Comportamento

“Se alguém por mim perguntar”

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Quantas vezes já escolhemos uma roupa que adoramos, nos identificamos, e que nos deixa seguros em frente ao espelho, mas que depois de algum tempo fora de casa parecem incompatíveis com o tempo ou inadequadas para a ocasião. No instante em que o conforto vai embora, a concentração para qualquer conversa já não é mais a mesma. A “festa” perde um pouco a graça e, dependendo do tamanho do incômodo, seu apreço pela peça, que agora evoca lembranças indesejadas, nunca mais será o mesmo. Não adianta reformar.

Está na hora de trocar de roupa. Passar adiante o que não serve mais. Talvez ela tenha sido feita sob medida para outro alguém, para ser usada em outro tempo e espaço. Entre as melhores coisas da vida estão o desapego e a mudança. Elas são sobre separar e unir. Deixar para seguir. “Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar depois que me encontrar“.

(Imagem: Visual Hunt)

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Comportamento, Moda

O que vestir?

Nossa relação com o que vestimos é mais íntima do que imaginamos, mesmo quando não nos damos conta disso. Há quem diga que nosso visual conta “quem somos”. Particularmente, acredito que ele seja um reflexo mais próximo do “como estamos”.

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A imagem pessoal é valorizada no âmbito social e corporativo: já ouviu o conselho que diz para nos vestirmos para o cargo que desejamos ocupar independente daquele que ocupamos? Apresentar-se de forma a mostrar postura e visual condizentes com postos mais altos é uma boa estratégia, porém, a vontade de “aparecer” é o primeiro passo para ultrapassar os limites da adequação.

Uma imagem fake tem tudo para surtir o efeito contrário. Será que o seu visual não está revelando desequilíbrio e falta de personalidade ao invés de segurança e objetivo? Essa auto análise é extremamente importante em tempos onde grande parte das “inspirações” são donas de rotinas incompatíveis com o dia a dia da maioria das mulheres (para não citar a quantidade de “looks do dia” que são meros figurinos para foto).

Repleta de possibilidades, a moda oferece opções que abraçam elegância, segurança e conforto ao mesmo tempo. De nada adianta uma bolsa da moda “estufada” por não comportar suas necessidades diárias, ou um belo sapato de salto fino “machucado” pela calçada. Entre os clichês da Consultoria de Imagem, fico com o “compre roupa para a vida que você tem, não para a que deseja ter” que sabiamente contribui para a construção de um guarda-roupa prático e inteligente. Seja qual for o seu estilo, lembre-se que antes de gritar seus ideais ele precisa conversar, e se entender, com o seu modo de viver.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda, TV & Cinema

Lady Di: Documentário e visuais inspiradores

Desde o anúncio de seu noivado com o Príncipe Charles, Diana Frances Spencer não mudou apenas sua própria vida, mas tornou-se um marco na história da monarquia britânica. O interesse da mídia por cada detalhe que a envolvia também alterou os rumos do que conhecemos atualmente como “jornalismo de celebridades”.

Lady Di ganhou o público e as páginas das revistas do mundo todo com seu comportamento não usual para um membro da família real. Diana gostava da proximidade com as pessoas e não costumava esconder seus sentimentos e emoções, características que fizeram com que as pessoas “comuns” se identificassem com ela, e motivo pelo qual, ao lado de seu envolvimento com causas sociais, ficou conhecida como “Princesa do Povo”.

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Ao longo dos anos, diversos documentários e filmes revelam essas e outras nuances de uma das mulheres mais importantes do século XX. The Story Of Diana, disponível na Netflix, é minha dica para o final de semana. Com comentários de pessoas do círculo íntimo da princesa, como seu irmão, seu motorista, e da estilista responsável pelo seu vestido de noiva, o documentário revela que Lady Di transformou radicalmente as regras estabelecidas entre a imprensa e a família real antes mesmo de formalizar sua união com o filho da Rainha Elizabeth: seguida o tempo todo qualquer ação cotidiana era alvo de cliques valiosos.

Quando a palavra “influenciador” não era tão popular, é inegável a influência de Diana dentro e fora do território britânico, seja pelas polêmicas que envolviam sua vida pessoal ou pelos visuais que trazem referências de Moda válidas (e usáveis) mais de vinte anos após sua morte em 1997. O blazer longo, que está em alta, completava diferentes visuais da Princesa de Gales fossem eles formais, com vestido e salto alto, ou casuais, com calça com a barra mais curta e sapatilha (tão atual!).

