Arte

“Pop brasileiro”

De maneira geral, os trabalhos rebatem distinções entre cultura popular e cultura erudita, “bom” e “mau” gosto. Apropriam-se das coisas do entorno imediato, reproduzem ou transfiguram cenas corriqueiras (das ruas, da intimidade) e imagens em circulação nos jornais, revistas, TV, na propaganda e nas histórias em quadrinhos. Desde aquela época, até hoje, essas produções costumam ser chamadas de “pop brasileiro“.

raymundo-colares
Tentativa de Ultrapassagem, de Raymundo Colares

O trecho acima faz parte do texto que abre a mostra Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright, na Pinacoteca de São Paulo. “Manifestações de inconformismo, contrárias às autoridades e oficialidades“, características das produções culturais do país a partir de 1960, estão presentes em cerca de 80 obras realizadas entre as décadas de 1960 e 1970 “pelos artistas mais representativos da nova figuração, do teor político e da explosão colorida do pop.

Em comum com o movimento artístico norte-americano chamado de Pop Art, cuja principal fonte de inspiração era o dia-a-dia das grandes cidades e os “símbolos e produtos industriais dirigidos às massas urbanas“, desde enlatados até a imagem de grandes estrelas do cinema, como conta Graça Proença no livro História da Arte, as obras de brasileiros como Raymundo Colares, Marcello Nitsche, Claudio Tozzi e Wanda Pimentel também trazem traços marcantes e cores contrastantes, chamando a atenção para detalhes e mensagens cotidianas que muitas vezes passam despercebidas.

MarcelloNitsche
Buum, de Marcelo Nitsche

Além dos nomes em exposição na Pinacoteca de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba, também exibe obras de artistas que caracterizam-se pelo “afastamento do abstracionismo e suas vertentes e, consequentemente, pela aproximação das correntes artísticas que buscavam a volta da figura” no mesmo período na mostra Anos 60|70: Um Panorama. Pela temática “com conteúdo crítico, político e social“, tão atual no momento em que vivemos, e/ou pela estética vibrante e atemporal, vale a pena passear pelas duas mostras e conhecer a arte de brasileiros que não ficam nada atrás de Andy Warhol.

Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright, fica em cartaz na Pinacoteca de São Paulo até 26 de agosto de 2019; enquanto a exposição Anos 60|70: Um Panorama está aberta ao público (e é gratuita) até o dia 30 de julho de 2017.

(Imagens: reprodução)

Arte, Moda

Norman Parkinson e mais moda em exposição

Seu trabalho é considerado extremamente inovador até os dias de hoje, e sua influência permanece evidente no trabalho de muitos fotógrafos contemporâneos, por sua maneira única de dirigir as modelos e construir as cenas dos sets fotográficos”. Fugir das tradicionais poses estáticas na década de 30, levar modelos e objetos de cena para as ruas e produções para locais considerados exóticos na época, como Índia e Rússia, tornaram o fotógrafo britânico Norman Parkinson um dos principais nomes da fotografia de Moda mundial.

parkinson-1
Young Velvets, Young Prices, Hat Fashions (Vogue, 1949)

A citação que abre o post, e que faz parte do release da mostra Norman Parkinson, o verdadeiro glamour britânico, em exposição na Galeria Mario Cohen, em São Paulo, antecipa a estética de suas imagens de moda que permanecem atuais até hoje: movimento, enquadramentos que fogem do óbvio e cliques que evidenciam conceitos, como a clássica silhueta do New Look na foto New look at the National Gallery (1949), além da roupa.

Passear pelas fotografias de Parkinson traz um novo olhar sobre a moda da época, colocada em cenas reais para revelar como o modo de viver das “personagens” em cena conversa com o que as veste. Moda, afinal, é comportamento; e a construção de uma boa imagem de moda não depende e nem exige foco no produto.

parkinson-2
The Art of Travel (1951). Wenda Parkinson esperando o avião da Hermès no aeroporto de Nairobi, Quênia

Os trabalhos para as principais publicações de moda do mundo, como Harper’s Bazaar e Vogue, incluindo sua primeira capa para a Vogue americana, que posteriormente também foi impressa na Vogue britânica, dividem espaço com um editorial feito na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para a revista Queen, em 1961. Essas fotografias pouco conhecidas foram entregues em caráter inédito para a mostra na Galeria Mario Cohen, que acontece até o dia 5 de agosto.

