como marca, onde estou? Das palavras escritas a partir do conceito e seus desdobramentos, é possível criar um bom guia para nortear o processo criativo e traçar estratégias gerais muito além do território; e que incluem também aspectos físicos do produto. Palavras como interferências e opostos como tradicional e novo podem aparecer em coordenações de cores e formas, enquanto reuso, reedição e restauração evocam a vontade de trabalhar com materiais reaproveitados.

Sendo assim, tanto em um projeto de marca quanto em uma marca já existente, vale a pena exercitar esse e outros conceitos, reunindo as palavras para analisar se seu produto e marketing (das fotos de divulgação aos textos nas redes sociais) seguem para o seu território e atendem as necessidades dos “habitantes” dele. Um dos maiores desafios de uma marca, e renovar-se constantemente mantendo identidade e conceito alinhados e firmes. Saber bem onde está é o primeiro passo para criar e preservar esses fundamentais aspectos.

(Foto: acervo)

Design, Moda

Viagens inspiram minha segunda coleção

A textura das nuvens me traz a sensação de leveza e conforto, duas palavras que busquei traduzir nos acessórios da segunda coleção que leva meu nome. A paixão por viagens e a busca por conforto para vestir inspirou o desenvolvimento dos acessórios da linha Voo: perfeitos para voar, por sua leveza e praticidade, os lenços em poliviscose podem ser enrolados no pescoço ou envolver o corpo durante a viagem.

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A cartela de cores conta com tonalidades versáteis, e o tecido liso com textura leva informação de Moda aos visuais mais básicos. O atemporal cinza mescla une-se à duas apostas da Pantone para o Verão 2018 compondo um trio fácil de combinar com cores claras ou escuras, no verão e no inverno. Quer coisa melhor para quem viaja entre estações inversas?

O material escolhido, a malha poliviscose, é um tecido sintético que, por absorver menos água, tem como característica a secagem rápida, agilizando lavagens emergenciais ou no próprio quarto de hotel. Com o propósito de eliminar o desperdício, adaptamos o tamanho do nosso acessório para aproveitar 100% do material; e seguindo a proposta slow fashion, a coleção é limitada a trinta peças numeradas.

Além da aba etiqueta, aqui no site, a marca está no Instagram e os acessórios podem ser adquiridos através da loja no Elo 7, e recebidos em qualquer lugar do Brasil. Quer ver de perto? Entre em contato e visite nosso escritório.

(Foto: divulgação)

Design, Moda

Calçados nacionais (que vendem online) para conhecer

Design não é só forma, é um jeito de ver e agir no mundo. De estabelecer vínculos e inspirar caminhos para o bem estar pessoal e coletivo“. Design original, qualidade, conforto e a criação de uma rede sustentável são alguns dos princípios da Ciao Mao, marca de calçados criada em 2007 pela designer Priscila Callegari.

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Modelo Origami, da Ciao Mao

Com modelos que misturam materiais e formas, sem comprometer o conforto, os calçados da Ciao Mao chamam a atenção para o que resolvi chamar de originalidade possível: fogem do óbvio, mas trazem opções que se encaixam em estilos diversos. Conheci a marca na Loja It, em São Paulo, e me encantei pela forma criativa de unir texturas e cores sem comprometer a usabilidade da peça tanto no quesito estético quando ergonômico. Na loja online, modelos como o Vyrmol e o tênis meia são exemplos de peças capazes de modernizar visuais com peças clássicas e completar composições tão atuais quanto.

Versatilidade também é palavra de ordem nos calçados da Yellow Factory, marca da designer Débora dos Anjos, que conta com linhas especiais sem gênero e vegana. Na Yellow Factory, clássicos como o mocassim e hits como a sandália inspirada no modelo da marca Birkenstock ganham materiais, detalhes e cores diferenciados: destaco o College Fringe Shoes branco com solado preto e os sapatos Atacama em cores que ultrapassam modismos, como caramelo e verde musgo. Outra boa pedida é o modelo Will que, com design “nem fechado nem aberto”, pode ser usado com ou sem meia, no inverno e no verão.

