Arte, Moda

Fotógrafo também faz Moda

Na noite de ontem a Subcomissão de Direito de Moda, vinculada à Comissão de Assuntos Culturais e Propriedade Intelectual da OAB Paraná, promoveu uma noite de palestras para falar sobre Moda como expressão de arte e cultura, onde a estilista Sandra Kanayama (comentei um pouco sobre o trabalho dela aqui) e o fotógrafo Luciano Fileti dividiram seu olhar sobre moda e arte. Dentre os diversos temas abordados, Luciano Fileti comentou a participação do fotógrafo na construção da fotografia de Moda, um tema sobre o qual paro para refletir a cada trabalho que realizo. Explico.

Aprendi, desde que comecei a estudar produção de Moda, qual era o papel do produtor em uma sessão de fotos. Entre as funções estão selecionar referências para o fotógrafo: referências de cores, de enquadramento, de estilo. Construía o passo a passo, mas confesso que muitas vezes me senti desconfortável com esse modelo.

Mesmo antes de conseguir fundamentar,  entendia o fotógrafo como parte muito mais ativa no processo do que o proposto pela apostila. Além disso, como dirigir de forma tão incisiva alguém que possui muito mais conhecimento de fotografia que eu? Por que não, ao invés de limitar cor e enquadramento, levar o conceito e o objetivo da mensagem para co-criar a imagem do produto, seja como designer ou produtora, ao lado de quem vai fotografá-lo?

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A parceria criativa que busquei construir com os fotógrafos com quem trabalhei me levou a ser elogiada por alguns e repreendida por outros: “você precisa me dizer exatamente o que quer”, disseram alguns deles (talvez acostumados com com o padrão engessado). Porém, os melhores trabalhos são resultado da discussão de uma ideia em dupla e as melhores cenas não são aquelas que rascunhei previamente.

Luciano Fileti acredita que respeitando o espaço e a visão do fotógrafo as chances de trazer algo novo e inusitado são muito maiores. Além de concordar plenamente com ele, acrescento que ter como referência outra fotografia de Moda, como aprendi, é um belo empurrão para cair no “lugar comum”. Obviamente cada caso é um caso (cada cliente é um cliente, cada produto é um produto), mas a escolha do fotógrafo por si só já tem como função triar, através do portfólio do profissional, o estilo ideal para determinado job. A partir daí, creio que uma (boa) dose de liberdade criativa só tem a somar. Convenhamos, não precisamos de mais do mesmo.

Parte do trabalho do fotógrafo Luciano Fileti está em exposição na mostra Signs, no Museu da Fotografia / Solar do Barão, em Curitiba até o dia 23 de julho. Aproveito para parabenizar a Subcomissão de Direito de Moda pelo excelente evento.

(Imagem: Visual Hunt)

Arte, Design, Moda

Irmãos Campana no MON e na Moda

Com ideias inovadoras e o uso de materiais inusitados, os irmãos Fernando e Humberto Campana transformaram seus móveis em obras de arte e estão entre os designers mais aclamados da atualidade. Em Curitiba, o Museu Oscar Niemeyer apresenta cerca de 130 obras da dupla na mostra Irmãos Campana.

A exposição, ambientada pelos próprios designers e repleta de cores, luzes e texturas, mostra a ampla variedade de materiais já utilizados na construção de móveis de diferentes estilos e formas. Para os Campana, o design começa a partir deles; e a ousadia combinada ao pensamento “inverso” é uma das boas lições dos Irmãos Campana (também) para quem faz moda. Como?

Uma boa ideia  e um produto diferenciado podem surgir ao olhar os materiais com atenção e de outra forma. Quando nos permitimos experimentar, até mesmo a matéria-prima “comum” oferece novas possibilidades: é possível explorar tecidos geralmente utilizados em decoração, considerar o avesso do material, ou inspirar-se em sua própria estrutura. Isso sem citar materiais como papéis especiais, plástico e tantos outros que podem ser processados, recortados, bordados e transformados em superfícies únicas e ergonômicas.