• Estilistas contemporâneos brasileiros no MAB

O Museu de Arte Brasileira homenageia os 70 anos da FAAP com a mostra Moda no MAB: Uma nova coleção no acervo. A exposição traz uma seleção de trajes dos estilistas André Lima, Fause Haten, Jum Nakao, Lino Villaventura e Reinaldo Lourenço além de modelos das marionetes utilizadas no desfile  “O mundo maravilho do Dr. F”, de Fause Haten,  e das bonecas produzidas por Jum Nakao para a instalação “Tributo a Brothers Quay”. Também fazem parte da exposição fotografias de mais de vinte mostras de moda realizadas pelo MAB FAAP no decorrer dos anos. Moda no MAB: Uma nova coleção no acervo está em cartaz até o dia  13 de agosto e a entrada é gratuita.

(Fotos: Norman Parkinson)

Arte, Moda

Fotógrafo também faz Moda

Na noite de ontem a Subcomissão de Direito de Moda, vinculada à Comissão de Assuntos Culturais e Propriedade Intelectual da OAB Paraná, promoveu uma noite de palestras para falar sobre Moda como expressão de arte e cultura, onde a estilista Sandra Kanayama (comentei um pouco sobre o trabalho dela aqui) e o fotógrafo Luciano Fileti dividiram seu olhar sobre moda e arte. Dentre os diversos temas abordados, Luciano Fileti comentou a participação do fotógrafo na construção da fotografia de Moda, um tema sobre o qual paro para refletir a cada trabalho que realizo. Explico.

Aprendi, desde que comecei a estudar produção de Moda, qual era o papel do produtor em uma sessão de fotos. Entre as funções estão selecionar referências para o fotógrafo: referências de cores, de enquadramento, de estilo. Construía o passo a passo, mas confesso que muitas vezes me senti desconfortável com esse modelo.

Mesmo antes de conseguir fundamentar,  entendia o fotógrafo como parte muito mais ativa no processo do que o proposto pela apostila. Além disso, como dirigir de forma tão incisiva alguém que possui muito mais conhecimento de fotografia que eu? Por que não, ao invés de limitar cor e enquadramento, levar o conceito e o objetivo da mensagem para co-criar a imagem do produto, seja como designer ou produtora, ao lado de quem vai fotografá-lo?

photography-lighting

A parceria criativa que busquei construir com os fotógrafos com quem trabalhei me levou a ser elogiada por alguns e repreendida por outros: “você precisa me dizer exatamente o que quer”, disseram alguns deles (talvez acostumados com com o padrão engessado). Porém, os melhores trabalhos são resultado da discussão de uma ideia em dupla e as melhores cenas não são aquelas que rascunhei previamente.

Luciano Fileti acredita que respeitando o espaço e a visão do fotógrafo as chances de trazer algo novo e inusitado são muito maiores. Além de concordar plenamente com ele, acrescento que ter como referência outra fotografia de Moda, como aprendi, é um belo empurrão para cair no “lugar comum”. Obviamente cada caso é um caso (cada cliente é um cliente, cada produto é um produto), mas a escolha do fotógrafo por si só já tem como função triar, através do portfólio do profissional, o estilo ideal para determinado job. A partir daí, creio que uma (boa) dose de liberdade criativa só tem a somar. Convenhamos, não precisamos de mais do mesmo.

Parte do trabalho do fotógrafo Luciano Fileti está em exposição na mostra Signs, no Museu da Fotografia / Solar do Barão, em Curitiba até o dia 23 de julho. Aproveito para parabenizar a Subcomissão de Direito de Moda pelo excelente evento.