(Imagem: Ciao Mao)

Design, Moda

“Não estou criando algo para responder perguntas”

De um produto que comecei a desenvolver para uso pessoal surgiu a Ivy Lemes Slow Fashion. Com isso o prazer de vestir um mesmo acessório de diferentes formas, substituindo (na quantidade) mais por menos, e o desejo de unir forma e função, substituindo golas de só enfeitam por um acessório que realmente protege do frio (pelo material e pela possibilidade de deixar a estrutura mais alta, cobrindo mais), saiu do meu para outros guarda-roupas.

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(Foto: Vanessa Kosop | Produção: Ivy Lemes | Jóias: Adriana Beigel Joalheria Contemporânea)

Desde que lancei minha etiqueta, recebi diferentes e preciosas impressões sobre os acessórios da primeira coleção. Ouvi que as imagens de divulgação não deixam claro que o produto é uma gola. Se observar, a forma como embalei também não. Tanto as fotos como a embalagem evidenciam o conceito (contraste) antes e mais que revelar o produto. E essa é a intenção.

Um dos propósitos da ILSF é estimular a descoberta particular e a interação com o produto. A produção de um look book mostrando as diferentes possibilidades de uso nunca esteve nos meus planos: primeiro por elas serem infinitas, e segundo para que cada um descubra em frente ao espelho seu jeito próprio de usar. Assistindo o sexto episódio da série documental Abstract: The Art of Design (sim, de novo essa série fazendo parte da pauta), a designer Paula Scher resume o que penso e faço como designer: “Não estou criando algo para responder perguntas, é um design para gerá-las“. Minhas peças são (e sempre serão) perguntas.

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Por falar em perguntas, tive a felicidade de receber o questionamento sobre ILSF ser uma marca sem gênero. Sem querer, confesso, meus acessórios abraçaram também o sexo masculino; o que me fez pensar em levar adiante mais esse propósito. Questionamentos (inclusive sobre a moda e sua efemeridade), fuga do óbvio e uso irrestrito, por quem e como quiser, passam a ser, ao lado da versatilidade e atemporalidade, palavras-chave no meu mood board. O verão já está sendo carinhosamente desenhado…

Conheça a marca!

Design, Negócios, TV & Cinema

Design e business

Criar algo esteticamente atraente, funcional e comercial é apenas um dos desafios de quem trabalha com design. Além disso, para destacar-se, um objeto, uma fotografia e até mesmo um edifício, precisa trazer consigo algo intangível capaz de gerar identificação e emocionar. A série documental Abstract: The Art of Design mostra, mais que inspiração, alguns desafios comuns ao dia a dia de quem faz, de certa forma, “arte para vender”. Selecionei alguns deles que podem contribuir para o desenvolvimento de projetos, sem esquecer que processo criativo é algo muito particular e que, com o tempo e a experiência, cada um descobre sua maneira de criar.

• Rabiscos e anotações: Tanto o designer de tênis Tinker Hatfield quanto a designer gráfico Paula Scher falam sobre a importância que anotações (que parecem ser) aleatórias são importantes em seu processo criativo. Estar sempre com um bloco de anotações à mão contribui para não deixarmos escapar nenhuma referência, que pode fazer sentido em algum momento de “branco”…

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• Saia do escritório: O “branco” dificilmente torna-se colorido olhando para a tela do computador. No meu dia a dia, isso é muito claro. Quando preciso criar e as ideias não aparecem, sair do trabalho para olhar o mundo “lá fora” (literalmente ou através de um livro, por exemplo) é a melhor forma de mudar esse cenário. Lembro-me de estar em cima do prazo para finalizar um texto e, sem ideias, parar para ver um filme sobre um assunto totalmente fora do tema em qual estava trabalhando. Aos vinte minutos de filme, a ideia veio.

