Design, Moda, Negócios

O natural e o tecnológico unem-se no inverno 2018/2019

Com a interconectividade de hoje mergulhamos mais profundamente nas raízes do mundo, resultando em uma nova forma de arte que combina artesanato e tecnologia em conjunto“. A frase, retirada do resumo de tendências para o inverno 2018/2019 da Intertextile Shanghai Apparel Fabrics, resume o que estamos vivendo na vida e na moda. A necessidade de repensar o tempo, trouxe à tona não apenas a valorização do artesanal e a busca pelo conforto na hora de se vestir, mas mais atenção aos processos e novas formas de consumir.

Embora os anseios estejam voltados para a reconexão com a natureza e a desaceleração do ritmo de vida, no fast ou slow fashion a tecnologia é uma importante aliada seja para otimizar recursos ou para desenvolver novos métodos de produção que atendam a demanda com menor impacto social e ambiental. E são esses universos aparentemente opostos que trazem para a moda interessantes misturas de referências, materiais e estruturas.

Para o outono/inverno 2018/2019, a Intertextile Shanghai Apparel Fabrics aponta quatro tendências. As duas primeiras, Humanidade e Origens, trazem à tona valores essenciais e a “apreciação pelas coisas simples na vida“; conceitos que se traduzem não apenas na celebração do artesanal mas da inventividade, uma vez que a invenção e o instinto fazem parte da humanidade. Nos materiais a rusticidade e o conforto unem-se a matérias-primas tecnológicas voltadas à proteção, e tecidos como o denim e o linho cru dividem espaço com malhas e jacquard com fios múltiplos. As palavras-chave da estamparia são primitivo e orgânico, com desenhos voltados à flora e fauna.

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Aconchego (hygge) é a tendência que reforça a busca por qualidade de vida e equilíbrio: “Aprender a fazer coisas práticas bem e cuidar de si mesmo é a principal prioridade“. Com conforto e bem-estar como palavras de ordem, cores claras e modelagens amplas fazem parte desse conceito. Tecidos leves e fluidos como cetim, seda e crepe trazem um toque de sensualidade; e, ao lado de texturas delicadas como a do tricô, entram nuances de brilho através de materiais acetinados, fios metálicos e bordados.

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As misturas culturais e contrastes constroem o quarto conceito: Subversivo. “À medida que as gerações e as culturas se misturam, surge uma história visual forte e contrastante”, que traz tanto a estamparia com motivos folclóricos como desenhos geométricos que remetem ao ambiente urbano e à tecnologia. A cartela de cores combina tons vibrantes à cores escuras, e o espaço está aberto para a ousadia: pense em peles coloridas com acessórios de plástico, e estampas vintage ao lado de peças oversized com referências esportivas e divirta-se.
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(Imgens: Intertextile Shanghai Apparel Fabrics)

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Moda

Misture e atualize

Com tantas boas referências, a moda parece não querer descartar nenhuma delas. Há algumas temporadas as misturas de estilos unem informações e aparecem como aliadas do consumo consciente, inspirando e validando novas propostas com o que já está no guarda-roupa. As produções do Resort 2017 internacional das marcas Tory Burch e Valentino trazem, cada uma a seu modo, combinações interessantes que mostram clássicos, itens atemporais e peças que poderiam ser de estações passadas em composições atualizadas.

Detalhes e acabamentos artesanais (ou que remetem a esse universo) transformam jaquetas, calças e acessórios utilitários em um mix inteligente de referências étnicas e esportivas no lookbook da Tory Burch. Cartelas de cores clássicas como preto, branco e cinza, ou vermelho, azul e branco, neutralizam o mix de estampas e a combinação de padrões étnicos com calças e jaquetas esportivas, de modelagem ampla e com as tradicionais listras laterais. Em outra proposta, tramas, texturas, bordados e acessórios rústicos são os responsáveis por trazer frescor a peças e estampas atemporais: uma ótima maneira de repaginar a camisa branca e a calça de alfaiataria.

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Tory Burch
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Tory Burch

O brilho aparece em composições cada vez mais despojadas. Depois de dividir espaço com a camiseta em catálogos e editoriais mundo afora, os paetês são combinados à jaqueta esportiva e sandália sem salto no styling da Tory Burch.