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As cores claras apareciam com frequência em seus looks. A produção (quase) bicolor com regata e calça branca + acessórios em preto / floral com o fundo escuro, o visual monocromático com a cintura marcada e comprimento midi (que, nos dias atuais pode ser de uma calça pantacourt), e a combinação de neutros com suéter off white, calça branca e bolsa caramelo são ideias que não envelhecem.

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Por falar em suéter, modelos amplos da peça combinados à calça justa são mais uma referência que tem tudo a ver com o mood confortável e com o mix de opostos do momento. Além dos lisos, modelos bordados ou com estampas divertidas faziam parte do closet da Lady Di: que tal a mistura de estampas do suéter com carteira floral para deixar a gola clássica “de cara nova”?

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Conhecer um pouco de sua história torna claro os motivos que fizeram a Princesa de Gales eterna dentro e fora da moda: referência de estilo e comportamento para as mulheres modernas, ela usou seu espaço para defender importantes causas e não sufocou seus sentimentos a fim de manter um casamento infeliz. Uma mulher de “ação, autonomia e autoridade” que jamais será esquecida.

(Imagens: reprodução)

Comportamento, Moda

O tal propósito

A relevância do conceito ajuda a assumir outro desafio da arte contemporânea: o de impugnar, criticamente o esteticismo banal da imagem que, com caráter de publicidade, entretenimento, pura comunicação ou espetáculo, amortece o potencial crítico da imagem, diminui seu alcance social e desativa a política do olhar“.

O trecho do curador da exposição Além da Fotografia, em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, Tico Escobar, é uma reflexão que, de fato, vai além da fotografia; por isso o escolhi para falar de moda. O tal “propósito” da moda e o movimento slow fashion, bastante discutidos pelos criadores contemporâneos, vai ao encontro da “relevância do conceito”: moda com propósito não existe sem um conceito relevante.

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Quem faz e veste moda com propósito pensa, cria e compra pautado em escolhas que vão além da estética, elevando, ao invés de, usando as palavras de Escobar, amortecer o potencial crítico da imagem (nesse caso. a roupa). Abordar o assunto, como criador ou consumidor, é abrir espaço para refletir, entre outras coisas, sobre diferença entre comprar a “mesma” (mesma?) camiseta branca no fast fashion ou em uma marca que oferece material diferenciado e produção transparente abrindo os olhos para o alcance social e político na hora de “fazer a conta“.

Longe de querer negar a publicidade, o entretenimento e o espetáculo, que também fazem parte da moda, a ideia é repensar o consumo impulsivo, além de avaliar o que é apenas “esteticismo banal” e os falsos propósitos que tornaram-se “pura comunicação”. Fazer uma leitura crítica do conceito é essencial para reconhecer onde moram os verdadeiros propósitos na moda atual e impugnar o que a reduz à mera futilidade. Que em 2018 a Moda esteja mais consciente. Consciente de verdade.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Etiqueta

Não seja deselegante

Sempre achei que Etiqueta deveria constar na grade escolar obrigatória. E cada vez mais acredito que a falta dessa disciplina é responsável por muitos incômodos cotidianos. Práticas simples, que deveriam ser óbvias, precisam ser ensinadas. E não estou falando sobre ordem de talheres. Etiqueta não é frescura (ordem de talheres também não, mas essa é outra pauta).

E é para todos. Para que os passageiros do transporte público aguardem o desembarque. Para que recolham a bandeja da praça de alimentação do shopping. Para que deixem a esquerda livre na escada rolante. Para que decidam o que pedir antes de entrar na fila (ao invés de “empatar” o caixa). Para que não se atrasem (Ô dificuldade!). Para que não perguntem quanto pagamos no sapato que estamos usando e por aí vai. Etiqueta é para facilitar, tornar o dia a dia e as relações mais agradáveis: com uma dose de etiqueta a gente evita colocar (ou manter) os demais em situações constrangedoras, ao invés de tornar um incidente ou uma gafe motivo de chacota diária no escritório. Coloque-se no lugar do outro! Mais que isso, aguce sua percepção. Nem sempre o outro reage a uma situação da mesma forma que você, mas não é difícil notar quando ele está incomodado com uma situação. E educação também é evitar que os demais sintam-se desconfortáveis sempre que possível.