Se você ficar só no escritório tentando ter novas ideias, não terá uma boa base para a sua ideia. Saia e viva a vida. Isso cria um acervo mental, que você poderá explorar em designs inovadores“. (Tinker Hatfield)

• Inovar e “prever”: A necessidade de criar algo inovador ano após ano e desenvolver um produto que mantenha-se atrativo a longo prazo são outros dois desafios mostrado na série. Para isso, é importante olhar além dos modismos de hoje, e considerar aspectos ligados ao estilo de vida das pessoas e seus anseios para o futuro. Contar com pesquisas de tendências sérias e saber filtrá-las para o seu público é fundamental.

Sempre tento imaginar o futuro. Nós projetamos algo para daqui a cinco anos, depois o carro tem que sobreviver no mercado de três a seis anos. Então é uma janela de nove anos que precisamos considerar ao projetar esses veículos“. (Ralph Gilles)

• Marca e produto: O designer de automóveis Ralph Gilles diz acreditar na “redenção pelo design”: “Toda marca já fez um produto ruim. Mas sou otimista. (…) É possível criar um produto que revitalize a marca por meio da engenharia e do design“. Projetar levando em conta a identidade da marca é essencial. O consumidor precisa ver a marca no produto antes mesmo de enxergar a logomarca (que pode nem estar visível). Apenas dessa forma se constrói uma marca de sucesso e revitaliza-se uma marca tradicional sem tirá-la do rumo. Esse aspecto é abordado de forma bastante interessante pela designer Paula Scher, quando diz que o tamanho, a espessura, a posição dos traços e todos os detalhes de uma tipografia são importantes na construção da personalidade daquilo que se quer representar.

• Vender a ideia:  Quando o designer Tinker Hatfield comenta as reuniões realizadas entre a equipe da Nike e Michael Jordan para discutir o design dos tênis da linha que leva o nome do jogador de basquete, fica clara a necessidade de saber expor e vender a ideia para o cliente. Nesse momento, painéis referenciais e tudo que ajude a contar a história que levou o designer a determinado resultado deve entrar em cena. O que para o criador parece óbvio, pode não ser para o cliente.

Há muito mais lições nos oito episódios da primeira temporada de Abstract: The Art of Design. Por aqui, já comentei sobre a relação entre arte e design tendo como exemplo o trabalho de Tinker Hatfield, sobre a necessidade de criar experiência e emoção citando a cenógrafa Es Devlin e parti do princípio de estruturas complexas que parecem simples, do arquiteto Bjarke Ingels, para falar de moda. Recomendo e aguardo ansiosa as próximas temporadas.

(Imagem: Visual Hunt)

Decor, Design, Moda

CASACOR não é “só” decor

Na manhã dessa sexta-feira a CASACOR Paraná 2017 recebeu a imprensa e convidados para a abertura da 24ª edição da mostra. Com a proposta “Foco no Essencial”, as tendências de arquitetura e design de interiores apresentadas refletem a busca pela funcionalidade e a preocupação ambiental. Alinhados com o estilo de vida moderno, os ambientes da CASACOR estão cheios de referências também para o que vestimos.

A união de estruturas e móveis minimalistas com elementos orgânicos, seja em arranjos  de mesa (onde predomina o verde), em enormes painéis decorativos com plantas ou em materiais rústicos, é muito presente nos ambientes da CASACOR. Um mix que inspira, na moda, a apostar em bons e duradouros básicos aliando a eles acessórios com a energia da natureza (seja em estampa ou matéria prima). As referências naturais, ou peças artesanais, aparecem também combinadas a elementos gráficos: da composição de almofadas da CASACOR para o guarda-roupa, pense em t-shirts com desenhos geométricos em preto e branco ao lado de peças em tricô ou fibras naturais como o linho.

