Moda

Prefira referências estranhas

Do meu primeiro mês como estudante de moda até hoje, ouço o velho questionamento sobre certas peças e composições de desfiles e revistas: “Como eu vou usar isso”? Com o passar desses (dez!) anos, muita coisa mudou na forma de informar e apresentar moda e, consequentemente, na maneira como as pessoas recebem essas informações.

Há quem prefira buscar ideias sobre o que e como vestir em fontes que trazem imagens mais palpáveis. Porém, campanhas de moda e editoriais com styling ousado e que foge do que vemos com facilidade nas ruas, são fontes de inspiração que valem a pena serem “lidas”. Essas imagens costumam resumir tendências (para agora e para o futuro) e conceitos capazes de aguçar a criatividade, e por não parecerem usáveis  à primeira vista exigem um olhar mais atento. É dessa observação que captamos ideias de moda que vão além do óbvio.

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Carven Resort 2018

Pare para reparar naquela campanha nonsense que parece ter sido feira para habitantes de outro planeta. Olhe os detalhes, as combinações de texturas e cores, a luz, o enquadramento, a relação entre os personagens e cenário… Visuais com misturas exageradas de estilo não estão lá para serem copiados de maneira literal, e modelos sem sutiã não propõe que saia assim de casa. Interprete o tailleur clássico com gola alta usado com rasteira de corda bordada com elementos rústicos como uma possibilidade de combinar acessórios artesanais com blazer; e aquela sobreposição com quatro ou cinco peças de alturas diferentes como um incentivo para experimentar um comprimento novo. Na prática, ao encontrar uma “esquisitice fashion” que lhe chama a atenção por algum motivo, pergunte-se “Como eu posso usar isso?” com a mente aberta para interpretar e traduzir a sua maneira.

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Carven Resort 2018

Revistas e campanhas atuais não estão apostando em “esquisitices” por acaso: elas assumem o papel de conduzir o olhar para a mensagem, e não para as peças em si. Dessa forma, é possível encontrar no que já temos uma maneira criativa de expressar, através da roupa, o discurso com o qual nos identificamos. O resultado são looks com mais personalidade, construídos a partir de uma ideia e não de uma peça em si. Construção essa que vai ao encontro de uma maneira mais consciente de consumir sem deixar a moda de lado.

(Fotos: Jack Davison / Styling: Elodie David Touboul)

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Moda, TV & Cinema

Figurinos de época (e séries) para se apaixonar

Séries de época são as  minhas favoritas. Mais que emocionantes enredos, The Tudors e Downton Abbey trazem figurinos riquíssimos que, além de encantar pela beleza, mostram que Moda faz parte da história e da estória: caminha com elas e ajuda a contá-las. Dos complexos trajes do século XVI que vestiram a dinastia Tudor, quando as transações comerciais levaram até a Europa tecidos brocados, sedas e novas técnicas de tingimento vindas do oriente, à chegada dos anos 20 e a necessidade de roupas mais leves e descomplicadas, especialmente para as mulheres, presentes no figurino de Downton Abbey, vale a pena se entreter e aprender moda com essas duas premiadas séries.

•  The Tudors

Inspirada na história da dinastia Tudor, o figurino de The Tudors rendeu dois Emmys para a figurinista irlandesa Joan Bergin. Embora não sejam historicamente corretas, as roupas utilizadas nas quatro temporadas de série atendem a expectativa de seu criador, Michael Hirst, que buscou, na construção de The Tudors, criar cenas que “parecessem contemporâneas embora as pessoas ainda estivessem usando trajes históricos” não necessariamente fiéis, como conta o site Boullan citando Hirst: “O pensamento por trás dos trajes era de apresentar (uma era) Tudor desconstruída onde as roupas não seriam puristas e estranhas para um público contemporâneo”.