Etiqueta nada mais é que educação e noção do seu espaço. Saber o seu lugar e respeitar o do outro independente de posição social ou hierarquia na empresa. Tudo isso para abrir um tópico que voltarei a explorar: tem tudo a ver com estilo de vida e é o único “complemento” que combina com qualquer look em qualquer ocasião e hora do dia. Precisamos falar sobre Etiqueta.

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Com a proximidade do fim de ano, vale lembrar de algumas boas práticas na hora de circular pelo shopping ou fazer compras. Utilizando algumas das situações citadas acima, o caixa (da praça de alimentação ou da loja) serve para finalizar sua compra e não para escolher o que vai degustar ou comprar: evite atrapalhar quem deseja pagar e ir embora mudando seu pedido ou pensando/trocando/escolhendo itens adicionais na “boca do caixa”. Não é hora nem lugar. Da mesma forma, sua pressa ou agenda atribulada não é justificativa para exigir preferência ou furar filas. Ninguém é mais importante que os demais, nem o único que possui outros compromissos. Aguarde a sua vez!

Lembre-se que o espaço coletivo é… coletivo!!! E sua vontade de espalhar todos os produtos no balcão ou seus pertences para experimentar sapatos deve ser contida a fim de respeitar o conforto alheio: esse espaço é dividido, e aqui entra a boa e velha regra do “seu espaço acaba quando começa o do outro“. O mesmo vale para corredores ou escadas rolantes. Seu grupo de amigas não tem o direito de criar “rodinhas” que atrapalham a circulação ou falar alto nesses ambientes comprometendo  a mobilidade e a comunicação alheia. Tá? “Mas o ambiente é público”. Exato. Público. E nesses espaços a gente não faz “o que quer”.

Depois das compras, pausa para o café. A praça de alimentação está lotada e já terminou seu lanche? Não custa nada continuar a conversa enquanto caminha pelo shopping para que os outros possam apreciar sua refeição também. Custa menos ainda retirar sua bandeja.

(Imagem: Visual Hunt)

Beleza, Comportamento, Moda

Pouca maquiagem

Visuais clean são uma das principais apostas de beleza. Embora as passarelas e capas de revista simulem a “cara lavada” muitas vezes com a mesma quantidade de produtos usados usados para criar uma maquiagem colorida, a proposta de naturalidade entra em cena para acompanhar os visuais descomplicados que estão em alta e, acima de tudo, a busca por um lifestyle mais leve.

De carona no (in)consciente coletivo, e priorizando a saúde da minha pele, abri mão de uma série de “indispensáveis” de maquiagem nos últimos anos. Mais que repensar minhas escolhas, essa mudança de hábito tem a ver com uma nova forma de entender a beleza (a minha e a dos outros) e com um novo olhar sobre regras que não fazem sentido: a relação obrigatória entre estar arrumada e estar maquiada, por exemplo.

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Meses atrás a participante de um programa que promove mudanças no visual informou que não fazia uso de base no rosto. Atendendo à proposta de transformação, a moça topou experimentar o produto mas não deixou de afirmar, após a aplicação, que preferia sua pele sem base. Em seguida, em depoimento individual, a maquiadora disse não entender “como alguém pode não gostar de ver sua pele mais bonita“. Pergunto: quem é que definiu esse conceito único de “mais bonito”?

Eu sou do time que, muitas vezes, acha o “antes” mais bonito que o “depois” em tutoriais de maquiagem; e entre meus itens de beleza diários a base líquida foi o primeiro a perder espaço. Sim! Acho minha pele mais bonita sem ela. Substituída por um produto em pó e mineral, bem menos agressivo, a nova base não tem “alta cobertura”. Cobrir o que e para quê, se minha pele limpa nunca trouxe incômodo algum? Não estou fazendo campanha contra a base. Mas essa obrigatoriedade de “pele uniforme”, como se a ausência de “reboco” fosse sinônimo de desleixo, é cafona.

Indo além, o título desse post não refere-se apenas aos produtos de beleza. O questionamento vale para toda a “maquiagem” que nos é exigida acompanhada de argumentos rasos.  Em um exemplo pessoal, como profissional de Moda cansei de ouvir que preciso estar sempre com o look impecável: “vai que” algum potencial cliente me conhece sábado a tarde no mercado e eu não estou “com cara” de profissional do mundo fashion?

