Comportamento, Moda

Coisas de rico

Ao invés de estudar as populações marginalizadas, o antropólogo Michel Alcoforado dedicou-se a explorar, para sua tese de doutorado em ciências sociais, as classes abastadas do Rio de Janeiro. Em 18 meses de imersão Alcoforado analisou o estilo de vida, o comportamento de consumo e social, e a forma como se diferenciam os “nichos” dentro da alta sociedade. Em matéria para o site UOL, Alcoforado e a antropóloga Valéria Brandini, pesquisadora do consumo de luxo no país, falam sobre o tema em um vídeo rápido e super interessante.

Segundo a tese  intitulada “Coisas de Rico: Tempo, Valores e Posição Social” (2016), muito mais que status, os objetos caros são como um “passaporte de entrada para novos universos“: “Para frequentar lugares exclusivos a gente não precisa ter dinheiro, a gente só precisa ter as coisas de rico e saber lidar com elas“, afirma o antropólogo. A constatação justifica a facilidade de compra de objetos de luxo em nosso país, através de parcelamento (e dos brechós especializados no segmento?), assim como a exibição ostensiva deles.

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Além da capacidade que os objetos possuem de posicionar uma pessoa em determinado grupo, a antropóloga Valéria Brandini também fala sobre a constante necessidade de diferenciação de classes e a forma como o estilo de vida influencia nas escolhas de cada indivíduo, que podem ser diferentes dentro do padrão luxo. Entre elas estão as “não coisas”, como festas exclusivas, refúgios pouco explorados e experiências gastronômicas.

Recentemente comentei sobre alpinismo social e profissional, e sobre como esses códigos são importantes para a construção da imagem (e do marketing) pessoal para posicionar-se no círculo social desejado. Circular pelo “mundo da Moda” me trouxe inúmeros exemplos do valor que é dado às “coisas de rico”: até o cheiro de um perfume de grife é capaz de incluí-lo (ou não) em uma roda de conversa.

Embora avessa ao olhar que distingue pessoas ou profissionais pela marca da bolsa ou pelo bairro onde o escritório está instalado, o poder que os objetos de luxo possuem é inegável. E, independente de precisar ou não adequar-se a algum tipo de padrão, vale repensar a forma como entendemos os grupos sociais (o nosso e os demais), selecionamos e interagimos com nossa rede de relacionamentos, e buscamos o acesso aos “novos universos” através de determinados “passaportes”: “Até que ponto será que nós podemos culpar os objetos quando, na verdade, é a estrutura em que nos vivemos e as relações entre as pessoas que estão em jogo?“, diz a antropóloga Valéria Brandini.

(Imagem: Visual Hunt)

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