(Imagem: Visual Hunt)

Arte, Design, Moda

Irmãos Campana no MON e na Moda

Com ideias inovadoras e o uso de materiais inusitados, os irmãos Fernando e Humberto Campana transformaram seus móveis em obras de arte e estão entre os designers mais aclamados da atualidade. Em Curitiba, o Museu Oscar Niemeyer apresenta cerca de 130 obras da dupla na mostra Irmãos Campana.

A exposição, ambientada pelos próprios designers e repleta de cores, luzes e texturas, mostra a ampla variedade de materiais já utilizados na construção de móveis de diferentes estilos e formas. Para os Campana, o design começa a partir deles; e a ousadia combinada ao pensamento “inverso” é uma das boas lições dos Irmãos Campana (também) para quem faz moda. Como?

Uma boa ideia  e um produto diferenciado podem surgir ao olhar os materiais com atenção e de outra forma. Quando nos permitimos experimentar, até mesmo a matéria-prima “comum” oferece novas possibilidades: é possível explorar tecidos geralmente utilizados em decoração, considerar o avesso do material, ou inspirar-se em sua própria estrutura. Isso sem citar materiais como papéis especiais, plástico e tantos outros que podem ser processados, recortados, bordados e transformados em superfícies únicas e ergonômicas.

lacoste-campanas
Lacoste + Irmãos Campana (2013)

Na Moda, os irmãos Campana apresentam novas aplicações de conceitos já presentes em sua obra (a camisa Lacoste da imagem abaixo, de 2013, faz referência a coleção Sushi, de 2003) e mostram como é possível revisitar clássicos de forma original, trazendo frescor sem perder a tradição. A mostra traz peças das famosas parcerias com a Melissa e peças criadas para a Lacoste, onde a identidade dos designers se apresenta em perfeita sintonia com o posicionamento de cada uma das marcas.

Mais? A série Objetos Nômades, em parceria com a Louis Vuitton (2012), não está na exposição, mas é um bom exemplo de criação de acessórios com reaproveitamento de materiais: as peças foram produzidas com tiras de couro descartados das bolsas Haute Maroquinerie.

irmaos-campana-lv-2
Louis Vuitton + Irmãos Campana (2012)
irmaos-campana-lv
Louis Vuitton + Irmãos Campana (2012)

Em mobiliários, calçados ou roupas, a obra de Fernando e Humberto Campana é um excelente exemplo de como arte e função podem caminhar juntas. Irmãos Campana está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, até o dia 20 de agosto de 2017. A entrada (inteira) do museu é R$ 16.

(Imagens: divulgação)

Arte, Moda, TV & Cinema

Crie para preencher, impactar e sobreviver

Nas duas últimas décadas trabalhando, descobri que, em geral, as coisas são feitas para preencher vazios“. A frase da cenógrafa Es Devlin que abre o terceiro episódio da série documental Abstract: The Art of Design vai ao encontro de um constante questionamento pessoal sobre o mundo e, claro, sobre a moda. Mais que isso, Es Devlin instiga o pensamento sobre como o que fazemos, além de preencher vazios, impacta o outro e sobre a efemeridade das coisas.

es-devlin

Muitas das coisas, no sentido literal ou não, que fazemos são feitas para preencher vazios. E as melhores coisas que fazemos são feitas a partir de vazios. Ao falar sobre suas criações, Es Devlin diz que “precisamos começar sem luz para encontrá-la” e com essa frase traduz uma das minhas poucas certezas: só encarando uma ausência (de objetos, de luz) é possível entender o que falta para preenchê-la.  O vazio é a principal matéria-prima para uma criação genuína.

Embora em diferentes realidades e espaços, todos seres humanos possuem sentimentos universais que fazem com que algo provoque sensações comuns. Para Es Devlin, “é mais útil criar um objeto que tenha significado para todos“:  “Como nos sentimos em um túnel? Acho que são sensações completamente básicas, fundamentais, primárias, que todos nós temos em um túnel escuro e curvo. Acredito que todo mundo tenha uma resposta emocional a isso“.