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Lacoste + Irmãos Campana (2013)

Na Moda, os irmãos Campana apresentam novas aplicações de conceitos já presentes em sua obra (a camisa Lacoste da imagem abaixo, de 2013, faz referência a coleção Sushi, de 2003) e mostram como é possível revisitar clássicos de forma original, trazendo frescor sem perder a tradição. A mostra traz peças das famosas parcerias com a Melissa e peças criadas para a Lacoste, onde a identidade dos designers se apresenta em perfeita sintonia com o posicionamento de cada uma das marcas.

Mais? A série Objetos Nômades, em parceria com a Louis Vuitton (2012), não está na exposição, mas é um bom exemplo de criação de acessórios com reaproveitamento de materiais: as peças foram produzidas com tiras de couro descartados das bolsas Haute Maroquinerie.

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Louis Vuitton + Irmãos Campana (2012)
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Louis Vuitton + Irmãos Campana (2012)

Em mobiliários, calçados ou roupas, a obra de Fernando e Humberto Campana é um excelente exemplo de como arte e função podem caminhar juntas. Irmãos Campana está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, até o dia 20 de agosto de 2017. A entrada (inteira) do museu é R$ 16.

(Imagens: divulgação)

Arte, Moda, TV & Cinema

Crie para preencher, impactar e sobreviver

Nas duas últimas décadas trabalhando, descobri que, em geral, as coisas são feitas para preencher vazios“. A frase da cenógrafa Es Devlin que abre o terceiro episódio da série documental Abstract: The Art of Design vai ao encontro de um constante questionamento pessoal sobre o mundo e, claro, sobre a moda. Mais que isso, Es Devlin instiga o pensamento sobre como o que fazemos, além de preencher vazios, impacta o outro e sobre a efemeridade das coisas.

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Muitas das coisas, no sentido literal ou não, que fazemos são feitas para preencher vazios. E as melhores coisas que fazemos são feitas a partir de vazios. Ao falar sobre suas criações, Es Devlin diz que “precisamos começar sem luz para encontrá-la” e com essa frase traduz uma das minhas poucas certezas: só encarando uma ausência (de objetos, de luz) é possível entender o que falta para preenchê-la.  O vazio é a principal matéria-prima para uma criação genuína.

Embora em diferentes realidades e espaços, todos seres humanos possuem sentimentos universais que fazem com que algo provoque sensações comuns. Para Es Devlin, “é mais útil criar um objeto que tenha significado para todos“:  “Como nos sentimos em um túnel? Acho que são sensações completamente básicas, fundamentais, primárias, que todos nós temos em um túnel escuro e curvo. Acredito que todo mundo tenha uma resposta emocional a isso“.

Só o genuíno preenche com êxito o vazio, o nosso e o do outro, provocando “sensações completamente básicas, fundamentais, primárias” e levando aquilo que criamos para além do nosso espaço quando mais pessoas apropriam-se do objeto. Quando a coisa criada é uma roupa, o objetivo não deve ser diferente: servir aos vazios, despertar sensações, ser voz(es).

Objetos de vestir são capazes de suplementar vazios na autoestima, na coragem, na capacidade de comunicação; e por isso fazer moda, como criador ou como stylist de si mesmo todos os dias, com verdade é tão importante. Como? Apague a luz que ilumina conceito pré definidos para tatear, no escuro, o que desperta sensações além de efêmero. E para, mais que preencher vazios, manter-se vivo na memória de alguém.

Nada durará. Quando você começa a fazer já sabe que a criação desaparecerá. (…) No fim tudo existirá apenas na memória das pessoas” (Es Devlin).

(Imagem: reprodução)

Arte, Moda

Matéria Escura e reflexões sobre o tecido que nos cobre

A forma, inovadora no período Barroco, de usar a luz para intencionalmente dirigir a atenção do observador até determinados pontos da cena destacou a pintura de Caravaggio. O contraste entre luz e sombra criado pelo pintor italiano, “valoriza o efeito plástico, pois os corpos ganham volume e a variedade de cores diminui” (Graça Proença no livro História da Arte).