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Mesmo com alguns detalhes da vestimenta original da época retirados, como o codpiece, para os homens, ou adaptados para versões menos detalhadas, o figurino mostra a riqueza de adornos tanto da indumentária feminina como masculina dos nobres da época. Além da sobreposições de tecidos nobres ricamente bordados e detalhes em ouro e pele, as jóias são elementos indispensáveis na corte de Henrique XVIII. O famoso colar de pérolas da rainha Ana Bolena, com a letra ”B” em ouro e três pérolas em formato de gota pendendo sobre o pingente, registrado em pinturas de época e incorporado ao figurino da série, é um dos exemplos mais marcantes.

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• Downton Abbey

Na construção do figurino de Downton Abbey, assinado por Susannah Buxton e Caroline McCal, peças originais de época e bolsas vintage restauradas misturam-se às roupas confeccionadas especialmente para as personagens. Ganhadora do Globo de Ouro, a série retrata a aristocracia britânica através da rotina da família Crawley e seus empregados em sua propriedade rural chamada Downton Abbey, do final de 1910 e início dos anos 20. A evolução do figurino, de roupas típicas da Bella Époque até os looks mais leves e com menos tecido da década de vinte, retratam as mudanças na estrutura social, e consequentemente na moda, durante o período que a série compreende.

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Rico e cuidadoso nos detalhes, o figurino incorpora a personalidade de cada personagem através de sutilezas que vão das cores ao tecido das peças. Além disso, é notável a diferença entre a vestimenta dos serviçais e dos membros da família Crawley, onde as mulheres ostentam belos acessórios de cabelo, como chapéus e tiaras repletas de pedras, e sapatos bordados, que ganham destaque na década de 20 quando o comprimento mais curto dos vestidos os deixa à mostra. As jóias, assim como em The Tudors, são um espetáculo à parte. O sucesso das peças foi tanto que a joalheria 1928 Jewelry Co. lançou, em 2013, uma coleção de bijuterias e acessórios licenciados inspirados no figurino da série.

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(Imagens: reprodução)

Negócios

Organizando feedbacks

Já ouviu falar da Matriz Urgente/Importante (ou Matriz de Eisenhower)? Uma das mais conhecidas ferramentas para auxiliar na gestão de tempo, o método propõe a construção de uma grade composta por quatro áreas onde serão divididos compromissos e tarefas de acordo com sua importância e urgência. Apesar de já ter lido diversas vezes sobre a Matriz de Eisenhower, confesso que nunca fiz uso do método para organizar minha rotina, mas recentemente passei a utilizar seus princípios para trabalhar os feedbacks recebidos e necessidades percebidas em minha marca.

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Costumo anotar em uma folha de papel sugestões, reclamações e comentários aleatórios que por algum motivo considerei interessante. Em seguida, classifico queixas e comentários através do princípio da Matriz Urgente/Importante (o que é importante e urgente, o que é urgente mas não importante, o que é importante mas não urgente e o que não é nem importante, nem urgente). Válido tanto para serviços quanto para produtos, é importante lembrar, quando trata-se de um produto, que precisamos considerar feedbacks não apenas referentes aos aspectos físicos (falei mais sobre olhar o produto como um todo aqui). Lembre-se também que os comentários devem ser filtrados de acordo com a realidade e propósito do negócio: aumentar a quantidade de peças iguais não conversa com a ideia da minha marca, por exemplo.

Depois da classificação, começo a rabiscar uma lista de soluções para os “urgentes e importantes” e em seguida parto para os demais pontos. Fazendo isso, consegui perceber que alguns ajustes são simples, e que existem tópicos que só precisavam ser lembrados para colocar em prática: um texto do site que não está tão claro quanto imaginava, gerando perguntas que deveriam ser respondidas por ele, é um exemplo. Além disso, organizar as questões que precisam ser aprimoradas ajuda a não “entrar em desespero” diante dos problemas mais complexos ou de uma grande quantidade de tarefas.

