Comportamento, TV & Cinema

Match Point, sorte e alpinismo social (e profissional)

O homem que disse “Prefiro ter sorte a ser bom”, entendeu o significado da vida. As pessoas temem ver como grande parte da vida depende da sorte. É assustador pensar que boa parte dela foge do nosso controle. Há momentos numa partida em que a bola bate no topo da rede e, por um segundo, ela pode ir para o outro lado ou voltar. Com sorte, ela cai do outro lado e você ganha. Ou talvez não caia e você perca“.

Sorte é o tema central de Match Point (2005). Mas, muito além dele, o filme de Woody Allen levanta questões sobre imagem, o que somos e o que queremos ser, e escolhas que, de mãos dadas com a sorte, alteram o rumo da vida.

Ultimamente, pensando e repensando as “fórmulas” de sucesso, o empreendedorismo de palco e questões relacionadas a marketing pessoal, assisti Match Point outra vez. Longe de ser uma crítica de cinema, registro essa indicação de filme chamando a atenção para alguns pontos que envolvem moda e imagem, além da sorte, como fatores importantes na gestão de nossas vidas pessoais e profissionais.

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Vale a pena observar os detalhes, no figurino e nos hábitos, que levam o instrutor de tênis Chris Wilton a conquistar um espaço na esfera social que deseja; e questionar o valor que colocamos nesses signos ao avaliar o outro social e profissionalmente.

Com tantas redes sociais e um massivo compartilhamento de imagens de si mesmo, arrisco dizer que os itens de moda estão entre os materiais mais utilizadas na construção dos equipamentos para a prática do alpinismo social e profissional. Conheço muito mais pessoas que vestem o que querem ser do que pessoas que vestem o que são. E, além da imagem literal, a imagem subjetiva, que inclui discurso e lifestyle, segue o mesmo caminho. Essa “maquiagem”, no filme e na vida, funciona. Até certo ponto.

Não estou invalidando a preocupação com a imagem (seria até incoerente), mas ela precisa, acima de tudo, ser honesta. Com muito cuidado para não transformar marketing pessoal em propaganda enganosa, a não ser que esteja disposto a (spoiler alert!) cometer um crime para evitar problemas com o PROCON.

O que quero dizer é que há muito gato vendendo a si mesmo por lebre. Por sorte (e falta de senso crítico), outros estão comprando.

Porém, se no cinema a sorte de Chris Wilton “soprou” a bola (e a aliança) para o lado mais conveniente, na vida não é seguro contar com o mesmo. “As pessoas temem ver como grande parte da vida depende da sorte”, e como a sorte pode estar hoje a seu favor e amanhã contra. Por isso, eu escolho ter a sorte como aliada sem precisar dela como única sustentação na hora de entrar no jogo.

Mostre uma imagem que permaneça firme ainda que a bola bata no topo da rede e volte, ou planeje o próximo crime e conte, mais uma vez, com a sorte para que ele não seja descoberto. Bom filme! E boa sorte.

(Imagem: cena do filme Match Point)

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2 thoughts on “Match Point, sorte e alpinismo social (e profissional)”

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