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Tons claros, texturas delicadas e um toque de verde na Suíte da Moça, de Michele Krauspenhar
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Gráfico + artesanal

Misturar opostos e trazer elementos inusitados, para a casa e para o look, são uma ótima forma de repaginar essenciais. No ambiente Quarto da bebê, da arquiteta Janaína Macedo, uma mesa de centro rústica divide espaço com peças em estilo clássico, com móveis Luís XVI, e delicados acabamentos em dourado; e tanto lavabo quanto um espaço spa trazem cores escuras para mostrar que ambientes relaxantes não precisam ser construídos com “paredes brancas”. Então por que não um visual de verão all black?

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Spa em casa, da designer de interiores Katleen Luizaga

Toques em tons vibrantes não ficam de fora. Para acender as cores escuras ou a mistura de texturas neutras, detalhes pop, na cor e no estilo, aparecem na CASACOR lado a lado com referências étnicas, no ambiente Spa em Casa, inspirado na Tailândia, ou clássicas. E se o essencial deve ser versátil, um ambiente como o Quarto de Menina, da Melissa Dallegrave, mostra como um espaço pode ser multifuncional, fácil e adequado para diferentes fases.

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Neutro + vibrante, clássico + moderno no detalhe da cozinha, de Cristian Schönhofen e Richard Schönhofen

A valorização do simples, a conexão com o natural, a inserção do inusitado, o toque moderno e a versatilidade são só algumas das inspirações da CASACOR que valem muito na moda. A mostra abre ao público no dia 04 de junho, no Jockey Club do Paraná.

(Fotos: acervo)

Arte, Design, Moda

Irmãos Campana no MON e na Moda

Com ideias inovadoras e o uso de materiais inusitados, os irmãos Fernando e Humberto Campana transformaram seus móveis em obras de arte e estão entre os designers mais aclamados da atualidade. Em Curitiba, o Museu Oscar Niemeyer apresenta cerca de 130 obras da dupla na mostra Irmãos Campana.

A exposição, ambientada pelos próprios designers e repleta de cores, luzes e texturas, mostra a ampla variedade de materiais já utilizados na construção de móveis de diferentes estilos e formas. Para os Campana, o design começa a partir deles; e a ousadia combinada ao pensamento “inverso” é uma das boas lições dos Irmãos Campana (também) para quem faz moda. Como?

Uma boa ideia  e um produto diferenciado podem surgir ao olhar os materiais com atenção e de outra forma. Quando nos permitimos experimentar, até mesmo a matéria-prima “comum” oferece novas possibilidades: é possível explorar tecidos geralmente utilizados em decoração, considerar o avesso do material, ou inspirar-se em sua própria estrutura. Isso sem citar materiais como papéis especiais, plástico e tantos outros que podem ser processados, recortados, bordados e transformados em superfícies únicas e ergonômicas.

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Lacoste + Irmãos Campana (2013)

Na Moda, os irmãos Campana apresentam novas aplicações de conceitos já presentes em sua obra (a camisa Lacoste da imagem abaixo, de 2013, faz referência a coleção Sushi, de 2003) e mostram como é possível revisitar clássicos de forma original, trazendo frescor sem perder a tradição. A mostra traz peças das famosas parcerias com a Melissa e peças criadas para a Lacoste, onde a identidade dos designers se apresenta em perfeita sintonia com o posicionamento de cada uma das marcas.

Mais? A série Objetos Nômades, em parceria com a Louis Vuitton (2012), não está na exposição, mas é um bom exemplo de criação de acessórios com reaproveitamento de materiais: as peças foram produzidas com tiras de couro descartados das bolsas Haute Maroquinerie.

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Louis Vuitton + Irmãos Campana (2012)
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Louis Vuitton + Irmãos Campana (2012)

Em mobiliários, calçados ou roupas, a obra de Fernando e Humberto Campana é um excelente exemplo de como arte e função podem caminhar juntas. Irmãos Campana está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, até o dia 20 de agosto de 2017. A entrada (inteira) do museu é R$ 16.