Só o genuíno preenche com êxito o vazio, o nosso e o do outro, provocando “sensações completamente básicas, fundamentais, primárias” e levando aquilo que criamos para além do nosso espaço quando mais pessoas apropriam-se do objeto. Quando a coisa criada é uma roupa, o objetivo não deve ser diferente: servir aos vazios, despertar sensações, ser voz(es).

Objetos de vestir são capazes de suplementar vazios na autoestima, na coragem, na capacidade de comunicação; e por isso fazer moda, como criador ou como stylist de si mesmo todos os dias, com verdade é tão importante. Como? Apague a luz que ilumina conceito pré definidos para tatear, no escuro, o que desperta sensações além de efêmero. E para, mais que preencher vazios, manter-se vivo na memória de alguém.

Nada durará. Quando você começa a fazer já sabe que a criação desaparecerá. (…) No fim tudo existirá apenas na memória das pessoas” (Es Devlin).

(Imagem: reprodução)

Arte, Moda

Matéria Escura e reflexões sobre o tecido que nos cobre

A forma, inovadora no período Barroco, de usar a luz para intencionalmente dirigir a atenção do observador até determinados pontos da cena destacou a pintura de Caravaggio. O contraste entre luz e sombra criado pelo pintor italiano, “valoriza o efeito plástico, pois os corpos ganham volume e a variedade de cores diminui” (Graça Proença no livro História da Arte).

A luz, tão importante da obra de Caravaggio, é também um dos principais elementos do trabalho de Manoel Veiga em Matéria Escura. Na mostra, o artista traz um novo olhar sobre a pintura do mestre italiano, e sobre o alcance da luz: “O nome “Matéria Escura” refere-se a um novo tipo de matéria que não interage com a luz e que representa 80% do universo”, conta Juliana Vosnika, diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer.

materiaescura-mon-1

Mais que demonstrar a amplitude da arte contemporânea e sua multidisciplinaridade, que aqui une arte e ciência, e trazer outras interpretações sobre a pintura de Caravaggio, as fotografias impressas que “eliminam as cores com as quais Caravaggio construía suas cenas” (Juliana Vosnika, diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer) destacam os tecidos e a relação entre roupa e corpo. A reconstrução da imagem dos corpos, na obra de Manoel Veiga, tem como intuito dissolver a narrativa original para recolocar as personagens no novo espaço formulado.

Entender as vestes como uma extensão do corpo e como elemento que, aliado ao movimento de quem veste e ao espaço onde está inseridos, ganha diferentes sentidos, incentiva a pensar a Moda além do produto.

Esses pedaços de pano capazes de revelar ou sugerir as formas que vestem, bem como sua ação e função na cena, trazem consigo múltiplas mensagens. Drapeados, sobreposições e amarrações interferem em como e onde a luz alcança, e são co-responsáveis pelo resultado da obra. Literal e figurativamente. Roupa nunca foi só roupa.

materiaescura-mon-2

Matéria Escura está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, até o dia 11 de junho de 2017. A entrada (inteira) do museu é R$ 16.

(Fotos: acervo pessoal)

Arte, Design, Moda, TV & Cinema

A arte do design, a arte e o design, a arte no design

Minha ideia inicial de compilar, em um só post, considerações sobre Abstract: The Art of Design não faz sentido: a série documental é riquíssima, e cada episódio traz um novo questionamento e muito assunto. Uma das questões relaciona-se ao seu próprio nome, e o depoimento do designer Tinker Hatfield, no segundo episódio, é um ótimo ponto de partida para levantar este debate: design é arte?

Existe arte envolvida no design. Mas não acho que seja arte. Na minha percepção, arte é a maior autoexpressão do indivíduo criativo. Para mim, como designer, o maior objetivo não é a autoexpressão. Meu objetivo é solucionar um problema para outra pessoa e espero que fique ótimo para ela. E bonito“.

tinkerhatfield-2

Antes de desenhar os tênis da Nike, Tinker Hatfield foi atleta e graduou-se em arquitetura. Uma lesão física e sua vivência como atleta, o fizeram pensar desde o início da carreira em questões ergonômicas ligadas ao design dos tênis projetados para esportistas. Porém, muito mais que atender a uma necessidade (ou prever uma demanda do futuro), Hatfield acredita que transmitir uma mensagem é parte de um bom trabalho: “um design básico é funcional, mas um ótimo passa uma mensagem“.