Poupem-me! A reputação profissional de ninguém é abalada por um moletom com chinelo na fila do pão. Não usar base não quer dizer não gostar de estar bonita. Preferir “cara lavada” não é falta de cuidado. Alternar dias com maquiagem e dias sem maquiagem é, inclusive, uma das minhas maneiras de cuidar da pele.

Tudo isso para voltar a falar sobre beleza, agora sob novos ângulos. Recentemente enquanto reorganizava as categorias do blog notei a ausência de publicações sobre o tema, antes mais frequente. Estou menos vaidosa? Pelo contrário. A vaidade só aumentou, mas a maneira de entendê-la mudou. Pouca maquiagem, e cada vez mais satisfação com o que reflete o espelho. Espero em breve compartilhar novas práticas, produtos e hábitos de beleza pé no chão.

A imagem que ilustra o post é do editorial Quoi de neuf beauté, da Madame Figaro (setembro de 2017).

(Foto: Pawel Pysz)

Comportamento, Moda

Etiqueta vermelha

Não é de hoje que as lojas iniciam suas liquidações de inverno quando a estação mal começou. Mas confesso que esse ano levei um susto quando comecei a receber anúncios de saldos e lançamento de coleção resort enquanto ainda espero o primeiro “frio de verdade” do ano. Sabe aquela antiga chamada de preços baixos que diz “deu a louca no gerente”? Nunca fez tanto sentido. Minha proposta é deixá-lo “fazer o louco” sozinho por diferentes motivos.

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O primeiro deles é que não precisamos acelerar mais ainda as coisas. Do antigo calendário onde as marcas apresentavam quatro coleções por ano (embora não julgue viável voltar a ele) passamos a inserir coleções intermediárias e linhas entre as intermediárias até chegar ao ponto de tirar de cena a coleção de inverno na chegada da estação: as lojas já estão “botando fora” aquela bota que você nunca usou! Mais que estimular o consumo frenético quando o mundo pede (implora!) consciência e responsabilidade com compra e descarte, as liquidações precoces afetam profundamente pequenas, e até médias, empresas e marcas que não podem competir em preço e ritmo.

Olhando por um viés “egoísta”, será que há vantagem real em comprar aquela peça de R$ 300 por R$ 100, ou você só está pagando o que ela realmente vale (ou mais)? E pensando em moda ética, será mesmo que algumas dessas empresas resolveram praticamente doar seus produtos recém lançados, abatendo 70% de seu valor, em um sopro de bondade? Ou há algo muito errado na precificação cheia? Etiquetas que oferecem 60, 70% de desconto em produtos novos abrem espaço para uma importante reflexão: o quanto de lucro abusivo e práticas duvidosas podem conter aí?

(Imagem: Simon Greig Photo via Visual Hunt)

Comportamento, Moda

“O que é slow fashion mesmo”?

Com origem na Europa, e inspirado no movimento slow food, o movimento slow fashion é uma alternativa ao que chamamos de fast fashion. A criação do termo é atribuída à consultora e professora de design sustentável do Centre for Sustainable Fashion Kate Fletcher, e diz respeito a uma forma de criar e consumir moda de maneira consciente. Assim como passamos a dar mais atenção à origem dos alimentos que consumimos, o impacto ambiental e social causado pela indústria da moda nos últimos anos pede uma leitura cautelosa também do “rótulo” do que vestimos

Apesar de estar intimamente ligado aos fatores ambientais, o movimento slow fashion diz respeito a todo o ciclo e pode ser praticado de diferentes formas por quem produz e/ou consome. Da escolha de materiais produzidos com menor impacto ambiental (ou reaproveitados) passando pelo respeito às leis trabalhistas e valorização da mão de obra até o reconhecimento do design autoral, da moda com personalidade e de itens que sobrevivem aos modismos passageiros (e que não por isso ignoram as tendências), adotar o slow fashion é, acima de tudo, uma questão de comportamento.

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Gola de tricô Ímpar

Produzir em pequena quantidade, acompanhar o processo do início ao fim, desenvolver peças únicas e transmitir mensagens genuínas que envolvem cultura, referências e habilidades de quem faz são algumas ações que diferenciam produtos slow fashion das cópias em massa que encontramos em grandes redes. A escolha cautelosa de materiais de qualidade superior e o cuidado com os detalhes visa entregar produtos feitos para durar,  assim como a criação de peças originais busca gerar real identificação com quem veste (na estética e na mensagem): produtos bons e que “falam sobre você” não perdem espaço com a mudança de estação.