Colocar a Matriz de Eisenhower no papel me ajuda a ver de maneira mais clara o cenário atual dos meus negócios e a identificar os feedbacks  que mais afetam o andamento da marca solucionando-os primeiro. Quando a empresa conta com uma equipe pequena (de duas, três ou apenas uma pessoa) é ainda mais importante determinar uma ordem para a resolução desses pontos não apenas por questão de logística ou para que nada passe despercebido, mas também para não ser consumido por eles tendo que abrir mão do final de semana ou de momentos importantes na vida pessoal.

Vale lembrar que esse texto não pretende ser uma aula técnica sobre negócios. A intenção dessa e de outras publicações sobre o tema é apenas compartilhar experiências que funcionam por aqui e talvez possam auxiliar outros profissionais em situações parecidas. Por que falar sobre feedbacks ao invés de tarefas como um todo? Pois acredito que esse seja um dos aspectos mais importantes para o sucesso de um negócio, e por perceber que em muitas empresas críticas e sugestões não são consideradas ou tratadas com a seriedade que merecem.

(Imagem: Visual Hunt)

Comportamento, Moda

“O que é slow fashion mesmo”?

Com origem na Europa, e inspirado no movimento slow food, o movimento slow fashion é uma alternativa ao que chamamos de fast fashion. A criação do termo é atribuída à consultora e professora de design sustentável do Centre for Sustainable Fashion Kate Fletcher, e diz respeito a uma forma de criar e consumir moda de maneira consciente. Assim como passamos a dar mais atenção à origem dos alimentos que consumimos, o impacto ambiental e social causado pela indústria da moda nos últimos anos pede uma leitura cautelosa também do “rótulo” do que vestimos

Apesar de estar intimamente ligado aos fatores ambientais, o movimento slow fashion diz respeito a todo o ciclo e pode ser praticado de diferentes formas por quem produz e/ou consome. Da escolha de materiais produzidos com menor impacto ambiental (ou reaproveitados) passando pelo respeito às leis trabalhistas e valorização da mão de obra até o reconhecimento do design autoral, da moda com personalidade e de itens que sobrevivem aos modismos passageiros (e que não por isso ignoram as tendências), adotar o slow fashion é, acima de tudo, uma questão de comportamento.

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Gola de tricô Ivy Lemes Slow Fashion

Produzir em pequena quantidade, acompanhar o processo do início ao fim, desenvolver peças únicas e transmitir mensagens genuínas que envolvem cultura, referências e habilidades de quem faz são algumas ações que diferenciam produtos slow fashion das cópias em massa que encontramos em grandes redes. A escolha cautelosa de materiais de qualidade superior e o cuidado com os detalhes visa entregar produtos feitos para durar,  assim como a criação de peças originais busca gerar real identificação com quem veste (na estética e na mensagem): produtos bons e que “falam sobre você” não perdem espaço com a mudança de estação.

Depois que lancei minha marca, dentro do conceito slow fashion, muitas perguntas sobre o assunto chegaram até mim; e é por isso que resolvi falar de maneira geral sobre esse conceito sem ignorar os “contras” apontados. Uma marca de slow fashion dificilmente proporcionará a variedade de cores e modelos encontradas nas araras das lojas de departamentos. E nem produzirá uma coleção em três, quatro ou sete dias para “todos os gostos”. E esse não é o objetivo. Aqui a identidade vem antes das tendências, podendo estar ou não de mãos dadas com elas. Slow fashion envolve, novamente, comportamento e questionamento: precisamos mesmo de todos esses modelos “para ontem”? Precisamos vestir a roupa da moça da novela?

Independente de onde e como cada um deseja consumir, o recado do movimento slow fashion é diminuir a velocidade para refletir sobre essas escolhas. Para criadores de Moda que estão mais preocupados em criar cartilhas de “certo e errado” para incluir ou excluir marcas da proposta levando em conta características que não impactam em seu propósito, e para consumidores que estão buscando novas formas de relacionar-se com a moda, deixo o recado: não existe apenas uma maneira de fazer e praticar slow fashion. Entender os princípios e usá-los sem moderação (e de verdade) é o que importa.