Ao longo do documentário fica muito claro que tanto os famosos tênis da linha Michael Jordan quanto outros modelos desenvolvidos pelo designer, são resultado da combinação entre suas experiências de vida, referências e pesquisas. A arquitetura do Centro Georges Pompidou, em Paris, onde “todos os mecanismos internos ficam do lado de fora” foi uma inspiração pata deixar as cápsulas de ar à mostra através de um recorte na sola do tênis Nike Air Max, por exemplo. Não poderia ser diferente.

tinkerhatfield-1

Qualquer produto criativo é efeito do seu criador, ou seja, a “autoexpressão do indivíduo criativo” (você que é da área, e você que está assistindo Abstract, já sabem disso). Jamais esqueço de uma exposição que visitei no MASP em 2009 cujo tema era autorretrato, e trago essa lembrança pois ela tem tudo a ver com o tema. A mostra tinha como objetivo mostrar diferentes tipos de autorretrato através do tempo: do literal, onde o artista representava de forma realista seu próprio rosto, passando pelos retratos distorcidos seguindo determinadas correntes artísticas, até obras onde não havia nenhum rosto, mas que não deixava de ser uma autoexpressão.

Com o passar dos anos concluí que qualquer obra (e aqui já deixo, sem querer, registrado que considero o design, quando “bem resolvido”, uma arte), seja ela um quadro, uma cadeira ou uma roupa, é um autorretrato. Nossos trabalhos são construídos a partir de anotações, desenhos aleatórios, viagens que fizemos, lugares em que estivemos, experiências e referências que de forma inconsciente trasportam-se para o papel, para um móvel ou para determinada combinação de tecidos e cores.

Aprender uma técnica ou estudar aspectos funcionais leva a um design básico e funcional, mas o ótimo, como bem pontuou Tinker Hatfield, é um “processo inconsciente” que “pode levar a algo” e transmite a autoexpressão do designer, sua visão do tema trabalhado para o mundo. O mais fantástico é que cada indivíduo que entra em contato com a mensagem a interpreta de uma forma e o objeto passa a ter um significado diferente e desperta (ou não) múltiplas emoções dependendo de quem o vê. E elas nunca serão as mesmas. É ou não é arte? A resposta também é consequência do seu repertório.

(Imagens: divulgação)

+ | Ainda não começou a assistir  Abstract: The Art of Design? Confira o trailer oficial no YouTube, pegue sua pipoca e aperte o play. Certamente ao menos uma mensagem da série acrescentará algum detalhe na sua próxima obra.

Arte, Moda, Viagem

Entre Arte e Moda, no Museo Salvatore Ferragamo

“Moda é arte? Uma pergunta simples esconde o universo de uma complexa relação articulada, investigada ao longo dos anos, sem nunca chegar a uma definição clara ou única”. Essa relação é o tema da mostra Tra Arte e Moda, uma exposição riquíssima em mensagem e acervo que está chegando ao fim no Museo Salvatore Ferragamo, em Florença.

tra-arte-e-moda

Pelas salas do museu é possível analisar  “as formas de diálogo entre estes dois mundos” através de obras e ilustrações de nomes que circularam entre eles, como Sonia Delaunay, e de colaborações entre artistas e designers de diferentes lugares, em diferentes épocas e em diferentes momentos da Moda. Por lá, pude conhecer os trabalhos de Madeleine Vionnet em parceria com Ernesto Michahelles (Thayaht) no início do século XX, e seu respeito às formas da arte e do corpo (“the fabric is cut according to geometric patterns that follow the movements of the body“), e olhar de perto cada detalhe de famosas parcerias como Yohji Yamamoto  e Joan Miró e Yves Saint Laurent e Piet Mondrian.

tra-arte-e-moda-3

Mais que “imprimir” uma obra de arte em tecido para vesti-la, Entre Arte e Moda revela a influência de um universo sobre o outro de formas sutis. A arte se faz presente na Moda através de inspirações (a sala The Mood Board é um dos pontos altos da mostra), de cores, da apropriação de técnicas (da arte pela moda, e da moda pela arte), da modelagem e do corte do tecido, e em meios além da roupa: Andy Warhol, por exemplo, levou sua arte para o mundo da Moda através de seus trabalhos para a revista Interview.