Depois que lancei minha marca, dentro do conceito slow fashion, muitas perguntas sobre o assunto chegaram até mim; e é por isso que resolvi falar de maneira geral sobre esse conceito sem ignorar os “contras” apontados. Uma marca de slow fashion dificilmente proporcionará a variedade de cores e modelos encontradas nas araras das lojas de departamentos. E nem produzirá uma coleção em três, quatro ou sete dias para “todos os gostos”. E esse não é o objetivo. Aqui a identidade vem antes das tendências, podendo estar ou não de mãos dadas com elas. Slow fashion envolve, novamente, comportamento e questionamento: precisamos mesmo de todos esses modelos “para ontem”? Precisamos vestir a roupa da moça da novela?

Independente de onde e como cada um deseja consumir, o recado do movimento slow fashion é diminuir a velocidade para refletir sobre essas escolhas. Para criadores de Moda que estão mais preocupados em criar cartilhas de “certo e errado” para incluir ou excluir marcas da proposta levando em conta características que não impactam em seu propósito, e para consumidores que estão buscando novas formas de relacionar-se com a moda, deixo o recado: não existe apenas uma maneira de fazer e praticar slow fashion. Entender os princípios e usá-los sem moderação (e de verdade) é o que importa.

(Foto: Ivy Lemes)

Comportamento, Moda

Dress code do bem

Pode parecer frescura ou uma regra restritiva, mas não torça o nariz para ele: o dress code só está querendo ajudar! Como um bom amigo, ou melhor que muito amigo que “não avisa”, o dress code nasceu para aconselhar e não para impor.

Existem códigos de vestir explícitos, geralmente em convites, e implícitos. Ao circular por um ambiente com os olhos e a mente atentos para entendê-lo, é possível decifrar seu dress code: um passeio na praia, por exemplo, tanto pelo fato de ser um ambiente para relaxar ou praticar atividades físicas quanto pela questão prática, não é lugar para salto alto e calçados em tecido, em especial os claros, não são os mais recomendados. Ao pensar na função principal de um shopping, como centro de compras e conveniência, também podemos deduzir que o ambiente não exige produções elaboradas. Assim como um jantar de negócios é claramente uma ocasião que precisa unir formalidade com um toque de sofisticação.

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Quando o assunto é ambiente profissional, estar atento ao dress code, mais que deixá-lo confortável no ambiente, impacta em sua carreira. Embora nem todas as empresas forneçam, por escrito ou verbalmente, seu código de vestir, reparar em como seus colegas se vestem facilita o entendimento dele. Empresas de segmentos similares, e uma mesma função, podem ter códigos de vestir diferentes de acordo com a história, estilo e “lugar” onde a empresa está (literal e figurativamente).

O dress code nada mais é que um guia de adequação. E estar adequado é importante não apenas quando existem objetivos profissionais ou sociais envolvidos, mas serve para não sentir-se desconfortável em diferentes ambientes e situações (principalmente em espaços ou ocasiões “novos”): ele diz tanto “arrume-se muito” quanto “pode ir de chinelo mesmo”, e vale tanto para quem não sai do salto escolher o salto ideal quanto para quem prefere tênis optar pelo melhor modelo. Não tira personalidade e não deve ser entendido como ditador de “certo e errado”.

Como usar? Com o dress code em mãos (ou na cabeça), analise qual versão de si mesmo é mais adequada (útil + confortável) para aquele local, hora do dia, ocasião e outras variáveis. Lembrando que não é porque 90% das mulheres estão de vestido que precisa estar também: baseie-se no grau de formalidade e não nas peças /acessórios em si.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda

Motivos egoístas para comprar em brechó

Um entre muitos textos que li nos últimos tempos sobre consumo consciente de moda dizia que nenhuma roupa é mais sustentável (e responsável) do que a que já existe. O trecho do texto incentivava o consumo de moda em brechós, com a mensagem de que, mais que produzir peças com pouco impacto, é preciso olhar para os produtos que já temos e ainda estão em condições de uso.

Embora os brechós tenham ganhado espaço em publicações e sites de moda, e endereços descolados e até luxuosos, bem diferentes daquele esteriótipo de loja amontoada de peças velhas, o preconceito contra roupas usadas ainda existe. A extensa lista de motivos para garimpar em vintage shops inclui questões ambientais e éticas, como a economia de água e energia, o reaproveitamento e a construção de um guarda-roupa com peças de qualidade, reduzindo a necessidade de comprar novos itens em um curto espaço de tempo.