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Tory Burch

A Valentino também aposta em materiais sofisticados nos visuais casuais. No resort da marca italiana, a renda traz um toque sofisticado a camiseta e sandália rasteira: além do hi-lo de materiais, o contraste de estilos e cores coloca acessórios rústicos, estampa camuflada e a delicadeza da renda branca lado a lado, mostrando que um vestido romântico que está encostado pode ganhar novos ares com uma sobreposição moderna com camiseta estampada…

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Valentino

Ou parka militar. A peça leva atitude ao vestido branco clássico com salto alto, em um dos meus visuais favoritos da temporada. A bolsa com chaveiros e pingentes personalizados adiciona ainda mais informação de moda à produção; e está presente mesmo em looks que misturam estampas marcantes. É hora revisitar aquela peça estampada favorita combinando-a com um print da temporada, e atualizar a bolsa clássica com detalhes da vez. Um visual 100% novo não precisa ter saído hoje da loja.

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Valentino
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Valentino

(Imagens: divulgação)

Moda

Regras (festivas) para quebrar

Estamos em dois mil e dezessete e ainda há quem acredite que a moda funciona como uma grande enciclopédia de certo e errado. Quando o assunto é roupa de festa, mais ainda. Recentemente compartilhei (na fanpage) uma publicação da Consuelo Blocker sobre vestido de festa com sapatos baixos, mas o salto alto é só uma das falsas obrigações femininas para festas formais.

• “Precisa usar vestido”

Certa vez, conversando sobre visuais festivos, comentei que minha irmã não usa vestido. Na ocasião, ouvi um comentário delicadamente repreensivo: “Como assim? Qual o motivo? Mas nem em festa black tie“? Minha irmã, nem ninguém, precisa de um motivo além de “não gosto de vestido” para justificar a escolha do próprio look. Mais ainda em um momento onde macacão no altar e alfaiataria no Tapete Vermelho do Oscar não são novidade. Além disso, nenhum dress code é superior à personalidade e conforto. Se precisa usar o que não lhe agrada para estar em algum lugar, a dica é: não vá a esse lugar.

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Monique Lhuillier
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Monique Lhuillier

• “Tem que ir de salto”

Há pouco tempo escrevi sobre dress code, e a ideia que levei para esta publicação conversa com a falsa obrigatoriedade de vestido e salto alto para festas. Quando pensar em dress code, sobre ser/não ser adequado, não prenda-se às peças em si, mas ao grau de formalidade do item aliado ao modo de usar. Existem ótimas opções de calçados formais sem salto, e em alguns ambientes eles são até mais adequados que os modelos altos (casamento na praia, por exemplo).

Ninguém precisa estar de salto para estar elegante, nem mesmo a noiva: sapatilhas forradas com tecido nobre e aplicações de pedras combinam muito bem com longos, e até mesmo sandálias baixas, quando combinadas corretamente, funcionam. No lookbook da coleção limitada da Alberta Ferretti (outono 2017), rasteiras em cetim completam de forma perfeita vestidos de renda curto e longo; e no styling da Monique Lhuillier (primavera 2018) a sapatilha desfila junto com um vestido clássico.

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Alberta Ferretti Limited Edition
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Alberta Ferretti Limited Edition
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Monique Lhuillier

• “Sem brilho é simples”

A sofisticação de uma peça não está na quantidade de bordados, mas no corte, nos materiais e no caimento da peça. Bordado demais (ou mal feito) pode, inclusive, “empobrecer” o visual. Na hora de escolher uma roupa de festa, invista em bons tecidos e escolha um modelo que valoriza o que mais gosta na sua silhueta. Essas peças não custam pouco, e esse é mais um motivo para optar por modelos versáteis: vestidos com poucos detalhes podem ser atualizados de uma festa para outra com acessórios e complementos diferentes, e circulam em ambientes com grau de formalidade diferentes. Sim! Repita a roupa. Peças boas não são descartáveis.

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Albino Teodoro

No resort 2018 da Albino Teodoro, vestidos lisos com o corte impecável trazem detalhes como faixas para amarrar de diferentes formas,  forro em outra cor e broches preciosos. As festas fazem parte da sua rotina? Pense na possibilidade de investir em peças separadas, top, saia ou calça, em tecidos nobres para criar diferentes composições nessas ocasiões.

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Albino Teodoro
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Albino Teodoro

Reparou na maquiagem e no cabelo das produções da Monique Lhuillier e Albino Teodoro? A obrigatoriedade da beleza de salão, dos penteados esculturais e maquiagem elaborada é a quarta regra a ser quebrada.

(Imagens: divulgação)

+ | Clique e confira, em Festa fora do óbvio, quatro endereços de moda festa sob medida em Curitiba.