A mostra chega ao fim dia 07 de abril, um passeio imperdível para interessados por cultura, arte, moda e design. Uma oportunidade única de conhecer nomes como Germana Marucelli, e suas belas parcerias com os artistas Piero Zuffi e Paolo Scheggi, e suspirar com as dramáticas peças de Alexander McQueen.

Entre Arte e Moda deixa claro, mesmo sem responder em palavras a pergunta inicial, que a Moda vai muito além das roupas descartáveis que entram e saem das araras em um ritmo acelerado. Permita-se ver o que vestimos de outra forma e refletir sobre os rumos da Moda e nosso importante papel dentro dela (seja como profissionais ou consumidores); além de conhecer o acervo do Museo Salvatore Ferragamo e a história dessa importante marca.

(Imagem: retirada do site Cultura Tessile)

Arte, Moda, Viagem

Quatro dicas de quatro cidades italianas | Milão

Milão é uma das capitais da Moda. E apesar de não ser o destino favorito dos turistas na Itália, para os fashionistas e viajantes que buscam algo além de monumentos históricos a cidade vale uma visita de, ao menos, três dias. Milão é movimento. E uma mistura linda de antigo e novo.

milao-1

• Explorar o Quadrilátero da Moda e arredores

Três dias, no meu caso, foram quase completamente destinados a esse espaço delimitado pelas vias Monte Napoleone, Alessandro Manzoni, della Spiga e pela corso Venezia. Começando pela Galleria Vittorio Emanuele, após visitar a Duomo di Milano, andei muito em círculos pelas ruas cercadas por marcas de luxo onde também encontrei belas vitrines de marcas locais e outlets para trazer pra casa um pouco da impecável moda italiana (em diversos preços). Para comer saudável durante o passeio: Panini Durini, que conta com diversos endereços incluindo um espaço perto da Piazza del Duomo.

milao-2

• Visitar o Museo delle Culture

Estive em Milão na época da XXI Trienal de Milão (comentei sobre acessórios de moda na mostra Sempering aqui) e no momento em que a exposição  Joan Miró, La Fuerza de la Materia estava em cartaz; mas independente da programação, o MUDEC é um passeio imperdível por si só. O projeto, com origem na década de 1990, foi pensado como um centro multidisciplinar dedicado às culturas do mundo com a “intenção de construir um lugar de diálogo sobre questões contemporâneas através das artes visuais, som, design e fantasia” em um espaço com arquitetura moderna e iluminada. Entre março e julho a mostra Kandinskij, il cavaliere errante é mais uma exposição imperdível que estará em cartaz por lá.

milao-3

• Conhecer Brera, da Pinacoteca di Brera aos bares

A quantidade de estabelecimentos dedicados a arte e design no bairro Brera o transformaram em Brera Design District. Uma região para ser explorada sem pressa, entre uma parada e outra para tomar um café na calçada e observar o vai e vem de pessoas do mundo todo. Por falar em café, Brera foi o local escolhido por Marc Jacobs para o  o primeiro Marc Jacobs Café, inserido, obviamente, em uma loja da marca. Amantes de perfumes não podem deixar de conhecer a Profumo, uma loja com atmosfera vintage que comercializa perfumes de edição limitada.