(Foto: Ivy Lemes)

Design, Moda

Calçados nacionais (que vendem online) para conhecer

Design não é só forma, é um jeito de ver e agir no mundo. De estabelecer vínculos e inspirar caminhos para o bem estar pessoal e coletivo“. Design original, qualidade, conforto e a criação de uma rede sustentável são alguns dos princípios da Ciao Mao, marca de calçados criada em 2007 pela designer Priscila Callegari.

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Modelo Origami, da Ciao Mao

Com modelos que misturam materiais e formas, sem comprometer o conforto, os calçados da Ciao Mao chamam a atenção para o que resolvi chamar de originalidade possível: fogem do óbvio, mas trazem opções que se encaixam em estilos diversos. Conheci a marca na Loja It, em São Paulo, e me encantei pela forma criativa de unir texturas e cores sem comprometer a usabilidade da peça tanto no quesito estético quando ergonômico. Na loja online, modelos como o Vyrmol e o tênis meia são exemplos de peças capazes de modernizar visuais com peças clássicas e completar composições tão atuais quanto.

Versatilidade também é palavra de ordem nos calçados da Yellow Factory, marca da designer Débora dos Anjos, que conta com linhas especiais sem gênero e vegana. Na Yellow Factory, clássicos como o mocassim e hits como a sandália inspirada no modelo da marca Birkenstock ganham materiais, detalhes e cores diferenciados: destaco o College Fringe Shoes branco com solado preto e os sapatos Atacama em cores que ultrapassam modismos, como caramelo e verde musgo. Outra boa pedida é o modelo Will que, com design “nem fechado nem aberto”, pode ser usado com ou sem meia, no inverno e no verão.

(Imagem: Ciao Mao)

Moda

Looks para o inverno. Para o inverno.

Francamente, blogs de look do dia, quem vai usar esse decote no frio? Mangas dobradas, pernas à mostra, sapatos “decotados”… Nem todas as cidades brasileiras têm invernos rigorosos, mas alguém me conta onde é possível usar casaco de pele + cachecol de lã com mini saia e meia fio 15 “ao mesmo tempo e agora”? Ou onde fica esse cenário com neve que pede botas com pele e sobretudo mas permite fazer um charme com a manga dobrada até metade do antebraço? Vamos ser sinceros: é preciso mais que isso. E pensando nas reais necessidades, compartilho uma pequena lista de itens que realmente valem o investimento em períodos de frio.

Precisamos, por exemplo, de camadas. Algumas vezes elas não são bonitas. E nem precisam ser. Aquela malha antiga com a tonalidade levemente mais clara que o tom original, uma segunda pele nude, ou até a parte de cima do “pijama do dia”. Não importa. Tanto quanto camadas, precisamos de blusas ou casacos amplos capaz de escondê-las: na hora de fazer compras, priorize essas peças ao invés de casaquetos abertos ou jaquetas justas. Quer uma jaqueta de couro para atravessar invernos rigorosos? Certifique-se de que ela é capaz de abraçar o seu moletom ou uma blusa de lã grossa.

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Por falar em moletom, vestidos nesse material são ótimos companheiros para essa época. Com a modelagem ampla, eles abrigam todas as camadas e ficam charmosos com legging ou calça skinny + botas ou tênis, outro bom investimento sobre o qual falarei mais adiante. Outro detalhe para se pensar ao adquirir tricôs são os decotes: prefira a gola alta ou aqueles que “se encaixam” na maioria das blusas que costuma usar por baixo. Gosto muito de tricô com decote V, por exemplo, mas evito essas peças quando o objetivo é escolher uma roupa para o frio intenso para não precisar me preocupar em combiná-lo com a blusa que ficará à mostra. Quando decido usá-lo adiciono uma gola ou cachecol, mas essa é uma questão bastante pessoal (de alguém, no caso eu, que prefere visuais com pouca informação visual).