A luz, tão importante da obra de Caravaggio, é também um dos principais elementos do trabalho de Manoel Veiga em Matéria Escura. Na mostra, o artista traz um novo olhar sobre a pintura do mestre italiano, e sobre o alcance da luz: “O nome “Matéria Escura” refere-se a um novo tipo de matéria que não interage com a luz e que representa 80% do universo”, conta Juliana Vosnika, diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer.

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Mais que demonstrar a amplitude da arte contemporânea e sua multidisciplinaridade, que aqui une arte e ciência, e trazer outras interpretações sobre a pintura de Caravaggio, as fotografias impressas que “eliminam as cores com as quais Caravaggio construía suas cenas” (Juliana Vosnika, diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer) destacam os tecidos e a relação entre roupa e corpo. A reconstrução da imagem dos corpos, na obra de Manoel Veiga, tem como intuito dissolver a narrativa original para recolocar as personagens no novo espaço formulado.

Entender as vestes como uma extensão do corpo e como elemento que, aliado ao movimento de quem veste e ao espaço onde está inseridos, ganha diferentes sentidos, incentiva a pensar a Moda além do produto.

Esses pedaços de pano capazes de revelar ou sugerir as formas que vestem, bem como sua ação e função na cena, trazem consigo múltiplas mensagens. Drapeados, sobreposições e amarrações interferem em como e onde a luz alcança, e são co-responsáveis pelo resultado da obra. Literal e figurativamente. Roupa nunca foi só roupa.

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Matéria Escura está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, até o dia 11 de junho de 2017. A entrada (inteira) do museu é R$ 16.

(Fotos: acervo pessoal)

Arte, Design, Moda, TV & Cinema

A arte do design, a arte e o design, a arte no design

Minha ideia inicial de compilar, em um só post, considerações sobre Abstract: The Art of Design não faz sentido: a série documental é riquíssima, e cada episódio traz um novo questionamento e muito assunto. Uma das questões relaciona-se ao seu próprio nome, e o depoimento do designer Tinker Hatfield, no segundo episódio, é um ótimo ponto de partida para levantar este debate: design é arte?

Existe arte envolvida no design. Mas não acho que seja arte. Na minha percepção, arte é a maior autoexpressão do indivíduo criativo. Para mim, como designer, o maior objetivo não é a autoexpressão. Meu objetivo é solucionar um problema para outra pessoa e espero que fique ótimo para ela. E bonito“.

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Antes de desenhar os tênis da Nike, Tinker Hatfield foi atleta e graduou-se em arquitetura. Uma lesão física e sua vivência como atleta, o fizeram pensar desde o início da carreira em questões ergonômicas ligadas ao design dos tênis projetados para esportistas. Porém, muito mais que atender a uma necessidade (ou prever uma demanda do futuro), Hatfield acredita que transmitir uma mensagem é parte de um bom trabalho: “um design básico é funcional, mas um ótimo passa uma mensagem“.

Ao longo do documentário fica muito claro que tanto os famosos tênis da linha Michael Jordan quanto outros modelos desenvolvidos pelo designer, são resultado da combinação entre suas experiências de vida, referências e pesquisas. A arquitetura do Centro Georges Pompidou, em Paris, onde “todos os mecanismos internos ficam do lado de fora” foi uma inspiração pata deixar as cápsulas de ar à mostra através de um recorte na sola do tênis Nike Air Max, por exemplo. Não poderia ser diferente.

