Arte

“Pop brasileiro”

De maneira geral, os trabalhos rebatem distinções entre cultura popular e cultura erudita, “bom” e “mau” gosto. Apropriam-se das coisas do entorno imediato, reproduzem ou transfiguram cenas corriqueiras (das ruas, da intimidade) e imagens em circulação nos jornais, revistas, TV, na propaganda e nas histórias em quadrinhos. Desde aquela época, até hoje, essas produções costumam ser chamadas de “pop brasileiro“.

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Tentativa de Ultrapassagem, de Raymundo Colares

O trecho acima faz parte do texto que abre a mostra Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright, na Pinacoteca de São Paulo. “Manifestações de inconformismo, contrárias às autoridades e oficialidades“, características das produções culturais do país a partir de 1960, estão presentes em cerca de 80 obras realizadas entre as décadas de 1960 e 1970 “pelos artistas mais representativos da nova figuração, do teor político e da explosão colorida do pop.

Em comum com o movimento artístico norte-americano chamado de Pop Art, cuja principal fonte de inspiração era o dia-a-dia das grandes cidades e os “símbolos e produtos industriais dirigidos às massas urbanas“, desde enlatados até a imagem de grandes estrelas do cinema, como conta Graça Proença no livro História da Arte, as obras de brasileiros como Raymundo Colares, Marcello Nitsche, Claudio Tozzi e Wanda Pimentel também trazem traços marcantes e cores contrastantes, chamando a atenção para detalhes e mensagens cotidianas que muitas vezes passam despercebidas.

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Buum, de Marcelo Nitsche

Além dos nomes em exposição na Pinacoteca de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba, também exibe obras de artistas que caracterizam-se pelo “afastamento do abstracionismo e suas vertentes e, consequentemente, pela aproximação das correntes artísticas que buscavam a volta da figura” no mesmo período na mostra Anos 60|70: Um Panorama. Pela temática “com conteúdo crítico, político e social“, tão atual no momento em que vivemos, e/ou pela estética vibrante e atemporal, vale a pena passear pelas duas mostras e conhecer a arte de brasileiros que não ficam nada atrás de Andy Warhol.

Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright, fica em cartaz na Pinacoteca de São Paulo até 26 de agosto de 2019; enquanto a exposição Anos 60|70: Um Panorama está aberta ao público (e é gratuita) até o dia 30 de julho de 2017.

(Imagens: reprodução)

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