Calças em couro ou materiais similares aparecem com frequência em listas de inverno, mas elas podem te deixar numa fria. Com materiais nada “quentinhos”, escolha modelagens amplas (como a da calça pijama) ou peças não tão justas, que permitam ao menos uma meia calça fio 40 por baixo sem limitar os movimentos. Vale a pena pensar duas vezes também na hora de investir em calças rasgadas ou com detalhes muito abertos. É possível criar sobreposições com meias, mas esse será mais um detalhe para pensar na hora de se vestir (o que pode tomar mais minutos do seu dia).

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Blogueira, não me venha com scarpin e sapatilhas. Coloca uma meia nesse pé, menina! Além de ser um conselho de mãe para não pegar resfriado, é um conselho de moda para não parecer visualmente incoerente (toda aquecida por sobretudo e cachecol mas com o pé “de fora”). Ter ao menos um calçado fechado é importante para quem vive em locais onde a temperatura costuma cair, tanto pela praticidade quanto pela estética: nem todas as sapatilhas combinam com meias grossas (seja pelo material, cor ou modelo). Com as referências esportivas em alta, não faltam opções de tênis no mercado e me faltam palavras para agradecer essa moda que me faz tão feliz, principalmente no inverno. Além deles e das botas, os sapatos oxford aliam conforto e informação de moda e podem ser usados com meias quentes.

Dizem que o frio chega de verdade essa semana em Curitiba. Será que neva?

(Imagens: reprodução)

 

Comportamento, Moda

Dress code do bem

Pode parecer frescura ou uma regra restritiva, mas não torça o nariz para ele: o dress code só está querendo ajudar! Como um bom amigo, ou melhor que muito amigo que “não avisa”, o dress code nasceu para aconselhar e não para impor.

Existem códigos de vestir explícitos, geralmente em convites, e implícitos. Ao circular por um ambiente com os olhos e a mente atentos para entendê-lo, é possível decifrar seu dress code: um passeio na praia, por exemplo, tanto pelo fato de ser um ambiente para relaxar ou praticar atividades físicas quanto pela questão prática, não é lugar para salto alto e calçados em tecido, em especial os claros, não são os mais recomendados. Ao pensar na função principal de um shopping, como centro de compras e conveniência, também podemos deduzir que o ambiente não exige produções elaboradas. Assim como um jantar de negócios é claramente uma ocasião que precisa unir formalidade com um toque de sofisticação.

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Quando o assunto é ambiente profissional, estar atento ao dress code, mais que deixá-lo confortável no ambiente, impacta em sua carreira. Embora nem todas as empresas forneçam, por escrito ou verbalmente, seu código de vestir, reparar em como seus colegas se vestem facilita o entendimento dele. Empresas de segmentos similares, e uma mesma função, podem ter códigos de vestir diferentes de acordo com a história, estilo e “lugar” onde a empresa está (literal e figurativamente).

O dress code nada mais é que um guia de adequação. E estar adequado é importante não apenas quando existem objetivos profissionais ou sociais envolvidos, mas serve para não sentir-se desconfortável em diferentes ambientes e situações (principalmente em espaços ou ocasiões “novos”): ele diz tanto “arrume-se muito” quanto “pode ir de chinelo mesmo”, e vale tanto para quem não sai do salto escolher o salto ideal quanto para quem prefere tênis optar pelo melhor modelo. Não tira personalidade e não deve ser entendido como ditador de “certo e errado”.

Como usar? Com o dress code em mãos (ou na cabeça), analise qual versão de si mesmo é mais adequada (útil + confortável) para aquele local, hora do dia, ocasião e outras variáveis. Lembrando que não é porque 90% das mulheres estão de vestido que precisa estar também: baseie-se no grau de formalidade e não nas peças /acessórios em si.

(Imagem: Visual Hunt)

Arte

“Pop brasileiro”

De maneira geral, os trabalhos rebatem distinções entre cultura popular e cultura erudita, “bom” e “mau” gosto. Apropriam-se das coisas do entorno imediato, reproduzem ou transfiguram cenas corriqueiras (das ruas, da intimidade) e imagens em circulação nos jornais, revistas, TV, na propaganda e nas histórias em quadrinhos. Desde aquela época, até hoje, essas produções costumam ser chamadas de “pop brasileiro“.