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Qualquer produto criativo é efeito do seu criador, ou seja, a “autoexpressão do indivíduo criativo” (você que é da área, e você que está assistindo Abstract, já sabem disso). Jamais esqueço de uma exposição que visitei no MASP em 2009 cujo tema era autorretrato, e trago essa lembrança pois ela tem tudo a ver com o tema. A mostra tinha como objetivo mostrar diferentes tipos de autorretrato através do tempo: do literal, onde o artista representava de forma realista seu próprio rosto, passando pelos retratos distorcidos seguindo determinadas correntes artísticas, até obras onde não havia nenhum rosto, mas que não deixava de ser uma autoexpressão.

Com o passar dos anos concluí que qualquer obra (e aqui já deixo, sem querer, registrado que considero o design, quando “bem resolvido”, uma arte), seja ela um quadro, uma cadeira ou uma roupa, é um autorretrato. Nossos trabalhos são construídos a partir de anotações, desenhos aleatórios, viagens que fizemos, lugares em que estivemos, experiências e referências que de forma inconsciente trasportam-se para o papel, para um móvel ou para determinada combinação de tecidos e cores.

Aprender uma técnica ou estudar aspectos funcionais leva a um design básico e funcional, mas o ótimo, como bem pontuou Tinker Hatfield, é um “processo inconsciente” que “pode levar a algo” e transmite a autoexpressão do designer, sua visão do tema trabalhado para o mundo. O mais fantástico é que cada indivíduo que entra em contato com a mensagem a interpreta de uma forma e o objeto passa a ter um significado diferente e desperta (ou não) múltiplas emoções dependendo de quem o vê. E elas nunca serão as mesmas. É ou não é arte? A resposta também é consequência do seu repertório.

(Imagens: divulgação)

+ | Ainda não começou a assistir  Abstract: The Art of Design? Confira o trailer oficial no YouTube, pegue sua pipoca e aperte o play. Certamente ao menos uma mensagem da série acrescentará algum detalhe na sua próxima obra.

Arte, Moda, Viagem

Entre Arte e Moda, no Museo Salvatore Ferragamo

“Moda é arte? Uma pergunta simples esconde o universo de uma complexa relação articulada, investigada ao longo dos anos, sem nunca chegar a uma definição clara ou única”. Essa relação é o tema da mostra Tra Arte e Moda, uma exposição riquíssima em mensagem e acervo que está chegando ao fim no Museo Salvatore Ferragamo, em Florença.

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Pelas salas do museu é possível analisar  “as formas de diálogo entre estes dois mundos” através de obras e ilustrações de nomes que circularam entre eles, como Sonia Delaunay, e de colaborações entre artistas e designers de diferentes lugares, em diferentes épocas e em diferentes momentos da Moda. Por lá, pude conhecer os trabalhos de Madeleine Vionnet em parceria com Ernesto Michahelles (Thayaht) no início do século XX, e seu respeito às formas da arte e do corpo (“the fabric is cut according to geometric patterns that follow the movements of the body“), e olhar de perto cada detalhe de famosas parcerias como Yohji Yamamoto  e Joan Miró e Yves Saint Laurent e Piet Mondrian.

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Mais que “imprimir” uma obra de arte em tecido para vesti-la, Entre Arte e Moda revela a influência de um universo sobre o outro de formas sutis. A arte se faz presente na Moda através de inspirações (a sala The Mood Board é um dos pontos altos da mostra), de cores, da apropriação de técnicas (da arte pela moda, e da moda pela arte), da modelagem e do corte do tecido, e em meios além da roupa: Andy Warhol, por exemplo, levou sua arte para o mundo da Moda através de seus trabalhos para a revista Interview.

A mostra chega ao fim dia 07 de abril, um passeio imperdível para interessados por cultura, arte, moda e design. Uma oportunidade única de conhecer nomes como Germana Marucelli, e suas belas parcerias com os artistas Piero Zuffi e Paolo Scheggi, e suspirar com as dramáticas peças de Alexander McQueen.

Entre Arte e Moda deixa claro, mesmo sem responder em palavras a pergunta inicial, que a Moda vai muito além das roupas descartáveis que entram e saem das araras em um ritmo acelerado. Permita-se ver o que vestimos de outra forma e refletir sobre os rumos da Moda e nosso importante papel dentro dela (seja como profissionais ou consumidores); além de conhecer o acervo do Museo Salvatore Ferragamo e a história dessa importante marca.