(Imagens: divulgação)

Decor, Design, Moda, Viagem

Vá com tempo! Editor e Morph

Os displays que misturam decoração, aromas e moda me atraíram para dentro da Editor, em Buenos Aires. A loja, que não aconhecia até então, traz exposições que misturam diferentes categorias de produtos em uma espécie de exposição temática (adoro!) e composições de cores e elementos inspiradores. Segundo o site da marca, a proposta da “multi-categoria” Editor é criar um “espaço dinâmico em constante movimento e transição” com produtos selecionados por uma cuidadosa curadoria (daí o nome Editor).

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Marcas locais (a Cher. é uma delas) e importadas, como Lacoste, dividem espaços nas araras da marca em pisos que criam composições com diferentes categorias de produtos de forma harmoniosa sem cair em “estilos de vida” estereotipados. No piso inferior, um espaço dedicado à produtos descontinuados com desconto; e na perfumaria, que conta com grandes marcas importadas como Givenchy, Chanel e Giorgio Armani, painéis interativos permitem explorar o variado “estoque” de cada uma delas e acessar informações sobre os produtos a um toque.

O toque de arte, dos produtos de marcas diferenciadas e do visual merchandising, e a inserção da tecnologia no ponto de venda para, segundo o site da Editor, atender à crescente necessidade por mais informações com um toque de entretenimento, faz da loja uma visita imperdível. Vale a pena explorar cada detalhe em um dos três endereços em Buenos Aires.

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No visual merchandising da Editor, diferentes tipos de exposição e mobiliários tornam o ambiente interessante e permite a valorização de diferentes categorias de produtos

Com diversos pontos de venda espalhados pela capital argentina, a Morph é outra parada obrigatória para os apaixonados por design e decoração. Objetos funcionais nada convencionais, itens decorativos e papelaria charmosa misturam-se nos displays da loja, que criam sugestões interessantes para transformar seu lar em uma “casa do Pinterest”.

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A Morph traz composições de produtos dentro de um mesmo estilo para nos deixar com vontade comprar tudo

Com opções para diferentes estilos, a Morph é uma daquelas lojas onde você descobre que precisa de objetos que não sabia que existia. Além de marcas conhecidas como a Ubra e itens da linha retrô da Coca-Cola, a Morph possui produtos de linha própria (destaco os puxadores charmosos para repaginar aquele móvel antigo que perdeu a graça). Dica: visitar a Morph do Buenos Aires Design, aproveitando para conhecer outras lojas de móveis e decoração do shopping.

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Puxadores individuais, na Morph, para customizar móveis com detalhes iguais ou composições cheias de personalidade com desenhos diferentes

(Fotos: acervo pessoal)

Arte, Design, Moda, TV & Cinema

A arte do design, a arte e o design, a arte no design

Minha ideia inicial de compilar, em um só post, considerações sobre Abstract: The Art of Design não faz sentido: a série documental é riquíssima, e cada episódio traz um novo questionamento e muito assunto. Uma das questões relaciona-se ao seu próprio nome, e o depoimento do designer Tinker Hatfield, no segundo episódio, é um ótimo ponto de partida para levantar este debate: design é arte?

Existe arte envolvida no design. Mas não acho que seja arte. Na minha percepção, arte é a maior autoexpressão do indivíduo criativo. Para mim, como designer, o maior objetivo não é a autoexpressão. Meu objetivo é solucionar um problema para outra pessoa e espero que fique ótimo para ela. E bonito“.

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Antes de desenhar os tênis da Nike, Tinker Hatfield foi atleta e graduou-se em arquitetura. Uma lesão física e sua vivência como atleta, o fizeram pensar desde o início da carreira em questões ergonômicas ligadas ao design dos tênis projetados para esportistas. Porém, muito mais que atender a uma necessidade (ou prever uma demanda do futuro), Hatfield acredita que transmitir uma mensagem é parte de um bom trabalho: “um design básico é funcional, mas um ótimo passa uma mensagem“.