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Tentativa de Ultrapassagem, de Raymundo Colares

O trecho acima faz parte do texto que abre a mostra Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright, na Pinacoteca de São Paulo. “Manifestações de inconformismo, contrárias às autoridades e oficialidades“, características das produções culturais do país a partir de 1960, estão presentes em cerca de 80 obras realizadas entre as décadas de 1960 e 1970 “pelos artistas mais representativos da nova figuração, do teor político e da explosão colorida do pop.

Em comum com o movimento artístico norte-americano chamado de Pop Art, cuja principal fonte de inspiração era o dia-a-dia das grandes cidades e os “símbolos e produtos industriais dirigidos às massas urbanas“, desde enlatados até a imagem de grandes estrelas do cinema, como conta Graça Proença no livro História da Arte, as obras de brasileiros como Raymundo Colares, Marcello Nitsche, Claudio Tozzi e Wanda Pimentel também trazem traços marcantes e cores contrastantes, chamando a atenção para detalhes e mensagens cotidianas que muitas vezes passam despercebidas.

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Buum, de Marcelo Nitsche

Além dos nomes em exposição na Pinacoteca de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em Curitiba, também exibe obras de artistas que caracterizam-se pelo “afastamento do abstracionismo e suas vertentes e, consequentemente, pela aproximação das correntes artísticas que buscavam a volta da figura” no mesmo período na mostra Anos 60|70: Um Panorama. Pela temática “com conteúdo crítico, político e social“, tão atual no momento em que vivemos, e/ou pela estética vibrante e atemporal, vale a pena passear pelas duas mostras e conhecer a arte de brasileiros que não ficam nada atrás de Andy Warhol.

Vanguarda brasileira dos anos 1960 – Coleção Roger Wright, fica em cartaz na Pinacoteca de São Paulo até 26 de agosto de 2019; enquanto a exposição Anos 60|70: Um Panorama está aberta ao público (e é gratuita) até o dia 30 de julho de 2017.

(Imagens: reprodução)

Moda, Negócios

Não troco likes: O real alcance dos nossos projetos

Um amigo músico comentou sobre o hábito de “trocar likes” entre bandas e projetos e como isso, no fim das contas, não leva a nada. Essa observação vale para qualquer negócio. E também diz respeito a avaliar o sucesso pelo número de curtidas, ao invés de considerar envolvimento e resultado.

Quando “faço amigos” em redes sociais cujo perfil pode se interessar pelos meus projetos ou fanpages que gerencio, convido para curtir. Percebo, porém, que algumas pessoas curtem para ser curtidas, e “descurtem” quando percebem que eu não “dei like” em sua página de roupas para pets, dicas para mães ou outros assuntos que não me interessam.

Primeiramente, meu convite para curtir é apenas um convite. Não sinta-se obrigado, pois eu não me sentirei a retribuir. Para mim é importante, como disse meu amigo, observar o “real alcance dos meus projetos”; e ver como e quem interage com o meu conteúdo. Resumindo: não me interessam “10K fãs” comprados (ou trocados). Prefiro dez “fãs” conquistados, que leem e beneficiam-se do meu negócio de alguma forma, para os quais minha fanpage é útil. Da mesma forma, não quero minha timeline repleta de publicações de páginas com temas que não se aplicam à minha rotina ou estilo de vida, ou com produtos que não tenho interesse em acompanhar/comprar seja pelo motivo que for. Já somos bombardeados de informações o tempo todo, e quanto mais eu puder filtrar melhor. De forma direta: não vou seguir o que não me acrescenta, e não quero que me siga caso meu negócio não lhe interesse. “Tá” tudo bem. Continuaremos amigos.