(Imagem: retirada do site Cultura Tessile)

Arte, Moda, Viagem

Quatro dicas de quatro cidades italianas | Milão

Milão é uma das capitais da Moda. E apesar de não ser o destino favorito dos turistas na Itália, para os fashionistas e viajantes que buscam algo além de monumentos históricos a cidade vale uma visita de, ao menos, três dias. Milão é movimento. E uma mistura linda de antigo e novo.

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• Explorar o Quadrilátero da Moda e arredores

Três dias, no meu caso, foram quase completamente destinados a esse espaço delimitado pelas vias Monte Napoleone, Alessandro Manzoni, della Spiga e pela corso Venezia. Começando pela Galleria Vittorio Emanuele, após visitar a Duomo di Milano, andei muito em círculos pelas ruas cercadas por marcas de luxo onde também encontrei belas vitrines de marcas locais e outlets para trazer pra casa um pouco da impecável moda italiana (em diversos preços). Para comer saudável durante o passeio: Panini Durini, que conta com diversos endereços incluindo um espaço perto da Piazza del Duomo.

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• Visitar o Museo delle Culture

Estive em Milão na época da XXI Trienal de Milão (comentei sobre acessórios de moda na mostra Sempering aqui) e no momento em que a exposição  Joan Miró, La Fuerza de la Materia estava em cartaz; mas independente da programação, o MUDEC é um passeio imperdível por si só. O projeto, com origem na década de 1990, foi pensado como um centro multidisciplinar dedicado às culturas do mundo com a “intenção de construir um lugar de diálogo sobre questões contemporâneas através das artes visuais, som, design e fantasia” em um espaço com arquitetura moderna e iluminada. Entre março e julho a mostra Kandinskij, il cavaliere errante é mais uma exposição imperdível que estará em cartaz por lá.

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• Conhecer Brera, da Pinacoteca di Brera aos bares

A quantidade de estabelecimentos dedicados a arte e design no bairro Brera o transformaram em Brera Design District. Uma região para ser explorada sem pressa, entre uma parada e outra para tomar um café na calçada e observar o vai e vem de pessoas do mundo todo. Por falar em café, Brera foi o local escolhido por Marc Jacobs para o  o primeiro Marc Jacobs Café, inserido, obviamente, em uma loja da marca. Amantes de perfumes não podem deixar de conhecer a Profumo, uma loja com atmosfera vintage que comercializa perfumes de edição limitada.

• Passar horas (mesmo!) no Eataly

Case de sucesso quando o assunto é varejo, o Eataly foi um dos primeiros pontos do meu roteiro em Milão. Nunca visitei o Eataly no Brasil, e minha primeira experiência com a marca foi na loja da Piazza XXV Aprile, que ocupa o espaço do antigo Teatro Smeraldo de Milão. Um agradável passeio e uma refeição deliciosa, com vista para a cozinha, após conhecer a 10 Corso Como, outra parada obrigatória (e ali pertinho) para entusiastas de moda e varejo.

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Shop, eat e learn resume com clareza a proposta do espaço que não apenas vende produtos selecionados em espaços encantadores, mas promove cursos e possui um espaço para apresentações. Apaixonadas por cosméticos como eu vão se divertir com um espaço repleto de marcas italianas diferentes, incluindo diversos produtos de beleza naturais. Quero voltar!

(Fotos: acervo pessoal)

+ | Leia também o post sobre a 10 Corso Como, e as publicações sobre RomaFlorença e Veneza.