Decor, Moda

Sua casa, seu estilo

Quando uma amiga me contou que acha fácil avaliar se um cômodo combina ou não com ela, mas que tem dificuldade em mapear seu estilo de vestir, lembrei de um programa que assistia no Discovery Home & Health chamado Minha Casa, Meu Estilo. No programa, o designer de interiores solicitava três roupas e acessórios favoritos do participante e, a partir dessas peças e acessórios, projetava o ambiente ideal. O contrário também é possível e (muito) válido.

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Se a decoração da sua casa é “bem resolvida” e lhe faz feliz, ela pode ser um ótimo ponto e partida para entender e aprimorar seu estilo pessoal. Inspirar-se em referências que não sejam roupas e acessórios nos ajuda a construir nosso estilo com mais personalidade. Como toda inspiração não tão direta, objetos exigem mais reflexão e resultam em uma análise muito mais rica do que gostamos: cores, formas, épocas etc. De elementos mais palpáveis, como cartela de cores, à referências estéticas, até mesmo a disposição dos móveis da sua casa dizem sobre seu “estilo ideal”: tem poucos móveis pois gosta de espaços livres?  Seu guarda-roupa pode precisar de peças-chave lisas. Tem muitas plantas pois valoriza a relação com a natureza? Que tal investir em tecidos ecológicos? Criou um ambiente integrado pois precisa de praticidade? Peças únicas podem seu uma boa ideia.

Cada detalhe do ambiente revela um pouco sobre seu estilo de vida, e o estilo pessoal precisa acompanhá-lo para trazer verdade e conforto. Não significa ter um vestido com a mesma estampa das almofadas, mas entender que o conjunto decorativo que gosta traz muitas pistas sobre o que funciona também na hora de se vestir. Que tal fazer esse exercício?

(Imagens: reprodução)

Design, Moda, Negócios

Onde sua marca está?

Dias atrás assisti a um seminário online sobre branding onde, entre outras coisas, falou-se sobre três conceitos de comunicação: posicionamento, tom de voz e território. Entre eles, já havia estudado e pensado o posicionamento e tom de voz da minha marca, mas nunca havia dedicado tempo para “explorar” seu território.

O território da marca diz respeito ao local onde ela está ou pretende estar. De maneira simplificada, uma marca pode “estar” na praia, em uma grande cidade, em um ambiente rural ou de luxo, e, indo mais a fundo, pode ater-se à espaços específicos dentro desses territórios: é uma praia pouco habitada ou um balneário “da moda”? A marca está no centro ou na periferia da cidade? Ainda que seu produto possa circular em diferentes ambientes, entender “de onde ele vem” é fundamental para mostrar de que forma ele se encaixa em outros espaços.

Pensar no território da minha marca ajudou a definir, concluir e solidificar muitos outros conceitos, tornando mais claro como e onde desejo posicioná-la e contribuindo para refletir tudo o que a envolve. Compartilho meu estudo, no papel mesmo, para ilustrar e incentivar a olhar à fundo esse conceito.

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No centro do papel, junto com a marca, coloquei a primeira coisa que me veio à cabeça quando pergunto, pensando como marca, onde estou? Das palavras escritas a partir do conceito e seus desdobramentos, é possível criar um bom guia para nortear o processo criativo e traçar estratégias gerais muito além do território; e que incluem também aspectos físicos do produto. Palavras como interferências e opostos como tradicional e novo podem aparecer em coordenações de cores e formas, enquanto reuso, reedição e restauração evocam a vontade de trabalhar com materiais reaproveitados.

Sendo assim, tanto em um projeto de marca quanto em uma marca já existente, vale a pena exercitar esse e outros conceitos, reunindo as palavras para analisar se seu produto e marketing (das fotos de divulgação aos textos nas redes sociais) seguem para o seu território e atendem as necessidades dos “habitantes” dele. Um dos maiores desafios de uma marca, e renovar-se constantemente mantendo identidade e conceito alinhados e firmes. Saber bem onde está é o primeiro passo para criar e preservar esses fundamentais aspectos.

(Foto: Ivy Lemes)

Design, Moda

Viagens inspiram minha segunda coleção

A textura das nuvens me traz a sensação de leveza e conforto, duas palavras que busquei traduzir nos acessórios da segunda coleção que leva meu nome. A paixão por viagens e a busca por conforto para vestir inspirou o desenvolvimento dos acessórios da linha Voo: perfeitos para voar, por sua leveza e praticidade, os lenços em poliviscose podem ser enrolados no pescoço ou envolver o corpo durante a viagem.

