Arte, Moda

Matéria Escura e reflexões sobre o tecido que nos cobre

A forma, inovadora no período Barroco, de usar a luz para intencionalmente dirigir a atenção do observador até determinados pontos da cena destacou a pintura de Caravaggio. O contraste entre luz e sombra criado pelo pintor italiano, “valoriza o efeito plástico, pois os corpos ganham volume e a variedade de cores diminui” (Graça Proença no livro História da Arte).

A luz, tão importante da obra de Caravaggio, é também um dos principais elementos do trabalho de Manoel Veiga em Matéria Escura. Na mostra, o artista traz um novo olhar sobre a pintura do mestre italiano, e sobre o alcance da luz: “O nome “Matéria Escura” refere-se a um novo tipo de matéria que não interage com a luz e que representa 80% do universo”, conta Juliana Vosnika, diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer.

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Mais que demonstrar a amplitude da arte contemporânea e sua multidisciplinaridade, que aqui une arte e ciência, e trazer outras interpretações sobre a pintura de Caravaggio, as fotografias impressas que “eliminam as cores com as quais Caravaggio construía suas cenas” (Juliana Vosnika, diretora-presidente do Museu Oscar Niemeyer) destacam os tecidos e a relação entre roupa e corpo. A reconstrução da imagem dos corpos, na obra de Manoel Veiga, tem como intuito dissolver a narrativa original para recolocar as personagens no novo espaço formulado.

Entender as vestes como uma extensão do corpo e como elemento que, aliado ao movimento de quem veste e ao espaço onde está inseridos, ganha diferentes sentidos, incentiva a pensar a Moda além do produto.

Esses pedaços de pano capazes de revelar ou sugerir as formas que vestem, bem como sua ação e função na cena, trazem consigo múltiplas mensagens. Drapeados, sobreposições e amarrações interferem em como e onde a luz alcança, e são co-responsáveis pelo resultado da obra. Literal e figurativamente. Roupa nunca foi só roupa.

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Matéria Escura está em cartaz no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, até o dia 11 de junho de 2017. A entrada (inteira) do museu é R$ 16.

(Fotos: acervo pessoal)

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