Arte, Moda, Viagem

Quatro dicas de quatro cidades italianas | Florença

Florença fez com que me sentisse em um filme antigo. Os tons terrosos que predominam na arquitetura, as ruas paralelas ao Rio Arno com a Ponte Vecchio ao fundo (e o pôr do sol visto dela), as praças cheias de artistas, as bandeirolas da Toscana… Tudo tem um delicioso “perfume” retrô. Essa charmosa cidade italiana foi considerada a capital da Moda por muito tempo, e duas das quatro delícias, que escolhi entre tantas, falam sobre o assunto.

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• Fazer um tour por museus de Moda

A Galleria del Costume, no Palazzo Pitti, foi minha primeira parada em Florença. Apesar da localização central e fácil, andei bastante em círculos até encontrá-lo. O resultado? Descobri brechós cheios de preciosidades nos arredores da Piazza de’ Pitti. Depois de visitar esse espaço (onde também estão localizados outros museus incríveis), a dica é atravessar a Ponte Vecchio aproveitando para conhecer as vitrines das joalherias locais (falei sobre algumas delas aqui) e mundialmente famosas que lá estão até chegar na Piazza della Signoria, onde fica o museu da grife italiana Gucci (leia mais sobre o Gucci Museo aqui). É fashionista e tem pouco tempo em Firenze? Volte para as margens do Rio Arno e continue o passeio sentido Piazza di Santa Trinita para visitar loja e museu Salvatore Ferragamo, que abriga diferentes mostras durante o ano, e passear pela região repleta de vitrines fantásticas.

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No museu da Gucci 

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• Encantar-se com os títulos da livraria do Gucci Museo

O primeiro piso do Gucci Museo traz uma livraria, além de loja e café, de enlouquecer amantes de moda, arte e design. Títulos com diferentes temas, incluindo obras sobre a Gucci, em diversos idiomas tornam impossível querer sair de lá sem um exemplar. Meu escolhido: um livro sobre a parceria da Gucci com Vittorio Accornero que resultou nos icônicos lenços de seda da grife.

• Visitar a Galleria degli Uffizi  e apreciar arte local do lado de fora

Um dos mais importantes museus do mundo, a Galleria degli Uffizi abriga obras de artistas como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Botticelli e Caravaggio (O nascimento de Vênus, de Botticelli, é um dos pontos altos da galeria). Mais que encantar-se com os grandes nomes e a arquitetura do local, aproveite para passear pelo lado de fora onde artistas locais apresentam ilustrações e pinturas com a incrível paisagem de Florença. Um excelente souvenir.

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• Apreciar a gastronomia local e ouvir música na Piazza San Marco

Durante as andanças por Florença, perdi as contas de quantas vezes não sabia mais para onde estava indo. E meu ponto de referência, a Piazza San Marco, me apresentou lugares deliciosos para apreciar a gastronomia local e bancos ao ar livre para ouvir um músico animado, que atendia às solicitações do público e vendia CDs, entre uma rota mal sucedida e outra. Duas dicas gastronômicas pessoais por ali são o Ristorante Accademia e o Gran Caffè San Marco, que conta com pratos deliciosos e mesas externas que deixam tudo mais gostoso.

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(Fotos: acervo pessoal)

+ | Leia também as publicações sobre RomaMilão e Veneza.

Arte, Viagem

Quatro dicas de quatro cidades italianas | Roma (e Vaticano)

Ainda conheço pouco do mundo, mas já tenho certeza que a Cidade Eterna é um dos lugares mais incríveis que existem nele. Começo a série de posts Quatro delícias de quatro cidades italianas com ela e com uma das maiores delícias da vida…

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• Estudar arte, história e arquitetura ao ar livre

Roma respira arte e as construções históricas são de tirar o fôlego. Quem, como eu, se interessa por essas áreas, precisa, além de visitar pontos como Coliseu e Panteão, reservar um tempo para caminhar pela cidade observando cada detalhe arquitetônico das edificações de “antes de Cristo” e visitar as igrejas que encontrar pelo caminho. Para aproveitar melhor a viagem nesse sentido, recomendo assistir filmes clássicos e até mesmo revisitar os livros de história do Ensino Médio antes de embarcar, principalmente se não vai contar com um guia turístico por lá (meu caso). Depois desse remember, vai ser mágico remontar toda a história em sua mente quando pisar em terras romanas.