Porém, a (triste) realidade é que muita gente não está preocupada com isso. Pensando nisso, trago três motivos egoístas para considerar uma visita ao brechó: comprar roupas de segunda mão podem nos trazer vários benefícios pessoais. (Keep calm, é uma ironia).

• Nomes e marcas famosas por menos

Mais que desfilar uma logo, muitas grifes são cobiçadas pela qualidade de seus produtos. Essa característica faz com que peças premium atravessem gerações sem envelhecer, na estética e no material. Um suéter de cashmere, um vestido de seda pura e uma bolsa com um couro de qualidade, por exemplo, dificilmente parecerão velhos. Os brechós que trabalham com marcas selecionadas são uma excelente oportunidade de adquirir itens de moda com bons materiais por preços amigos. Lembre-se que os bons produtos não envelhecem, e ninguém vai saber se saiu da loja ou do brechó.

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Placa informativa no provador e arara em frente à fachada do brechó Acervo de Coisinhas, em São Paulo

• Exclusividade e itens vintage

Mesmo quando o produto não foi produzido como peça única, é muito difícil encontrar alguém com o mesmo item que garimpou em um brechó. Isso sem falar em brechós especializados em peças vintage, onde é possível encontrar complementos e acessórios que deixarão o visual sofisticado e cheio de personalidade. Poucas coisas são mais chiques que uma peça de época ao lado de uma produção básica, como jeans e camiseta, ou de um vestido longo com poucos detalhes. Além disso, o contraste de estilos está em alta; e um jeans original dos anos 80 pode ser bem mais cool que a releitura da peça.

• Moda do momento sem comprometer o orçamento

Nem só de roupas antigas são feitos os brechós. Muitos endereços são destinados a peças atuais, onde é possível encontrar roupas da moda usadas pouquíssimas vezes (ou novas) pela metade do preço ou menos. Sabe aquela vontade de usar um modismo? Procure no brechó! Deixe para gastar mais em itens duráveis, e selecione entre peças de segunda mão aquilo que logo será repassado. Alguns brechós trabalham com trocas, ou oferecem vale compras pelas peças que não usa mais, o que permite que renove alguns itens do seu closet e cada estação sem precisar gastar muito para isso.

• Mais: Dificuldades, o que eu compro e brechó contemporâneo x vintage

Confesso que já consumi mais em brechós do que agora. A mudança de estilo e a busca por peças preferencialmente lisas dificulta um pouco minhas compras em brechós. Outra dificuldade que sinto é com relação ao tamanho: não é fácil encontrar peças pequenas. Obviamente existem roupas que valem o ajuste, mas é preciso avaliar se a reforma é possível (nem todos os tecidos e modelagens se comportam bem quando ajustados) e financeiramente viável. Por essas questões, costumo ficar mais atenta aos vestidos que podem sem “adaptados” com um cinto e aos acessórios, quando o brechó trabalha com peças vintage (as bolsas pequenas de tecido ou bordadas e os cintos de couro são meus favoritos).

Falando nisso, uma visita ao brechó é melhor aproveitada quando escolhemos o endereço certo de acordo com nosso objetivo. Lojas que trabalham com roupas contemporâneas são bons lugares para encontrar itens de moda, mas exigem um olhar atento com relação ao custo x benefício das peças: não foram poucas as vezes que vi camisetas de malha de fast fashion em brechós por preços abusivos considerando que esses produtos não fazem parte da lista de “peças para durar” (tanto no quesito design quanto no quesito qualidade).

Qualidade não costuma ser um problema quando o assunto são itens vintage. Nessa categoria, duas coisas importantes na hora de escolher as peças são: experimentar e avaliar a adequação ao seu estilo pessoal. Experimentar é fundamental pois o tamanho e a modelagem das peças mudou consideravelmente com o passar do tempo, e avaliar como ela se comportará ao lado do que já temos no armário é importante para não fazer uma compra por impulso sem avaliar a pertinência dela em nosso dia a dia.

Além do brechó Acervo de Coisinhas, que ilustra o post e conta com roupas e acessórios predominantemente contemporâneos, também no bairro de Pinheiros, em São Paulo, conheci o brechó Varal do Beco, especializado em peças vintage e figurinos. Vá com tempo para explorar as araras lotadas de roupas até o teto (mesmo!).

(Fotos: acervo pessoal)