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Sabendo que trocar (e comprar) likes é uma realidade, avaliar empresas/profissionais pelo número de curtidas nem sempre lhe trará um parecer correto. Assim como trocar (e comprar) fãs não sustentará de forma sólida o seu negócio. Recentemente, prestando consultoria para uma pequena empresa de moda, notei que o dinheiro gasto comprando fãs era o que faltava para investimentos bem mais importantes no momento em que a marca estava: uma nova logo e melhorias no produto são alguns exemplos. Além disso, o “vício” em aumentar o número de seguidores dificultava uma avaliação real tanto do público que a empresa pretendia alcançar como de quais estratégias eram efetivas para o que mais importa: vender o produto. Será que “esse tanto de K” estava de fato interessado naquelas peças?

Obviamente existem casos específicos onde os números valem mais que outros fatores. Mas arrisco dizer que a maioria das pequenas empresas não vai crescer priorizando o número de seguidores, sem ao menos ter um bom produto ou saber quem são eles, o que querem, como abordá-los… Concentre-se (e invista) em criar qualidade (no produto e no conteúdo) e relacionamento. Verdadeiros “fãs” não são comprados ou conquistados do dia para a noite, mas são eles que farão do seu negócio um sucesso.

Ivy Lemes Escritório de Moda presta consultoria criativa e de planejamento para pequenas marcas do setor de forma presencial ou online. Entre em contato comigo e conheça esse serviço.

(Imagem: Visual Hunt)

Moda

Moda atemporal (e com propósito) para elas e eles

Em um passeio pelo bairro de Pinheiros fui ver de perto duas marcas que acompanho via Instagram: a Yes I Am Jeans e a Insecta Shoes, que dividem espaço em uma loja inspiradora na Rua Artur de Azevedo. Na mesma rua, tive o prazer de conhecer uma marca masculina que segue o mesmo propósito das outras duas: moda com qualidade, feita para durar muito. E é sobre essas três marcas que falo hoje.

Com produção nacional e a melhor matéria-prima disponível no mercado, a Yes I Am Jeans trabalha com interpretações da clássica calça jeans de cintura alta. A cartela de cores neutras diminui a necessidade de produtos químicos no processo de lavanderia, reduzindo o impacto ambiental e incentivando o consumo consciente através de peças versáteis e que podem ser facilmente recombinadas: “Nossas peças resgatam um estilo de vida básico, simples, com foco no conforto e utilidade“. Além das calças, a loja online da marca conta com modelos de camiseta e vestido básicos.

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Loja Yes I Am Jeans + Insecta Shoes

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Com a mesma proposta, a Oriba é uma marca de roupas e acessórios masculinos criada por três amigos que, consumidores de moda básica, uniram-se no desafio de oferecer bons produtos essenciais: “Nos demos conta que nós três, e muitos outros amigos, consumíamos produtos básicos, sem excessos ou frescuras, só que nenhum comprado em nosso próprio país. Ora porque era caro, ora porque era de baixa qualidade“. Mais que oferecer qualidade e preço justo, a Oriba preocupa-se em acompanhar todas as etapas da produção e descarte de resíduos além de possuir um propósito maior: investir na educação infantil (leia mais sobre o Projeto Base no site da Oriba).

Para combinar com os básicos e essenciais, os calçados ecológicos e veganos da Insecta Shoes podem ser encontrados na prateleira ao lado das araras da Yes I Am Jeans. Produzidos a partir de peças de roupas usadas, além de garrafas de plástico recicladas, as botas, oxfords, sandálias e slippers da Insecta Shoes são unissex e livres de matéria-prima de origem animal. Com o reaproveitamento como palavra de ordem, a marca tem como um dos propósitos “aumentar a vida útil do que já existe pelo mundo”. Até mesmo a sola dos calçados é feita com borracha triturada do excedente da indústria calçadista. O resultado são peças únicas e que sobrevivem aos modismos.

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Loja Yes I Am Jeans + Insecta Shoes

(Fotos: Ivy Lemes)