Arte, Moda

Fotógrafo também faz Moda

Na noite de ontem a Subcomissão de Direito de Moda, vinculada à Comissão de Assuntos Culturais e Propriedade Intelectual da OAB Paraná, promoveu uma noite de palestras para falar sobre Moda como expressão de arte e cultura, onde a estilista Sandra Kanayama (comentei um pouco sobre o trabalho dela aqui) e o fotógrafo Luciano Fileti dividiram seu olhar sobre moda e arte. Dentre os diversos temas abordados, Luciano Fileti comentou a participação do fotógrafo na construção da fotografia de Moda, um tema sobre o qual paro para refletir a cada trabalho que realizo. Explico.

Aprendi, desde que comecei a estudar produção de Moda, qual era o papel do produtor em uma sessão de fotos. Entre as funções estão selecionar referências para o fotógrafo: referências de cores, de enquadramento, de estilo. Construía o passo a passo, mas confesso que muitas vezes me senti desconfortável com esse modelo.

Mesmo antes de conseguir fundamentar,  entendia o fotógrafo como parte muito mais ativa no processo do que o proposto pela apostila. Além disso, como dirigir de forma tão incisiva alguém que possui muito mais conhecimento de fotografia que eu? Por que não, ao invés de limitar cor e enquadramento, levar o conceito e o objetivo da mensagem para co-criar a imagem do produto, seja como designer ou produtora, ao lado de quem vai fotografá-lo?

photography-lighting

A parceria criativa que busquei construir com os fotógrafos com quem trabalhei me levou a ser elogiada por alguns e repreendida por outros: “você precisa me dizer exatamente o que quer”, disseram alguns deles (talvez acostumados com com o padrão engessado). Porém, os melhores trabalhos são resultado da discussão de uma ideia em dupla e as melhores cenas não são aquelas que rascunhei previamente.

Luciano Fileti acredita que respeitando o espaço e a visão do fotógrafo as chances de trazer algo novo e inusitado são muito maiores. Além de concordar plenamente com ele, acrescento que ter como referência outra fotografia de Moda, como aprendi, é um belo empurrão para cair no “lugar comum”. Obviamente cada caso é um caso (cada cliente é um cliente, cada produto é um produto), mas a escolha do fotógrafo por si só já tem como função triar, através do portfólio do profissional, o estilo ideal para determinado job. A partir daí, creio que uma (boa) dose de liberdade criativa só tem a somar. Convenhamos, não precisamos de mais do mesmo.

Parte do trabalho do fotógrafo Luciano Fileti está em exposição na mostra Signs, no Museu da Fotografia / Solar do Barão, em Curitiba até o dia 23 de julho. Aproveito para parabenizar a Subcomissão de Direito de Moda pelo excelente evento.

(Imagem: Visual Hunt)

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