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• Conhecer ao menos um restaurante em Trastevere

Super charmoso, o bairro boêmio de Roma é famoso por seus bares e restaurantes. Por lá é possível encontrar diferentes tipos de comidas típicas, de sanduíches à pizzas e massas. Comece seu passeio degustando bons queijos na Antica Caciara, e escolhendo um para trazer para casa, e experimente o sorvete artesanal e orgânico da Fatamorgana. Alguns estabelecimentos oferecem pizza al taglio, que nada mais é que pizza em pedaços, uma boa opção para quem come pouco, já que a pizza individual tradicional não é pequena. Para jantar, segui a indicação de uma amiga e repasso a recomendação: aprecie uma deliciosa massa na Enoteca Ferrara.

• Garimpar itens de couro na região da Piazza di Spagna

Nos arredores da Piazza di Spagna encontram-se diversas lojas de artigos em couro (leia mais sobre compras na região). Por mais que pareçam “iguais”, vale a pena entrar para garimpar em cada uma delas: no interior das lojas é possível achar saldos e acessórios como cintos, carteiras e luvas de excelente qualidade com preços amigos. Na Florence Moon, por exemplo, tem bolsas em formatos super diferentes e peças com design tradicional em combinações de cores espertas, como marinho e marrom ou laranja com caramelo.

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Arte no teto dos Museus do Vaticano

• “Parar o mundo” no Vaticano

Sensações são muito particulares, e o Vaticano me proporcionou um dos dias mais emocionantes de toda a vida. Visite os Museus Do Vaticano, encante-se com a beleza da Capela Sistina e com a riqueza da Basílica de São Pedro e admire Roma do alto (a vista da Basílica de São Pedro vale a subida pelas estreitas escadarias). Mas, mais do que isso, sinta a energia do Vaticano. Fazer esse passeio em silêncio, com um olhar cuidadoso a cada detalhe e som, aproveitando para absorver  toda a magnitude física e espiritual do lugar faz muito bem para a alma.

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Vista da Basílica de São Pedro

(Fotos: acervo pessoal)

+ | Leia também as publicações sobre FlorençaMilão e Veneza.

Arte, Moda, Viagem

Anatomie d’une collection no Palais Galliera

O Palais Galliera é, sem dúvida, um dos meus lugares favoritos em Paris. Esculturas de ferro desfilando seus little black dresses no jardim oferecem uma atmosfera de encantamento antes mesmo de conhecer o interior do Musée de la Mode de la Ville de Paris, que atualmente recebe a exposição Anatomie d’une collection.

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A mostra fala sobre o papel da roupa na identificação do indivíduo que a veste. Pelas salas do museu, peças que vestiram importantes personagens históricos como Napoleão Bonaparte e atrizes mundialmente conhecidas como Brigitte Bardot e Tilda Swinton estão lado a lado com uniformes de enfermeiras anônimas que trabalharam durante a Guerra Mundial.

A partir do questionamento “Quem usa o quê”? Anatomie d’une collection sublinha a importância da moda como expressão de individualidade e “pertencimento” a determinado grupo social ao mesmo tempo. No acervo, peças icônicas como o chapéu-sapato de Elsa Schiaparelli e uma coleção de chapéus e peças de alfaiataria que marcaram o estilo de Audrey Hepburn mostram a íntima relação entre a moda e o contexto histórico de diferentes períodos.

Boa notícia: A exposição, que chegaria ao fim no dia 23 desse mês, terá uma segunda parte. Segundo o site do Palais Galliera, a mostra ficará fechada entre os dias 24 de outubro e 02 de novembro e será reaberta, com trinta novas peças além de um tributo à Sonia Rykiel até o dia 12 de fevereiro de 2017. Já posso voltar à Paris?

(Imagem: acervo pessoal)