• Passar horas (mesmo!) no Eataly

Case de sucesso quando o assunto é varejo, o Eataly foi um dos primeiros pontos do meu roteiro em Milão. Nunca visitei o Eataly no Brasil, e minha primeira experiência com a marca foi na loja da Piazza XXV Aprile, que ocupa o espaço do antigo Teatro Smeraldo de Milão. Um agradável passeio e uma refeição deliciosa, com vista para a cozinha, após conhecer a 10 Corso Como, outra parada obrigatória (e ali pertinho) para entusiastas de moda e varejo.

milao-4

Shop, eat e learn resume com clareza a proposta do espaço que não apenas vende produtos selecionados em espaços encantadores, mas promove cursos e possui um espaço para apresentações. Apaixonadas por cosméticos como eu vão se divertir com um espaço repleto de marcas italianas diferentes, incluindo diversos produtos de beleza naturais. Quero voltar!

(Fotos: acervo pessoal)

+ | Leia também o post sobre a 10 Corso Como, e as publicações sobre RomaFlorença e Veneza.

Arte, Moda, Viagem

Quatro dicas de quatro cidades italianas | Florença

Florença fez com que me sentisse em um filme antigo. Os tons terrosos que predominam na arquitetura, as ruas paralelas ao Rio Arno com a Ponte Vecchio ao fundo (e o pôr do sol visto dela), as praças cheias de artistas, as bandeirolas da Toscana… Tudo tem um delicioso “perfume” retrô. Essa charmosa cidade italiana foi considerada a capital da Moda por muito tempo, e duas das quatro delícias, que escolhi entre tantas, falam sobre o assunto.

florenca-5

• Fazer um tour por museus de Moda

A Galleria del Costume, no Palazzo Pitti, foi minha primeira parada em Florença. Apesar da localização central e fácil, andei bastante em círculos até encontrá-lo. O resultado? Descobri brechós cheios de preciosidades nos arredores da Piazza de’ Pitti. Depois de visitar esse espaço (onde também estão localizados outros museus incríveis), a dica é atravessar a Ponte Vecchio aproveitando para conhecer as vitrines das joalherias locais (falei sobre algumas delas aqui) e mundialmente famosas que lá estão até chegar na Piazza della Signoria, onde fica o museu da grife italiana Gucci (leia mais sobre o Gucci Museo aqui). É fashionista e tem pouco tempo em Firenze? Volte para as margens do Rio Arno e continue o passeio sentido Piazza di Santa Trinita para visitar loja e museu Salvatore Ferragamo, que abriga diferentes mostras durante o ano, e passear pela região repleta de vitrines fantásticas.

florenca-1
No museu da Gucci 

florenca-2

• Encantar-se com os títulos da livraria do Gucci Museo

O primeiro piso do Gucci Museo traz uma livraria, além de loja e café, de enlouquecer amantes de moda, arte e design. Títulos com diferentes temas, incluindo obras sobre a Gucci, em diversos idiomas tornam impossível querer sair de lá sem um exemplar. Meu escolhido: um livro sobre a parceria da Gucci com Vittorio Accornero que resultou nos icônicos lenços de seda da grife.

• Visitar a Galleria degli Uffizi  e apreciar arte local do lado de fora

Um dos mais importantes museus do mundo, a Galleria degli Uffizi abriga obras de artistas como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Botticelli e Caravaggio (O nascimento de Vênus, de Botticelli, é um dos pontos altos da galeria). Mais que encantar-se com os grandes nomes e a arquitetura do local, aproveite para passear pelo lado de fora onde artistas locais apresentam ilustrações e pinturas com a incrível paisagem de Florença. Um excelente souvenir.

florenca-4

• Apreciar a gastronomia local e ouvir música na Piazza San Marco

Durante as andanças por Florença, perdi as contas de quantas vezes não sabia mais para onde estava indo. E meu ponto de referência, a Piazza San Marco, me apresentou lugares deliciosos para apreciar a gastronomia local e bancos ao ar livre para ouvir um músico animado, que atendia às solicitações do público e vendia CDs, entre uma rota mal sucedida e outra. Duas dicas gastronômicas pessoais por ali são o Ristorante Accademia e o Gran Caffè San Marco, que conta com pratos deliciosos e mesas externas que deixam tudo mais gostoso.

florenca-3

(Fotos: acervo pessoal)

+ | Leia também as publicações sobre RomaMilão e Veneza.