Ao longo do documentário fica muito claro que tanto os famosos tênis da linha Michael Jordan quanto outros modelos desenvolvidos pelo designer, são resultado da combinação entre suas experiências de vida, referências e pesquisas. A arquitetura do Centro Georges Pompidou, em Paris, onde “todos os mecanismos internos ficam do lado de fora” foi uma inspiração pata deixar as cápsulas de ar à mostra através de um recorte na sola do tênis Nike Air Max, por exemplo. Não poderia ser diferente.

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Qualquer produto criativo é efeito do seu criador, ou seja, a “autoexpressão do indivíduo criativo” (você que é da área, e você que está assistindo Abstract, já sabem disso). Jamais esqueço de uma exposição que visitei no MASP em 2009 cujo tema era autorretrato, e trago essa lembrança pois ela tem tudo a ver com o tema. A mostra tinha como objetivo mostrar diferentes tipos de autorretrato através do tempo: do literal, onde o artista representava de forma realista seu próprio rosto, passando pelos retratos distorcidos seguindo determinadas correntes artísticas, até obras onde não havia nenhum rosto, mas que não deixava de ser uma autoexpressão.

Com o passar dos anos concluí que qualquer obra (e aqui já deixo, sem querer, registrado que considero o design, quando “bem resolvido”, uma arte), seja ela um quadro, uma cadeira ou uma roupa, é um autorretrato. Nossos trabalhos são construídos a partir de anotações, desenhos aleatórios, viagens que fizemos, lugares em que estivemos, experiências e referências que de forma inconsciente trasportam-se para o papel, para um móvel ou para determinada combinação de tecidos e cores.

Aprender uma técnica ou estudar aspectos funcionais leva a um design básico e funcional, mas o ótimo, como bem pontuou Tinker Hatfield, é um “processo inconsciente” que “pode levar a algo” e transmite a autoexpressão do designer, sua visão do tema trabalhado para o mundo. O mais fantástico é que cada indivíduo que entra em contato com a mensagem a interpreta de uma forma e o objeto passa a ter um significado diferente e desperta (ou não) múltiplas emoções dependendo de quem o vê. E elas nunca serão as mesmas. É ou não é arte? A resposta também é consequência do seu repertório.

(Imagens: divulgação)

+ | Ainda não começou a assistir  Abstract: The Art of Design? Confira o trailer oficial no YouTube, pegue sua pipoca e aperte o play. Certamente ao menos uma mensagem da série acrescentará algum detalhe na sua próxima obra.

Design, Moda, Negócios

Mostre o que te inspira

Reunir imagens, tecidos, objetos, textos e tudo o que te inspira em um painel ajuda a organizar as ideias e aguça a criatividade. Minhas melhores “criações” surgem a partir de coisas simples: até a frase de uma amiga sobre um assunto aleatório é muito bem vinda, e pode gerar frutos, no meu mood board.

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Sempre gostei de colecionar e organizar inspirações, mas o mood board da exposição Tra Arte e Moda, no Museu Salvatore Ferragamo, em Florença, elevou meu interesse em produzir painéis mesmo que eu não consiga a magnitude da instalação da mostra: por lá, o mood board é uma sala onde paredes são telões com imagens em movimento, cores e sons.

A mensagem sobre a coleta e ordenação de referências busca reafirmar o mood board como metodologia, “algo que explica e nos ajuda a compreender elementos, levando a um projeto”, mas também ressalta que esses painéis podem ser o produto final: “It explains the values of the potencial products, the feelings in items of fashion, and the ideia to convey in the work of art“. Já pensou que um mood board também é uma ótima estratégia de marketing?

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Em tempos onde mostrar como seu produto é feito, compartilhar imagens de bastidores e envolver o público no processo de criação, direta ou indiretamente, produz bons resultados; investir tempo e cuidado na produção de um mood board é um bom caminho tanto para criar como para vender uma ideia ou produto.

(Imagens: Nicola Holtkamp via Visualhunt)