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A cartela de cores conta com tonalidades versáteis, e o tecido liso com textura leva informação de Moda aos visuais mais básicos. O atemporal cinza mescla une-se à duas apostas da Pantone para o Verão 2018 compondo um trio fácil de combinar com cores claras ou escuras, no verão e no inverno. Quer coisa melhor para quem viaja entre estações inversas?

O material escolhido, a malha poliviscose, é um tecido sintético que, por absorver menos água, tem como característica a secagem rápida, agilizando lavagens emergenciais ou no próprio quarto de hotel. Com o propósito de eliminar o desperdício, adaptamos o tamanho do nosso acessório para aproveitar 100% do material; e seguindo a proposta slow fashion, a coleção é limitada a trinta peças numeradas.

Além da aba aqui no site, a marca está no Instagram. Quer ver de perto? Entre em contato e visite nosso escritório.

(Foto: divulgação)

Moda

Truques alongadores

Sempre que me perguntam sobre o pode/não pode na moda, respondo que as tabelas de certo e errado ficaram no passado. Nenhuma peça é “proibida” para o seu tipo físico. Para usar a  moda a seu favor, e valorizar ou destacar características que lhe agradam, o “como usar” é mais importante do que o “o que usar”. A pedidos, trago alguns truques que ajudam a alongar a silhueta, para quem quer ganhar visualmente alguns centímetros.

Começo pelas composições monocromáticas, ou com pouco contraste de cor. Esses looks, por não possuírem muitos “cortes visuais”, criam a ilusão de continuidade e, consequentemente, mais altura. O mesmo acontece com sapatos em tom igual (ou próximo) ao da pele. Outra forma de evitar um corte visual na silhueta é escolher o sapato combinando com a calça e não com a parte de cima da roupa, principalmente quando o calçado não deixa o peito do pé livre (tênis e botas, por exemplo): a cor constante cria uma linha vertical mais longa, alongando o todo.

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Falando nisso, aposte em linhas verticais. Além das estampas, linhas verticais podem estar presentes no visual através de recortes ou detalhes das peças (como um pesponto vertical em destaque na jaqueta, ou um detalhe na lateral da calça em cor contrastante). Outra forma de trazer linhas para o visual é usar sobreposições com peças mais longas e abertas: repare que um colete ou cardigã aberto cria duas linhas verticais no centro do corpo. Colares e brincos longos também contribuem para esse efeito, assim como penteados altos e bico fino.

Outra maneira de alongar a silhueta é trocar a cintura baixa pela cintura alta. Faça um teste em frente ao espelho e repare como as pernas parecem mais longas com a segunda opção, quando deixa o cós alto à mostra. Cuidado com os cintos e faixas na cintura: prefira detalhe da mesma cor da calça, ou em tom próximo, para não criar mais um corte visual e comprometer o resultado. Lembrando que qualquer truque de styling é para quem quer, e que parecer mais alta não é uma obrigação.

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(Imagens: Asos)

Comportamento, Moda

Etiqueta vermelha

Não é de hoje que as lojas iniciam suas liquidações de inverno quando a estação mal começou. Mas confesso que esse ano levei um susto quando comecei a receber anúncios de saldos e lançamento de coleção resort enquanto ainda espero o primeiro “frio de verdade” do ano. Sabe aquela antiga chamada de preços baixos que diz “deu a louca no gerente”? Nunca fez tanto sentido. Minha proposta é deixá-lo “fazer o louco” sozinho por diferentes motivos.

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O primeiro deles é que não precisamos acelerar mais ainda as coisas. Do antigo calendário onde as marcas apresentavam quatro coleções por ano (embora não julgue viável voltar a ele) passamos a inserir coleções intermediárias e linhas entre as intermediárias até chegar ao ponto de tirar de cena a coleção de inverno na chegada da estação: as lojas já estão “botando fora” aquela bota que você nunca usou! Mais que estimular o consumo frenético quando o mundo pede (implora!) consciência e responsabilidade com compra e descarte, as liquidações precoces afetam profundamente pequenas, e até médias, empresas e marcas que não podem competir em preço e ritmo.

Olhando por um viés “egoísta”, será que há vantagem real em comprar aquela peça de R$ 300 por R$ 100, ou você só está pagando o que ela realmente vale (ou mais)? E pensando em moda ética, será mesmo que algumas dessas empresas resolveram praticamente doar seus produtos recém lançados, abatendo 70% de seu valor, em um sopro de bondade? Ou há algo muito errado na precificação cheia? Etiquetas que oferecem 60, 70% de desconto em produtos novos abrem espaço para uma importante reflexão: o quanto de lucro abusivo e práticas duvidosas podem conter aí?

(Imagem: Simon Greig Photo via Visual Hunt)